continuando a aprendizagem

Conceição Nogueira, professora e investigadora da Universidade do Minho, comenta o preconceito como explicação da não aprovação da adopção por casais de pessoas do mesmo sexo.

Sobre o tema esta investigadora coordenou o “Estudo sobre a discriminação em função da orientação sexual e da identidade de género” que foi publicado em livro que se encontra aqui on line.

(também aqui)

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23 Respostas a continuando a aprendizagem

  1. Pingback: continuando a aprendizagem « Paulo Jorge Vieira

  2. Vitor Ribeiro diz:

    Mesmo sendo heterossexual assumido e militante, ainda não conseguiu perceber que raio de discussão e debate social é necessário fazer para reconhecer algo que está mais do que estudado e, mesmo aos olhos de um leigo como eu, me parece tão óbvio. Tudo o que sejam direitos fundamentais não me merece qualquer tipo de discussão. Mas como não sou militante do PC – apenas mero simpatizante – reduzo-me humildemente à minha ignorância.

    • Mig_L diz:

      Eu cá não estou esclarecido, por exemplo. Estou de acordo com o direito que se dá aos homossexuais, mas, e parece-me que é esta a questão principal: E OS DIREITOS DA CRIANçA?

      • Vitor Ribeiro diz:

        É precisamente desses que estamos a falar!… Ou não? O direito de qualquer criança ter uma família, um lar, amor e carinho e oportunidade de crescer e ser feliz num ambiente minimamente saudável.

  3. Rocha diz:

    Ainda bem que há quem fale neste assunto sem insultar ao contrário de certas pessoas cá do Blog.

    Estou em desacordo com o Paulo e a Conceição. Suponho que possa ter razão em chamar ao resultado da votação um preconceito contra casais de pessoas do mesmo sexo, mas também suponho que quem assinala este preconceito também tenha um preconceito contra as crianças “adoptáveis”.

    A adopção não é uma solução, é um problema. Chamar à adopção de direito – como certas pessoas do blog fazem – revolta-me confesso. Direito de quem? Que direito têm as crianças cuja vida o capitalismo destruiu?

    Haverá casos excepcionais, na melhor das hipóteses. Em geral as tentativas de “liberalizar” este chamado “mercado”, transformado num “comércio” só me provocam repulsa.

    Acabe-se com a pobreza e depois pergunte-se aos pobres se querem adoptar. Não aceito desvios para a raiz do problema. É preciso dar o poder aos que nada têm. Não é ficar à espera, não é atender aos que ainda podem e ainda pagam. Repito: acabe-se com a pobreza primeiro.

  4. xatoo diz:

    este é um não assunto que já chateia (e chateia porque existe um pre-determinismo para chatear)

  5. Rogério diz:

    Realmente, a esterilidade deste assunto já mete dó. Eu sei que todos os assuntos são importantes desde que sirvam como arma de combate contra o PCP e esses comunas que defendem uma sociedade mais justa, mais igual, mais solidária e mais fraterna. Mas por favor, há limites.
    Sou militante comunista e assumo sem qualquer preconceito e sem qualquer problema de consciência: Sou a favor da livre orientação sexual, sou na favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ponto final. Tudo isso faz parte da opção de cada um e dos seus direitos de liberdade individual. Mas… Sou frontalmente e conscientemente CONTRA a adopção de crianças pelos casais do mesmo sexo.
    No entanto, e como não sou dono de todas ou nenhuma razão, posso ser convencido a mudar de opinião. Assim, se alguém me conseguir explicar onde fica a liberdade da criança que vai ser adoptada e que vai ficar com a identidade para toda a vida como filho de: Mãe:Francisco, Pai: Joaquim. Ou Mãe: Manuela, Pai: Helena. (isto são os dados que constarão na sua identidade pessoal) talvez mude de ideias. Se me conseguirem demonstrar onde ficam os direitos e liberdades da criança (que não vai ter outra opção senão aceitar naturalmente a adopção) que vai chegar à escola e correr o risco de ser achincalhada por alguns colegas pelo facto de ser filho do Miguel e do António, talvez mude de ideias.
    É curioso ver estes profetas das liberdades individuais a arvorem-se em defensores da adopção de crianças por casais do mesmo género sem ouvir ou ler uma frase que seja sobre o papel da criança adoptada.
    Eu sei que tudo não passa de anti-comunismo profundo, mas… isso como eu ao pequeno-almoço desde tenra idade. Portanto, destilem lá o vosso anti-comunismo apelidando esta opinião de conservadora, retrógrada, estalinista e sei lá que mais… afinal essa é a vossa verdadeira luta: Contra o PCP marchar, marchar!

    • Paulo Jorge Vieira diz:

      Caro Rogério

      Os meus comentários sobre o tema não são anti-comunistas. Nada disso meu caro. Vamos discutir. Foi essa a proposta de Bernardino Soares no parlamento. O tema tem de ser debatido na sociedade portuguesa. Por mim será debatido todos os dias. Os meus texto não se referem especificamente ao PCP mas sim a todos os que na sociedade portuguesa não estão convencidos da justeza desta proposta.

      Quantos às suas duvidas relativamente à adopção: em Portugal lésbicas e gays podem adoptar. casais de pessoas do mesmo sexo não. resultado casais (não formais, ou seja não casados ou unidos de facto) adoptam em portugal sem que a co-parentalidade de duas pessoas do mesmo sexo seja reconhecida. ou seja, na realidade, a nossa lei tal como está apenas desprotege as milhares de crianças filhas (adoptadas ou naturais)de lésbicas e gays portugueses. a maioria das pessoas pensa que falamos de um futuro qualquer mas não. estamos a falar de crianças, adolescentes e inclusivamente, adultos que não vêem as suas famílias reconhecidas pelo Estado.

      • Rogério diz:

        Caro Paulo,
        Não é verdade que as crianças estejam desprotegidas. Bem pelo contrário, estão protegidas contra uma parte da sociedade que não aceita esta situação. A lei actual já permite adopção individual, desta forma está assegurada a liberdade individual de adopção.
        Mas, no essencial não me respondeu à verdadeira questão. Qual é o papel da criança adoptada, nesta retórica. Onde é que se pode inserir a sua vontade nesta temática.

        • Paulo Jorge Vieira diz:

          caro Rogério

          não entendo a sua questão. onde é inserida a vontade da criança adoptada por um casal heterossexual? qual é o papel da criança adoptada por uma casal heterossexual?

          • Rogério diz:

            É simples caro Paulo.
            O seu não entendimento é a prova cabal de que a questão não tão simplista quanto alguns querem fazer crer. Desde logo está a excluir as questões de natureza civilizacionais e culturais de um povo. Não podemos analisar a sociedade apenas por aquilo que nós queremos que ela seja mas, também pela sua realidade. Quer você queira quer não, há largos sectores da sociedade que não aceitam, nem toleram as uniões entre pessoas do mesmo género, inclusive discriminando e marginalizando quem as pratica. Isto tem a ver com as raízes culturais e acredite que estas raízes não se mudam de um dia para o outro nem mesmo por decreto.
            Aliás, se analisar o interior do país (pelo menos aqui em maior número), vai verificar que mesmo com a lei dos casamentos homossexuais, mesmo com uma maior abertura social para estas relações, existem inúmeros homossexuais que não se assumem. Porque será?
            No caso das uniões entre pessoas do mesmo género, a verdade, e que não pode ser escamoteada nesta discussão, é que uma grande parte, nem sei mesmo se a maioria, da sociedade não aprova estas relações, limita-se a tolerá-la. Esta é que é a realidade nua e crua. No entanto, trata-se de opções assumidas por pessoas livres e conscientes que, muito bem, fazem valer o seu direito de serem o que quiserem, como quiserem, mesmo que isso contrarie as razões de natureza civilizacional e cultural de uma larga maioria da população. Esse direito foi consagrado, e muito bem, legalmente.
            Na adopção de crianças, o que acontece é que uma família com pai e mãe de géneros diferentes, é aceite com toda a naturalidade pela sociedade. Ou seja, a criança não está sujeita a qualquer choque com as raízes culturais ou civilizacionais da sociedade. O mesmo não acontece com a adopção por casais do mesmo género. Portanto, não me venham dizer que é a mesma coisa.
            E o que aqui lhe estou a colocar não pretende de forma alguma julgar se os casais homossexuais têm ou não direito de adoptar. O que aqui questiono é se é justo submeter uma criança que não tem tem voz activa na sua adopção a esta intolerância cultural. Ou se quisermos, é justo que uma criança que não teve poder de decisão esteja condenada a enfrentar as possíveis intolerâncias da sociedade?

            Terminando, não retiremos da questão em discussão as raízes culturais da sociedade em que estamos inseridos. E aqui se justifica o argumento de Bernardino Soares. Porque é efectivamente necessário primeiro amadurecer a sociedade para este facto.

          • Paulo Jorge Vieira diz:

            vejamos bem se percebi

            a lei actual discriminatória justifica-se por causa da homofobia presenta na sociedade portuguesa?
            mas desse modo não reforçamos a mesma? ou seja a culpa é da homofobia e continuamos a reforçar a mesma… boa!

          • Paulo Jorge Vieira diz:

            ou como diz a Conceição Nogueira
            ‎”Jornalista – Como em muitas coisas falta debate público. Será necessário muito debate público?
            CN- Não sei se vamos a grande debate, porque a investigação científica é muito clara. Portanto é uns a dizerem umas coisas e outros a apoiarem-se em crenças (…)”, Conceição Nogueira, Docente da Universidade do Minho

          • Jakim diz:

            Porque a criança se fôr adoptada por casal (casal homessexual não existe, o que existe são dois maricas amantizados) pode dizer que tem um PAI e uma MÃE, de acordo com a ordem natural das coisas.

            Se fôr adoptada por um par de maricas acha que ela pode dizer ao mundo que tem um PAI e uma MÃE ?

            Meu caro amigo, a Natureza determinou que um ser humano tem um PAI e uma MÃE.

            O probema na adopção por pares de maricas é a FILIAÇÂO, entre entras aberrações, entende ?

          • De diz:

            Caro Paulo:
            Esta coisa chamada Jakim começa a ser demais.
            Poderia aqui citar Karl Valentin e dizer:”E não se pode…?” mas receio que a sugestão fosse tomada à letra pelo coitado.
            E entrava em histeria

          • Paulo Jorge Vieira diz:

            o tipo de linguagem usada fica para quem a usa…

      • A.Silva diz:

        Acho que é isso mesmo, vamos trocar umas idéias sobre o assunto.

    • Fernando diz:

      Rogério
      O debate é sempre bem vindo.
      Mas tudo o que roça a tacanhisse, deve ser combatido.
      Ou seja, uma filho/a do joão e do joaquim, vai ter- progenitores joão e joaquim.
      um filho do joão e da maria, vai ter – progenitores joão e maria.
      isto nos seus documentos
      (já dava jeito ler as propostas, quando se vem para aqui tomar partido sobre elas).

      já socialmente cada um refere-se aos progenitores como quer: pai/mãe, pais, mães, joaquim e joaquina. Não me parece que o argumento da linguagem, seja o probelma para a regeição do PCP.

      já no que se refere ao facto das crianças virem socialmente a ser descriminadas, porque quem não aceita essa situação de homoparentalidade, acho o argumento completamente infundado:

      primeiro : essas criaças já existem, existem muitas crianças filhas de casais gays e lésbicas, e não me cosnta que nenhuma tenha sido agredia na escola ou na rua.

      segundo: se o facto da criança ter dois progenitores/as do mesmo sexo nos documentos, vai causar maus tratos sobres as mesmas por parte de colegas de escola, professores/as ou profissionais de saúde, então deve-se punir os criminosos ou as vítimas?
      partindo dessa lógica também deve achar que se devia acabar com o divórcio por causa do estigma para com filhos de pais separados. e das os filhos de mães e pais solteiros para adopção a casais heterossexuais por causa do estigma para com as mães solteiras. e obrigar as mulheres a vestir burca, por causa do assédio?

      ps – O PCP têm todo o direito de votar contra, não têm é o direito de usar o argumento da falta de debate, e irá continuar a ter cada vez menos esse motivo porque ninguém que defende o direito das crianças terem os seus progenitores reconhecidos, se irá calar.

      PS2 – se não quiserem fazer uma nova figura triste começem já a debater, porque ainda este ano vai ser apresentado na AR um projecto de Co-adopção. (adopção do filho do cônjuge, para casais que já tem crianças a cargo, apenas filha de um dos elementos).

      • Rogério diz:

        Caro Fernando, essa introdução da tancanhice… soa-me realmente a uma tolerância e um conhecimento das zonas interiores do país invejável.
        Mas olhe, talvez sejamos tacanhos mas também somos portugueses, também conhecemos perfeitamente a nossa realidade e temos direito a opinar com base no conhecimento dessa realidade.
        Quanto ao essencial, a questão não é essa. Não se trata de punir os agressores ou proteger as vítimas. A questão central aqui é que com a sua ou a minha concordância ou não, vamos expor a criança a estas possíveis situações. E qual é o papel da criança? Qual é o seu poder de decisão? E se acriança crecer e for vítima dessa discriminação e disser: “Foda-se. quem é que decidiu por mim para que eu tenha dois pais ou duas mães”?
        Esta é que é a questão. Eu sei que é mais uma tanhanhice. Mas na minha terra ainda continua a chamar-se aos homossexuais “mariconços” e às lésbicas “esfregonas”. E olhe que não é só na minha terra. O mesmo se passa em grande parte do nosso país. Agora, se querem excluir esta realidade cultural do debate… Vamos no caminho certo. Ou seja: as crianças depois que se amanhem. Têm o direito a aceitar ou… a aceitar e viva a liberdade individual.

  6. campónio diz:

    Mas também podiam ter dito que a piquena costuma ser candidata do Bloco.
    Dava uma ajuda!

  7. V Cabral diz:

    O PCP, tal como o BE, não é dono dos seus militantes. Se eu fosse militante, aceitaría uma discussão e depois proporía um referndo. Depois, mesmo sendo ateu, pensaría: Agora, seja o que deus quiser… assim é que a democracia funciona.

  8. Outro diz:

    Trago-vos à atenção o estudo apresentado pelo ILGA à comissão parlamentar com o título

    Impacto da orientação sexual e do género na parentalidade:
    Uma revisão dos estudos empíricos com famílias homoparentais.
    ” (PDF)

    “Desenvolvimento psicológico de crianças educadas em contexto homoparental”
    Dos 311 estudos sobre homoparentalidade recenseados por Olivier Vecho e
    Benoît Schneider (2005), 38 diziam respeito ao desenvolvimento psicológico de
    1000 a 1500 crianças educadas em contexto homoparental.”
    pp.6 (88)

    São citados dois tipos de estudos:
    No que diz respeito ao desenvolvimento psicossocial, as avaliações do comportamento da criança feitas pelos pais não revelaram diferenças substanciais entre as famílias heteroparentais e as famílias homoparentais.pp.7 (89)
    Efectivamente mais desenvolvida cientificamente (mais de 4/5 dos estudos citados) esta abordagem permite aferir com relativa segurança que as crianças não correm riscos relevantes pelo facto de se inserirem numa familia homoparental.

    Quanto às relações sociais das crianças com os seus pares e sua eventual discriminação, os resultados não são unânimes.
    A ausência de consenso nesta temática chama atenção para a provável influência do contexto social, mais ou menos liberal ou discriminatório, em que os estudos foram realizados.pp.8 (90)
    Com a adicional precisão, que, pelas datas da maioria dos estudos, as famílias e crianças estudadas, supôem-se em contexto monoparental, ficando a dúvida até que ponto se poderá extrapolar as conclusões dos mesmos para esse novo contexto não monoparental.
    É esta dimensão do problema que me preocupa desde a primeira intervenção. E como já disse muito por outras caixas, mais não direi à excepção do seguinte:

    Será o levantar esta dimensão da questão um exclusivo dos “conservadores”/”retrógrados”/”homofóbicos”/etc ou também dos “prudentes construtivos”, se os próprios cientistas a levantaram e ainda não estabeleceram “consenso”?(quanto mais a sociedade)

    com a agravante seguinte:
    – concordância em Portugal face ao casamento homosexual 29%
    – concordância em Portugal face à homoparentalidade 19%
    (dados European Union Agency for Fundamental Rights, 2009
    citados no “Estudo sobre a discriminação em função da orientação sexual e da identidade de género” acima apontado pelo Paulo)

    Socorro-me dos dados não para apontar uma eventual maioria contra tal aprovação de lei (“direitos não se referendam”) mas para sublinhar o amplo espaço que existe para ocorrência de “relação social” não benéfica para a criança adoptada.

    • Outro diz:

      o paragrafo acima:

      “Efectivamente mais desenvolvida cientificamente (mais de 4/5 dos estudos citados) esta abordagem permite aferir com relativa segurança que as crianças não correm riscos relevantes pelo facto de se inserirem numa familia homoparental.”

      é meu, e só por erro de formatação foi em itálico.

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