Porque Marx estava certo – 1

Recomendo a leitura deste livro do filosofo Terry Eagleton (ver video). Pega nas dez mais comuns objecções ao Marxismo – que conduz à tirania política, que reduz tudo à esfera económica, que é determinismo histórico, etc. – e em cada instância demonstra como cada ataque é uma travéstia do pensamento de Marx. ~

No primeiro capítulo aborda a seguinte crítica: “O Marxismo está acabado. Pode ter tido relevância num mundo industrial, mas certamente não tem relevância num mundo crescentemente sem classes, pós-industrial.

Eagleton replica que o Marxismo é uma crítica ao capitalismo, a mais rigorosa e extensa alguma vez avançada. Enquanto o capitalismo persistir, a crítica Marxista mantêm-se válida. No mundo ocidental terá havido um decréscimo do peso da classe operária e um crescimento do sector dos serviços. Mas isso foi previsto por Marx. Tal como a intensificação da globalização, da concentração do capital e da sua actuação predatória. Há que não esquecer que Marx tinha uma certa admiração pelo capitalismo, enquanto fase histórica capaz de resolver o problema da produção. Mas explicou também porque este sistema inexoravelmente produzia desigualdades, como era incapaz de levar a a um futuro que não fosse a reprodução ritual do presente. Um presente desigual, banhado de fantasia, fetichismo, mito e idolatria, guerra e exploração, que após uma longa história, se tem demonstrado incapaz de satisfazer as necessidades humanas, e não parece inclinar-se para o fazer num qualquer futuro. O lema “Socialismo ou barbárie” é cada vez mais pertinente.

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
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17 respostas a Porque Marx estava certo – 1

  1. What? I allways thought Marx was left.

  2. Fernando Oliveira diz:

    Sempre saudando qualquer fórum que contribua para fortalecer o violento combate ideológico que é preciso dar aos reaccionários destes novos tempos, permito-me discordar de três ideias deste post. E discordo porque, em minha opinião, são reducionistas do alcance e do valor do legado de Marx.
    1 – Muito mais do que uma teoria ou uma análise, Marx deixou-nos um método de análise intemporal, com base em 3 leis que continuam imutáveis e diáriamente comprovadas.
    2 – Marx nunca teve “uma certa admiração pelo capitalismo”. O que Marx reconheceu foi, num determinado contexto, em relação a um determinado periodo da história, o papel progressista da burguesia e o natural contributo do capitalismo para o desenvolvimento das forças produtivas, enquanto factor potenciador do progresso social e da luta libertadora dos povos.
    3 – O marxismo, enquanto método de análise, manter-se-á válido para além da existência do capitalismo. Direi até que os pensadores marxistas de hoje deviam orientar os seus esforços em duas direcções :
    a) Aplicar as três leis do materialismo dialético à análise dos graves desvios ocorridos e da falência do “socialismo real”, fazer uma autocrítica efectiva, sem rodeios ou falsificações históricas.
    b) Analisar a sociedade e os problemas da actualidade, refazer a teoria revolucionária à luz da nova composição das classes sociais e dos interesses comuns das mais vastas camadas das populações, elaborar um programa político realista de poder que volte a mobilizar e galvanizar os povos.

  3. Luis Almeida diz:

    Excelente artigo, André. O vídeo, embora longo é também interessante. Nunca tinha ouvido falar de Terry Eagleton e fiquei com água na boca. Vou estar atento ao que aparece dele na net. Sempre fui um comprador regular de livros, mas, infelizmente, o meu nível de vida, nos últimos tempos, baixou muito e deixei de poder comprá-los ( excepto nos alfarrabistas…), quanto mais de mandar vi-los de Inglaterra…
    Um abraço.

    • José diz:

      Está na internet. Procure nos torrent, encontrará uma boa cópia em pdf.
      Um bom livro, uma séria análise sobre algumas das críticas feitas ao marxismo.

  4. JgMenos diz:

    «…se tem demonstrado incapaz de satisfazer as necessidades humanas.»
    Quem define o que sejam as necessidades humanas? de um humano «…desigual, banhado de fantasia, fetichismo, mito e idolatria,»
    O socialismo sempre o faz, e por isso sempre é autoritário quando não totalitário.

    • Antónimo diz:

      olhe, um tempo continua a ter de comer, beber, viver nalgum lado, vestir-se, curar-se das doenças, estudar.

      o resto dos plasmas e assim quem o elegeu enquanto necessidade humana foram os seus.

    • De diz:

      ” Um presente desigual, banhado de fantasia, fetichismo, mito e idolatria, guerra e exploração”. Magnífica frase
      Mas…JgMenos transmuta-a um pouco.Citemos: ” um humano…desigual, banhado de fantasia, fetichismo, mito e idolatria»
      A capacidade do presente formatar o homem é de facto imensa.Claro que o pequeno jogo de palavras esbarra quando perante termos como “guerra”.Não dá para o intuito pretendido.Muito menos outro termo,este particularmente avesso à filosofia económica de JMenos,o termo “exploração”
      Era demais o neoliberal colocar na sua prosa, um “humano desigual, banhado de fantasia,fetichismo,mito e idolatria”e…Explorado!!!
      O dito comentador teria um achaque.

      Mas isto é apenas um pequeno introito.Repare-se como JMenos fala nas necessidades do ser humano.Quer definições.Utiliza um velho truque,a saber, o que são as necessidades do ser humano, algo que como se sabe deu origem a volumosos tratados e a imensos debates.Espera assim que a discussão se perca nos terrenos movediços da realidade psíquica.
      O que este Menos não quer que se fale?
      Logo nas necessidades básicas do Ser Humano:Alimentação,lazer,evicção da dor,…mas também das necessidades de emprego,habitação,educação, saúde, cultura…
      Tudo” coisas” que provocam um arrepio em qualquer neoliberal que se preze.
      Sejamos concretos?
      O direito ao emprego?Sob a pata deste neoliberalismo de merda,eis o número de desempregados hoje em Portugal.Uma obscenidade
      Habitação?O panorama é conhecido.Agravado pelo projecto lei de uma servil serventuária dos proprietários,Cristas qualquer coisa,que ainda tem o arrojo de falar em “subsídios para os que menos têm… dentro de 5 anos”.Entretanto é ver a legião dos que perdem as suas casas às mãos de credores ávidos e sedentos..ou dos que voltam a habitar as ruas e os pardieiros
      Educação? É ver um número cada vez maior de jovens sem possibilidades de continuar os estudos.É ver os privados donos das privadas escolas a reivindicarem o aumento dos apoios escolares,enquanto clamam pelo aumento das propinas públicas.É ver a fome crescer entre muitos dos miúdos da primária,dependentes já dos alimentos que lhes servem nas instituições escolares
      Saúde? É ver a figura sinistra de um sinistro indivíduo,banqueiro de profissão, auferindo mais de 800 000 euros em 2010 como “recompensa” pelo seu esforço privado,serventuário das seguradoras do ramo, a dar cabo do SNS,privilegiando precisamente o campo que ele tem servido e tirado os devidos proveitos.

      Vai-se assim começando a perceber porque motivo a questão é arrastada para outros campos.
      Mas há mais,muito mais- falar nos mitos,nas idolatrias,no fetichismo ( e ir de novo a Marx,tão presente hoje, para enorme desgosto de uns tantos).
      O tempo não o permite.

      É uma chatice de facto que a cada dia que passe se torne evidente, para cada vez mais pessoas, que esta sociedade caduca e podre não serve.
      Uma guerra sem tréguas se trava de facto.Uma guerra entre explorados e exploradores.Os primeiros trazem no bojo das suas lutas o futuro da humanidade.Os últimos trazem a dôr,a miséria,o desemprego,a fome,a guerra e a destruição,como é cada vez mais patente.
      E por mais que JgMenos se borboleteie sobre o Socialismo,o lema “Socialismo ou barbárie” nunca foi tão patente.
      Sorry JgMenos

  5. m diz:

    ai , ai , até parece que antes do capitalismo a sociedade era igualitária..e que é mesmo ele que faz do futuro uma repetição ritual do presente e que é o marxismo que nos vai levar ao ceú ( viu-se e vê-se , lá pelos lados do leste e oriente ) . os cristãos arranjaram o diabo para bode expiatório da maldade humana e os marxistas o capitalismo . está certo . enfim , quando lhes dá prá salvação e redenção e demónios creio que não há nada a fazer.

    • Dora Nunes diz:

      Só cá faltava a Coreia do Norte, o argumento dos que nada sabem o que dizem. Começa a ser cansativo ler comentários de pessoas que nem sequer sabem do que falam. Apenas isso poderá justificar tanta estupidez junta.
      Faça-nos um favor, leia a livro (já nem sugiro que leia O Capital…) e depois dê a sua opinião sobre o assunto.
      Se não tem nada a acrescentar aos posts ao menos que sirvam para que desperte a sua curiosidade e aprenda alguma coisa.

      • De diz:

        Dora:
        É de facto aflitivo ( e cansativo) ler atoardas como as que refere.
        A frase”até parece que antes do capitalismo a sociedade era igualitária” é todo um programa de analfabetismo a roçar a boçalidade.

        O texto e a convocação para o debate do livro de Terry Egleton são preciosos instrumentos para.
        Urge começar a pensar na possibilidade de traduzir para português o magnífico video aqui citado

    • Antónimo diz:

      Antes do capitalismo era o feudalismo. O que propõe? Que como se tem andado sempre mal, se continue mal andando?

  6. xatoo diz:

    o que é verdadeiramante determinante para a análise marxista é a questão da propriedade privada dos meios de produção a partir da era industrial
    os ataques e falsificações para tentar encobrir o essencial em Marx são quotidianos e levados a cabo por forças financeiramente muito poderosas, como p/e este

  7. cidadão diz:

    E em que ficamos quando se fala da barbárie patrocinada pelo Socialismo. Se calhar dessa já não interessa falar.

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