(actualizado) Maioria, até ver, é mais de 50%!

(ACTUALIZAÇÃO 17/02: A notícia tem novo título: “Mais de 48% dos portugueses acredita que programa da troika não vai tirar Portugal da crise (correcção)“. O título de hoje, tal como referi ontem, corresponde ao conteúdo da sondagem e é o oposto do que ontem titulava) 

(ACTUALIZAÇÃO: A notícia do Jornal de Negócios já está corrigida para: “47% dos portugueses acredita que programa da troika vai tirar Portugal da crise (correcção)“. Todos erramos, mas só alguns o reconhecem. Parabéns ao Jornal de Negócios)

A notícia tem o seguinte título: “Maioria dos portugueses acredita que programa da troika vai tirar Portugal da crise“. O título baseia-se numa sondagem. No texto repete-se que “a maioria confia nos resultados do programa de ajustamento” seguido de:

às pergunta se “o programa de austeridade permitirá a saída da crise económica”, 47,4% responderam de forma afirmativa, 34,7% de forma negativa e o restante ou não sabe ou não responde. (destaque meu)

Ou seja, para não titular uma mentira, seria mais correcto escrever que a maioria dos portugueses DUVIDA (para ser prudente) que  programa da troika vá tirar Portugal da crise, uma parte não sabe/não responde e mais de um terço dos inquiridos responde que o dito programa não tirará Portugal da crise – 47,4% não é uma maioria. Mais, considerando que o programa da troika é o programa do governo, do PS, do PSD e do CDS, este dado só nos permite constatar o desfasamento que existe entre representados e representantes. Mais de 1/3 dos portugueses está contra o programa do governo, ideia que, na Assembleia da República, é representada por 1/8 dos deputados.

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13 Responses to (actualizado) Maioria, até ver, é mais de 50%!

  1. antónimo says:

    Também (e sou engenheiro, por isso sei fazer contas) não diria que a maioria duvida.

    Conhecemos a dimensão de Não sabem/não respondem mas não a sua propórção. E mesmo Não saber não implicará necessariamente uma atitude de dúvida (pronto não sou filósofo, não tenho a certeza desta última).

    No que concordo (de modo impressionista) é que a maioria das pessoas não percepciona ou consegue dissociar minimamente o que é a realidade e o que é a sua representação ou o modo como as suas opções eleitorais perpassam na cabeça dos que governam. Mas quanto a isso…

    • Xupa e Engole-o TodoBom says:

      Logo,passam a vida(sic!) a votar no ps/psd/cds que convem dizer que são as matrizes de ‘presunalidades’ do calibre de dias loureiro(o Bankster),duarte lima(o Kilas), o eurico de melo, o oliveira costa(o tipo não tem nenhuma conjunção entre os 2 nomes),isLTINOS,VALENTINS,VARAS(de porcos),herdades dos sobreiros,etce,etc.E,não é preciso ser inginheiro para ver o q se irá passar -basta olhar para a Grécia e sus compadres do goldman&sachs-que ‘coincidência’,chiça!).
      A representação que faço deles é:serem uns sociopatas vassalos.Além disso,fugindo da presstitutas de referência,há que ler outras como p.ex. isto!: http://resistir.info/europa/varoufakis_14fev12.html

      • Luis Almeida says:

        Tem toda a razão, Xupa-o. As habilitações e competência dos técnicos, ou especialistas, são como uma G3 , ou uma Kalashnikov – objectos inanimados, sem vida própria – que são bons ou maus consoante quem usa contra quem. Se é para pôr essas qualificações ao serviço de uma VASTÍSSIMA maioria, são bons. Se é para fornecer “argumentos” a uma ÍNFIMA minoria, são maus. E não é nenhuma simplificação dizer “bons” ou “maus”. É que também há uma semântica “de classe”…
        Isto sem querer dizer de forma nenhuma que há engenheiros, doutores e economistas a mais. Não há. Devia era haver mais, mas porque será que um Doutor em economia como, por exemplo, o Eugénio Rosa ou o Sérgio Ribeiro, fazem uma leitura totalmente diversa e oposta da de Cavaco Silva ou Vítor Gaspar – também economistas – da mesmíssima realidade?

  2. l'outre says:

    Tecnicamente, o dicionário priberam da língua portuguesa também define maioria como:

    “Grupo preponderante; a maior parte.”

    Segundo esta definição, é correcto afirmar-se que a maioria acredita no programa da troika. Tendo em conta que existem 3 grupos (sim, não e não sabe), o grupo preponderante é claramente o sim.

    E, sim, isto são apenas picuinhices e concordo com a sua análise.

    • antónimo says:

      o dicionário não deixa de lado a sintaxe. a maioria “dos” portugueses quer dizer mais de 50 por cento, como TMS referiu.

      • antónimo says:

        depois isto não é questão de língua. é questão de relação numérica e neste caso determinística. Num conjunto, há maior, menor e igual. caso onde a língua não substitui o rigor da matemática.

  3. Samuel B says:

    Estes senhores agora estão preocupados com pormenores…

    Era vê-los a contar 300 mil e quando confrontados com a realidade dura e crua logo passaram para a faixa seguinte dizendo que o importante foi a manifestação e não se era 100 mil ou 300 mil.

    Coerência meus senhores, coerência. Só assim conseguem ganhar credibilidade, caso contrário é mais um a querer ganhar na secretaria. Mas será que não há consultores de comunicação comunistas… perdão, sindicalistas?

    • De says:

      Oh Samuel B.
      Eu sei que os sonhos de um neoliberal se confundem com os desejos do mesmo.Típico de quem sonha com apropriação de mais valias a todas as horas do dia.
      Mas roça a alarvidade quando fala nos números da manifestação e do seu espasmo semi-histérico a apregoar á passagem para ” a faixa seguinte”.
      Ora bem.A passagem para a tal faixa deve esconder-se nos tais sonhos referidos atrás.Não houve passagens significativas a passar para lado nenhum.
      Ainda não compreendeu ou o seu post é apenas para marcar espaço porpagandístico?
      De modo que, lastimando o inconveniente,lhe sugiro que vá procurar painéis publicitários noutro lado.
      Ou consultores de comunicação.Feito aquele traste do Relvas ou aquele criminoso do Gaspar.
      Certo?

  4. Rafael Ortega says:

    “Mais de 1/3 dos portugueses está contra o programa do governo, ideia que, na Assembleia da República, é representada por 1/8 dos deputados.”

    Tivessem ido votar em vez de ir para a praia.

    Tendo em conta que os partidos que assumiram o acordo com FMI/UE/BCE disseram-no antes das eleições (tal como assumiram ser contra os que eram contra) e ainda assim tiveram mais de 80% dos votos, conclui-se que os portugueses só pensam nas coisas depois de elas lhes cairem em cima.

  5. Pingback: O programa da troika… | cinco dias

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