Herr “socialismo” europeu!

(imagem daqui)

O alemão e “socialista” Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu a quem um dia Berlusconi comparou com um cappo de um campo de concentração, veio criticar o facto de Portugal estar a fazer negócios com Angola declarando que, assim, “o futuro de Portugal é o declínio”.
O facto de ainda não ter pedido a demissão por esta inacreditável ingerência a partir de uma posição de poder ou as desculpas esfarrapadas do bobo socialista português que se prestou para cumprir o seu papel de subserviência, demonstram no que a política europeia se transformou.
É nas ruas e nas praças, como no passado e agora os gregos nos ensinam, que se pode construir uma Europa de todos, sem Capoulas e Schulzes a “representarem-nos”.

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15 respostas a Herr “socialismo” europeu!

  1. Sérgio Gomes diz:

    Parabéns Martin Schulz
    Há um senhor alemão que se chama Martin Schulz e que por acaso é presidente do Parlamento Europeu.
    Ouvi hoje de manhã na TSF que esse senhor disse que “o futuro de Portugal é o declínio” pelo facto pedir investimentos angolanos para Portugal.
    Estas declarações surgiram a propósito da deslocação do PM português em Novembro àquele país onde apelou investimento angolano em Portugal.
    Na mesma notícia o Eurodeputado Paulo Rangel mostrou a sua indigniação pelas declarações do senhor e disse que vai exigir explicações.
    Ao ouvir esta notícia concordei (talvez pela primeira vez) com algo que Paulo Rangel diz. E fiquei a pensar que lá estão os alemães outra vez a meterem-se onde não são chamados.
    De seguida tenho a oportunidade de ler a notícia no Público online onde fiquei a saber mais umas coisas, não de menor importância, que, na minha opinião, invertem na totalidade o cerne da questão.
    Estas declarações foram proferidas num debate sobre o papel dos parlamentos na UE realizado a 1 de Fevereiro na Biblioteca Solvay, em Bruxelas – e depois difundido no canal de televisão alemão Phoenix do último domingo.
    O que não foi dito na rádio TSF e que na minha opinião altera muito o sentido das coisas é que este senhor referiu-se “ao contraste entre os modelos de desenvolvimento europeu e chinês, afirmando que este assenta numa “sociedade esclavagista, sem direitos, numa ditadura que oprime implacavelmente o ser humano” estas declarações são proferidas num contexto de intensa proximidade entre a China e a Europa “(Merkel visitou o país na semana passada e o primeiro-ministro Wen Jiabao reafirmou a disponibilidade da China para ajudar a zona euro a ultrapassar a crise da dívida soberana)”.
    “A seguir, questionou: “Porque não defendemos o nosso Estado de direito, e o modelo dos direitos do homem, e uma crescente capacidade económica, para desafiar, não só do ponto de vista económico, mas também de democracia política? […] Se não tomarmos rapidamente esta decisão, a Europa tornar-se-á irrelevante”. ”
    Aqui fiquei bastante admirado com estas declarações porque concordo a 100% com elas. Num contexto de dificuldade é que se definem os carácters. É muito fácil receber Dalai Lama e defensores de direitos humanos com honras de estado em momentos prósperos. Questiono-me sobre o que aconteceria agora se por acaso Dalai Lama pretendesse visitar o nosso país.
    Façam por favor essa reflexão.
    Se me derem a escolher, prefiro receber o Dalai Lama com honras de estado e nem deixar entrar ditadores, opressores e tudo o mais que possamos chamar a esses senhores que não respeitam ninguém.
    Faz-me lembrar a atitude do senhor de bem que semanalmente se digna dar esmola ao pedinte de rua para de alguma forma contribuir para o seu bem estar, uma refeição ou uma cama. No entanto se na semana seguinte a cidade acolher o Papa e por acaso o pedinte for um “habitué” de uma rua por onde irá passar a Sua Santidade, esse mesmo senhor de bem será o primeiro a escorraçar o pedinte para não dar má imagem do país e da cidade.
    Meus senhores é nesta altura que se define o carácter, o senhor alemão está a ver algo que os dirigentes não querem ver e a maior parte da população nem sabe do que se trata, mas na realidade estamos a “vender a alma ao diabo” em vez de sermos um farol do ser humano rumo a uma sociedade melhor.
    As atrocidades chinesas e angolanas não vão deixar de existir, mas vão deixar de se falar. E há um senhor alemão, que por acaso até é presidente do Parlamento Europeu, e que numa altura destas, têm a coragem de levantar a questão.
    Nem me meto no assunto se deveria ter dado como exemplo Portugal ou não porque para mim é muito secundário em relação ao verdadeiro cerne da questão.
    Parabéns Martin Schulz

    (estão a ver como se escreve um texto de indignação sem ser carregado de !!! ou ???? ou palavras em MAIÚSCULAS? Não sei se há mais pessoas como eu, mas esses são seguramente os textos que eu não leio)

    • notrivia diz:

      Tavas quase lá… Mas a cagança do ‘assim é que se escreve textos de indignação’ acabou por cancelar em certa medida a profundidade do que pretendias expor.

  2. Manuela Pires diz:

    E se não pagássemos cheta e mandássemos estes senhores berdamerda!!

  3. João Torgal diz:

    A minha pergunta é outra e centra-se nas reacções: como é que do PSD ao PCP, passando pelo PS, há uma subserviência tão grande ao regime ditatorial angolano?

    • Rui F diz:

      é fácil joão

      o PSD precisa do Capital e o PC precisa de manter a coerencia do passado;

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      João, não concordando com algumas afirmações proferidas sobre o regime angolano, não vejo “subserviência” da parte dos partidos de esquerda. Aliás, concordo ainda menos com a lógica pós-colonial de lhes darmos lições de democracia. Logo nós que estamos tão precários nessa matéria.

      • anónimo diz:

        É, é curioso, parece que já vai em meio milhão o número de portugueses que decide ir viver para ditaduras como a angolana ou para países corruptos como o Brasil abandonando a grande democracia portuguesa. Mas a Europa continua a querer dar lições ao mundo aliada ao amigo americano que ostenta um belo exemplo prática democrática na prisão de Guantanamo.

        • Sérgio Gomes diz:

          Um pensamento que para mim é perigoso é quando as atrocidades cometidas pelo mundo democrata ocidental são confundidas com as atrocidades de ditaduras como China ou Coreia do Norte. As duas principais diferenças é que daí a poucos anos, nas democracias, os políticos podem ser substituídos pelo povo e ainda, as pessoas das democracias, têm a possibilidade de livremente expressar a sua opinião e poder dizer o que o anónimo disse em cima. E isso faz toda a diferença. Para mim, pelo menos.

          • anónimo diz:

            Meu caro, eu não lhe falei da China, falei de Angola e do Brasil. O primeiro erro é esse, achar que fora da Europa tudo é o mesmo. E repare que, tanto num país como noutro, os cidadãos também podem expressar a sua opinião e substituir os governantes. Tanto quanto nos EUA, ou na Europa. Recorde-se que as eleições que atribuíram o primeiro mandato a Bush filho foram fraudulentas e as que lhe deram um segundo mandato estiveram envoltas numa manipulação massiva orquestrada com base no 11s. Atentado sobre o qual existem sérias dúvidas em relação à autoria. Também lhe recordaria a perseguição de que é alvo Julian Assange, ou o caso de David Kelly e as mentiras sobre as armas de destruição massiva que tantos governantes ocidentais propagaram pelo mundo. Incluídos os dirigentes portugueses. Recentemente em Portugal um jornalista foi censurado pelo seu governo. E não é caso único. Eu recordo-me de uns quantos e não vivi antes do 25 de Abril. Até o Herman José foi censurado na RTP por fazer uma sátira de figuras históricas portuguesas. E diga-me quem é que substituiu recentemente os dirigentes gregos e italianos: o povo ou as plutocracias do momento? Como diz o Tiago, queremos leccionar matérias sobre as quais temos uma clara precariedade. Parece-me evidente a arrogância, o neocolonialismo e o complexo de superioridade. Para terminar, a mim o pensamento que me parece perigoso é o de acreditarmos que somos mais justos e democratas que os outros só por sermos europeus, num momento em que os estados europeus se parecem cada vez mais a ditaduras. Onde a vontade dos povos pouco importa e a manipulação destes é óbvia. Pois é, como dizem os brasileiros: pimenta nos olhos dos outros não dói.

  4. clara diz:

    Interessante.
    Então os alemães, na pessoa de Merkel visitam a China e Angola: “sociedade esclavagista, sem direitos, numa ditadura que oprime implacavelmente o ser humano” estas declarações são proferidas num contexto de intensa proximidade entre a China e a Europa “(Merkel visitou o país na semana passada” Assim como já tinha visitado Angola.
    Tenho para mim, que não foi a propósito da deslocação do nosso PM a Angola que estas declarações foram proferidas, mas sim a propósito do tão difamado programa “Reencontro”.
    Programa esse onde ficou demonstrado à saciedade, na minha humilde opinião, os laços estreitos que unem os dois povos. Onde os angolanos fizeram um apelo humilde aos nossos saberes. Piscaram o olho aos médios empresários descapitalizados, querendo a sua deslocalização para lá. Na área da medicina, aquele médico, viram? a falar na formação que estão a dar e do número de operações que aumentaram exponencialmente. O reconhecimento, por parte do ministro da economia angolano, de que ainda há muito a fazer em matéria de corrupção. Aquela mais-velha a falar bem de nós, mas com o seu orgulho de ser angolana, bem patente. A música cantada pela mistura… enfim.
    Penso, no meu pensar talvez arrevesado, que somos um povo como nenhum outro no que respeita ao estabelecimento de relações com os outros povos. E isso, essa fraternidade, esse convívio são, essa troca, os alemães não sabem fazer, nem os franceses, nem os holandeses… e por aí fora.
    Esse é o grande capital que nós temos, penso eu…
    Clara.

  5. Finalmente! Alguém que simpatiza com Berlusconni e as suas afirmações!

  6. Vasco diz:

    A questão não é do regime angolano, Sr. Torgal. A questão é vender o País SEJA A QUEM FOR. A Angola, à China ou à Alemanha… A questão central é se sim ou não devemos vender empresas estratégicas ao capital, nacional ou estrangeiro, e a resposta é NÃO. Colocar a questão no país a quem vendemos é achar que há «investidores» muito porreiros e outros que nem tanto. O que este senhor está a dizer é que devemos vender, sim, mas à Alemanha ou à França, nunca a Angola… Cá para mim, não devemos vender E PRONTO!

    • João Torgal diz:

      Essa é outra questão, Vasco. E naturalmente que concordo com o seu ponto de vista.

      Apenas me custa passa a vida a ouvir o medo que quase todos os principais partidos portugueses têm de afrontar o regime angolano. É por isso que a política internacional, baseada na liberdade e nos direitos humanos, é frequentemente uma grande tanga, não passa de realpolitik

  7. Ala Dura diz:

    “É verdade que a UE não tem de interferir na política externa dos seus países membros. Mas não é menos verdade que Schultz está carregadíssimo de razão e este episódio só confirma o que tenho dito: a União Europeia pode ter muitos defeitos, mas se dela não fizéssemos parte, a elite tuga (não merece o título de portuguesa) já tinha levado isto tudo para as Áfricas e para os Brasis, fazendo de Portugal um Afrogal, se pudesse até colocava cargas explosivas ao longo da fronteira com Espanha para que o território português se desligasse do continente europeu e fosse a boiar até ao sul africano ou brasileiro, qual jangada de pedra cada vez mais quente e fétida.
    Não restam dúvidas, bem entendido, de que a elite é essencialmente a mesma em todo o Ocidente – cosmopolitista, inimiga das Nações, visceralmente apátrida, pária de todo, anti-raça, anti-estirpe, contrária por isso à salvaguarda das identidades europeias. Todavia há variantes no seio desta espécie de «classe» sócio-cultural, e a da Tugalândia, mercê do seu condicionalismo histórico, aproxima-se ainda mais de África e do Brasil que a de outros países europeus (não todos). Em comparação com a nossa elite, a UE é por isso menos nociva ao carácter europeu do País, quanto mais não seja porque puxa para o lado da Europa em vez de para o Brasil e para África. Além deste caso de agora, outro bom exemplo disto mesmo foi o relativamente recente episódio em que o conselho que Passos Coelho teve o ofensivo descaramento de dar aos jovens portugueses, o da emigração para o Brasil e para as ex-colónias portuguesas, foi frontalmente contestado por um comissário europeu que veio a terreno afirmar que é mau para a Europa que os jovens europeus emigrarem psra Angola e Moçambique (disse mesmo estes nomes, de chapa).”

    http://gladio.blogspot.com/2012/02/elite-tuga-quer-angolizar-portugal.html

    Tudo dito.

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