de novo… o não reconhecimento

anda toda a gente a bater no PCP por causa da votação. interessa-me pouco a discussão.
a mim o que me interessa é que umas dezenas de deputados e deputadas, que poderão ser gay, lésbicas ou filhos/as, netos/as, sobrinhos/os, irmãos, primo/as, enteado/a de pessoas gays e lésbicas tenham votado contra. isto porque não falamos de algo estranho e distante, mas sim de pessoas que connosco partilham os quotidianos. para mim o incómodo está nessas pessoas, deputados e deputadas, que reforçaram mais uma vez a desigualdade na lei e o não reconhecimento de famílias já existentes na sociedade portuguesa.

(também aqui)

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9 Responses to de novo… o não reconhecimento

  1. Pingback: de novo… o não reconhecimento « Paulo Jorge Vieira

  2. VB says:

    Os deputados e deputadas do PCP são pessoas que têm uma opinião pessoal. No entanto, essa opinião deve ser formada, consolidada, não apenas à luz dos princípios marxistas-leninistas, mas da realidade do nosso país. Além disso, devem votar em conformidade com a sua discussão interna. Porque se foram eleitos por um partido devem, no mínimo, ser coerentes entre si.

    Pessoalmente, não creio que se devam fazer estudos ou análises, parece-me bem claro que casais do mesmo sexo devem poder adoptar. Também não me preocupa o que as pessoas de mentalidades mais retrógadas digam sobre tal coisa, a mim chega-me o facto de saber que essas crianças terão uma vida melhor e serão felizes. Acredito na igualdade e creio que todos devem ter os mesmos direitos. Mas acho que o PCP votou bem e em conformidade com o seu princípio de acompanhar os desejos e aspirações do povo português. É necessário haver discussão, tal como se procurou fazer com outras questões importantes.

    Creio que aqui já foi várias vezes referido o modo como o PCP esteve na vanguarda da discussão de questões como a união de facto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

    É normal haver pessoas aborrecidas com este voto contra. Sinceramente, eu prefiro ouvir agora um ora bolas de alguns meninos que não gostam de comunistas para mais tarde ouvir um sim senhor dos meus vizinhos do lado. Prioridades.

    • Outro says:

      Também não me preocupa o que as pessoas de mentalidades mais retrógadas digam sobre tal coisa, a mim chega-me o facto de saber que essas crianças terão uma vida melhor e serão felizes.

      Sinceramente, gostava mesmo de partilhar desta certeza.

      Concordo com o demais.

  3. kirk says:

    Curioso, Vc tem uma opinião oposta á do PC mas acha que eles votaram bem. Eis uma maneira fácil de estar de bem com Deus e com O Diabo, sem se sentir incomodado.
    meu caro, o que me parece é que os senhores nao conseguem lidar honestamente com o facto de terem votado ao lado da direita. Aliás conseguiram ser o ÚNICO partido em que todos os deputados votaram contra. Eu já nao chamo a isto disciplina de voto, chamo carneirice da mais retrógrada.
    Para a esquerda o problema não está nos partidos de direita votarem como votaram. Para a esquerda o problema está em partidos que se dizem dos direitos iguais para todos votarem precisamente contra esse artigo da constitução que consagra a igualdade. E a aceitação das razoes titubeantes apontada por BSoares sóa podem ser compreendidas á luz do controleirismo que não deixa margem para o livre pensamento que a organização burocratizada do PC impõe.
    Já faltava a vitimização costumada. E nao vale a pena lamentarem-se com o aproveitamento que a direita faz dos erros politicos do PC. Se a direita nada fizesse é que era de admirar. O que deve preocupar os senhores da direcção do PC são as criticas dos proprios militantes do PC e de sectores de esquerda que nao sendo do PC o reconhecem/reconheciam como uma força politica que luta/lutava contra as desigualdades. Que interessa que o PC esteja na vanguarda das discussoes se depois trai os principis da Igualdade?
    Conheço o PC há anos suficientes para saber que o seu comité central nunca erra, nunca se engana e ao contrário do medricas que se esconde em Belém, nunca tem dúvidas. Não lhe conheço uma autocrítica pública, apesar de Cunhal ter escrito um livro sobre as paredes de vidro do PC e nem sequer me parece que vão começar agora. Veremos, quando o assunto um dia voltar á Assembleia, se já fizeram o debate que lhes permita interpretar o que a Constitução diz sobre Igualdade.
    K

  4. Mig_L says:

    Creio que VB roçou um ponto importante.
    Depois de tanta tinta escorrida sobre o assunto, em que uns aproveitam para criticar o PCP, outros para malharem nos homossexuais e ainda os que se vitimizam, para mim, o que fica sao dois pontos em jeito de conclusao:

    - que o PCP, como partido que é, elegido pelo povo, deve representa-lo. Nao sei se “o sim” é consensual entre todos os portugueses e, como tal, é uma decisao bem ponderada.

    - que o superior interesse da criança ( e nao simplesmente o permitir QUE OS CASAIS homossexuais adoptem) é a questao principal e bem delicada! é por isso importante discutir entorno do assunto

  5. Paulo says:

    «… e o não reconhecimento de famílias já existentes na sociedade portuguesa.»

    Sim, neste caso, vem à lembrança o casal João Mota e Carlos Paulo, mais o seu filho, Quico.

  6. max says:

    O PCP está errado nesta posição. As suas justificaçõe são fácilmente desmontáveis. Tão fácilmente que nem vale a pena falar delas. E daí? Vamos todos começar a bater nos homens? Os outros partidos não têm as suas incongruencias também? E as pessoas não as têm também? Sou de esquerda e contra a despenalização do aborto. Apróximo-me da direita por isso? Não! Partilho com a esquerda um ideário muito maior que uma questão isolada.
    A reacção de alguns ligados ao partido foi de “virgens ofendidas”. Estão estes malvados a atacar o meu partido perfeito e infalível. Os partidos são organizações de homens e sempre terão as virtudes e os defeitos dos homens. Como errarem. Defender os amigos está muito certo e é louvável. Mas dizer ao amigo que está errado quando o está e manter a amizade parece-me mais ainda.
    Toda esta conversa para isto: Parem de dar tiros a quem está do nosso lado da barricada. O inimigo está do outro lado. Quero lá saber de esquerdas “chics” ou esquerdas “marmita”. Temos muito mais que nos una que que nos separe. Enquanto nos degladiamos por questões fácilmente ultrapassáveis numa conversa tranquila o inimigo reforça posições.

  7. Vasco says:

    Sobre isto, pese embora as minhas opiniões pessoas, acho que deve haver, sim, um amplo debate prévio, não só político mas a muitos outros níveis. Pese embora os direitos dos casais, quaisquer que eles sejam, a criança está primeiro. Debata-se seriamente primeiro – e vote-se depois. E não o oposto.

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