Ninguém ouve os 300 mil?

Depois de um ano intenso de contestação social, as ruas voltaram a inundar-se de gente e deixaram a praça à pinha de povo. A principal conclusão que se pode tirar da grande jornada de luta é o facto de haver resistência suficiente, não em potência mas em evidência, para derrotar as medidas que nos estão a destruir as vidas. Pode haver mil leituras a fazer sobre o Terreiro do Povo, mas esta não devia deixar ninguém indiferente.

Assim sendo, é intolerável que o governo não mude uma vírgula do seu programa de acção, o que só pode significar um convite irresponsável para esta festa, mas também não é aceitável que os sindicatos façam ouvidos de mercador.

Eu ouvi bem o Arménio Carlos? Manifestações descentralizadas?!? É isto que “o homem certo no lugar certo no momento certo” tem para dizer? Os gregos nunca estiveram tão perto de conseguir sair do euro e de anular a dívida unilateralmente e o que nós temos para dizer é que vamos falar com a família, passar a palavra na aldeia, debater nos locais de trabalho e lutar descentralizadamente? O que vão conquistar os trabalhadores isolando-se nas suas lutas? Porque se hesita na convocatória de uma nova greve geral, porventura até mais prolongada? Porque não se rasga a concertação no devido palco? Porque se espera para derrubar o Governo?

Está visto que, as Maybelle Starr says, a Bernardine tem aqui bem mais do que um simples ponto de vista.

Imagem roubada aos Ladrões de Gado

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26 respostas a Ninguém ouve os 300 mil?

  1. alberto diz:

    cada um ouve o que lhe convém. eu por acaso ouvi que na 5ª feira reúne o concelho nacional da CGTP e que vai ser decidido que caminhos trilhar para a intensificação da luta contra o programa de agressão. isto da unidade, da democracia e da luta de massas tem destas coisas, não é meia dúzia de iluminados por divida intervenção que apontam e decidem o caminho a trilhar.

    não tenhamos pressa mas também não percamos tempo.

    • Nuno Rodrigues diz:

      Eu gosto das lutas da CGTP. Nao ha azo a queima de carros, a irresponsabilidades e extremismos incriminatorios, nem de destruicao da unidade a forca das pedras. Gosto mesmo.

    • Renato Teixeira diz:

      Não tenhamos pressa?!?

      • ricky diz:

        Oh Reanatinho, raquelinhas e outros ressabiados do 21 de janeiro e das lutas da “internet”;

        Oh santissimos apostolos do esquerdismo, vendedores da banha da cobra, oportunistas de ciscustância;

        Oh vos, que sois bons rapazes (e raparigas), mas tende-vos demasiado em conta e estais pouco dispostos a aprender…

        Estamos num processo de resistência e alargamento; ao contrário das acções inorganicas (que tanto amais (não é renato?), as razões e projecção da luta organizada não chega a todo o lado, é necessário estar lá, nas empresas e nas ruas, esclarecer, ouvir, aprender e UNIR.

        Quando chegar a hora da contra-ofensiva, lá estaremos… e vós, também?

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  4. “Eu ouvi bem o Arménio Carlos? Manifestações descentralizadas?!? É isto que “o homem certo no lugar certo no momento certo” tem para dizer? Os gregos nunca estiveram tão perto de conseguir sair do euro e de anular a dívida unilateralmente e o que nós temos para dizer é que vamos falar com a família, passar a palavra na aldeia, debater nos locais de trabalho e lutar descentralizadamente? O que vão conquistar os trabalhadores isolando-se nas suas lutas?”
    Sim, renato, isso de descentralizar a luta é péssimo. Levar a democracia de volta às praças, praticá-la, fazer renascer os sentidos de comunidade, solidariedade e cooperação, é péssimo. Então a auto-organização popular nem se fala!

    A centralização é o caminho, claro. Aliás, hoje todos os gregos estão em Atenas, não é?

    • Renato Teixeira diz:

      Ter luta em toda a parte não significa cair no etapismo. As lutas descentralizadas de que fala o Arménio Carlos também não são exactamente o que tu consideras auto-organização popular, embora sejam, mas é um bom sinal que todos estejam dispostos a participar nelas. Se não centralizamos a pouca força que temos vai continuar a tardar o dia em que conseguimos reunir a força que precisamos.

      • não acho que a descentralização de que o Arménio Carlos fala signifique auto-organização da população. mas acho que, neste caso, o que há a criticar não é a descentralização, mas o modo de funcionamento autoritário e opressor dos sindicatos portugueses.

        e renato, a contestação não se mede pela quantidade de pessoas que consegues pôr na mesma praça mês a mês, ou de seis em seis meses. a verdadeira contestação ao poder é a organização das populações. e isso faz-se todos os dias.

        • Renato Teixeira diz:

          Naturalmente. Faz-se todos os dias mas não tem que ser todos os dias a mesma coisa nem sempre da mesma maneira.

          Sindicatos opressores? Essa nunca tinha ouvido… Eu acho que esses são os que nos exploram.

  5. Bruno Carvalho diz:

    Renato, tu ouves o que queres. Porque eu ouvi – e bem – que na próxima quinta-feira reúne o Conselho Nacional da CGTP e que todas as hipóteses estão em cima da mesa. Quem decide não é o Arménio Carlos, nem eu, nem tu, nem os indignados, são os filiados na CGTP. Depois de quinta, falamos.

    • Renato Teixeira diz:

      Falamos quinta, claro, mas não vejo razões para não falarmos na segunda, na terça e na quarta. Eu ouvi o que ele disse, e sinceramente não vi tudo em cima da mesa. Anunciam acções descentralizadas para quinta convocarem uma greve geral? Não compreendo o sentido, mas espero que tenhas razão. abç.

  6. Vasco diz:

    Blá blá blá blá… Assim sentadinho ao computador qualquer um de nós pode querer, apelar exigir à CGTP ou a quem quer que seja greves gerais, a anulação da dívida ou mesmo a revolução socialista. Mas a realidade nos locais de trabalho é outra: a luta constrói-se, consolida-se, ergue-se em milhares de pequenas acções de luta, plenários, reuniões, distribuições, vencendo medos, hesitações e também fugas para a frente. E sim, venceremos. Não hoje, como exige o Renato (e todos o desejamos), mas VENCEREMOS!

  7. manu diz:

    A sociedade mais violenta da história???? LSD e ignorância.

    Renato,

    “Ter luta em toda a parte não significa cair no ETAPISMO”

    “Estar com a CGTP não tem que significar estar só com a CGTP, sobretudo agora, na ETAPA das manifestações descentralizadas.”

    Confuso? Diria, certamente, que ambas as formas de “luta” se complementam. Como qualquer bom demagogo.

    “Se não centralizamos a POUCA FORÇA que temos vai continuar a tardar o dia em que conseguimos reunir a força que precisamos.”

    Palavras sábias e honestas. A Vossa POUCA FORÇA reflecte o facto de que a maioria dos Portugueses está-se a borrifar para extremistas como V.Exas.

    Quando e se centralizarem a pouca força que tem, outros problemas surgirão: enquanto a cena for descentralizada, os primo-egos de V.Exas não colidirão mas tão cedo centralizem a coisa, vamos assistir a intermináveis bulhas e picardias entre as prima donas da esquerda radical. Foi assim, é assim e continuará a ser assim.

    45%-60% do povo Português não vota. Aproximadamente 30-40% são fascistas da velha guarda. Isto é, nostálgicos. Lembram-se da eleição de Salazar num show da RTP????? NA Grécia, la même chose!(sondagens recentes revelam que os Gregos compreendem os protestos mas anseiam pela estabilidade que só poderá ser proporcionada e garantida pelos militares) Devo dizer que prefiro V.Exas aos monstrinhos da extrema direita mas a verdade é que, ironicamente, a extrema esquerda está a preparar o terreno para a extrema direita.

    Vai uma aposta???

  8. Mike diz:

    Eu vi logo que estavas a demorar muito a ladrar… cão de merda…

  9. manu diz:

    Liberais, onde?

    A sua ignorância não tem limites.

    Acha que foi o liberalismo que nos conduziu até aqui? (evidente q sim)

    Renato, a crise da dívida soberana surgiu porque os estados europeus recorreram aos mercados internacionais para financiar o Vosso precioso estado social. endividaram-se para manter o sacrossanto estado social.

    digo-lhe mais: os liberais teriam reduzido a dimensão do estado social há muito. não se teriam endividado como fizeram aqueles vulgarotes socialistas e outros q tais. TODOS os liberais e neo-liberais há muito q recomendam políticas de contenção e rigor orçamental.

    TODOS, sem excepção (e não são muitos em portugal)

    se pensas q os grandes grupos económicos em portugal são geridos por liberais, think again.
    são geridos por corporativistas feudalóides que sempre prosperaram através das suas relações com o estado (agora vem a raquel falar-nos da relação simbiótica da burguesia-capitalista com o estado). não sinto pena deles (nem de V.Exas). eles que se fodam, retros de merda!!

    eu não lhes daria um centavo. falência? pois claro.

    este país é TUDO MENOS LIBERAL.
    nem sequer os totós neo-liberais do CDS-PP são liberais.
    são conservadores e corporativistas (encapuçados) até ao miolo.

    • subcarvalho diz:

      Manu,
      parece-me que tu é que és o ignorante aqui nesta tasca. Aliás, é sempre assim que os ignorantes se comportam …falam, falam, de forma a tentar dar a ideia que percebem do que falam…
      Tenho uma sugestão, compra o Le Monde Diplomatique, versão portuguesa, deste mês e tens lá uma bela posta sobre a dívida portuguesa.
      São doi coelhos de uma só cajadada…aprendes e contribuis para um ótimo jornal!

    • De diz:

      Os neoliberais são apenas a forma travestida como a direita que nos tem governado aparece agora.Como se nada fosse com eles.Como se os pulhas que nos governaram até aqui não fossem exactamente os mesmos pulhas que nos governam hoje.Como se por baixo da roupagem mais ou menos colorida dos repteis em movimento não estivessem os mesmíssimos pesporrentos seres que nos conduziram ao descalabro.Por baixo dos seus escatológicos berros histéricos esconde-se a sinistra escola de Chicago,ou seja Pinochet.Ou Gaspar.

      Fedem

  10. subcarvalho diz:

    Mais um triste episódio dos funcionários da CGTP
    http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/6695

  11. manu diz:

    Subcarvalho,

    desde 2000 que a dívida sob portuguesa tem vindo a aumentar exponencialmente

    o aumento deveu-se, em grande parte, a investimentos megalómanos e eleitoralistas.(PPP’s etc) que não serviram os interesses reais da sociedade portuguesa.

    a gestão de muitos destes investimentos foi entregue a amiguinhos políticos. desastre.

    a classe política endividou o país de forma estúpida.

    Portugal crescia pouco, mas crescia. a banca emprestou pq acreditou que o crescimento seria ad eternum e que os estados seriam capazes de cumprir as suas obrigações. foram estúpidos e irresponsáveis. tb deveriam ser responsabilizados pela actual crise.

    os artigos que li no último Monde Diplo, do qual sou assinante, não questionam nenhuma destes “argumentos.”

    logo, meu caro, aconselho-o a reler os dois artigos que me recomendou. não me parece que os tenha compreendido.

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