
Não há democracia sem centralismo como não há centralismo sem democracia. A regra de ouro dos partidos revolucionários, para ser levada a sério, tem mesmo que ser séria. Um Comité que não exerça democracia de base nas suas tomadas de decisão não é Central. Um dirigente que não se centraliza às decisões da sua base não deve fazer parte do Comité. Quando isto se perverte, os dirigentes se tornam superiores ao seu Comité e o Comité faz tábua rasa dos seus militantes de base, é a burguesia que ganha. Quando assim acontece, o dever de qualquer revolucionário é a secessão e a tarefa histórica de começar tudo de novo.
“Essa é a única forma de a base do partido controlar seus dirigentes e figuras públicas e fazer com que estes actuem respeitando as deliberações do partido.
Não há no centralismo democrático qualquer privilégio para os parlamentares. Eles têm tantos direitos e deveres como um militante de base. Defendem no parlamento as posições decididas no congresso (ou nos organismos de direção do partido entre os congressos), não as suas posições individuais.
O centralismo e a democracia são dois pólos inseparáveis, que se complementam. Não existe democracia sem centralismo, ou seja, sem respeito às decisões da maioria. E não pode existir centralismo sem democracia, debate, elaboração e decisões colectivas. Para fazer a revolução, é necessário que haja democracia, que as bases participem, opinem, corrijam a política do partido. Só assim é possível formar revolucionários num ambiente de debate.”
Via PSTU e cartaz do Artigo 21º




A burguesia agredece mais este favos!
Serás recompensado!
A burguesia agredece mais este favor!
Serás recompensado!
Tó contra Tó, e fica tudo dito. Favos ou Favor, em que é que ficamos?
Renato:
Os teus post anti-PCP são uma verdadeira fonte de mel com que se lambuza a burguesia.
Daí, tanto podermos dizer que a burguesia agradece (mais)este favo, como te agradece o favor – o favor do favo.
Seguramente por pudor não tenhas completado a frase: “o Zeca é do povo… não é de Moscovo” – recuperando a célebre palavra de ordem dos chuchas a propósito do República, no Verão de 75. Curioso, não?
Não. A ironia vale por si. Não precisa de paralelos. Quem enfiar a carapuça, que lhe sirva bem. Ainda assim gostava de saber em que é que a burguesia agradece, que é como quem diz, onde é que está o favor e o favo de mel.
Essa de “eu sou o meu proprio comité central” ainda me hás-de dizer o que quer dizer e aonde leva…
Lido como o estás a ler leva a muito pouco lado. Serve apenas e só para o momento em que o CC abdica de ser Comité, Central e Democrático.
Entendido o “eu” e o “meu” como a natureza democrática do CC e a função representativa do todo de forma democrática, pode mesmo concluir-se que há Comités que muita falta fazem.
E o CC que faz falta será o Comité Central do Rubra? do Ruptura? do novíssimo MAS? do MRPP? Ou espera… da organização futura (mas por enquanto envolta em nevoeiro) que será capaz de de agregar os revolucionários na luta revolucionária contra o capitalismo e contra os capitulacionistas ao capitalismo? ´
É 2 no totobola, não é?
É cada um desses e também o do PCP, desde que estejamos a falar da parte justa das suas orientações.
é muito baixo utilizar o zeca para isto. Mas de facto, aproveitam tudo o que podem para bater sempre no mesmo. Não, naqueles pelos quais o Zeca cantou e lutou, não, sempre contra aqueles que estiveram no mesmo lado da barricada. Basta para isso, ler as palavras do próprio Zeca
“Respondi-lhe que não podia ser do PC por várias razões, uma das quais era a minha origem de classe pequeno-burguesa. A única coisa que sabia de certeza certa eram as minhas limitações e não me arriscava a fraquejar. Se um dia fosse preso e denunciasse camaradas, isso constituiria para mim uma experiência da qual nunca me mais sairia bem.
(…) Mas é preciso saber que durante muitos anos a única escola antifascista que existiu neste país foi o PCP (…)
(…) Ora, muitos identificavam-me com o PC. Atacando-me a mim estavam a atacar o PC e a sua estratégia geral.”
José Afonso, O rosto da Utopia
O resto, são provocações baixas, que servem apenas a burguesia.
Não sei se está a falar da capa do último Avante se do comício da Luar, em 1974.
Ora é claro que cada um é o seu próprio comité central, evidentemente.
Cada um tem braços, pernas e pensamento. E com eles age. Para si e para os outros.
E o Zeca era o paradigma extremo do altruísmo.
Mas o Zeca serviria todos os que têm a bandeira vermelha como sinal, a bandeira vermelha sem divisionismos, como aliás quis ser sepultado, nela envolto (e sem mais indicadores particulares: nem partido A, nem partido B).
Agora, quanto a centralismos democráticos. Não sabia que isso era propriedade apenas de partidos da quarta internacional. Que, como todos sabem, apenas existem para dividir – não sei se para reinar, mas acho que não. De qualquer modo, não têm nem objectivos nem expressão.
Ainda assim, pelo menos segundo o que dizes ser o entendimento do Zeca, com a “bandeira vermelha como sinal”.
Não percebo nem a polémica nem o sentido desta discussão.
Não percebo ao que vem aqui a LUAR, nem o orador Fernando Marques, depois deputado do PS.
Não percebo.
Zeca não aprovaria esta “polémica”.
Nem percebo o teu comentário acima sobre a capa do Avante! em contraponto com a LUAR.
Aos 3’20, não parece ser bem assim.
??
O Zeca aparece aos 3´20, no vídeo que deixei no comentário acima.
O Zeca aparece no comício da LUAR.
O Zeca cantou na Festa do Avante!
Apareceu num primeiro comício do PCP.
E que concluis daqui?
Qua era comunista e visceralmente anticapitalista. Como nós.
De todos nós, portanto.
Conclusão certa, que anula qualquer polémica (desnecessária).
Abraços.
Cá no PCP temos centralismo democrático, sim senhor. Isso agora é bom para a esquerda do mainstream? É que há aaaaanos que sou criticados por estar com partido com centralismo democrático? Que confusão, já não percebo nada disto.
Pingback: Triste. | cinco dias
Renato, se a TSF soubesse que era isso que te apetecia dizer nos 25 anos da morte do Zeca tinha-te junto ao grupo de uma certa estoriadora.
Olha que não. Olha que não.
Grande confusão por coisa alguma. A frase é apenas uma afirmação de independência em relação a todos os partidos de esquerda, que tinham todos comité central, embora alguns variassem no nome. O Zeca sempre manteve uma relativa equidistância em relação à generalidade dos partidos, evitou ser instrumentalizado por qualquer um deles, e fez muito bem, acho eu. Na separação de águas PC/”extrema-esquerda” que ocorre em 75 andou mais para os lados desta, mas não me recordo de alguma vez o ter ouvido hostilizar o PCP.
Já agora, se a amnésia não me tolhe, além da Luar só participou, durante o dito PREC numa sessão da LCI, e talvez em coisas ligadas ao PRP. E correu logo o boato de que ele tinha virado trotsquista, o que foi desmentido. Apenas, e convenhamos que é a pura verdade, a LCI era muito menos sectária que todos os restantes partidos de esquerda.
Estou à vontade para escrever estas coisas, nesse tempo andei a navegar nas águas do mais sectário de todos (por sinal o único que criticava o Zeca como reformista ou coisa que o valha), e não, não estou a falar do PCP.
O ai jasus tipo carapuça que aqui vai parece é querer dizer que comité central há só um, o do pc e mais nenhum, o que na década de 70 é um perfeito disparate.
Evidente. A ideia desta posta é precisamente essa. A crítica à burocratização do CC não é exclusiva ao PCP e o mesmo sobre o avanço sobre o património musical e político do Zeca, sobretudo porque como se sabe ele sempre colaborou com toda a esquerda com quem se entendeu, a cada passo.
Burocratização e bla blá blá… Já agora, o que é o PTSU?…
No site diz que são um partido bolchevique, mas o Vasco é capaz de lhe cheirar a publicidade enganosa. Certo?
Estes posts do Renato são com cada tiro ao lado que até mete dó. Semana após semana a bater no mesmo e cada vez mais fraquito.
O PCP faz-lhe assim tanta confusão?
Se calhar o facto de termos o Governo mais reaccionário depois do 25 de Abril não lhe incomoda muito por isso toca a carregar contra o PCP(a fonte de todos os males do mundo).
Haja paciência
Bater no PCP? Eu? Olhe que a frase é do Zeca…
renato teixeira o que vale é que depois de morto ninguem mais se lembrará de ti e das tuas merdas… não vales nada, és um rato de computador…
É possível. É possível. Mas o que chateia o jasus é que não me fico pelo computador, confesse lá.
Se bem me lembro, nas últimas eleições legislativas, o Renato afirmou ter votado na CDU. Noto, nos últimos tempos, uma crescente hostilidade em relação ao PCP. Quer explicar-nos o porquê?
Votei sim senhor. Isso é uma profissão de fé? Onde vê hostilidade?
O Renato agora já tem “partido” em quem votar…. ou partidos… está tudo partido…
Nem me quero meter nesta conversa de comadres, porque o Zeca não o merecia.
O que tinha a dizer sobre o Zeca escrevi-o num comentario a um posto do Tiago, que se calhar foi censurado.
Já agora caros comentadores do PCP, o Renato Teixeira só tem um INIMIGO de estimação, que é o Bloco de Esquerda, o resto é conversa para entreter, até porque o Renato ainda não aderiu ao PCP, se calhar porque ainda não calhou.
O PCP tem realmente as costas muito largas. Se o Avante! de hoje não tivesse porventura trazido uma homenagem ao Zeca, lá estaria o PCP, sectário, a apagar o artista. Como vem, e daquela maneira tão bela, lá está o PCP a aproveitar-se dele. Em nenhuma ocasião o PCP fez “seu” o Zeca – mas não deixa de o homenagear e de realçar as convergências que com ele teve. E os amigos que o Zeca tinha no Partido… Só um sectarismo anti-PCP pode ver isto de qualquer outra maneira, sinceramente. Ao menos não usem o Zeca Afonso como arma de arremesso contra o PCP, quanto mais não seja porque ele não o aprovaria certamente…
Ele não o aprovaria certamente…
Em 1973, no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, corri ao lado dele – do Vítor Dias, que tem agora o blogue “O tempo das cerejas”, na altura já membro do PCP e que já foi membro do seu CC, bem como de de outros 3 anti-fascistas, cujo nome não recordo – a fugir da polícia de choque, que queria impedir-nos de chegar ao cemitério para prestar homenagem ao Mário Sacramento, depositando simbolicamente uma coroa de flores no seu túmulo. Não o conseguimos porque a barragem policial ( com cães, gás lacrimogéneo e balas de borracha ) era tremenda , mas, aqueles 20 minutos que desfilámos pelas ruas de Aveiro a gritar ” Amnistia!”, “Liberdade para os presos políticos!” e “Fim à guerra colonial!” ninguém nos tirou! E o Zeca calhou ir a meu lado…
Falei com ele várias outras vezes, nomeadamente na Festa do “Avante!”, onde chegou a actuar – com outros cantautores conhecidos, de quem era amigo ( José Barata Moura, José Jorge Letria, etc . Dava-se muito bem com conhecidos comunistas ( eu na altura era do MDP, só aderi ao PCP no final de 1973 ) e nunca lhe conheci o mais leve indício de ser contra o PCP. Já nessa altura ele era, além de anti-fascista, profundamente anti-capitalista. Como aliás, todos nós!
Não. Posso assegurar que o Zeca, por feitio, não queria militar em nada, mas, era simpatizante do PCP. Embora também o fosse de outros partidos, como a UDP/PCP-ML, por via da sua grande amizade com José Mário Branco…
Críticas também eu tenho. Faço-as livre e abertamente e nunca fui olhado de revés por isso. Só que, no meu organismo, diante dos meus camaradas. Se fossemos uma cambada de “yes-men” nunca ajudaríamos o Partido a melhorar e a ligar-se às massas. Uma organização que é constituída por seres pensantes e não por robôs obedientes, é mesmo assim. O acto de pensar tanto dá para concordar, como para discordar. O “homo sapiens sapiens” é um animal gregário, que aprende em comunidade ( mesmo os nómadas… ). Os comunistas também são assim: é da discussão colectiva, mas com contributos individuais, que nascem as ideias.
Mas, não municiamos o inimigo de classe! Nem o Zeca o fazia…
Mais excertos da entrevista na posta do Ricardo Santos Pinto: http://5dias.net/2012/02/23/zeca-afonso-sou-o-meu-proprio-comite-central/