Fico surpreso quando vejo a esquerda chic argumentar que o PCP deveria ter votado favoravelmente, e no imediato, a adopção de crianças por casais homossexuais na Assembleia da República, desprezando completamente o argumento absolutamente certeiro anunciado por aquele Partido de que falta um maior debate e aceitação da sociedade portuguesa relativamente a esta questão. Quando se tratou da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, portanto numa situação em que a generalidade da população portuguesa estava de acordo com essa justa medida, a esquerda chic preferiu atrasar o processo em vez de aprovar a despenalização no parlamento. Nessa altura, a esquerda moderna e fashion não se importou em prolongar as idas a Badajoz e os abortos clandestinos nos vãos de escada. Quando foi de se andar a referendar o que não era preciso referendar a esquerda chic não se importou de andar a perder tempo… Agora que, como qualquer pessoa sensata pode aferir, não existe efectivamente um debate público alargado sobre esta matéria, faz-se de conta que bastaria o parlamento aprovar para que uma medida justa se efectivasse. Para quem está sempre a acusar o PCP de burocrata e dirigista não deixa de ser curioso assistir-se a uma noção que vê a melhoria das condições de vida como uma mera tomada de decisões por decreto. Para a esquerda trés chic a política não é mais do que a emissão de sound-bytes e fazer a luta pela luta, simplesmente para se projectar no espaço mediático e no espaço político. Quando se trata de lutar no terreno pela transformação social (seja esta a luta contra a homofobia ou a luta contra o pacto de agressão das troikas) a tertúlia e a decisão administrativa é a arma preferida da esquerda chic.
Portanto, parece-me que:
1) na medida em que a esquerda chic quase não tem importância real na luta de rua contra as troikas, a luta em torno da adopção surge como um elixir para esse sector da esquerda portuguesa. Esta polémica é lançada por essa esquerda precisamente como o anedotismo da moção de censura ao Sócrates: sabiam que não passava no parlamento, mas nada como recuperar capital político com o seu regresso nostálgico a causas pretensamente fraturantes;
2) a adopção por homossexuais já existe a título individual, portanto o principal argumento da esquerda chic de que a aprovação imediata seria importante para retirar crianças de instituições e, por conseguinte, ficarem inseridas numa família é uma simples treta;
3) sou absolutamente favorável à adopção por casais homossexuais, mas não compreendo qual a oportunidade da sua discussão quando o país está literalmente a caminho do abismo. Se as troikas FMI-BCE-CE e PS-PSD-CDS vencerem podem ter a certeza que nem instituições vão existir para as crianças;
4) isto só está a servir para atacar o PCP precisamente num momento em que este é o único partido que tem levado a cabo uma luta consequente de massas (e não apenas cingida a meia dúzia de intelectuais pós-modernos) contra o programa de agressão da troika.
O resto é conversa.




Nem mais. Na mouche.
Só uma pergunta:
VOTARAM OU NÃO VOTARAM AO LADO DA DIREITA?
Depois disso , toda aquela conversa pseudo-irónica de JVAguiar sobre a esquerda chic se destina apenas a querer encobrir esse facto.
Pode argumentar o que quiser, pode não compreender que haja forças politicas com uma agenda diferente da do PC, pode contnuar a pensar que o PC é a prima donna da esquerda, pode achar que os unicos assuntos dignos de figurar na agenda da esquerda sao aqueles que o PC acha bem, pode achar que quem tem opinião diferente da do PC não é revolucionário, e até pode achar que o PC pode dar tiros nos pés á vontade sem que ninguém repare no facto, pode até achar que o PC pode votar ao lado da direita porque de certeza que há uma razão revolucionária marxista-leninista para isso, pode achar que o povo português ainda nao está preparado para aceitar a adopção por casais de homsexuais ( o povo português é reconhecidamente estupido, já se sabe) e até pode achar que o povo português, em 1974 não estava preparado para a democracia
que nao consegue impedir ninguem de pensar que a sua ironia sobre a esquerda chic apenas visa desviar a atençaõ das pessoas que leram o seu post da verdadeira natureza da votação do PCP. O PCP não está interessado em aceitar a ruptura mesmo em nome dos principios, o PCP vai a reboque da consciencia das pessoas, o PCP já há muito que não é vanguarda de nada, caso contrário teria mostrado sem tibiezas nem traiçoes o que se deve fazer quando se fala de IGUALDADE.
K
João Valente Aguiar
Acho que Você tem razão em quase tudo.
Neste caso o PCP està certo e procede como Esquerda Inteligente. Permaneceu no que são os fundamentos, a racionalidade, a normalidade, das sociedades civilizadas: ‘back to basics’…
Claro, hà a outra ‘esquerda’, a ‘Esquerda’ Não-inteligente…, que não pensa racionalmente, historicamente, que geralmente apenas segue modas, oportunistica. E que ofende e agride quem, no uso dos seus direitos democràticos, discorda dela. Enfim, um espirito ‘tipo’ salazarento… ou estalinistoide…
Tenhamos coragem e nenhum medo dos seus ataques!
Vamos (e continuemos) a luta!
Subscrevo o comentário
q post tão disparatado. tão disparatado quanto o sentido de voto do pcp.
e como as condolências ao povo subjugado da coreia do norte ao monarca comunista.
fiquei estarrecido com a enumeração de argumentos apresentada…
eu sei. n é preciso argumentar. como se não se pudesse lutar por tudo amigo. lute só contra a troika, faz bem. para a luta dos costumes já se sabe q não se conta com o pcp.
não confundir a centralidade da luta contra as troikas com uma qualquer exclusividade.
foi o q o senhor defendeu
Meu amigo,
Se vier aqui a esta pagina (e vir a carta de condolências de Ramalho Eanes e Marios Soares a Mao Tse Tung (sem no entanto ter feito como o PCP ao incluir algo como a “nao identificaçao do PCP com as politicas do homem em causa!) :
http://sempunhosderenda.blogspot.com/2011/12/condolencias-ou-cansei-de-esperar.html
Concluira que disparatada é o aparte da sua resposta.
Quanto ao achar disparatado o sentido de voto do PCP acho que o artigo de Joao Valente Aguiar deita isso completamente por terra.
Passe bem
Concordo que “que falta um maior debate e aceitação da sociedade portuguesa relativamente a esta questão”.
Mas não chegava a abstenção?
Já agora. Quando falas em “esquerda chic” usas a expressão por oposição a esquerda matarroana?
Abstenção era possível mas duvido que as reacções fossem diferentes…
sobre a esquerda chic contraponha-a à esquerda revolucionária
Parece-me mesmo mais matarroana, para não dizer reaccionária nos costumes.
O PCP não diz em ponto nenhum que está contra a adopção, apenas questionou a oportunidade e a ausência de debate público sobre esta matéria.
o voto contra do pcp quer dizer que é a favor afinal?

só rindo
E isso corresponderia a quem, dentro do espectro político português?
Em Direitos Liberdades e Garantias a ESQUERDA NUNCA pode hesitar, deve sempre estar no lado da barricada pela sua defesa, mesmo que isso lhe custe votos ou eleitorado.
A defesa dos ciganos ou dos africanos é impopular em certos extractos da população, mas a ESQUERDA , não deve hesitar na sua defesa.
Apoucar uma parte da esquerda, que faz o seu dever, ao apresentar um programa eleitoral ás eleições legislativas, e CUMPRI-LO, É CONSCIENTEMENTE defender que os programas eleitorais são meros papeis sem importância, que se rasgam uma vez os resultados eleitorais contados, estou certo que o PS o PSD e o CDS estão totalmente de acordo com este principio, estranho que militantes do PCP tambem estejam.
Tendo em conta a situação do País, o agravamento diário da crise da miséria e do desemprego, seguindo o racciocinio do amigo Aguiar, talvez este assunto das adopções fosse melhor adiá-lo para as calendas gregas, estranho , é o sr Aguiar não nos explicar, porque é que o PCP aprovou o casamento entre pessoas dos mesmo sexo, num momento em que a CRISE o DESEMPREGO, já nos batia,( e de que maneira) , á porta.
Quanto á questão do aborto só por absoluta MÁ FÉ , o assunto é trazido ao debate da forma que o sr . Aguiar o faz, esquecer que tinha havido um primeiro referendo, em que o SIM á despenalização tinha sido derrotado, e legislar sem que tivesse havido um novo referendo, o que sucedeu, dando uma vitória clara ao SIM, era permitir que na primeira oportunidade a direita mais reaccionaria, legislasse em sentido contrario, e era ao mesmo tempo recear o veredicto popular, o que diga-se de passagem, é estranho num partido que se diz defensor do povo.
Mas esta argumentação da falta de consulta popular cai por terra na questão da adopção, pois não me recordo do PCP ter exigido uma consulta popular, ou um debate mais alargado quando votou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Como se viu pela votação, esta é uma questão em que não é só a esquerda a entender a sua premência, pois e apesar de tudo, houve 2 deputados do CDS que não votaram contra, vários do PSD e muitos do PS, agora que haja uma parte da esquerda que entenda que isto são questões da esquerda CHIC , só prova que uma parte da esquerda é conservadora quiçá até REACCIONÁRIA no que diz respeito aos costumes, e que se preocupa em não indispôr algum do seu eleitorado mais conservador.
um comentário mecânico e linear como o do Augusto só mostra o quanto o que a esquerda não pode ser.
A esquerda, o que não pode ser caro Aguiar, é OPORTUNISTA.
Ora nem mais. Oportunismo é andar a brincar ao parlamento e ao semear de discórdias para que tudo fique na mesma.
oh josé, a sério. está tramado. está a defender coisas que só a partidarite justifica. isso da esquerda chiq, este bla bla. isso é q é um argumentario muito sério. mas sim, escreva muito isso do pcp ser a ultima esperança dos revolucionarios. os homossexuais que queriam adotar estão muito agradecidos e são tão precários quanto todos os outros. mas sim: quando a revolução vencer o capitalismo, daí sim poderão ter direitos.
Os homossexuais podem adoptar a título individual, infelizmente não enquanto casais. Mas nada obsta a que possam adoptar como sempre adoptaram (e bem). É absolutamente necessária a mudança da lei, mas mudar a lei por mudar, não regulamentar a adopção convenientemente e não a discutir publicamente parece-me um equívoco.
isso, o pcp ao lado da hipocrisia. parece bem! cada vez melhores argumentos
Meu caro, as necessidades das crianças que já vivem com dois pais ou duas mães e que necessitam dos seus direitos reconhecidos agora não pode esperar que homófobos como a maioria do seu partido se resguardem em pseudo-argumentos.
Ou será que o PCP defende que a CGTP assine a Concertação Social porque a maioria dos portugueses acha que é boa e não está preparada para os argumentos que o PCP apresenta?
O PCP não tem medo de ser fraccionário no que acredita, e ainda bem. Neste caso são um bando de retrógrados, fascistas morais, e por isso votam contra. Não arranje desculpas.
Força camarada João Aguiar.
A forma como defendes o indefensável vai valerte um bilhete para o Comité Central.
Só faltou dizeres.
Piscam o olho á direita, governam contra os trabalhadores e praticam a politica do quero posso e mando.
O meu sonho desde criança é pertencer ao Comité Central. Como adivinhou?
A argumentação desta gente é de um primarismo confrangedor. Será que esta gente está realmente preocupada com os problemas dos homossexuais e das crianças, ou estão só a aproveitar a deixa desta “esquerda” chic, para dar largas ao seu anticomunismo?
Bastante básico, diga-se de passagem.
Falso.
Nem piscam o olho à direita,nem governam contra os trabalhadores,nem praticam a política do quero,posso e mando.
Pode-se discordar de algumas das tomadas de posição . Mas o que diz e escreve revela apenas uma coisa.
Que sabe o que diz na exacta medida em que mente e aldraba.
E assim nem vale a pena dizer mais.
(Porque muito mais haveria a dizer)
“3) sou absolutamente favorável à adopção por casais homossexuais, mas não compreendo qual a oportunidade da sua discussão quando o país está literalmente a caminho do abismo. Se as troikas FMI-BCE-CE e PS-PSD-CDS vencerem podem ter a certeza que nem instituições vão existir para as crianças;” – Cuidado, este é o tipo de argumento que usou a direita no caso do casamento ente homosexuais, a falta de oportunidade. Os direitos não se referendam e deve-se lutar por eles mesmo em plena guerra. Por outro lado as mudanças sociais, quer politicas, quer de costumes, são despoletadas por minorias, que forçam o futuro. Mais á frente parecerão óbvias. Se estivermos á espera de ganhar a sociedade para o nosso lado, muitas das lutas da esquerda estão condenadas ao fracasso.
Então como transformar a sociedade sem ter o apoio e a participação activa de uma parte significativa dessa mesma sociedade?
Caro João: nos seus termos, as partes “significativas da sociedade” são depois arrastadas para uma “participação activa” pelos acontecimentos despoletados por uma minoria. Mas atenção: “significativa” está longe de significar maioria. Normalmente a maioria acomoda-se ao processo e deixa-o simplesmente acontecer.
“Então como transformar a sociedade sem ter o apoio e a participação activa de uma parte significativa dessa mesma sociedade?”
Muito boa pergunta. Às vezes apetece colocá-la também ao PCP.
então anda mto mal informado sobre o PCP
É uma possibilidade que não excluo. Outra possibilidade, tendo em conta que não participo na vida interna do Partido, é que o Partido comunique mal.
Anda por aqui um tal augusto, cujo papel me parace de “jornalgrátis” . Acha o coitado que o PCP, é oportunista … pois não deve saber que o MAU MAU que ele parece querer seguir, terá dito : Todo aquele que aceita um combate em manifesta desvantagem, é criminoso … se o PCP, tivesse votado esta brincadeira, favoravelmente, tería muito a perder. Diz quem conhece e lida com os operários .
Essa história de um partido se adaptar àquilo que julga os preconceitos do povo, isso sim, tem bastante de maoista. Eram os militantes maoistas que adoptavam um certo puritanismo sexual para não ferirem certas «pudícias» que se suponham serem as de operários e camponeses. Pobres ingénuos… Se a adopção por casais homossexuais fosse em frente, a esmagadora maioria das pessoas registariam a decisão e continuariam com a sua vida. O próprio assunto estaria soterrado dentro de algumas semanas, ficando apenas meia dúzia de reaccionários a espumar contra aquilo, mas completamente isolados. Importa dizer que Portugal não é os EUA e que aqui não se ganham ou perdem eleições por causa do «gay marriage» e coisas do género! E que tinha realmente a temer o PCP, que, entre todos os partidos, tem o mais fiel eleitorado?
Caro JVA,
Os meus parabéns.
O teu texto é prudente, mas certeiro, e desmascara todas farsa que se montou. Uma farsa que aqui e noutros sítios foi transformada em mais um ataque ao Partido.
A tua desmontagem do ideário burguês e pseudo-revolucionário deixou os filhos da puta sem capacidade de contra-argumentar como se vê. Até folhas-secas se vê caírem na rasteira.
Imunes a calunias, deturpações seguimos na luta contra as políticas de direita.
Um abraço
João
Só faltou aqui uma questão. Esta é a terceira vez que o PEV, colega de coligação do PCP leva a questão da adopção/parentalidade a votação no parlamento.
Será o PEV a esquerda chic, desinteressada, fracturante da luta de classes contra a troika que o post refere?
Faz o PCP coligação com partidos da esquerda chic, fracturante, e que usa micro-causas que não servem para nada além de dividir trabalhadores (aquilo que os intelectuais burgueses da esquerda caviar chama de Direitos Humanos).
e já agora, se o PCP está tão interessado em não tirar as atenções da causa da troika, tão importante, porque não votou sim e resolveu o assunto de vez?
e já agora porque é que o erro da esquerda no que se refere à interrupção da gravidez tão criticado pelo PCP, passa a ser uma virtude no que se refere à questão da parentalidade?
1- agradeço o seu comentário educado e que procura discutir as coisas em racionalidade.
2- o PEV é absolutamente independente nas suas decisões políticas o que contraria completamente as teses que até há pouco tempo defendiam que os Verdes seriam uma mera organização do PCP…
3- eu acho que se houver uma discussão pública ampla o caminho a fazer-se é a aprovação (e regulamentação – que por vezes é tão importante como a própria aprovação) em parlamento, não sendo necessário ir a qualquer referendo. o que falta acima de tudo é uma discussão pública alargada (e o momento não me parece ser o mais oportuno).
João
o que eu questiono como eleitor da CDU, é que quando dizem que querem continuar a lutar contra todas as formas de descriminação, no seu compromisso eleitoral.
Quando em 2008 é debatido na AR um projecto do bloco para casamento/adopção, e um do PEV para casamento, que força o PCP a uma votação, e a uma posição, ainda que de “falta de debate”.
Quando em 2010, é apovado o casamento coxo (do Governo PS), conjuntamente com uma proposta de casamento/adopção do BE e outra do PEV, uma proposta de união civil registada (que o PCP regeitou), e uma proposta de referendo (que o PCP regeitou).
Mas sobre todas tomou posição, pois não me passa pela cabeça que tome possições sem debater.
Qaundo em 2012, o assunto volta a ser falado no que se refere à lei da PMA, que o PCP se absteve, mas também debateu e tomou posição.
Quando o Estado Espanhol resolveu tudo de uma vez, trouxe o tema para a agenda mediatica portuguesa.
Qaundo tivemos dezenas de prós & contras, docomentários, debates, telenovelas, filmes e até casos reais representados na opinião pública.
Qaundo temos mais de 20 associações, que organziam anualmente a marcha do orgulho LGBT em Lisboa a falarem de parentalidade, e reunem meses antes, deabtendo uma série de questões centrais.
Qaundo temos projectos da ILGA sobre as famílias arco-iris que existem, quando temos mupis da ilga sobre homoparentalidade que causam polémita por supostamente terem sido pagos pela câmara de lisboa – nem tudo é pacífico.
E quando temos em cinco à disposição montes pais/mães do mesmo sexo com filhos que dão testemunhos, e dispostas a dá-los.
Quando temos filhos/as de casais do mesmo sexo, dispostos a dar os testemunhos sobre a sua realidade, e a vida que tiveram.
Só posso entender que o PCP acha que não houve debate suficiente porque não quer esse debate, porque se quer alienar desse debate, porque tem problemas com esse debate, e porque não quer ficar vinculado a uma pocição.
Se na direita é a religião que causa o problema, na esquerda, a desculpa da falta de debate começa a ficar gasta, e só serve mesmo para quem a quer usar. E já agora a austeridade, e os ataques aos direitos dos trabalhadores/as sempre existiram, e não creio que o sufrágio, o divórcio, o casamento entre pessoas do mesmo sexo tenham sido entrave à luta que a esquerda (da chic à courato) tem feito.
Já o sectarismo esse sim, mina e divide sempre
É tudo mto certo e interessante o que veicula no seu comentário mas uma das vantagens (acredite que é quase a única) em lidar diariamente com muitíssima gente que nada tem a ver com a CDU e com o PCP é o de compreender e de tomar conhecimento do que a grande maioria da população pensa da generalidade das questões. E sobre isto, se felizmente já existem muitíssimas pessoas que concordam com o casamento homossexual, elas (e todas as outras) continuam a não concordar com a adopção. Repare, as organizações LGBT fazem imensas iniciativas mas isso acontece sobretudo: 1) em escolas; 2) Lisboa e Porto; 3) sectores sociais mais próximos da classe média. Nos meios populares – que são uma parte significativa da população portuguesa – mto pouco tem sido feito.
pois, ai entramos nos critérios. tal como na questão da IVG defendo que não é preciso haver um consenso da maioria da população para proteger uma minoria, desprotegida, e injustiçada nos seus direitos.
também para ver às crianças reconhecida a parentalidade que lhe é devida, e os direitos de assistência, cuidado, educação, que os pais lhe devem dar, e que o Estado terá certamente obigação de proteger.
e essa de ter de haver um consenso da maioria, para dar direitos a uma minoria, que em nada interferem com os direitos da minoria, e apenas garantem a protecção, é um bocado autoritária.
Já espalhei a minha opinião em várias caixas nas diferentes postas sobre o tema, vou-me abster de me repetir, dizendo só que partilho a posição do PCP.
De qualquer modo tive o cuidado de reservar o que não passaria da minha modesta opinião superficial.
Contudo, reparei que mencionou o seguinte:
E quando temos em cinco à disposição montes pais/mães do mesmo sexo com filhos que dão testemunhos, e dispostas a dá-los.
Quando temos filhos/as de casais do mesmo sexo, dispostos a dar os testemunhos sobre a sua realidade, e a vida que tiveram.
Pode-me apontar esses testemunhos na primeira pessoa? Pode-me apontar algum estudo social e/ou psicologico que aborde a condição? São encontrados alguns reveses que legitimem o receio que manifesto na minha opinião?
esta semana no DN siu pelo menos uma reportagem com duas mulheres com testemunhos que deram a cara.
na altura do casamento sairam várias entrevistas, com testemunhos e até explicavam como se engravida com inseminação caseira, ou como aceder à procriação médica.
lembro me de uma com o título: Adoptei, ninguém me perguntou se era gay.
outra: Cada vez mais portuguesas vão engravidar a espanha.
o mesmo chegou a ser feito, em debates sobre filmes que passaram no doc lisboa.
existe o famoso documentário da RTP, Dois pais Duas mães, com vários testemunhos.
Saiu há pouco um estudo académico em portugal sobre essa questão, e afirma que a maioria das pessoas é a favor da adopção – não me recordo do nome agora (em espanha é só googlar)
há uns anos quando recebeu o prémio arco iris, o director do rádio clube portugues afirmou ser filho/educado por um casal homossexual – não era preciso ser heterossexual para provar que foi bem educado, mas até se apresentou com a mulher os filhos.
temos o famoso casal de lésbicas que foram até ao tribunal para casarem, que tinham filhas de casamentos anteriores.
e se precisar de testemunhos reais, pessoas que vivam na pele essa situação, os facebooks, blogs, das associações/colectivos aparecem várias pessoas a contar o seu caso, os probelmas que passam.
um contacto para os colectivos ou mails das associações também ajuda, certamente em questões concretas muitas pessoas poderão surgir a falar dos problemas que passam.
não é dificil encontrar online.
e se for estudos sobre homofobia, descrimininação, os motivos porque existe, e porque passa despercebida, então isso já se faz desde o 25 de abril. e também ajudam para perceber os votos contra.
Repare que em nenhum dos casos pretendo duvidar da capacidade de pais homosexuais educarem os filhos, ou de que haja qualquer espécie “transmissão” de homosexualidade, não vou nessas cantigas de todo!
O meu receio concretamente tem a ver com a descriminação que os filhos adoptados possam estar sujeitos nesta condição. E deu-me um exemplo concreto e mais uns tantos menos, que farei por encontrar. Obrigado.
E óbviamente não me referia aos estudos que tratam a questão do preconceito de homosexualidade, esses estão sobejamente acessíveis.
“O meu receio concretamente tem a ver com a descriminação que os filhos adoptados possam estar sujeitos nesta condição. ”
mais descriminação do que nascer com duas mães que engravidaram de doador anónimo, ser educado com elas. e apenas uma estar nos documentos.
mais descriminação do que uma dessas mães ter o filho doente, e não ter direito a ausentar-se do trabalho, como tem a outra que o registou.
mais descriminação do que ter de crescer vivendo uma mentira, ensinando a mentir, porque muitas vezes não sabe explicar a situação familiar em que se encontra.
não será preferível ter uma situação protegida na lei, que forçe o sistema de ensino a salvaguardar a protecção desses casos… o sistema jurídico (recordemos mas uma notícia com o título “tribunal de oliveira de azemeis confia guarda de criança a casal homossexual) um tio e o companheiro que ficaram com a guarda de uma criança em tribunal, que estava numa família biológica que não a protegia.
Se vocês tivessem cabeça para pensar, saberiam que não vão ter mais a ganhar com esta cobardiazinha política do que tiveram a ganhar com as outras. Esta atitude não vos há-de valer nem um voto a mais, mas já vos granjeou o desprezo perfeitamente justificado de muita gente. Mas que se pode esperar de um partido pequeno-burguês de fachada proletária? Bem podiam deixar de falar em «política de direita» para falarem em «política burguesa», em vez de confundirem e desorientarem a classe trabalhadora com slogans FALSOS, que ocultam a base do problema. Mas o par de votos que vocês PENSAM poder apanhar com este género de slogans parece valer mais que FORTALECER A CONSCIÊNCIA DE CLASSE da classe trabalhadora, que é, para todos os efeitos, A ÚNICA COISA QUE NOS PODE FAZER SAIR DESTE LAMEIRO! Portanto, os revolucionários sinceros devem ter-vos na categoria de ORGANIZADORES, ou de ADORMECEDORES, a espalharem ilusões democráticas pequeno-burguesas no seio do proletariado? É suposto que uma vanguarda esteja «sempre um passo à frente» da consciência das massas e que não deva temer entrar em confronto com essa mesma consciência, pelo menos era o que dizer um certo esquerdista chic que se dava pelo nome de Vladimir Illich Ulianov. Vocês estão vários passos atrás. Não passam de lastro. Ainda vamos ter que alijar esse lastro!
Leio este comentário e surge-me o texto de A.Silva como paradigmático para uma resposta adequada a esta “coisa”
Dizia A.Silva:
“A argumentação desta gente é de um primarismo confrangedor. Será que esta gente está realmente preocupada com os problemas dos homossexuais e das crianças, ou estão só a aproveitar a deixa desta “esquerda” chic, para dar largas ao seu anticomunismo?”
Eu direi que este “mas ca ganda” nem sequer pertence à esquerda chic.É demasiado mau e esclarecedor para sequer o disfarçar.Um lastro em que devemos pensar quando lemos o paleio habitual escrito há anos pela pena de um durão barroso ou de um zé manel fernandes (assim escrito,porque nem me merecem mais).O palavreado oco e balofo escondia outras coisas como se sabe.
A luta é demasiado dura para perder mais tempo com tão ruim defunto.Apenas este breve sublinhar.
A luta continua.Com Vladimir Illich Ulianov.
Sorry ganda ó pá!
Ou seja, pá, tás a dizer que eu sou dos Maos-Maos, ou que pelo menos ando a falar como eles, e que os Maos-Maos são/foram todos uns grandas burgueses mascarados de revolucionários. Ponto final. Que os houve, houve-os, e não foram assim tão poucos. O Durãozinho foi só o caso mais saliente, mas não te esqueças que, se houve um Durão, também andou por aí uma tal Zita… Podemos interpretar a coisa como uma capa ideológica, um provocação, ou como a influência que um certo contexto social sobre as pessoas, indo ao ponto de conseguir fazer revolucionários de algumas crias da burguesia. Whatever, tu lá sabes! Agora desfazeres-te do que escrevi colando-me um autocolante na testa, isso é que não! Esforça-te lá mais um bocadinho, vai…
Yayaya.
Quer v. seja ou não cria da burguesia…
Eu disse o que disse.E junto-lhe a zita se quiser,como contrapeso, que não destoará.
“esforça-te lá mais um bocadinho”
Se reparar com alguma atenção:
“A luta é demasiado dura para perder mais tempo com tão ruim defunto.Apenas este breve sublinhar.”
Sorry…
A luta é tão mole que se faz de fato engomado, apetece responder.
E olha, a única coisa confrangedora aqui é a forma como certos «pundits» lidam com quem aponta os podres ao seu partido de estimação. Porque com base desse argumento que «a sociedade não está preparada», os negros americanos ainda continuariam a sentar-se nas partes de trás dos autocarros, visto que uma parte substancial da sociedade americana não estava, como ainda não está, preparada para igualdade racial. Este foi mais um episódio de cobardia da parte dos cobardes do costume, nem vale a pena comentar mais o caso. É essa mesma cobardia politica que me leva a julgar-vos incapazes de qualquer assalto sério contra a ordem dominante. Por isso repito-o: vocês não passam de lastro, um obstáculo para qualquer luta séria.
Yaya ó pá:
Mais uma vez é falso.Poderei dizer que cheira a ranço?
O “pundit” que se assemelha a um camaleão nikento alternando entre o ganda ó pá e o yaya (faltam algumas letras,mas os que assim agem não me merecem grande consideração) pode falar nos negros americanos mas está equivocado.A luta dos negros foi uma luta central do PC americano.E não só.Uma luta feita de suor,sangue e lágrimas.Violenta.Não passava pela centralidade eleitoral.E ainda não passa,se este protótipo de lastro de nome yaya ó pá ainda não tiver reparado.
As questões sociais devem estar no primeiro plano da luta.Mas o paleio verbalista(sorry ó pá) sobra e reconhece-se em qualquer lado.Tal como a impotência ou o projecto de impotência que se adivinha logo no tal paleio oco e patético
Vladimir Ulianov deu-nos centenas de páginas sobre estes yaya ó pá.Um esquerdista,doente infantil do comunismo?Isso e um pouco mais.Com um atraso de algumas dezenas de anos, as coisas agora assumem o aspecto de algo requentado
Os elementos estão à vista de todos e de todos à vista.
Contribuições de outros comentadores são importantes e só um toleirão (isso e não só) pode pensar sequer que a luta se faz sem exércitos e sem…
Mas isso seria prolongar a agonia deste yaya ó pá
max says:
25 de Fevereiro de 2012 at 18:04
. . . Se estivermos á espera de ganhar a sociedade para o nosso lado, muitas das lutas da esquerda estão condenadas ao fracasso. . .
_______________
Esta sentença, sim, é PARADIGMÁTICA: à atenção de quantos ainda
consideram o PCP um partido democrático . . .
(está tudo dito).
“Luís Afonso”
Vossemecê já disse tudo.
Com esse e outros nicks.Não se lembra?
Curioso, em primeiro lugar diz que, relativamente à adopção, “falta um maior debate e aceitação da sociedade portuguesa relativamente a esta questão.”, no entanto, falando do projecto em que o PCP pôs a pata, diz isto “(…) numa situação em que a generalidade da população portuguesa estava de acordo com essa justa medida”. O que gostava de saber é se, só por acaso, tem algo número para partilhar connosco relativamente às duas situações no que diz respeito à sua aceitabilidade por parte da sociedade portuguesa, e se isso vem das impressões que tem pelas ruas e das conversas que vai ouvindo, belas fontes!
Gostava ainda de saber se os direitos agora só surgem quando há maioria. Por exemplo, se a maioria da sociedade portuguesa fosse contra a liberdade de expressão, ou, por exemplo, anti-comunista, o JVA por acaso considera que os partidos e quem defendesse ideias comunistas devessem ser proibidos e perseguidos?
É que a democracia não é sinónimo de ditadura da maioria, ou pelo menos não deveria ser. Uma atitude destas por parte do PCP, para além de demonstrar um cariz conservador e reaccionário – até no CDS houve um deputado a votar a favor! -, demonstra ainda um claro pendor eleitoralista, isto é, uma sujeição à democracia burguesa, onde o que conta é o voto.
Bem sei que estes atacas o incomodam, pois é claramente do PCP e defende-o como que se de um clube de futebol se tratasse. Mas, acredite, nem todos os que o criticam pertencem à tal esquerda chic – isto é, o BE -, por muito que o possa surpreender. Essa visão dicotómica não cola, pelo menos comigo que critico os dois por me parecem bastante reformistas. O que eu gostava de ver da sua parte era a construção de um verdadeiro discurso, e não dum simples ataque como se de um animal com medo se tratasse. Para quem se diz e é académico como é o seu caso, tenho de admitir que me desiludiu bastante o seu nível de argumentação.
P.S: Coragem na resposta, esforce-se. Eu, pelo menos, gostava, e estou a crer que não sou o único.
Olhe, nem vou dormir esta noite…
O que defendi está mto bem exposto no post. Não tenho por hábito repetir-me. Por um lado, porque vc não é honesto na argumentação. Por exemplo, no post e nos comentários já disse que a votação do PCP se deveu à oportunidade e à falta de debate público e vc vem falar na caça ao voto que é coisa absolutamente estranha para o PCP. Por outro lado, não merece mais do que esta resposta (pela argumentação, como disse, mas tb pela absoluta desconversa que quer convocar e que não lhe vou dar troco). Vou ver as novelas da tvi a ver se durmo melhor…
Não posso dizer que fique surpreendido com a sua resposta.
Um breve aparte.
“demonstra ainda um claro pendor eleitoralista, isto é, uma sujeição à democracia burguesa, onde o que conta é o voto.”
Falso.A acusação de eleitoralismo é completamente descabida.Veja-se o histórico das posições do PC e as acusações que contra ele são derramadas pelo facto de irem contra o fluir da corrente.Sobretudo em questões internacionais.Mas não só.Veja-se até o que se passou com alguns autarcas e a demarcação política ab initio do PC face a estes autarcas,que foram entretanto engrossar outros caudais.(Autarcas e outros ilustres personagens como é óbvio reconhecer)
O problema aqui não cabe em ridículos jogos eleitoralistas.É muito mais fundo, donde muito mais complexo.Para o bem e para o mal.
E repito o que alguém já aqui disse. :”a luta contra as troikas”, sem quaisquer tibiezas e por todos os meios é o objectivo central.
Sem exclusividade é certo.Mas sem o mínimo dos mínimos desvios
Excelente – e corajoso – texto.
E a maioria dos posts só confirmam o acerto do texto e da decisão. Quem define a sua táctica como o faz o BE expõe a sua estratégia.
Um grande Abraço,
MG
«Quem define a sua táctica como o faz o BE expõe a sua estratégia.»
Ora nem mais.
Abraço!
Um único comentário: quem vacila nas pequenas lutas tomará nas grandes o papel dos traidores.
Eu devo confessar que esta dicotomia, esquerda chic versus esquerda revolucionária, não me agrada nada.
E não apenas pelos motivos óbvios , mas principalmente por aquilo que representa.
Nos tempos que correm, o que interessa é, como diz e bem Slavoj Zizek, preparar o dia seguinte. E como se pode constatar em vez de se concentrarem em discutir políticas, modelos que se adequem aos tempos e necessidades actuais, andam distraídos com pequenas lutas internas.
Acordem. Precisamos de juntar a nossa capacidade intelectual e critica para que seja pensado um modelo alternativo, de esquerda, ao sistema actual e que nos está a roubar tudo, da dignidade à liberdade de pensamento, expressão e opinião. E o modelo nunca poderá passar por modelos experimentados mesmo que expurgado dos seus aspectos negativos, mas sim um novo modelo, que seja ao mesmo tempo respeitador da dignidade da pessoa humana em todas as suas dimensões possíveis, sem exceções, e ao mesmo tempo que permita que fenómenos apple existam, estes sim expurgados da bandalheira das actuais (e tendências) leis laborais e fiscais (a liberdade de criação e empreendedorismo são liberdades como quaisquer outras).
E enquanto andarmos distraídos qualquer dia acordamos com uma ditadura com dimensões nunca vistas dentro de casa, não já à porta.
Por isso meus caros, sem prejuízo de todas as questões serem importantes, concentremo-nos no dia de amanhã…
De qualquer forma, sem dúvida que a proibição da adopção de crianças por casais homosexuais é um pouco absurda, pois que eu saiba as regras de exigência que se aplicam a um casal heterosexual para que este seja aceite como adequado para efeitos de adopção seriam aplicáveis aos casais homosexuais e por isso não vejo como seja possível defender que não existam casais homosexuais com as perfeitas condições para serem uns excelentes pais/mães.
Perdeu-se a oportunidade para arrumar com esta questão e, salvo melhor opinião, apenas se deveu ao facto de o eleitorado (e pelos vistos não só) do PCP ser efectivamente conservador nos costumes, pois são Portugueses e é uma característica do povo português.
João, o ponto é que estas famílias já existem e que há crianças que perdem os dois pais se lhes morrer o pai errado, o legalmente reconhecido. O ponto é que a lei do casamento era inconstitucional por causa da cláusula da adopção e foi sem ela ao TC. O ponto é que é de facto o interesse da criança, para além da igualdade, que está em causa. O ponto é que estás a cair, como o PCP caíu, nos argumentos de quem defendeu o referendo à IVG e de quem defendia um referendo ao casamento homossexual: o debate alargado na sociedade e a não urgência dos assuntos. O ponto é que o assunto é urgente, só para quem não o vive ele pode não ser urgente. O ponto é que eu, por exemplo, penso assim precisamente porque fui formada no seio do PCP e levo a sério os conceitos que tomei para mim como sérios. E foi a mim, e a outros tantos como eu e não à esquerda chic, que o PCP defraudou. E assim se enfraqueceu.
Ou seja, da minha perspectiva, se alguém fez o favor da divisão à troika, foi o PCP. E isso entristece-me. Muito.
“Quando se tratou da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, portanto numa situação em que a generalidade da população portuguesa estava de acordo com essa justa medida”
Com um referendo em que mais de metade dos eleitores nem sequer foi votar não me parece que se possa dizer que a maioria estava a favor ou contra. Estavam-se simplesmente nas tintas.
(antes que chovam pedras, se pudesse ter votado provavelmente teria votado sim)
Este é o 50º comentário neste post. Nenhum, repito, NENHUM dos anteriores falou dos interesses e dos direitos das crianças.
Num país machista e conservador como o nosso, não mandaria a prudência que uma decisão destas fosse amadurecida e debatida? Mais do que uma decisão “prá frentex”, cosmopolita e desempoeirada, não deveria ser feita uma análise (técnica) detalhada? Não é exactamente esta postura prudente que resulta da posição do PCP? Parece-me tão óbvio…
Em relação ao paralelismo com os casamento entre pessoas do mesmo sexo e interrupção voluntária da gravidez, onde o PCP teve uma participação importante e onde se associou/lutou activamente por estas causas, não me parecem situações minimamente comparáveis. É que do ponto de vista do impacto dessas leis, esse impacto circunscreve-se à própria pessoa, à sua “esfera jurídica”. É o próprio que decide casar-se, é o próprio que decide interromper a gravidez…
Neste caso não se passa isto. É uma decisão que afecta os próprios (quem decide adoptar) mas também terceiros (as crianças) e por isso exige muito mais ponderação, prudência e rigor. Ninguém sabe – estudos há para todos os gostos – qual o efeito a longo prazo que esta decisão poderia ter em crianças já muito fragilizadas e que já têm, muitas vezes, uma auto estima reduzida ou necessidades especiais.
Fez bem o PCP. Teve uma postura de ponderação e abertura para o debate. Está disposto a ouvir e a aprender. Continuará a merecer o meu voto.
Constato que muitos comentadores, tão prontos a crucificar o PCP por uma decisão que – relembro – não fecha a porta a nada, são bem mais tolerantes com políticas e decisões que prejudicam seriamente aqueles que eles, agora, dizem defender. Sobre as cantinas sociais, zero. Sobre as crianças com fome nas escolas, zero. Sobre as crianças em risco de pobreza, zero. Sobre o facto de haver pais que, em desespero, já estão a entregar crianças às instituições (como na Grécia), ZERO.
Mas é claro, esta realidade não passa nos bares cosmopolitas, “prá frentex” e desempoeirados do bairro alto…
eu por acaso falei nos direitos das crianças, falei. disse que, ainda mais que a igualdade, é o direito das crianças a ser adoptadas por quem as ame que está em causa. o que torna tudo ainda mais absurdo.
João, o ponto é que estas famílias já existem e que há crianças que perdem os dois pais se lhes morrer o pai errado, o legalmente reconhecido.
Verdade te seja reconhecida. Estive atento como o JP.
Mas há que reconhecer que por onde seguiria o rio a juzante desta legislação, levanta sérias incógnitas.
Mas também não abordas o lado da questão:
Neste caso não se passa isto. É uma decisão que afecta os próprios (quem decide adoptar) mas também terceiros (as crianças) e por isso exige muito mais ponderação, prudência e rigor.JP
Talvez porque o consideres válido, ou a ter em conta?
Deixa-me concordar por outro lado também que não considero esta matéria de referendo, à semelhança das outras.
É histórico e todos sabem disso: a verborreia contra o PCP por parte de uma certa pequena burguesia é mais notória quanto maior for a crispação social e quando a luta de classes aquece.A atual luta dos trabalhadores e outros setores sociais contra o abismo a que todos os dias assistimos deve ter o seu quinhão de ser. Sobre este assunto em concreto, o PCP tomou a posição correta.Obviamente que tem que haver um debate muito mais alargado na sociedade. A questão tem que ser muito mais debatida de forma que a sociedade a possa aceitar,se ela for justa do ponto de vista do amor que a criança adoptada necessita.E aí não tenho duvidas que o PCP vai dar o seu contributo para que haja uma lei justa sob o ponto de vista da protecção e da capacidade de amar a criança a adoptar.O PCP tem uma posição de prudência construtiva, que todos sabem e conhecem (até os que verborreiam contra o PCP) e tal como diz o PCP tem que ser feita uma maior abrangência na discussão objectiva deste assunto.E isso só pode ser boa conselheira quando se legisla em matérias tão complexas como esta. Descansem que o PCP estará lá no alargamento da discussão sobre esta matéria.A haver uma lei justa e séria, o PCP estará lá, como esteve em todos os avanços civilizacionais em Portugal.
Veja lá não insulte a pequena-burguesia quotizante! E esforce-se por não debitar clichés tão básicos e tão deslocados da realidade.
É a esquerda dos happenings e das flash mobs. Afinal isso é muito mais cool k pôr o povão a discutir ou k a mobilização de massas k não conseguem fazer. Dá + publicidade e é muito + cool distribuir mortalhas no Bairro Alto
@ Luis Afonso, deve achar k faz revoluções sem as massas, não?!! Incrível.
Daqui se depreende que o oportunismo, o populismo e a demagogia são os caminhos para se atingirem as massas.
ainda bem que o PC se mantém coerente nas decisões que toma.
com o ressuscitar calculista do argumentário anti-PC, o que ficou bem claro é que:
- votar a favor da adopção era a decisão claramente mais fácil, não fosse infelizmente a vida ser menos bela que aquela conservada em puríssimo estado, nos condomínios cognitivos fechados da realidade, caprichosos e ingratos na auto-crítica.
o PC tomou assim a difícil posição em face duma saída eleitoralista fácil, tomar partido do pressuposto que a dignidade humana poderia ainda não estar assegurada num país culturalmente fragmentado (para não dizer em frangalhos, vistas as demonstrações de intolerância e racionalidade que gente com meios e acesso à informação toma publicamente todos os dias) com largas camadas da população vítimas da miséria, da ignorância e do bloqueio cultural veiculado por canais televisivos analfabetizantes, e instituições arcaizantes com considerável domínio em largas camadas da população sobretudo nas mais desfavorecidas (e nas que as controlam).
- este refresh (apenas no tema porque os modos são repetições daquilo que os comunistas portugueses ouvem à 80 anos) anti-comunista mostra claramente as preocupações desta agenda, e a displicência dos argumentos na superação de limitações e avanços numa solução para as duas vontades, a de adoptar e a de ser adoptado, investindo ao invés tudo na catapulta onde foram carregados passivamente para fazer fretes à “esquerda de confiança” a quem tudo serve como tábua de salvação para recuperar aquilo que os média da democracia burguesa lhes deram durante anos, e o povo esclarecido retirou!