“O recurso ao que várias testemunhas descrevem como milícia privada e a violência com que ela parece ter operado revela comportamento inqualificável digno de um outro tempo e violam os princípios fundamentais do nosso Estado de Direito”

Escreveu a ministra federal do emprego Monica De Coninck, em comunicado, sobre a contratação de uma milícia armada alemã para furar uma greve com ocupação na Meister Benelux, na Bélgica. Esperemos que o governo da senhora De Coninck saiba tirar as devidas consequências das suas palavras, nacionalizando a empresa e emitindo ordem de prisão à patronal que ordenou e financiou o ataque.

Enquanto todos os meios de comunicação continuam a ignorar os factos, apesar de já ter sido quebrada a espinha da censura no país onde tudo se passou, estranhamente também boa parte da imprensa alternativa e da blogosfera se mantém na espectativa sem nada publicar sobre o assunto. O que os detém? Onde estão os cidadanistas quando mais se precisa deles? E os sindicalistas? Não ocorre à internacionalista CGTP dizer nada sobre o assunto? Nem uma palavra em solidariedade com os seus companheiros de luta?

Tradução das declarações da Ministra roubada ao Artigo 21º.
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22 respostas a “O recurso ao que várias testemunhas descrevem como milícia privada e a violência com que ela parece ter operado revela comportamento inqualificável digno de um outro tempo e violam os princípios fundamentais do nosso Estado de Direito”

  1. Bruno Carvalho diz:

    Renato, todos esses casos devem ser denunciados mas há que não ser-se histérico como se esse fosse caso único e a CGTP tivesse tempo para responder individualmente a todos os ataques que se fazem no mundo inteiro. Também não vi muita gente, para além da CGTP e do PCP, solidários com os trabalhadores da MB Pereira da Costa – filiados em sindicatos da CGTP – quando foram atacados por capangas armados na Amadora. Vamos lá a ter calma.

    • Renato Teixeira diz:

      Estou chocado com o silêncio que este caso está a ter em todo o lado aqui no burgo e reconhecerás que entre casos graves este tem condimentos que nos devem deixar histéricos.

      Olha que este ataque também é capaz de ser dirigido aos filiados da CGTP pah…

      Não foste tu que já por aqui declamaste algo do género?

      Primeiro levaram os comunistas,
      Mas eu não me importei
      Porque não era nada comigo.
      Em seguida levaram alguns operários,
      Mas a mim não me afectou
      Porque eu não sou operário.
      Depois prenderam os sindicalistas,
      Mas eu não me incomodei
      Porque nunca fui sindicalista.
      Logo a seguir chegou a vez
      De alguns padres, mas como
      Nunca fui religioso, também não liguei.
      Agora levaram-me a mim
      E quando percebi,
      Já era tarde.
      Bertolt Brecht

      ?

      • Bruno Carvalho diz:

        Eu também estou chocado e não questiono que estejas revoltado. Questiono porque tens de puxar a CGTP para o assunto como se a central sindical tivesse capacidade para escrever comunicados em solidariedade com todos os atropelos que a cada minuto acontecem no mundo. E o caso é bem grave, tão grave como muitos outros. Aquele que te referi da Amadora também foi com capangas armados, mas há outros. As operárias que estão há mais de 100 dias à porta da fábrica na Batalha também foram ameaçadas por um grupo de seguranças privados contratados pelo patrão.

        • Renato Teixeira diz:

          Porra Bruno. A questão não é escrever comunicados a peso. Trata-se de um salto qualitativo na repressão e que ultrapassa muitas das barreiras que não devem ser toleradas.

          Tu argumentas com outras lutas e eu não as secundarizo, não entendo é qual a razão que te leva a hesitar em reclamar à Central Sindical uma palavra sobre este confrangedor silêncio.

          Na posta anterior sobre este assunto um leitor (José Manuel) deixou este vídeo sobre as greves na GM. Espero que sejam suficientes para te convencer que há degraus aqui que não deviam passar em branco.

          Abraço.

  2. JgMenos diz:

    Si la ministre affirme “ne pouvoir souscrire” à la séquestration de la direction survenue la semaine dernière, …
    Violência gera violência, onde está a novidade?

  3. C.Silva diz:

    Este sujeito RT está sempre a jeito para criticar tudo a que cheira OCP e CGTP. Cuidado com êle.

  4. Luigi Fare Niente diz:

    Há.E há a violência revolucionária para acachapar os vende pátrias e toda a casta de sipaios
    ……………………

  5. C.Silva diz:

    Queria dizer PCP e OCP.

  6. renegade diz:

    Felizmente temos o Renato para dizer aos cidadanistas e à CGTP como se devem comportar. Sempre atento, o camarada Renato. Espero que não se fique pelo blogue e envie sempre os seus textos para o e-mail da CGTP e para o e-mail dos cidadanistas, não vão eles andar distraídos.

  7. tmn diz:

    RT é de esquerda.Tudo bem.
    Há limites para tudo,até para se estar em idade de irresponsável…
    Já chega,foda-se!

  8. Ulisses diz:

    Oh Renato deixa de apontar o dedo faz-te homem que os homens querem-se com génio, porque não pegas num tijolo e vais até à embaixada daquele país. O quê? Só vais se a CGTP também for? Ora bolas Renato.

  9. José Jardim diz:

    E a culpa é da CGTP…este merdas,pretenso revolucionário de sofá..anticomunista primata,parece que comeu uma sopa com toucinho e depois foi acometido por uma “caganeira” mais revolucionária que a Revolução.

  10. rms diz:

    Tu pareces tolinho… E sim, é o único argumento que vou utilizar.

  11. Pingback: Quem cala, consente? | cinco dias

  12. Luis Almeida diz:

    Cuidado Renato. Infelizmente, muitas vezes assesta-se a nossa mira contra o alvo errado. Matávamos pretos em África ( sim, estive na guerra colonial: dois anos na Guiné-Bissau ), quando a solução era termos matado o Salazar ( e, eventualmente, alguns outros capangas seus ). Em 1974/75, quando o país estava todo a mexer ” de baixo para cima”, com ocupações de fábricas, de terras, controlo operário, etc o MRPP achava que o Vasco Gonçalves não fazia o suficiente e chamava.lhe “social-fasctsista” – bem como ao PCP, que via como mentor do General. E onde estão eles agora que já não é a esquerda que está no poder? Evaporaram-se ! Ninguém ouve falar deles ( excepto do Garcia Pereira, estritamente em períodos eleitorais para, com a sua foice e martelo nos boletins de votos, subtrair votos à CDU… ).
    Eu sou materialista e, portanto acredito que um sindicato ou uma central sindical, como a CGTP, tem apenas e só a força que os trabalhadores lhe conferirem. Sou holístico: não acredito que o “crânio” não faça parte do corpo.
    Sou simultâneamente patriota e internacionalista e não vejo contradição nenhuma nisso. Mas, estou crente que a melhor solidariedade para com outros povos é dar primazia à revolução social cá dentro. Não existe uma relação dialéctica entre as partes e o todo? Melhorando cada uma das partes não se contribui ( às vezes até com saltos qualitativos ! ) para melhorar o todo?
    Pensar que a CGTP tem IGUAL tempo para acudir a tudo parece quase crítica de “outsider”, de quem não está por dentro das inúmeras tarefas do dia a dia.
    Que não é, faço-lhe essa justiça, o seu caso…

    • Zuruspa diz:

      Onde estäo os MRPPs de 1975 que chamavam “social-fascista” ao General Vasco Gonçalves? Todos näo sei, mas muitos (se näo a maioria) estäo no PSD…

      … e um deles até está em Bruxelas, como Presidente da Comissäo Europeia!

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