A propósito de um texto abaixo sobre o uso recorrente da terminologia de “fracos” e “fortes” em vários militantes e dirigentes do Bloco de Esquerda, algumas críticas foram proferidas por vários comentadores.
Em termos genéricos, as críticas dividiram-se em dois pontos fundamentais:
1- por um lado, visavam o facto de que os termos “fraco” e “forte” seriam inócuos para a luta política, pois seriam meras derivações de trabalhador e de patrão de forma a tornar estas últimas categorias mais perceptíveis;
2- por outro lado, seriam supostamente extensíveis ao PCP.
Começando pelo fim, acho ridículo querer colar a crítica ao PCP. Muito mais do que usos pontuais referidos por alguns comentadores, parece-me que qualquer pessoa informada sobre este partido sabe perfeitamente o primado da classe social na sua linguagem e no seu pensamento político. Nem sequer vale a pena perder muito tempo com esta (falsa) crítica. Para os comentadores críticos do PCP, das duas uma. Ou esses comentadores continuam com o seu discurso de que o PCP seria retrógrado precisamente porque continuaria “agarrado” a pretensas velharias como “a luta de classes”, ou então aceitam rever essa sua tese central e assumem que afinal o PCP já não coloca a classe no centro das suas análises e actuação política. Neste ponto, os becos sem saída para esses comentadores são óbvios.
Mas mais importante do que este ponto é o primeiro. A crítica apontada parece-me, por um lado, demasiado optimista sobre si própria e, por outro, demasiado desculpabilizadora. Isto quer dizer que para esses comentadores seria irrelevante escolher termos como os de “fracos” e “fortes” para classificar determinadas classes sociais. Ora, se tal fosse correcto porque raio então não se utilizariam os conceitos mais rigorosos das classes? Ao mesmo tempo, se se partir do pressuposto de que seria indiferente tratar a realidade social como dividida em classes ou entre “fracos” e “fortes”, muito rapidamente se pode deslizar para a adopção dos termos e dos conceitos utilizados pelos ideólogos do grande capital. Como um presciente comentador assinalou muito correctamente, nas últimas décadas a burguesia tem vindo a reformular a sua mundivisão. O capitalismo é uma economia de mercado, o imperialismo já não existe mas antes uma globalização aparentemente inevitável e, acrescento eu, a classe trabalhadora seria tão-somente um agregado de colaboradores, quando não de empresários em nome individual dispostos a vender “trabalho” no mercado como se de uma relação de iguais se tratasse. Isto significa que travejar o discurso político a partir de conceitos como os de “forte” e de “fraco” não só é uma aceitação acrítica do receituário ideológico como é, acima de tudo, desistir de assinalar a contradição fundamental das sociedades contemporâneas. Aliás, se há sinal de completa capitulação de certa esquerda nos difíceis tempos que temos vivido é o facto de ainda se estar a discutir se faz ou não sentido a exploração capitalista. Uns podem achar moderno, novo, até fashion, mas criticar o neoliberalismo de manhã e omitir ou esquecer a relação de antagonismo entre o trabalho e o capital à tarde só pode resultar, no mínimo, numa crítica coxa.
O post já vai demasiado longo, mas queria apenas sublinhar um pormenor. Se é possível que as pessoas que se definem de esquerda vejam os termos em causa como intercambiáveis entre si (portanto, como se fosse indiferente chamar “fracos”, trabalhadores, excluídos ou pobres), não creio que o mesmo suceda junto da grande maioria da população trabalhadora. Se se atentar no discurso neoliberal, o desemprego existe porque uns indivíduos são preguiçosos e fracos o suficiente porque não querem trabalhar, porque não procuram emprego ou, para citar a última moda, porque não estariam dispostos a criar o seu próprio negócio. O mesmo se passa com uma série de discursos reaccionários sobre o rendimento mínimo, imigrantes ou de todos os que vêm lutando e participando em greves e outras formas de luta. Subjacente a todo este receituário está a concepção de que só os mais capazes, os mais aptos e os mais “fortes” poderiam vencer na sociedade. Aos outros ficariam os restos. Ora, os termos do “fraco” e do “forte” colam perfeitamente bem em segmentos da classe trabalhadora moldados pela ideologia dominante. Se certa esquerda acha que consegue ganhar esses trabalhadores duplamente desapossados dos meios económicos de produção e dos meios culturais e discursivos de produção, portanto se certa esquerda que vive longe da classe trabalhadora pensa que consegue ganhar essa massa de trabalhadores para a luta de rua com essa linguagem directamente proveniente e não filtrada do pensamento hegemónico neoliberal, bem que pode ficar a chuchar no dedo. Só apelando às reais condições de vida e a uma linguagem que simultaneamente seja de classe e que chame a atenção para os problemas concretos dos trabalhadores é que se poderá trazer mais gente para a dura luta que decorre na actualidade. As palavras contam!





E aproveitas-te do facto de eu estar sobrecarregado com outros afazeres e responsabilidades – nomeadamente a de ganhar o de cada dia – para te meteres com estas coisas. És mesmo fraco.
João Aguiar, ainda há dois dias atrás escreveu aquele texto do darwinismo social e houve vários comentários, com a generalidade dos quais concordo sobre as suas contradiçoes quando acusa (pois trata-se de acusar) de o BE substituir “trabalhadores” por “fracos” e “burguesia” por “fortes”, até porque a sua critica é difrigida ao BE apesar de outra força de esquerda e inclusivé o seu secretário geral, já terem usado a mesma termionologia e o João Aguiar não os ter incluido na crítica. Oras isso parece-me mal. Até porque o João a certa altura numa resposta a um comentário diz
1/que não é porta-voz de Jerónimo Sousa
2/que o PC usa menos vezes que o BE a designação “fracos” e “fortes”.
Ora, é exactamente aqui que me começou a parecer que a sua critica á terminologia do BE não pretendia ser uma critica desinteressada, inocente, mas sim aquilo eu eu chamaria um ataque, que de resto, ressalta do espiririto do texto que Vc escreveu. Apesar de ressalvar que não está acusar o BE de ser um partido reaccionário a verdade é que toda a crítica está exactamente virada para se concluir que o BE é um partido reaccionário. Ora aqui eu também comecei a ficar incomodado com a sua insistente ressalva, ao mesmo tempo que propositadamente omitia que o PCP já muita vez usou essas expressões sem que ninguém, e em pariticular o João Aguiar, o viesse acusar de estar a substituir a terminologia de classe por uma outra que o Joao considera reaccionária. Foda-se! É sempre a mesma merda. Os senhores acham-se a “prima donna” da esquerda em Portrugal e tudo o que não seja aquilo que os senhores pensam está pelo menos no campo da burguesia. Se politicamente lhes for conveniente então, para alem de estarem no campo da burguesia também são reaccionários!
Uma ultima quetão: a partie de
1- eu não acho de modo algum o Bloco um partido reaccionário. Uma coisa é o descuido completo no recurso a termos nao mto próprios – que é o caso do BE – outra é ter uma prática em favor do grande capital. São coisas distintas. Chamei a atenção para a necessidade de se ter cuidado com certos termos que têm uma carga que podem ir mto mais além (no mau sentido) do que os próprios interlocutores pensam.
2- existem críticas políticas desinteressadas??? Vogamos agora no éter?
Criticas desinteressadas? Claro que há. Aliás, o segundo paragrafo do primeiro ponto do seu comentario é a prova de que existem.
Repare:
“”Chamei a atenção para a necessidade de se ter cuidado com certos termos que têm uma carga que podem ir mto mais além (no mau sentido) do que os próprios interlocutores pensam.”"
Isto é, o João é tão porreiraço que até chama a atenção dos gajos do BE para terem cuidado com os termos que usam porque podem ser mal interpretados.
Vai continuar a negar que há não há críticas desinteressadas?
K
Como podem existir críticas desinteressadas? Se elas querem opinar, bem ou mal, seja do que for, então não são desinteressadas. Mau é quando elas se apresentam como pretensamente isentas e pairantes sobre o real.
Sobre o ser porreiraço. Se eu achasse o BE completamente “perdido” ou igual ao PS vc acha mesmo que eu perdia tempo com isto???
João Valente Aguiar,
Creio que aqui o Kirk o apanhou. Abra este link:
http://tinyurl.com/7vhzpoz
É óbvio que não há críticas desinteressadas, mas o interesse da sua crítica (com a qual concordo) deve ser para se evitar a utilização de termos incorrectos, quer isso se passe no BE ou no PCP.
Infelizmente passa-se tanto num, como no outro; o que só demonstra que há muito mais trabalho para fazer do que imaginava.
Cumprimentos
Repara Miguel (e Kirk), eu não coloco o PCP e o BE no mesmo plano pois, no meu ponto de vista, nao faz qq sentido.
Se admito que pontualmente um ou outro camarada utiliza termos parecidos ou mesmo idênticos aos que critiquei, eles são mto mais a excepção do que a regra. Por exemplo, eu próprio ao falar com amigos, conhecidos, desconhecidos utilizo termos como os “ricos”, os “poderosos”, etc. que não sendo tão captáveis pela ideologia dominante como os de “fracos” e “fortes” não são absolutamente rigorosos. Ou como tu falaste noutro comentário, sobre os que mais tÊm e os que menos têm. Nada contra isso se se tiver consciência que isso é utilizado de forma circunstancial, pouco frequente e que, acima de tudo, a linha política não reflecta terminologias dúbias. Pode-se concordar ou não com a linha do PCP, mas é inquestionável o número de resoluções políticas de Congressos, do Comité Central, artigos de dirigentes, a própria cultura partidária, etc. etc. que o centro de onde as coisas gravitam é a classe social. Não por acaso detractores do PCP chamam isso de “obreirismo”. Apetece perguntar, em que ficamos?
Só para terminar, até pq me parece que a discussão em torno do critério “ah e o PCP tb é isto e aquilo” parece o do miúdo que partiu um vidro a jogar à bola e procura ver se outro colega rival tb fez asneira, acho a questão mais focada nos comentários como a menos relevante. De facto, sobretudo de quem discordou do texto, esperava críticas direccionadas aos argumentos do mesmo. Porque a insistência (não tanto tua Miguel, mas da generalidade dos comentadores) no argumento “ah, e o PCP tb não sei que mais” desliza para fora do debate em torno dos conceitos de “fraco” e do “forte”, o que aliás só prejudica as críticas que me foram feitas, na medida em que não se discute o sumo da questão e, levando o raciocínio ao seu extremo, significaria que o que eu avancei no texto seria verdade.
…não se deixem enganar pelo nº de resultados que o google indica (449), se acederem à última página (18) será possivel conferir que o total de ocorrências são antes 173.
E já agora por oposição o nº de ocorrências da expressão “trabalhadores” ronda 120.000 (página 100), aqui porque os resultados do google não excedem os 1000, é impossivel saber com certeza. Mas estimando um excesso de 3/5 ainda tens 47.000 para 173 com que se entreterem.
E no http://www.bloco.org:
“mais fracos” = 12
“trabalhadores” = 440
PCP – 0.37 / BE – 2.73
Conclusão o PCP é 7.38 vezes mais cuidadoso que o BE a designar a classe explorada.
Não se preocupem que eu tb só estou a brincar.
Tudo certo no texto. Mas só uma pequena nota:
“Muito mais do que usos pontuais referidos por alguns comentadores, parece-me que qualquer pessoa informada sobre este partido sabe perfeitamente o primado da classe social na sua linguagem e no seu pensamento político.”
No pensamento político talvez, mas na linguagem eu sei bem o que oiço – são “os que menos têm e menos podem” contra “os que mais têm e mais podem” -, e isso também não me parece uma forma correcta de verbalizar o conflito entre capital e trabalho.
Cumprimentos
Ter recursos é o resultado da condição assalariada. Ser-se fraco aponta para causas não sociais de outro tipo. Parecem-me ser coisas distintas.
Uma ultima questão: o João pode mostrar a sua imparcialidade escrevendo aqui um texto devidamente desenvolvido a criticar a linguagem do PC quando esta resvala para o uso de termos que o João considere desprovidos de espririto de classe, ok?
Pode começar com o uso duma palavra como “trabalhadores”. O que é isso de trabalhadores? O que é que lá cabe? O Amorim da cortiça há dias disse que era um trabalhador. O PC usa recorrentemente essa palavra. Agora o João faça o favor diga-lhes o que pensa do uso duma palavra que tanto dá para ser usada, com o mesmo significado, tanto pelo PC como pelo homem mais rico de Portugal , ok?
K
Olhe, o senso comum define o trabalhador como todo aquele que exerce uma determinada actividade, seja ela qual for: arquitecto, empresário, operário metalúrgico, etc. É esta noção que o chico esperto do Amorim utilizou para justificar que não merecia ser taxado.
Mas a noção real de trabalhador é o daquele que é explorado e lhe é subtraído o produto do trabalho que ele gerou no processo de produção. Relação em que o trabalhador vende a sua força de trabalho à empresa administrada pelos capitalistas. Esta noção já a debati noutro sítio pelo que não a vou detalhar em pormenor. Se tiver tempo e paciência deixo-lhe o seguinte link: http://5dias.net/2011/10/30/as-funcoes-do-capital-e-do-trabalho-em-torno-da-identificacao-economica-das-classes-sociais-23/
Eu por acaso acho que das coisas mais reaccionárias à esquerda foram os outdoors “Produção Nacional” do PCP. A mensagem é clara, os nossos capitalistas são melhores do que os deles.
Claro que o PCP não queria passar essa mensagem tratou-se, na minha opiião de um erro motivado pela necessidade de reduzir um programa a duas palavras, mas comunistas como o JVA talvez devessem perder algum tempo com estes pequenos erros do seu partido que, apesar de ser assim tão bom, nem 10% dos trabalhadores atrai no voto.
Não vou perder mto mais tempo sobre as várias tentativas de desviar as atenções para o PCP, mas não creio que a campanha da produçao nacional falem dos capitalistas como melhores do que os de fora. Até pq os únicos “capitalistas” que o PCP contempla na sua política de alianças no regime democrático são os micro, pequenos e médios empresários. E se há uma diferença de volume de capital ela tb é qualitativa, pois ninguém no seu juízo dirá que as PME’s (por mtas críticas que se possam e devam fazer à linha ideológica dos membros dessa classe social) determinam as políticas económicas e laborais em Portugal (e em qualquer parte do mundo).
João,
Com tudo o que se pode criticar no BE, parece-me que é um bocado forçado associa-lo, mesmo que por inocência ideológica, ao discurso darwinista dos “fortes” e dos “fracos”, através do qual certa direita procura justificar as hierarquias existentes. Pode-se falar de uma parte mais forte e de uma parte mais fraca quando o objecto do discurso é uma relação assimétrica, por exemplo o contrato individual de trabalho, e o objetivo é, digamos, reforçar a proteção do vínculo laboral. Isso não implica o deslize substancializante de que acusas o BE, ou seja, de dividir os campos do antagonismo social em “fortes” e “fracos”, esquecendo a linguagem de classes. Haverá disso no BE, mas não só disso, e se fizeres uma rápida busca nos orgãos comunicacionais do BE encontrarás muita linguagem de classe.
Mas estou perfeitamente de acordo contigo: as palavras contam, e o seu peso tem de ser levado em conta, o que quer dizer que a escolha de umas palavras em detrimento de outras tem de ser tomada como o que é: uma opção política, não inocente, não neutra. Tens toda a razão quando criticas o tom moralista do “Justiça na Economia”, do BE.
Do mesmo modo é lamentável que um partido que, como tu referes, coloca no centro da sua visão do mundo o antagonismo de classes, escolha como palavras-chave da sua campanha nas últimas legislativas “patriótico” e “de esquerda” e tomo como ideia reitora do seu programa a defesa da “produção nacional”. Ao faze-lo, como é óbvio, está a escolher uma linguagem soberanista de apelo à unidade nacional em detrimento de um outro discurso para quem a unidade nacional esconde as fissuras das divisões de classe.
Um grande abraço,
Bruno.
Bruno,
repito o que já disse noutro comentário:
«a discussão em torno do critério “ah e o PCP tb é isto e aquilo” parece o do miúdo que partiu um vidro a jogar à bola e procura ver se outro colega rival tb fez asneira, acho a questão mais focada nos comentários como a menos relevante».
Abraço!
João,
Tu podes até achar essa a questão menos relevante, mas quando publicas um post ou um artigo tens de aceitar a hipótese de que a discussão siga por caminhos que não sejam aqueles que achas os mais relevantes.
Além de que me vais desculpar pela imodéstia, mas eu não me limitei a dizer, se o BE é isto, então o PCP é aquilo. Por um lado, dei-te razão no que à importância política das palavras diz respeito. Mas quis convocar um outro exemplo de escolha de palavras que me parece mais pernicioso, nos significados que convoca, do que aquele que tu escolheste. E das duas uma, ou só estás interessado em discutir o teu argumento mais geral em relação ao BE, e aí então estás a atacar o BE, ou então não vejo porque não discutir o alcance geral do teu argumento, recorrendo a outros exemplo. A tua reacção é que me parece um pouco defensiva, como se não quisesses que o teu post fosse aproveitado para criticar o PCP.
Repara, aliás, que ao contrário do que me acusas, não foi o mesmo exemplo o que eu convoquei, ou seja, o uso, pelo PCP, da linguagem dos fracos e dos fortes, mas sim de uma outra linguagem também ela encobridora do antagonismo de classe.
Fi-lo por duas razões:
1) porque dás a entender que existe uma evidente adesão do PCP à linguagem da luta de classes, quando essa adesão convive com outros discursos;
2) também o fiz porque o patriotismo é um sentimento tão naturalizado quanto o dos “fortes” e “fracos” e, logo, tão pernicioso, senão mais.
Um abraço,
Bruno.
«o patriotismo é um sentimento tão naturalizado quanto o dos “fortes” e “fracos” e, logo, tão pernicioso, senão mais»
Sim e não. Sim, se a nação se sobrepor à classe. Não, quando esta última tem a primazia. A própria luta de classes não ocorre no vazio e insere-se em cada contexto nacional, o que não apaga o carácter absolutamente primordial da classe sobre a “nação”. A nação é instrumental para a classe, não a sua “essência”.
Como já defendiam os barbudos no Manifesto:
«Os operários não têm pátria. Não se lhes pode tirar o que não têm. Na medida em que o proletariado tem primeiro de conquistar para si a dominação política, de se elevar a classe nacional, de se constituir a si próprio como nação, ele próprio é ainda nacional, mas de modo nenhum no sentido da burguesia». Há quem se fique pelas duas primeiras frases, há quem se fique pelo resto, a postura mais sensata parece-me ser o conjunto da citação: o internacionalismo e a dinâmica de classe é essencial e primordial, mas como o Estado-nação é o espaço onde a burguesia se organiza politicamente em primeira instância (depois internacionaliza-se, mas isso é outra história), é aí que a classe trabalhadora tem de tomar o poder e constituir-se no que o Marx chamou precisamente de “classe nacional”. Evidentemente, a perspectiva seguinte é a expansão do socialismo a nível internacional. Mas o comunismo como sistema mundial tem um ponto de partida funcional, instrumental, chame-se o que se lhe quiser.
Um abraço!
Plenamente de acordo com esta nota.
Um abraço a ambos.
Certamente os militantes e simpatizantes, do Bloco de Esquerda não deixarão de ficar muito gratos ao Sr Aguiar, pela sua critica DESINTERESSADA, e digamos até camarada, e certamente não deixaram de registar as suas preocupações.
Já agora que tão distinto militante do PCP, se preocupa com aquilo que seria um desvio com laivos de reacionarismo, por parte de alguns militantes do BE , ao considerarem fracos os trabalhadores e forte o patronato, fracos os inquilinos velhos com poucas posses, e fortes os senhorios exploradores, tese esta , que é uma descoberta , da novel teoria do darwinismo social, gostaria se me permitir, de contrapôr algumas dúvidas.
Será de esquerda, um partido que não se demarca claramente , de um voto de homenagem a um fascista de seu nome Fraga Iribarne.
Será de esquerda um partido , que se atreve a fazer um minuto de silêncio, por respeito por um Conego BOMBISTA de seu nome Melo.
Será de esquerda um partido que lamenta a perda de UM DITADOR Norte Coreano, mas abandona o Plenario da Assembleia da Republica, quando se votava um voto de homenagem a Vaclav Havel .
Picuinhisses dirá, mas repetindo uma frase sua , não é deste tipo de esquerda que precisamos.
A minha crítica é como já disse uma crítica ao uso recorrente de certa fraseologia. Como tb já disse se eu achasse que o BE era um partido de direita como o PS não perdia o meu tempo com isto. Se não tenho problema nenhum em reconhecer o acerto de posições do Bloco em mtas críticas que faz ao governo e à troika, tb tenho direito de criticar um aspecto do discurso do BE com o qual não concordo. Capisce?
Tem todo o direito e faz muito bem.
Eu também não entendo que um partido dito Marxista, e que tem como divisa
Proletários de todos os países uni-vos
Tenha de algum tempo a esta parte, um desvio preocupante na sua ideologia, com expressôes de carácter PATROTEIRO e até nacionalista, nos antipodas do Internacionalismo Proletário que diz defender.
De facto não é este tipo de esquerda que precisamos, a chamada esquerda caviar, da qual estou farto e sem o mínimo de paciência, que se evidencia e quer protagonismos nas manifestações sindicais, aquela que fala ao sabor da corrente e que apresenta projectos de lei roubados de outros, e que de não tem plano de futuro, aquela esquerda cujo o único objectivo é passar à frente de uma outra esquerda, essa sim lutadora de muitos e muitos anos. Gostava de saber ao certo que tipo de ideologia tem essa esquerda, a do BE, evidentemente. É que ultimamente é cada tiro cada melro… e a cereja em cima do bolo, foi sem duvida o apoio ao poeta, (essa é que não me sai da cabeça). Por isso lições de procedimento, o Partido, como lhe chamo, o meu Partido, dá lições, porque há muito somos professores, caso queiram aprender é só aparecer, nos cobramos só o almoço, as aulas são de graça. Tenha um óptimo dia.
Muito bem respondido.
Acho que o Orlando conseguiu dizer exactamente tudo o que o post tenta sugerir!
Palavras para quê? Unidade, Unidade, Unidade… mas só entre nós os puros.
Ainda bem que o PCP, apesar de alguns o quererem fazer transparecer não é isto…
tal como o Bloco não é só aquilo que estes “unitários” querem fazer crer.
De erros e apoios presidenciais a memória não deveria ser tão curta.
Os explorados são os que são explorados, não os que têm cartão de militante de A ou B.
Veja lá, em compensação eu já não tenho pachorra para caciques que não vergam a mola há uma porrada de anos, que se apresentam como “operários”, e ainda me vêm dizer se tenho ou não o direito de ir numa manifestação da central sindical a que o meu sindicato pertence e do qual fui dirigente junto com outros camaradas do seu partido.
Camaradas sem aspas, não nos podíamos dar ao luxo de nos desgastarmos a mandar bocas uns aos outros. Quando vinham os “iluminados”, de qualquer tendência, iam de carrinho, porque sabíamos que éramos muitos poucos para andarmos “a comparar piças”… Pena é que, ao contrário de mim, esses camaradas tenham tido processos disciplinares no seu partido por não aceitarem a dissolução do seu sindicato num outro sindicato criado “a partir de cima” – porque entendem, e bem, que a fundação, fusão e até a dissolução de um sindicato diz apenas respeito aos seus sócios. Podem ter ficado mal vistos no seu partido mas ganharam (ainda mais) respeito dos trabalhadores que representam.
Por isso, sou um privilegiado, só oiço bocas sobre o “caviar” nestes fóruns, onde se compara quem tem mais verborreia revolucionária e consegue subir mais rápido as escadarias de S. Bento, ou nas manifs dos que controlam a pureza partidária dos desfiles sindicais. De qualquer forma, apesar de irritante, essa do “caviar” dá-me vontade de rir: quem repete o “slogan” (para consumo interno que saiu cá para fora) não sabe que o tal caviar que era um produto muito apreciado pela “numenklatura” da Ex-União Soviética ao ponto de terem deixado o esturjão estar em vias extinção…
Generalizando: quem faz apreciações sectárias (seja ele de que partido for), das duas uma: trabalha num local onde só há gente do seu partido; não trabalha de todo. Ainda uma terceira hipótese, avançada pela minha observação: ou trabalha numa câmara municipal onde só entra no quadro gente com o cartão partidário certo (ou de outro partido “contra-natura” que sirva para aprovar orçamentos).