O último número da revista ex aequo, editada pela Associação Portuguesa de Estudos sobre Mulheres, publica um muito interessante artigo de Jorge Gato e Anne Marie Fontaine, investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Neste artigo (on line aqui na página da ILGA – Portugal) os autores realizam uma competente e interessante revisão dos estudos empíricos com famílias homoparentais desmistificando muitos mitos pseudo científicos sobre o tema. Aqui fica um cheirinho:
O discurso de que as crianças precisam da presença simultânea de uma mãe e de um pai tem subjacente a concepção que a maternidade e a paternidade implicam capacidades mutuamente exclusivas e estereotipadas em termos de género e que estas devem ser transmitidas à geração seguinte. Este paradigma essencialista (Silverstein e Auerbach, 1999) associa às diferenças biológicas e reprodutivas que se verificam entre homens e mulheres, diferenças de género no comportamento parental: a maternidade e a paternidade corresponderiam assim a papéis sociais distintos, vinculados de forma irrevogável ao sexo biológico do progenitor. À boa maneira psicodinâmica clássica teríamos, «de um lado uma mãe ao serviço da criança, prestadora de cuidados e guardiã de todos os afectos e, de outro lado, um pai, razoavelmente distanciado e introdutor da Lei social (…)» (Leal, 2004: 224). Esta diferenciação de papéis é visível sobretudo em casais heterossexuais que aderem a identidades e papéis de género tradicionais. Não obstante algumas mudanças, continuam a ser as mulheres quem investe mais na esfera familiar e no papel parental (Wall, Aboim e Cunha, 2010). No entanto, considerar a família heterossexual, com uma divisão tradicional de papéis, como o modelo desejável de parentalidade corresponde mais a um projecto ideológico do que a um facto cientificamente provado. Segundo Timothy J.Biblarz e Judith Stacey (2010) a maior parte das investigações a partir das quais foram retiradas conclusões sobre diferenças de género em termos de parentalidade não foram desenhadas para responder a esta questão. Para estes autores, a convicção de que é essencial a presença simultânea de um pai e de uma mãe tem, sobretudo, origem em estudos que confundem os efeitos de variáveis distintas, que interagem de formas complexas. Por exemplo, concluir que dois progenitores de sexo diferente são o contexto ideal para o desenvolvimento de uma criança, a partir de investigações que compararam mães solteiras com famílias nucleares tradicionais (e.g., Blankenhorn, 1995, in Biblarz e Stacey, 2010) é uma falácia. Em bom rigor, estes estudos não controlam o efeito do número de progenitores ou o seu estatuto conjugal e outras variáveis relacionadas (como, por exemplo, o nível socioeconómico).
(também aqui)





“A consensus has developed among the medical, psychological, and social welfare communities that children raised by gay and lesbian parents are just as likely to be well-adjusted as those raised by heterosexual parents. The research supporting this conclusion is accepted beyond serious debate in the field of developmental psychology”.
[...]The best interests of children are not preserved by prohibiting homosexual adoption.
Existe um consenso das comunidades de médicos,psicólogos e assistentes sociais de que as crianças criadas por pais gays e lésbicas são tão adaptadas quanto as criadas por pais heterossexuais.A pesquisa que suporta esta conclusão é aceite sem controvérsia no campo da psicologia do desenvolvimento.Os melhores interesses das crianças não são preservados proibindo a adopção homossexual.
a homossexualidade não é doença, é uma “normal” orientação de vida. logo porque se coloca a questão da sexualidade dos pais ou mães para defenir critérios para a adopção conjunta. porque individual é permitida.
só mesmo a moralidade conservadora.
para os comentadores que ainda tentam desculpar o sentido de voto do PCP no projecto sobre parentalidade do seu partido da coligação CDU (o PEV) ou no projecto do BE, e que caem na já gasta, chata, sem nexo, e esfarrapada desculpa da falta de debate, ou falta de estudos sobre parentalidade, aqui está, só em 20 linhas umas 5 referências.
acho bem que se inude o espaço e o tempo de referências, não vamos mais dar ao PCP a desculpa da falta de debate. que saiam do armário e justifiquem o sentido de voto (perfeitamente legítimo em democracia), com os verdadeiros motivos porque o tomaram.
Curiosamente, até terás sido quem me apontou para a notícia onde se lê:
“São fundamentalmente do foro psicológico. Está em causa avaliar a competência e qualidade das pessoas que assumem, ou pretendem assumir, funções parentais”, frisou [Pedro Alexandre Costa*], criticando que técnicos e entidades que desenvolvem trabalho na área não tenham sido ouvidos. fonte
* investigador do estudo “Estudo sobre Atitudes da População Portuguesa em relação à Homoparentalidade” (ainda não concluído)
Reconhecimento mais do que competente na matéria de que o debate está por ser feito e alargado.
um partido preocupado em resolver questões e com uma votação em agenda, não espera que os estudos lhes cheguem à mão.
sabendo de antemão que vai votar um projecto, e que já algumas vezes antes, sempre com o mesmo argumento, informa-se
o que não faltam ai são psicologos, juristas, sociologos, etc capazes de ilucidar o pcp. ou agora são atadinhos, e não sabem pesquisar para fundamentar os seus argumentos
Começando pelo que podia ser o final, sabem todos que no passado recente referimos que em relação à questão da adoção, é necessário, diria, é cada vez mais necessário, olhar de uma forma global para este instituto, para a legislação que o rege e para a prática concreta da sua aplicação, tantas e tão graves são as dificuldades que existem hoje neste campo.
Quando se legisla, é preciso pensar nas condições de aplicabilidade da lei, o que não quer dizer que a lei tenha de ser totalmente consensual. Poucas serão as questões totalmente consensuais numa sociedade.
Mas julgamos que neste momento continuamos a não ter esta questão suficientemente debatida e sedimentada na sociedade, em que o PCP também se integra, para que se altere a lei neste sentido.
Pode não lhe ser suficiente como argumento, mas um partido não é uma pessoa com acesso à internet em casa. A procura de consenso em colectivo exige discussão e trabalho.
Ignorar a necessidade de se chegar a um consenso primeiro, antes do comprometimento com uma decisão é algo que não apreciaria assistir do partido em causa.
Mais, sem querer minimizar a questão, que se coloca óbviamente não se instituindo a legislação, existem hoje implicações bem mais imediatas, lesivas e abrangentes na sociedade que permitam abrir suficiente espaço a uma rápida (embora necessária) criação de tal consenso, leia-se ofensiva capitalista sobre os trabalhadores portugueses. Pode-se discordar da eleição de prioridades óbviamente mas nesse caso, o motivo da critica será de outra natureza que aquela que por aí prolifera. Pessoalmente concordo.
Texto na integra em itálico aqui, enfases meus.
Tanto os argumentos do seu post como os dos comentaristas que o apoiam são fundamentados e mais do razoáveis, Paulo. Eu estou se acordo com tudo e votaria favoravelmente a título individual.
Mas, veja também o nosso ( sou do PCP ) lado. Diz-se que é “uma máquina muito pesada” e por isso, as decisões individuais ou da Direcção demoram tempo a ser assumidas pelo colectiva, a a serem assimiladas pelo todo partidário. O mundo não feito de altos-contrastes. Muitas vezes trabalhadores revolucionários nos conflitos laborais têm atitudes reaccionárias em casa, com as suas mulheres.
O PCP tem sido vanguarda de todas as lutas desde 1921 ( mais acentuadamente desde 1942, quando da “reestruturação”) . No tempo do fascismo ( único que nunca parou, e o “Avante!” nunca deixou de sair, apesar das prisões e da repressão ), no pós-25 de Abril e actualmente. Até o dirigente máximo da única ( a UGT não traiu porque não é sindical, é patronal ) central sindical é nosso dirigente!
E tem sido vanguarda não apenas na resistência contra o capital, o patronato, a Merkel, a UE, as duas troikas, etc, da “transformação do mundo”, como dizia Marx.
O Álvaro Cunhal, por exemplo, tem uma tese do seu 5º ano de Direito, imensamente vanguardista para a época sobre o aborto ( quando ainda nem se usava o eufemismo “interrupção voluntária da gravidez” )! Mas foi ele, não foi o PCP como um todo. Embora agora o exibamos com orgulho porque, aquando da sua discussão na AR “era chegado o momento”.
Ma, um papel de vanguarda tem de ser aceite debaixo para cima e não pode ser decretado pelos 130 e tal membros do CC, como iluminados dirigistas. A começar pelas nossas próprias fileiras! E depois persuadir a população…
Uma qualquer vanguarda só merece esse nome pela coragem na luta, pelo exemplo e pela capacidade de ganhar um número crescente de consciências ( e de inteligências….)!
Não somos uma cambada de carneiros acéfalos e “yesmen”. Temos o hábito de discutir as coisas. Para nós. o fundamental acto de vontade individual é aderir ( ou não ). Mas não podemos é ter “sol na eira e chuva no nabal”. Quem adere tem de aceitar o Programe
( nossa visão do rumo que queremos para o país e para o mundo ) e os Estatutos ( direitos e deveres, que obrigam tanto o Secretário-Geral como a camarada que avia bicas no bar do Vitória ). Para isso, temos Congressos onde alteramos o que há para alterar. Colectivamente !
Uma vanguarda, não o é, se for na dianteira a anos-luz de quem quer persuadir. Senão, é tão avançada que não persuade ninguém…
Acho que o texto do Bernardino Soares diz tudo. Se for lido sem ideias pré-concebidas. Menos aos habituais detractores do PCP, claro…
Pingback: O novo pacto germano soviético: a purificação da raça através do apagamento da diferença sócio-sexual « BLASFÉMIAS
A psicologia tem destas coisas, há para todos os gostos. Será com certeza fácil, dentro da psicologia, encontrar opiniões contrárias às que este texto defende. É assim, pronto. Há no entanto algo que não percebo vindo de um psicólogo: “Esta diferenciação de papéis é visível sobretudo em casais heterossexuais que aderem a identidades e papéis de género tradicionais”. O que são ” identidades e papéis de género tradicionais”? É possível imaginar uma sociedade sem identidade(s) de género? Em que o masculino e o feminino é igual? Obviamente que não. Cada criança tem de fazer identificações ao feminino e ao masculino. Se tem necessariamente de ser à mãe e ao pai, isso não sei.
Não deve existir Direito de Veto:
- de facto, observando o dia-a-dia, constata-se uma dualidade de critérios óbvia: em relação aos machos com ‘bons tiques’ de testoterona desculpa-se ‘isto e mais aquilo’, pelo contrário, em relação aos machos com ‘maus tiques’ de testoterona, quaisquer ‘pintelhices’ servem para implicar… concluindo, a opinião das mulheres é importante, sim, todavia – nas sociedades tradicionalmente monogâmicas – não devem possuir o Direito de Vetar quais os machos que não possuem o Direito de ter filhos.
.
.
.
UMA QUESTÃO A LEVANTAR:
O Direito de ter filhos em Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas!
.
.
Ainda há parolos que acreditam em histórias da carochinha… mas há que ASSUMIR a realidade:
- Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que possuem filhos.
- No entanto, para conseguirem sobreviver, muitas sociedades tiveram necessidade de mobilizar/motivar os machos mais fracos no sentido de eles se interessarem/lutarem pela preservação da sua Identidade!… De facto, analisando o Tabú-Sexo (nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas) chegamos à conclusão de que o verdadeiro objectivo do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos sexualmente mais fracos; Ver http://tabusexo.blogspot.com/.
.
CONCLUINDO:
- Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas é natural que sejam apenas os machos mais fortes a terem filhos, NO ENTANTO, as Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de assumir a sua História: não podem continuar a tratar os machos sexualmente mais fracos como sendo o caixote do lixo da sociedade!… Assim sendo, nestas sociedades deve ser possibilitada a existência de barrigas de aluguer {ÚTEROS ARTIFICIAIS – deve ser considerado uma Investigação Cientifica Prioritária!…} para que, nestas sociedades {a longo prazo} os machos (de boa saúde) rejeitados pelas fêmeas, possam ter filhos!
.
.
NOTA 1: Incompetência sexual não significa inutilidade… de facto, os machos mais fracos já mostraram o seu valor: as sociedades tecnologicamente mais evoluídas… são sociedades tradicionalmente monogâmicas!
.
.
NOTA 2: Hoje em dia, por um lado, muitas mulheres vão à procura de machos de maior competência sexual, nomeadamente, machos oriundos de sociedades tradicionalmente Poligâmicas: nestas sociedades apenas os machos mais fortes é que possuem filhos, logo, seleccionam e apuram a qualidade dos machos.
Por outro lado, hoje em dia muitos machos das sociedades tradicionalmente Monogâmicas vão à procura de fêmeas Economicamente Fragilizadas [mais dóceis] oriundas de outras sociedades…