Homossexuais de todos os países, adoptai!

Afirma o Bernardino Soares que o voto do PCP contra a adopção por parte de casais homossexuais “não significa uma posição de rejeição, mas expressa apenas a necessidade de prosseguir o debate, o esclarecimento sobre a questão”. Ora, sem sequer levantar o argumento formal de que se poderia ter abstido, importa lembrar o Bernardino que todos os votos contra significam uma posição de rejeição sobre o assunto em debate. O PCP não se absteve, votou violentamente contra ao lado da direita conservadora, da direita liberal e dos socialistas inseguros. Há unidades que não se podem fazer, sem tirar daí todas as responsabilidades e consequências.

O PCP tem uma postura medieval no que diz respeito à adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Afirma que vota contra um debate por ele não ter sido feito na sociedade portuguesa, quando na verdade o seu único receio é que este debate não esteja amadurecido, quer no interior do partido, quer na sua base eleitoral. O medo da sua direcção, passe o exagero, é que a orientação do seu voto coloque em causa a ortodoxia da sua masculinidade. Aqui, como se tem visto, percebe-se que as reacções mais violentas face ao sentido de voto do PCP vêm precisamente de militantes comunistas, que não encontram, naturalmente, um argumento para justificar que um partido que aceita o casamento entre elementos do mesmo sexo trave a universalidade dos direitos desse mesmo casamento. Isto, claro, sem falar daqueles que sem qualquer altar, registo civil ou mesmo união de facto, entendem constituir família nos termos da sua identidade, sem nenhuma necessidade de circo, estado ou igreja.

Com esta concepção podem não ter voltado costas à consciência média dos trabalhadores, mas desistiram de a elevar. Esta matéria denota, necessariamente, uma compreensão reaccionária na  luta pelos direitos cívicos dos trabalhadores e uma das formas mais abjectas de discriminação social.

O PCP não temeu apenas avançar numa tema mal entendido pelos seus eleitores e militantes. A verdade é que a sua direcção não está convencida que o socialismo que aí vem, e com ele o homem novo, tenha filhos só de pais e pais só filhos das mães.

Indesculpável.

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39 respostas a Homossexuais de todos os países, adoptai!

  1. Rui Campos diz:

    Realmente não entendi essa do líder parlamentar do PCP, se não significa uma posição de rejeição então votavam a favor ou abstinham-se.
    Se é necessário prosseguir o debate então espero do PCP a organização desse debate e esclarecimento da sociedade, se estão com medo de perder eleitorado então têm de rever o estatuto de partido revolucionário e dos trabalhadores porque para brincar aos “parlamentos” já bastam os burgueses.

    • Julio Fogaça diz:

      “Não somos contra mas também não somos a favor…”, foi com esta declaração á comunicação social que o partido revelou a sua ignorância acerca das questões e reivindicações da população lgbt. De facto, não há qualquer debate interno e qualquer tentativa de o realizar é rapidamente sabotada.
      Mas não confundamos a direcção com as bases, o movimento lgbt português foi fundado por uma aliança JCP-PSR. Aliás, já se fizeram reuniões (abertas, no caso do PSR e secretas, no caso do PCP) nas sedes de ambos os partidos e dessas reuniões surgiram nomeadamente, a ILGA portugal e o clube Safo.
      Posteriormente, juntaram-se ao movimento militantes socialistas e alguns social-democratas, que também tentaram, dentro das suas estruturas partidárias, levantar uma pontinha do véu e “iluminar” as suas direcções.
      Hoje, podemos dizer que as tendências politicas do “sindicato” são bastante diversificadas, e esta união permitiu o crescimento da rede ex-aequo, que é neste momento, um bastião da luta contra a homofobia.
      Quanto á bancada parlamentar do PCP, optou pelo unico sentido de voto que não era admissivel (embora tenha visto um ou dois deputados a roerem-se e a maldizer pra dentro a “democrática” disciplina de voto).
      Por outro lado, os Verdes, aka “as melancias” votaram a favor, em bloco e tiveram uma das melhores prestações argumentativas que eu vi no debate que antecedeu a votação.
      Em relação aos homofóbicos, sejam de que partido for, eu, um camarada assumido e orgulhoso, digo: NO PASARÀN!

  2. jorge diz:

    A adopção de crianças por homossexuais não é foro ideológico, nem de classe social , como o Renato está aqui a tentar impingir, com mais esta infeliz atoarda sem sentido.

    • Renato Teixeira diz:

      Então? É de que foro?

    • Nuno diz:

      Existem pessoas que não entendem, pura e simplesmente, que o conceito tradicional de família e de matrimónio não passa de uma concepção burguesa, tradicionalista, e que é usada pelas classes dominantes para se perpetuar no poder. Preocupante para quem se diz comunista.

  3. kirk diz:

    O PCP tem razões que a propria razão desconhece.
    Infelizmente o PCP já nos habituou há muito a dar uma no cravo e outra na ferradura.
    É isso, vamos aguardar a continuação do debate proposto pelo PC.
    K

  4. joaquim diz:

    Relativamente a questões medievais, o sr. Renato certamente ja “esqueceu”, mas é sempre bom recordar-lhe que, foi com uma iniciativa e numa proposta do Partido Comunista Português a primeira vez que uma lei em Portugal reconheceu direitos a casais de pessoas do mesmo sexo.Foi com uma iniciativa e numa proposta do Partido Comunista Português, quando do alargamento dos direitos das uniões de facto, lei essa que introduziu a não discriminação, pela primeira vez, os casais de pessoas do mesmo sexo.

    • Renato Teixeira diz:

      Sei pois, o que se pensar torna o assunto mais grave. É reconhecer dois direitos truncados. Podem ir ao altar, mas não podem acolher crianças para procriar. Já viu isso adaptado a outro tipo de liberdades e garantias?

  5. Nuno diz:

    Podemos continuar a considerar o PC um partido de esquerda quando tão conservador e reaccionário no campo social?

    • fernando diz:

      posições políticas que tem em vista a descriminação, a desigualdade, ou a opressão de grupos minoritários, não são nem nunca serão de esquerda.
      são sim do mais nacionalista que pode existir, e desta fez o pcp conseguiu fazer corar o cds/pp e o psd, ou seja a direita mais raquética da europa, com mais cheiro a mofo, e mais salazarenta.

      mas não foi caso único, recordemos que o ano passado o pcp queria proíbir as campanhas que apelavam ao uso do preservativo nas relações sexuais entre prostitutas e os seus clientes. (que isto já se sabe que para o pcp trabalho sexual e homossexualidade são coisas burguesas)
      quis proibir os anúncios da secção convívio dos classificados dos jornais.
      no casamento, só votou à segunda, da primeira vez absteve-se.

      para já não ir buscar a salazarenta iniciativa em que era contra o fim do serviço militar obrigatério.

      mas um partido não se classifica entre esquerda e direita apenas pelas posições aberrantes que tem em matérias de direitos humanos.

  6. Marota diz:

    Bom dia camaradas!!!! Em Portugal “adoro os meus pais” teria logo outro sentido.

  7. JMF diz:

    Até um deputado do CDS votou a favor!

  8. Rafael Ortega diz:

    “Com esta concepção podem não ter voltado costas à consciência média dos trabalhadores, mas desistiram de a elevar.”

    Mas é trabalho do PCP ensinar o povão, ou votar de acordo com o que acreditam que será a opinião dos seus eleitores? (parece que foi isso que quis dizer com o “não voltar as costas”)

  9. JgMenos diz:

    Acho magistral:«o socialismo que aí vem, e com ele o homem novo»!
    Quando chegar o homem novo veremos o que fazer; espero já cá não estar.
    Mas como ainda estamos no ‘homem velho’ entendo que esta simplificação esquerdista de que «somos todos iguais, logo somos todos normais» não nos conduza progessistamente de asneira em asneira, nesta festa – pretensamente de grande elevação intelectual – de descolar do real e viver no imaginário!

  10. José Magalhães diz:

    Não sei porque raio é que agora a adopção de crianças por casais do mesmo sexo se tornou o ponto de revelação para saber quem é que é mais de esquerda. Cá para mim, o que interessa para se saber se se é de esquerda ou não, é a chata e inelutável economia. Tudo o resto é palhaçada para se escapar ao debate ideológico fundamental e ter os partidos de esquerda a competir neste tipo de questões é completamente acessório e inútil.

    E, já agora, desde quando é que o facto de os homossexuais poderem adoptar se tornou um progresso ou avanço moderno espectacular??? mas porquê é que raio se considera que o facto de uma criança crescer à partida (por definição) sem um pai ou uma mãe tem uma educação exactamente igual? Já se fizeram estudos científicos longitudinais para saber que efeitos a longo prazo tem sobre a educação de um filho a ausência de um dos géneros sexuais dos progenitores? Quantos casais homossexuais há em Portugal há espera de crianças para adopção? Quantas crianças adoptadas há em Portugal? É esta questão que está a impedir as crianças de serem adoptadas?? Esta lei tem sequer algum efeito prático?? Enfim.

    • fernando diz:

      Porque o Renato esteve muito bem, e porque este é comentário mais homofóbico, mas ao menos com mais questões, mas que muita gente pode ter, lá vai.

      “E, já agora, desde quando é que o facto de os homossexuais poderem adoptar se tornou um progresso ou avanço moderno espectacular???”
      o progresso aparece sempre que se pede mais igualdade, que não se olha para o próprio umbigo e se torna o mesmo como centro, para aprtir dele avaliar que direitos se considera que os preteridos dos mesmos, devem ou não ter.

      “mas porquê é que raio se considera que o facto de uma criança crescer à partida (por definição) sem um pai ou uma mãe tem uma educação exactamente igual? ”
      muitas crianças creceram sem um pai, ou sem uma mãe, certamente todos nós conehcemos muitas. o seu preconceito e a sua homofobia não vem do facto da criança crecer sem um pai ou sem uma mãe. o seu preconceito e a sua homofobia e o seu preconceito vêm do facto de uma criança crescer com dois pais ou com duas mães.

      “Já se fizeram estudos científicos longitudinais para saber que efeitos a longo prazo tem sobre a educação de um filho a ausência de um dos géneros sexuais dos progenitores?”
      existem muitos estudos, muitos mesmos, sobre famílias monoparentais (cf google o que quer dizer monoparentais). sobre crianças que creceram sem um pai, sem uma mãe, ou até sem pais.
      Agora como a sua homofobia, tal como disse acima, vem sim do facto de a criança ter dois pais ou duas mães, e não da ausência de um. Existem vários estudos, a holanda está cheia deles, estado espanhol, frança … documentários também, entrevistas. e depois existem as pessoas…..

      “Quantos casais homossexuais há em Portugal há espera de crianças para adopção? ”
      em portugal não há casais homossexuais à espera de adopção, porque os casais homossexuais não podem adoptar – o pcp e a direita votaram contra.
      mas existem cerca de 23000 crianças a serem educadas por pessoas homossexuais ou bisexuais (http://www.caleidoscopiolgbt.org/index.php/noticias-lgbt/82-23-mil-criancas-criadas-por-pais-ou-maes-homossexuais), e nos direitos do trablho, nomeadamente de assistência a família (na saúde e educação – linhas mestras do pcp), essas pessoas não vêm reconhecidos os direitos de assistência que a lei prevê para heterossexuais – porque a lei não reconehce a parentalidade.

      Quantas crianças adoptadas há em Portugal?
      Não sei… as perguntas repetem-se … o comité central tem de adquirir o google e consultar as páginas dos movimentos sociais LGBT e de direitos sexuais e reprodutivos. Se preferir uma luta mais organizada, que isto dos movimentos sociais, já se sabe que é apropriação da luta do partido, têm sempre a CIG (Comissão apra a Cidadania e Igualdade de Género), ou a CITE (Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego). Assim formatadinhas pelo Estado, mas com dados jeitosos.

      “É esta questão que está a impedir as crianças de serem adoptadas?? ”
      Está a impedir as criançãs de serem adoptadas por pais homossexuais, está a impedir os filhos de casais do mesmo sexo de terem os dois registados. um deles /ou uma delas aparece sempre como madras-ta. assim tipo filho de pai icógnito, que o pcp achava uma aberração quando acontecia com as mulheres.

      “Esta lei tem sequer algum efeito prático?? ”
      Estas crianças, e pais e mães trabalhadores que podem beneficiar da lei têm alguma importância para o pcp?

      Enfim.

      • Outro diz:

        “Mesmo as famílias heteroparentais são cada vez mais constituídas por recurso a outras formas de parentalidade como a inseminação artificial ou a adopção, assim como famílias monoparentais”, disse o psicólogo [Pedro Alexandre Costa], que fez chegar à comissão parlamentar, que analisou os projetos de lei, o “lamento” de só terem sido ouvidos a Ordem dos Advogados e o Ministério Público sobre matérias que não são só “legais”.

        “São fundamentalmente do foro psicológico. Está em causa avaliar a competência e qualidade das pessoas que assumem, ou pretendem assumir, funções parentais”, frisou, criticando que técnicos e entidades que desenvolvem trabalho na área não tenham sido ouvidos.

        E não tendo sido ouvidos… aprove-se a lei?

        Tentei ler o estudo mencionado, para acabar por descobrir que ainda se encontra em andamento. Que o que há de publicado é por enquanto quantitativo, e que ainda não toca propriamente na questão que mais me interessa e que tem o nome do estudo – “Atitudes sobre a Homoparentalidade”.

        Os dados andarão a ser recolhidos desde Setembro 2011. Fica o endereço para homo/heterosexuais possam contribuir.

        Censure-se o PCP se porventura, o que duvido, tiver contribuido para a não audição de entidades mais competentes na matéria.

        • fernando diz:

          há vários estudos qualitativos, eu referi este, em cima o Paulo Jorge Vieira referiu outro.
          e nunca coisa concordamos, os estudos quantitativos não servem para muito. já o PCP parece discordar de nós, pois parece querer uma maioria a estar de acordo com os direitos de uma nironia, para ter uma posição de voto favorável.

          esta matéria anda a ser discutida há mais de 10 anos, desde a primeira lei de uniões de facto, onde ouve uma tentativa do bloco de esquerda de consagrar nas uniões de facto o direito à adopção para todas as pessoas.

          passou por várias votações no parlamento.

          o pcp tem mais de dez anos de debate, para ter ouvido psicologos, sociologos, juristas, políticos, activistas, filhos, pais, mães, adoptantes, adoptados e quem bem entender.

          também a violência doméstica ou o abroto não eram suficientemente visíveis, exactamente por viverem na clandestinidade, até à sua aprovação, e debate.

          o pcp só não se informa por fechamento democrático, sectarismo interno, homofobia, e por viver na triste ilusão que tudo se resume à luta de classes, qundo sabemos que muito operário bate na mulher, tem vida dupla e expulsa filhos/as homossexuais de casa.

          • Outro diz:

            Os exemplos que existem (IVG, casamento homosexual) que contrariam essa sua leitura, de “fechamento democrático, sectarismo interno, homofobia, e por viver na triste ilusão que tudo se resume à luta de classes”, não o levam sequer a levantar a dúvida sobre qual a razão que levou o PCP a tomar a posição que tomou nesta matéria, já que, e na sua lógica, demonstra o que constituiria uma severa contradição.

            Deixo-lhe esta última ponta de véu:

            “O principio da precaução é um princípio moral e político que determina que se uma acção pode originar um dano irreversível público ou ambiental, na ausência de consenso cientifico irrefutável, o ónus da prova encontra-se do lado de quem pretende praticar o acto ou acção que pode causar o dolo.” aqui

          • fernando diz:

            Eu votei PCP, certamente porque vejo no PCP algúm princípio de dignidade. Não alinho na ideia demagógica de comparar os regimes autoritários que usaram o nome do comunismo como metáfora para julgar o pcp por ai. Vejo as coisas caso a causo.

            Não percebo precaução de quê é que tem o pcp, tem neste caso. Um racismo para quem entende ser perigoso por não ter a orientação sexual que se entendem ser a normal – e nisso estão ao nível da direita mais podre e da igreja católica.

            A história do movimento LGBT em Portugal e em países que aplicam a democracia nas questões identitárias e culturais tem trasido bastantes avanços nesta questão. Debatidos até à exaustão.

            Votei no PCP, por acreditar na sua luta, embora nunca tenha tido o apoio que tenho por exemplo do bloco, ou até do ps neste caso concreto. e acredito que estudo, participo e trabalho há anos tão afincadamente no activismo LGBT, de género, feminista ou cultural, como participo nas manifestações da CGTP, ou nos movimentos sociais de precários. E é exactamente por lhe ter dado o meu voto, que serei exigente quando o pcp falha.

            E voltarei a ser sempre que entender que teve uma atitute reacionária, pelo menos enquanto durar esta legislatura, e tiver lá um deputado ou deputada, cuja orientação sexual não foi relevante, para eu usar o principio da precaução quando votei.

          • fernando diz:

            Eu votei PCP, certamente porque vejo no PCP algúm princípio de dignidade. Não alinho na ideia demagógica de comparar os regimes autoritários que usaram o nome do comunismo como metáfora, aplicado regimes autoritários, para julgar o pcp por ai. Vejo as coisas caso a caso.

            Não percebo precaução de quê ou de quêm está o pcp a precaver-se?
            dos homossexuais e lésbicas que comem criancinhas?

            A atitude do pcp foi simplesmente um racismo, para quem entende ser perigoso, por não ter a orientação sexual que se entendem ser a normal, e aprovada pelo povo – e nisso estão ao nível da direita mais podre e da igreja católica.

            A história do movimento LGBT em Portugal e em países que aplicam a democracia nas questões identitárias e culturais tem trazido bastantes avanços nesta questão. Debatidos até à exaustão. Da despenalização da homossexualidade em 82, à remoção de impedimentos ao cumprimento do serviço militar e polícia em 99, ao casamento (inconstitucional) que o pcp votou favoravelmente em 2010, tendo se abstido na lei constitucional proposta pelo PEV, e que incluia a adopção.

            Votei no PCP, por acreditar na sua luta, embora nunca tenha tido o apoio que tenho por exemplo do bloco, ou até do ps neste caso concreto. Acredite que estudo, participo e trabalho há anos tão afincadamente no activismo LGBT, de género, feminista ou cultural, como participo nas manifestações da CGTP, ou nos movimentos sociais de precários. E é exactamente ter dado o meu voto ao pcp, que serei exigente cada vez que o pcp falhar em qualquer principio da igualdade, e dos direitos humanos.

            E voltarei a criticar o pcp sempre que entender que teve uma atitute reacionária, pelo menos enquanto durar esta legislatura, e tiver lá um deputado ou deputada, cuja orientação sexual não foi relevante, para eu usar o principio da precaução quando votei – certamente eu e muitos eleitores do pcp deveriamos usar esse mesmo príncípio da precaução antes de votar.

          • Outro diz:

            Não me parece que tendo votado ou não no PCP este deixasse de ser passível de crítica. Mas para além do voto e para que a crítica seja mais eficazmente construtiva, a participação a nível interno impôe-se. Diz-me que no âmbito do LGBT a questão terá sido profundamente discutida. Terá o PCP ignorado na comunicação que se estabeleceu?

            Não me parece que seja justo dizer-se:
            “Um racismo para quem entende ser perigoso por não ter a orientação sexual que se entendem ser a normal” para se qualificar o PCP que esteve na linha da frente quanto à consagração dos direitos dos homosexuais.

            Que o “príncipio da precaução” se “vire contra” o PCP se assim considerar. Dir-lhe-ei mesmo que a deixar de votar no PCP, não deixe de lhe ser exigente pelo menos.

            Deixe-me frisar que pelo facto de encontrar uma razão plausível para a posição do PCP, esta é a minha opinião pessoal e não o vincula apesar da coincidência.

  11. neubauten diz:

    o pcp foi o único partido 100% contra

  12. Afirma o Renato Teixeira que não percebe como «um partido que aceita o casamento entre elementos do mesmo sexo trave a universalidade dos direitos desse mesmo casamento».
    Tem todo o direito à afirmação e a não perceber o sentido de voto do PCP.
    Não me parece é que possa passar incólume a afirmação de que a adoção é um direito dos adotantes e não que ser adotado é um direito das crianças institucionalizadas ou abandonadas.
    Visto sob o prisma dos direitos da criança, a um lar e a uma família, poderá admitir-se (ou não) que o género dos adultos a quem a criança é confiada se torna irrelevante. O que já me parece excessivo, e abusivo, é considerar a adoção como um direito de um par de adultos, só porque entre eles se estabeleceu um contrato matrimonial.
    Parece-me até que esta é uma questão bizantina, na medida em que a adoção de uma criança pode ser requerida por qualquer adulto, mesmo que solteiro.
    Se a lei que legalizou o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo contém alguma disposição que retira a possibilidade de esses cidadãos requererem a adoção de uma criança, o que tem que ser alterada é essa disposição, por eventual violação dos direitos constitucionais dos cidadãos atingidos.

  13. Panascagem e Fufaria . . .

    • Renato Teixeira diz:

      Terão os mesmos direitos que o Luis.

      • Edmundo Dantas diz:

        Meu caro Renato

        A revolução é um processo de amadurecimento longo. Tão longo que alguns desesperam; em que, frequentemente, julgo, se desespera.
        O PCP, partido quase centenário, com enormes responsabilidades perante o Povo e o País, trava uma luta em todas as frentes, não pode dar passos em falso, pois é a única âncora consistente a que os revolucionários se podem agarrar.
        As tuas intervenções na blogosfera que em geral acompanho com muito interesse, mesmo sabendo que não pisamos ideologicamento o mesmo terreno na sua totalidade, levam-me a dizer que preteriste, por momentos, a revolução, a “favor” da “questão homossexual”, embora ambas não se contendam, mas, no momento, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

        Saudações

        Edmundo Dantas

  14. ANDANALUA E NALUANDA diz:

    O PCP, só tem que respeitar a vontade dos seus militantes, e até dos seus simpatizantes, mesmo que o seu Comité Central seja constituído por Gays e Lésbicas. Isto é que é democrático ! O PCP, mostrou que conhece o querer do seu Povo.

    • fernando diz:

      muita gente que aqui critica o pcp é militante do pcp, simpatizante e votou no pcp, olhe eu por exemplo. o povo não ANDANALUA

  15. Outro diz:

    O José Magalhães, apontou questões pertinentes. Mas é o Francisco Santos que toca no ponto que me é mais caro…

    Não me parece é que possa passar incólume a afirmação de que a adopção é um direito dos adoptantes e não que ser adoptado é um direito das crianças institucionalizadas ou abandonadas.
    (“p”s são meu acrescento, recuso-me a adoptar o novo acordo, chamem-me conservador se quizerem, estou-me nas tintas)

    Já o disse aqui, mas parece-me que se previligia o direito de individuos responsáveis pelas decisões que tomam negligenciando o de individuos em assumida limitação de responsabilidade, isto quando as implicações afectam sobremaneira os últimos. Que tipo de implicações? Todas. Benéficas e perniciosas ao mesmo tempo.

    Acho que a sociedade não tem o direito de pôr, dispôr e expôr assim dos seus membros a consequências imprevisíveis. Esclarecem-me se tal existir, mas estude-se o assunto devidamente com cuidados adicionais, podemos muito facilmente estar perante uma emenda bem pior que o soneto.

    O foro da questão não é meramente da justiça em colectivo há considerações do foro psicologico humano individual também. E só por parecer que é sobre a última que recai a maior preocupação, levantam-se demasiadas dúvidas.

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  17. o estado não tem de fazer juízos de valor sobre a vida privada dos cidadãos, só tem de reconhecer e enquadrar os tipos de família que há, a dado ponto, na sociedade.

    mas que é isto, moralismo? discriminação em termos de direitos por orientação sexual? … hão de vir hordas de constitucionalistas que me consigam convencer que isto não é inconstitucional. hordas.

    … o pc a concordar com o papa, que elege a heteronormatividade como única família ‘digna’. nem é bom.

    • Outro diz:

      “o estado não tem de fazer juízos de valor sobre a vida privada dos cidadãos, só tem de reconhecer e enquadrar os tipos de família que há, a dado ponto, na sociedade.”

      Agora o estado vir a ser responsabilizado pelo dano eventual sobre crianças adoptadas, que não têm como nem podem tomar parte da última decisão de forma consciente, face ao peso do preconceito homofóbico que vigora na sociedade, já não lhe causa problemas de moralismo?

      Só porque o Papa venha concordar não quer dizer que o PCP tenha concordado por razões dogmáticas. Que espécie de colagem é essa, só porque é de fácil aceitação esse argumento, ou porque dá jeito ter um PCPzinho como saco de boxe, na altura em que a ofensiva capitalista acelera e nunca foi tão imediata e implicativa?

      Anda tudo a ver as coisa pela rama…

      • oh outro: … isso da ‘preconceito homofóbico que vigora na sociedade’ que vai prejudicar muito as criancinhas é argumentação que dava para nunca ter sido aprovada a lei do divórcio – os filhos de pais divorciados sofreram imenso, ao início. em menor escala, olhe, eu usava óculos e era ‘cromo’ e nem lhe conto… e o mais fraquinho também tinha problemas. e o gago… as crianças raramente são boas pessoas… =)

        quanto aos adultos, com melhor ou maior à vontade, acho que já se habituaram à ideia de que há homossexuais. é a vida. a análise pelo estado de um candidato a pai ou mãe adoptiva NÃO PODE ter como critério a sua orientação sexual (está na constituição, e ainda bem!!). …tanto é que um homossexual, que não seja casado, pode adoptar. estas famílias já existem e, não sendo reconhecidas, são discriminadas.

        …e quanto à questão da oportunidade… enfim – já que estava em discussão, votavam a favor. isso é que era manter os olhos na bola e não alimentar discussões paralelas à troika que nos lixa.

        • Outro diz:

          “isso da ‘preconceito homofóbico que vigora na sociedade’ que vai prejudicar muito as criancinhas é argumentação que dava para nunca ter sido aprovada a lei do divórcio”
          Ah agora já são “criancinhas”? Estamos a falar da adopção… o superior interesse é das crianças.

          “os filhos de pais divorciados sofreram imenso”
          Por decisão dos pais, que se espera considerarem o interesse dos filhos, nessa decisão.

          “eu usava óculos e era ‘cromo’”
          Eu também era (devo continuar a sê-lo) ‘cromo’, nenhuma ordem me obrigou a sê-lo.

          “o mais fraquinho”, “e o gago”
          Não foi a lei que lhes impôs a gaguês ou fraqueza.

          “a análise pelo estado de um candidato a pai ou mãe adoptiva NÃO PODE ter como critério a sua orientação sexual (está na constituição, e ainda bem!!)”
          Concordo, acrescento que esta família (com pai/mãe homosexual) não difere significativamente (será mesmo?) do tipo familiar monoparental na relação que estabelece com o exterior já que a orientação sexual do pai não se coloca em evidência de forma recorrente.

          “estas famílias já existem e, não sendo reconhecidas, são discriminadas.”
          Verdade, mas são só desde muito recentemente, reconhecidas perante a lei. E não é por decreto que súbitamente passam a serem devidamente integradas na sociedade. Levará decerto algum tempo que de respeito pelo princípio consagrado se passe ao costume praticado.

          Compreenda-me, trata-se da aplicação prática da lei, de encontrar a melhor forma de superar-se culturalmente o preconceito, e não perder de vista o objectivo da adopção (proporcionar a uma criança equilibrio psicologico/emocional que vise a integração) e não de uma mera oposição de princípios. A matéria é complexa, e requer pinças.

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  20. Epitácio Lemos diz:

    Indesculpável!…
    Não se compreende!…
    Medieval, realmente!…
    Sinceramente!…

    “Indesculpável” não é uma palavra bonita para se parecer educado. “Indesculpável” é uma palavra com significado, e para quem não o conhecer, o dicionário é serventia da casa…
    Não concordo nada com a posição do PCP sobre este assunto, mas acho que não é “indesculpável”, porque não há coisas “indesculpaveis” em abstracto. Pensar que uma dada posição do PCP ou de outro partido qualquer pode ser por si só “indesculpável” é anti-dialético, porque é necessário pesar tudo o resto, em particular as contribuições que o PCP tem dado nos últimos anos para o alargamento dos direitos dos homosexuais.

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