obrigado

Hoje ficámos a saber que as crianças adoptadas por um gay ou uma lésbica individualmente, ou nascidos por procriação medicamente assistida, ou ainda de anteriores relações heterossexuais só têm direito a um pai ou uma mãe… muito obrigado aos senhores deputados e deputadas do CDS, PSD, PS e PCP que votaram contra as propostas do BE e PEV por abandonarem as nossas crianças ao não reconhecerem a possibilidade de elas terem dois pais e duas mães…

Nota: a divisão nas bancadas, nomeadamente na do PS e do PSD, sobre a temática foi claro o modo como divide os partidos políticos.

(também aqui)

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21 respostas a obrigado

  1. Pingback: obrigado « Paulo Jorge Vieira

  2. Mario diz:

    Alguém conhece os fundamentos do voto contra do PCP?

  3. JR diz:

    Para justificar o seu voto contra, o PCP argumentou que esta questão ainda não foi “suficientemente debatida e sedimentada na sociedade”, disse o líder parlamentar Bernardino Soares. “O nosso voto nesta matéria (…) não significa uma posição de rejeição”, sublinhou o deputado comunista, “mas expressa apenas a necessidade de prosseguir o debate, o esclarecimento sobre a questão”.

    • agent diz:

      O que há exactamente ainda por debater na possibilidade dos casais homossexuais quererem legalmente partilhar um filho (como aliás já o fazem)? Pois até parece que estamos perante um fenómeno muito recente. Custa assim tanto admitir que o PC, tal como os partidos de centro-direita, têm um significante eleitorado conservador e muito sensível a estas questões?

    • Augusto diz:

      Será que o casamento entre pessoas do mesmo sexo , foi suficientemente debatido e sedimentado na sociedade ?

      E o PCP votou a favor .

    • Pedro Lérias diz:

      Não significa uma posição de rejeição… nem de aceitação, disse o deputado.

      O anti-semitismo e o anti-gayismo está no sangue dos partidos comunistas e têm muitos problemas em irradicá-lo.

      São anti burgueses e têm todos os tiques dos burgueses.

  4. Afonso Costa diz:

    Votou contra? Obviamente não tem justificação. Sem preconceitos e desculpas, o voto progressista só poderia ser favorável. Que vergonha PCP.

  5. O artigo do Público, em relação ao voto contra do PCP, remete para as afirmações de Bernardino Soares. “O nosso voto nesta matéria (…) não significa uma posição de rejeição, mas expressa apenas a necessidade de prosseguir o debate, o esclarecimento sobre a questão”.
    (Intervenção completa)
    Efectivamente, o debate público sobre esta questão ainda estão pouco desenvolvido. Lembro que a aprovação do casamento de casais homossexuais foi aprovado em 2010. BS lembra que “a primeira vez que a lei em Portugal reconheceu alguns direitos a casais de pessoas do mesmo sexo, foi com uma iniciativa e com base num texto proposto pelo PCP”. Na matéria de adopção, BS apela à “prudência construtiva”.
    Não admira que desde 2010 a questão não tenha assumido o palco de discussão pública. O país tem andado preocupado com outras questões. E cabe também perguntar, quão urgente é esta questão para a comunidade homossexual (face a outros problemas, bem mais graves). Isso não diminui em nada, porém, o direito invocado pelas propostas.
    Como contributo para essa discussão, importa identificar as preocupações. Se a preocupação é, como alguns opositores a colocam nos EUA, a transmissão da homossexualidade para os filhos adoptivos, tirem desde já o cavalinho da chuva, pois os dados sobre a matéria não apontam nesse sentido. E mesmo que apontassem, não veria nenhuma mal social nisso.
    Se a preocupação se centra na capacidade de dois homens ou duas mulheres poderem constituir um meio familiar saudável e capaz de potenciar o desenvolvimento de uma criança, tão pouco existem evidências que um casal homossexual providencia condições inferiores a um casal heterossexual. Um casal que se propõe adoptar tem de ser avaliado e aferido, qualquer que seja o seu género. Não há quaisquer dados que impliquem problemas se o casal for homossexual. Os estudos existem, para quem os quiser consultar. Vivemos num mundo onde a família assume diversificadas formas: pais solteiros, pais divorciados, pais em segundos e terceiros casamentos. A questão fundamental para constituir um candidato a adopção residem noutras esferas, que não o género dos elementos do casal.

    • Renato Teixeira diz:

      O debate sobre o casamento estava amadurecido?

      • Carlos Vidal diz:

        Camarada, não há nada a discutir sobre a posição do PCP: está errada.
        Espero, esperemos, que a posição do seu colega de coligação (o PEV) contribua para uma mudança. Breve.

      • Antónimo diz:

        1º O PCP fez mal (a posição é indefensável)
        2º A Lei devia ter sido aprovada. Sê-lo-á, infelizmente mais tarde que cedo
        3º Claro que o casamento estava mais debatido e amadurecido.

  6. Jesus diz:

    é enternecedora a fé que a pequena-burguesia “de esquerda” deposita no parlamento burguês enquanto catalisador de transformação cultural. continuem a circunscrever a vossa discussão política aqui ao grémio literário de vanguarda da vanguarda da vanguarda (…) que, quando menos esperarem, o socialismo ainda há-de ser promulgado em Diário da República.

    • Antónimo diz:

      a transformação cultural é feita no dia-a-dia por centenas de pessoas que a praticam. o parlamento tem obrigação de não deixar a realidade fora de enquadramento e de não ceder aos gostos das maiorias que assim violentam a consciência dos outros para se meter na vida dos outros e as centenas de crianças que assim condenam a permanecerem institucionalizadas.

  7. José diogo diz:

    A decisão do PCP foi errada, foi cobarde… e mais não digo.

  8. Outro diz:

    Correndo o risco de abordar a questão muito superficialmente, e limitar-me apenas a defender a posição conservadora da bancada do PCP, ocorre-me dizer o seguinte:

    Que justiça para as crianças que na falta da legislação não poderão ser adoptadas?
    Que consequências para as que efectivamente viessem a beneficiar do novo regime?

    Parece-me que é relativamente fácil encontrar os benefícios do ponto de vista da justiça mas que ao mesmo tempo é particularmente duvidoso quanto a eventuais consequências laterais para a criança que poderão surgir de tal enquandramento social. Tais que poderiam minimizar, mesmo contrariar, os benefícios que se antecipariam. Como se os últimos fossem por uma estrada de cabras e os primeiros seguissem pela via rápida.

    É fácil achar-se a posição conservadora. Aliás, a posição é sem duvida conservadora. Será que uma posição conservadora, é sempre e por omissão negativa e preterível para alguem que se considere, com minima razão, progressista? Será que isto chega como argumento. Será que “conservadorismo” é sempre do mesmo cariz vincado de classe? Sinceramente não tenho idade para achá-lo e sou um puto novo.

    Definitivamente não parto de nenhum dos preconceitos mencionados (transmissão da homosexualidade ou (in)capacidade de um casal homosexual de “potenciar o desenvolvimento de uma criança”) pelo menos no que se circunscreve ao ambiente intra-familiar.

    O meu receio, a que talvez uns estudos ajudassem a objectivar, tem a haver com o ambiente extra familiar de uma criança em tal enquadramento. Presumo, visto daqui de muito longe, que tal criança poderá sofrer pressões dos seus pares verdadeiramente traumatizantes. Conhecendo-se o que se conhece do preconceito homosexual na sociedade portuguesa a criança poderia estar envolvida nessa mesma descriminação num papel ainda mais injusto, sofre a descriminação por intreposta pessoa, os próprios pais.

    Vão dizer, posição alarmista, apontar risco tão residual. Pois mas eventual consequência não seria de todo residual. Lembrar adicionalmente que crianças na posição de serem adoptadas, tipicamente requeririam cuidados atípicos de desenvolvimento aos quais eventual infortunio só iriam exacerbar.

    Mas se tão residual o número acima, quão residual, ou não, seria o número de casos aos quais pais homosexuais (igualmente como os hetero) se encontrariam e se viriam a acrescentar aos considerados elegíveis para adoptar? (por outras palavras, quantos casos resolvidos por quantos em risco de se agravarem?)

    Politicamente, o PCP optou talvez pela posição mais segura do ponto de vista do seu eleitorado, sem dúvida. Mas para mim e neste caso de forma totalmente legitima, sempre o seria – não falamos propriamente de um caso de conquista eleitoral via o “politicamente correcto” ou popularismo, mas para além disso acho que bastante justificada. Senão de forma um tanto desajeitada. Antes isso que partir uma perna mais tarde.

    E já agora, “Prudência construtiva, o caralho” uma ova fecundada!

    Admita-se que a questão é sem dúvida delicada, que o que está em jogo é a vida de terceiros, e que não pode ser de animo leve que se enfrenta a questão passiva ou activamente.

    Acharia muito mais útil, e sem necessidade de grandes discussões, que se munisse as instituições que acolhem as crianças dos meios, materiais e humanos, que permitam minimizar as consequências da ausência familia nesse sentido mais estrito.

    Acrescentando que nos casos anteriores, que de algum modo colocam traços culturais ou mesmo a tradição em causa, no sentido em que se idealiza a evolução da sociedade:
    Casamento homosexual – só diz respeito aos próprios e trata-se da igualdade em direitos
    IVG – prioridade ao livre arbítrio sobre o próprio corpo da mãe
    Touros de morte – mais do que direitos dos animais, a falsa questão, trata-se dos deveres humanos enquanto ser que nutre valores culturais positivos
    Recorro a estes exemplos, onde subjazem as posições conservadoras/progressistas, para sublinhar que as implicações circunscrevem-se aos directamente envolvidos enquanto pessoas responsáveis pelas decisões que tomam ao contrário da questão da adopção.

    E já que o mencionei, no caso dos touros de morte discordei, e mantenho categórica oposição à excepção criada, a qual, me parece efectivamente insuficiente, da parte do PCP, qualquer justificação.

    Isto tudo para evitar sequer tocar no ponto da pertinencia actual desta questão, no contexto infinitamente mais implicativo e imediato da ofensiva capitalista sobre os trabalhadores na sociedade portuguesa.

  9. XYZ diz:

    A insuficiencia de uma discussão válida na sociedade portuguesa acerca do assunto é uma realidade indiscutível. Aliás, uma verdadeira discussão pública sobre o que quer que seja no nosso pais é um facto de difícil execução. Para quem vive em Lisboa ou no Porto, talvez o tema pareça já algo corriqueiro e suficientemente debatido e solidificada uma posição, mas para quem, como eu, conhece o interior do pais como as palmas das mãos, acreditem que a RTP (à semelhança de outras vias de comunicação) nunca ajudou ao despontar de um verdadeiro e profundo debate na sociedade portuguesa, seja sobre que assunto for. Enquanto professora posso garantir-vos que a consciência e o debate acerca da homossexualidade nas gerações jovens tem tido grandes progressos, principalmente no que toca a relações entre o sexo feminino. Contudo, a adopção de crianças por parte de casais homossexuais envolve áreas demasiado complexas que são demasiadas vezes interpretadas interpretadas de forma errónea e demasiado dramatizada. Tive já a oportunidade de ter como alunos algumas crianças que admitiam, sem qualquer preconceito e com bastante preparação para reagir a possíveis actos de discriminação por parte dos seus pares, que me transmitiram sempre a tão grande capacidade do amor e a felicidade que transportavam consigo. O amor não é parcelar, não é homofóbico, não é egoísta e muito menos é conservador. Falar acerca da adopção, é falar sobre amor e a capacidade, quando aceite, de este poder contribuir para uma transformação positiva da vida individual de cada ser e da sociedade no seu todo complexo. Qualquer ser necessita de amor, seja de uma mãe e um pai, dois pais ou duas mães, uma só mãe … alguém que ame, proteja e dê segurança, a compreensão e aceitação por parte da sociedade em geral passa no meu entender pela discussão acerca desta necessidade profunda de qualquer ser humano e da explicação e apoio que a criança, a ser adoptada por um casal homossexual, terá de ter para saber defender-se de possíveis actos de hostilidade, eles existirão sempre (se não neste assunto, em outro).
    A posição tomada pelo PCP é no mínimo chocante e incompreensível. Se há necessidade de aprofundar um debate (mesmo que internamente num qualquer partido), se não há segurança suficiente para declarar uma posição, então existe a abstenção e os mecanismos disponíveis para a abertura de um debate público, aberto e consciente. A posição de total rejeição, com o voto negativo, demonstra, no mínimo, um conservadorismo infantil e prepotente!

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