
Depois da FÉ DE CRISTAS para que um milagre salve o ano agrícola, agora é Duarte Marques a apelar à Fé no combate ao desemprego. Sendo certo que pode tratar-se de uma tentativa de engate, apostólico romano bem entendido, não será de estranhar que a estratégia desenhada pelos partidos da coligação vá noutro sentido. CDS e PSD estão a dar sinais que podem vir a substituir a troika do FMI por outra mais bem colocada no divino, e ao que parece ponderam entregar a gestão do país ao Vaticano. Valha-nos a luta política dos desempregados para não termos que confiar o nosso futuro naquele que já merece ser considerado o governo da Santíssima Trindade.
A este ritmo uma pessoa vai esgotar a obra de Bocage, mas o Duarte Marques está claramente a precisar de uma ajudinha:
SONETO DO PRAZER MAIOR
Amar dentro do peito uma donzella;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Fallar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janella:
Fazel-a vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertal-a nos braços casta e bella:
Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a bocca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:
Vel-a rendida emfim a Amor fecundo;
Dictoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que ha no mundo.





A Fé na Luta é um dos misticismos mais em voga.
Em eficácia muito comparável ao da Fé na Trindade.
É a economia…
Não pense nisso. A luta política, ao contrário da mensagem de Cristas e do Marques, mal deixa tempo para mezinhas.