Ich bin ein Grieche

“o meu nome não interesse; sou grega mas podia ser portuguesa, espanhola, italiana; na minha vida fiz coisas erradas e coisas certas; tenho cerca 65 anos e a minha reforma não da para sobreviver, para ajudar os meus filhos e netos; vim aqui para dizer isso; mas eles não querem ouvir; insisti mas eles não gostaram a minha voz”

Via Anonymous.

O Mário Soares, a Maria Barroso, o Almeida Santos e a Ana Gomes, podem assinar os manifestos que entenderem, gritar ao contrário do que sempre fizeram, que ainda assim as suas mãos vão continuar cobertas de sangue, o nosso, o grego e de mais uns quantos povos. Lamento que o Carvalho da Silva, o José Barata Moura, a Diana Adringa, o Boaventura Sousa Santos, o José Manuel Pureza, o José Soeiro ou a Paula Gil, activistas de quem muito discordo mas por quem nunca perdi o respeito, se dêem ao despudor de dar guarida a mais uma lavagem histórica da responsabilidade destes dirigentes “socialistas”. Que sentido faria subscreverem um manifesto com o Geórgios Papandréu?

Leia o manifesto na integra e conheça os seus subscritores:

Todos os dias nos chegam imagens e notícias da Grécia e do povo grego em luta contra o cortejo de sacrifícios que lhe tem sido imposto. É clara, naquele país, a crescente fractura entre os cidadãos e o poder político, em torno da invocada necessidade de cada vez maiores sacrifícios para que a dívida seja paga e o défice orçamental reduzido. Acentuam-se a tensão e a violência, tornando ainda mais difícil o diálogo indispensável à procura de soluções mais justas e partilhadas para a situação existente.
Avolumam-se o isolamento e a discriminação da Grécia, fortemente acentuados pelo discurso dominante dos principais dirigentes europeus e da comunicação social.
A preocupação doméstica em sublinhar que “não somos a Grécia” é, no mínimo, chocante no seio da União Europeia, onde mais se esperaria compreensão e solidariedade e, sobretudo, desajustada quando se sabe que a crise não é só grega mas europeia.
Face à agudização das tensões políticas e sociais na Grécia, os signatários apelam à solidariedade com o povo grego e à criação de condições que permitam respostas democráticas e consistentes de uma Europa solidária aos problemas sociais e aos direitos das pessoas.

Lisboa, 15 de Fevereiro de 2012

Mário Soares
Mário Ruivo
Alfredo Caldeira
Ana Gomes
Ana Lúcia Amaral
Anselmo Borges
António de Almeida Santos
António Reis
Boaventura Sousa Santos
Diana Andringa
Eduardo Lourenço
Isabel Allegro
Isabel Moreira
D. Januário Torgal Ferreira
José Barata Moura
José Castro Caldas
José Manuel Pureza
José Manuel Tengarrinha
José Mattoso
José Medeiros Ferreira
José Reis
José Soeiro
Manuel Carvalho da Silva
Maria de Jesus Barroso Soares
Maria Eduarda Gonçalves
Paula Gil
Pedro Delgado Alves
Rui Tavares
Sandra Monteiro
Simonetta Luz Afonso
Vasco Lourenço
Vítor Ramalho

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20 respostas a Ich bin ein Grieche

  1. Curioso que isto saia nos periódicos no mesmo dia em que o Mário Soares admite que foi ele que “convenceu” o Sócras a pedir “ajuda externa” para Portugal. Para não falar da perpetuação da ilusão que a solução para a crise europeia passa pelo “diálogo indispensável à procura de soluções mais justas e partilhadas”. Partilhar o quê, os lucros ou os sacrifícios? Quem beneficia dos primeiros nunca os partilhará e os segundos apenas existem para garantir os primeiros. Infelizmente, as soluções passam pelo agudizar dos confrontos.

  2. Viva o povo Grego diz:

    Pois antam nam querem lá ber, que se esqueçeram de pedir o nome ao sôr Rinato.

    Esse gande rebolucionario da isquerda nova ….

    Eu cá tambem prustetaba

  3. kirk diz:

    Vejamos, ninguém pede ao Soares ou ao Carvalho da Silva ou a qualquer dos outros que se coloquem ao nivel de revolucionários como o Renato Teixeira ou outros. Há que aproveitar, para a emancipação, o que eles podem dar. Tudo o que seja denuncia do que se passa na Grécia é bem vindo mesmo que seja Soares ou outros conservadores a fazê-lo.
    Meus, vocês por acaso ouvem nas televisões ou lêem nos jornais, denuncias, não estou a falar daquelas de faz de conta que só servem para dar um arzinho liberal a esses orgãos de comunicação, falo de denuncias mesmo das que vão ao fundo da situação, vocês ouvem ou lêem alguma coisa? Deixem-se de merdas, meus, a unica coisa que vcs parece que v~eem ou lêem é o que se passa em meia duzia de blogues.
    O que eu acho é qiue o vosso conceito de unidade na acção só o é se forem os senhores a ditar as regras. Pá, quem vos disse que é assim que as coisas mudam? se estão é espera que todos atinjam os vosso nivel de consciencia politica podem esperar sentados. de repente ficam incomodados porq

    • kirk diz:

      (continuação)
      De repente ficam incomodados porque uns conservadores parece quererem disputar o apoio ao povo grego, meus, eu se fosse grego borrifava no assunto. É preciso que falem do que se passa connosco. É preciso que deixem de nos mostrar como um povo de caloes e para isso qualquer um serve, qualquer um que ajude a denunciar o roubo de que estamos a ser vitimas.
      Para se fazer unidade na acção serve muito bem quem quiser estar do mesmo lado da barricada; neste momento o nosso lado é muito amplo; dá mesmo para caberem pessoas como Mario Soares (nunca pude com o gajo, confesso) ou o Carvalho da Silva. Ninguem lhes pede que aconpanhem os veramente revolucionários até á vitória da revolução, pede-se é que dêm o apois possivel e o apoio que os revolucionarios acharem conveniente. Claro que mais tarde ou mais cedo ops caminhos vao divergir, mas enqunato isso nao aconteceer todos seremos poucos para denunciar a tramoia urdida pela Alemanha, a França e os seus acólitos.
      Viva a Grécia!
      K

      • sopas diz:

        Tudo dito.

      • Renato Teixeira diz:

        Se ler com atenção, perceberá que a posta não tem nada a ver com a Grécia.

        • kirk diz:

          Borrifo nisso. O tal baixo assinado é de apoio ao povo grego e isso a mim basta-me.
          Aquela cena de lavagem histórica de que o Renato fala é-me perefeitamete indiferente. Ninguém esquece o papel de Soares na história de Portugal, ninguém pretende esquecer o que quer que seja. Mas há coisas muito mais urgentes. Não é hora, agora de ajustar contas com Soares e Cª, ok?
          Eu aliava-me mesmo aos castelhanos se isso ajudasse a rechaçar a avançada alemã sobre a Europa. Pena é eles nao quererem. É isso o que distingue os revolucionários puros dos revolucionários pragmáticos entre os quais espero encontrar-me, se o que quero é um futuroo diferente mas que não demore séculos a alcançar.
          K

          • Renato Teixeira diz:

            É-lhe indiferente, mas é o que nos tem andado a foder, turno sim, turno não.

            “O tal baixo assinado é de apoio ao povo grego e isso a mim basta-me”.

            Será?

  4. closer diz:

    Independentemente de quem assina o manifesto, não vejo nada no seu conteúdo que uma qualquer pessoa de esquerda (de qualquer esquerda, incluindo o novo partido que está a surgir) não possa subscrever.

    Esse é o problema de alguma esquerda. Estão sempre a reclamar unidade na acção, mas depois só o fazem se forem integralmente defendidas as suas posições sem cedências

    • Renato Teixeira diz:

      Nunca me ouviu a defender unidade de acção com o Partido Socialista.

      • Rui Campos diz:

        Mas o manifesto é do Partido Socialista por acaso?
        Cada um é livre de assinar se assim o entender. Tanto me faz que lá esteja o Mário Soares ou a Ana Gomes, não simpatizo com nenhuma dessas personagens. Isso não invalida o facto do que está escrito no manifesto ser justo e verdadeiro.
        No futuro é que se vê quem é consequente e age de acordo com o que diz, se calhar até pode ser uma primeira vez para o Mário Soares mas duvido muito.

        • Renato Teixeira diz:

          Os manifestos têm uma agenda e uma intenção. Sem isso não são nada. São letras vazias, insignificantes ou até, como é o caso, contraditórias. Podiam refundar a fachada esquerdista sem ser à custa do povo grego.

  5. Augusto diz:

    O manifesto em apoio ao povo Grego, não tem uma única frase que possa repugnar a quem seja de esquerda.

    É por isso muito estranho este ataque de Renatos , Tiagos e companhia.

    E porquê , porque tirando o Carvalho da Silva, ninguém da area do PCP o assina?

    Será por ser assinado pelo sr Januario Torgal Ferreira Bispo da Igreja Católica, e como bons marxistas tendência Groucho, o sr Tiago e o sr Ricardo, teriam forçosamente que se demarcarem?

    Será por ser assinado pelo historiador José Mattoso, ou o Ensaista Eduardo Lourenço, dois perigosos contra-revolucionários, que querem desviar os trabalhadores portugueses, de uma posição consequente de solidariedade com os seus camaradas gregos?

    Ou por ser assinado , por várias figuras do Bloco de Esquerda, o inimigo principal do Ricardo Teixeira?

    Só não entendo que o ” revolucionario” tenha selecionado para criticar este manifesto uma fotografia que apela á compaixão, no máximo á indignação, de uma idosa barbaramente agredida pela policia grega, em lugar de ter colocado uma fotografia de trabalhadores gregos EM LUTA COM ESSA POLICIA.

    É por vezes nestas pequenas coisas, que os ditos ultra-revolucionarios, deixam cair a mascara, e afinal se ficam pela pieguisse……

    • Renato Teixeira diz:

      O José Barata Moura já não é da área do PCP? E que tenho eu que ver com o PCP? Acho mal que quer quer que seja assine ao lado dos “socialistas”, sobretudo se se tratar apenas de lhes lavar a imagem.

  6. O que eu sei é que de manifestos com boas intenções está o inferno cheio. Mais importante que denunciar o caso grego no abstracto, para que continuemos a viver sob ilusões, seria sublinhar que não se combate o FMI com aqueles mesmos que o chamaram para o nosso país e votam favoravelmente o “resgate” de outros países. Tenho imenso respeito por parte das pessoas que subscrevem o dito, mas não posso deixar de realçar que não se pode ter um pé em cada margem do rio. O FMI que rapina a Grécia é o mesmo que saqueia Portugal. O Soares que apoiou e, segundo o próprio, “convenceu” o Sócrates a chamar o FMI para as nossas bandas é o mesmo que agora assina esta bela prosa, com direito a encabeçar a lista, a despeito da ordem alfabética que depois rege a organização da mesma. Não é um ajuste de contas, é uma clarificação. As alternativas constrem-se através do confronto de ideias e todas as “unidades de acção” têm limite. Caso contrário, será de “mal menor” em “mal menor” até à miséria total.

  7. mortalha diz:

    manifesto…. é isso o melhor que se arranja? faz-me lembrar aqueles obituários nos jornais.

  8. artur diz:

    O Tiago Silva pôs os pontos nos is, pois fez a clarificação que tinha de ser feita! Ponto final.

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