Le Grand Finale do Cavaquismo

Cartaz do Artigo 21.º

A situação a que o Presidente da República se remeteu é tão caricata, tão anedótica e tão ridícula, que uma pessoa é tentada a desejar que resista a cada um dos dias que faltam para terminar o seu mandato. Sem mais jogos de espelhos à mão e sem ninguém à direita a querer salvar-lhe a honra, Cavaco passou a ser numa espécie de bobo de uma corte que até de si já morre de riso. Transformou-se num acelerador de partículas, seja lá o que isso quer dizer, no sentido em que onde quer que vá, o povo levanta-se irado. Acabaram-se as vernissages, as inaugurações, as homenagens, as salvas e os urros. Acabou-se o contacto com gente que seja gente e à sua volta apenas uma turba de abutres bafientos. Acabaram-se as idas ao espectáculo, à igreja ou ao Jamor e acabou-se até o aparato, que assim deixa de ser preciso. Cavaco tornou-se recluso de si próprio, refém do seu legado e presidiário na ruína do regime democrático que ajudou a minar. Cavaco vai definhar, devagar e em carne viva, ao som do festim da luta de classes que no meio da bebedeira do seu escárnio, ainda vai ter força para lhe atirar à cara, a cada suspiro público, a vexe dele mesmo. Sobram os chás das cinco dentro do palácio ou no estrangeiro, cercado de polícia e de um punhado, tendencialmente residual, de jornalistas amestrados. Seria possível sonhar um final melhor para o cavaquismo?

EXTRA! – Já se sabe as razões do cancelamento da visita de Cavaco à sua escola. O SIS revelou uma fotografia com um perigoso anarquista, eventualmente Black-Block e quase de certeza com ficha na Interpol, infiltrado na manifestação de estudantes da António Arroio:

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21 Responses to Le Grand Finale do Cavaquismo

  1. Luis diz:

    Quando se recua a aprimeira vez começa a ser difícil manter-se firme, pois vem sempre à cabeça senão seria melhor recuar outra vez. E isso da coragem não é uma característica que se afirme no carácter do Anibal, seguindo os outros políticos de direita com que fomos brindados e que o resto do centro (PS incluído) foram mimando.

  2. Armando Cerqueira diz:

    …mas vocês não perceberam que o homem não em qualidade?!

  3. a anarca diz:

    Que Vergonha !!!
    Não há ninguém caridoso que lhe passe um atestado médico e o ponha fora de jogo.

    A foto é fabulosa .

  4. Manuel Gaspar diz:

    A múmia que ainda se desloca, não sabemos que por carga de água, tem medo que alguma agitação mais frenética a empurre, caia e fique toda escancarada. Que a levem para o Egipto e que a enterrem dentro de um pirâmide. Assim, não mais fará mossa na sociedade portuguesa. É tempo dos portugueses correrem com estes políticos sem honra, sem dignidade, sem coragem e que a exemplo do povo islandês os traduzam em tribunal infligindo-lhes as penas que merecem pela destruição e fome que causaram e estão causando. A paciência vai-se esgotando…

    • Renato Teixeira diz:

      Deixe-o ficar. Pelo menos até ao fim do mandato. Com muitas visitas e cerimónias públicas. Com o jogo do gato e do rato jogado com o povo do Estado que representa. Deixo-o ficar assim. Em lume brando.

  5. Vitor Ribeiro diz:

    Seria possível sonhar um final melhor para o cavaquismo? Claro que sim, se é de sonhos que estamos a falar: era demiti-lo de imediato, metê-lo (e à dona cavaca) num avião para bem longe (para o espaço, de preferência, embora duvide que, a haver inteligência – sim, inteligência – noutras galáxias, alguém o quisesse mesmo de borla) e apagar todas as marcas que o seu regime deixou na sociedade portuguesa.

  6. Pingback: Presidente da República Apresenta Demissão | cinco dias

  7. O que o Cavaco fez qualquer outro Presidente de país evoluído
    (não rebulicionário) costuma fazer. Perante uma chusma de liceais
    declaradamente (e por incitamento das famílias) dispostos a fazer
    arranzel, ele, declinou o convite para visitar a Escola. Tão simples
    como isto.
    Agora o que não se compreende é que a tal *esquerda* deixe o
    Bashar al-Assad assassinar *seletivamente* o seu povo com a
    conivência da Rússia (URSS) e da China que vetaram medidas
    rigorosamente económicas para ver se o tal Presidente (de alguns
    Sírios) desiste da carnificina. . .
    Eu pergunto: qual é a moral do dirigente que para se conservar no
    poder não tem vergonha de só o fazer matando por bombardeamento,
    fuzilamento , após tortura, dos encarcerados supostos adversários políticos?
    Qual é a moral?

  8. Vitor Ribeiro says:
    17 de Fevereiro de 2012 at 12:03
    Seria possível sonhar um final melhor para o cavaquismo? Claro que sim, se é de sonhos que estamos a falar: era demiti-lo de imediato, metê-lo (e à dona cavaca) num avião para bem longe (para o espaço, de preferência, embora duvide que, a haver inteligência – sim, inteligência – noutras galáxias, alguém o quisesse mesmo de borla) e apagar todas as marcas que o seu regime deixou na sociedade portuguesa.
    _____________________
    Pois é. V. Ribeiro o *regime* que acha intolerável é o Democrático . . .
    O sujeito foi eleito por uma maioria que o escolheu livremente.
    Do que gostaria (penso) é de um Presidente Vasco Gonçalves
    (o Muralha de Aço . . .) indicado por um regime militar e nas costas
    da vontade do povo. . . Pois acomode-se, se puder.

  9. Luis Almeida diz:

    Porra, Renato! “Ganda” texto, man!

  10. maré diz:

    «visita de Cavaco à sua escola». Não percebo esta relação. O cavaco andou na António?

    A António recebeu nomes como o Zé Mário, o Palma, a Madalena Vitorino, que deram e dão contributos para a cultura em Portugal. Agora o cavaco não tem nada para dar. Só tem a tirar e roubar através de reformas milionárias e investimentos em produtos financeiros com «nomes esquisitos».

  11. Quem roubou, e enviou para off-shores ´(300 milhões de euros) foi a família
    do Pinto de Sousa (nome de batismo: Sócrates)

  12. eduricardo diz:

    Essa falta de comparência do Aníbal à escola António Arroio foi explicada aqui: http://cadernosemcapa.blogspot.com/2012/02/quando-o-anibal-faltou-escola.html

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