Desempregados nos querem, organizados nos terão!

Os números são dramáticos e não é preciso nenhuma notícia, declaração ou desabafo ornamental, para se perceber isso. Quem ande na rua sem ser com os olhos no chão, quem esteja atento à vida dos seus amigos, familiares e colegas de profissão, tem perfeita noção que o degredo que nos estão a impor está em toda a parte e mesmo quem ainda conserva o seu emprego sabe que ao mínimo percalço tem a serventia da casa à espreita.

A nossa força de trabalho, mesmo parada, é um factor determinante no processo de produção, sobretudo por representar um exército de reserva de mão-de-obra, cada vez mais qualificada, que à medida que a austeridade avança vai garantindo a maximização dos lucros que a crise tem proporcionado aos patrões.

Um grupo de desempregados em luta, que escreveu uma carta aberta na passada greve geral, prepara-se agora, à imagem de outros países, para passar das palavras aos actos: “Na Argentina, em França ou no Brasil, quem está nesta circunstância já deu passos em frente que nós teremos que aprender a dar. No Egipto, no Estado Espanhol ou nos EUA têm sido indispensáveis nos movimentos que estão a mudar a relação de força dos 99%. Há que ser capaz de forjar as nossas organizações, as nossas iniciativas, os nossos sindicatos. Há que ser capaz de interferir na agenda, incomodar a troika e derrotar as intenções da absoluta minoria que nos quer reduzir a mercadoria. Não devemos continuar escondidos atrás de estatísticas, do medo, da vergonha ou da desmoralização própria de quem vê a sua vida privada de vida.”

Mudar o destino e transformar a desistência em resistência é uma tarefa difícil para todos, mas é um desafio redobrado para os desempregados. A sua sujeição à vergonha, a dimensão depressiva do seu quotidiano, a pressão para ficar longe da actividade política e a ausência de uma organização que os represente, são parte da razão que os mantém em silêncio por mais vontade que tenham de gritar.

Querem roubar-nos a vida mas este é o tempo de passarmos a existir.

Adere, divulga e participa!

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15 Respostas a Desempregados nos querem, organizados nos terão!

  1. Rodrigo Xavier diz:

    Entretanto,

    sábado, 4 de fevereiro: reunião/encontro de desempregados/as

    No debate realizado a 12 de Janeiro muitas pessoas mostraram interesse em dar continuidade à discussão, e ficou já apontada um encontro/reunião para o próximo dia 4 de Fevereiro, sábado, pelas 15h, na sede do Precários Inflexíveis (Rua da Silva, nº 39)

    https://www.facebook.com/events/354188127932394/

    • Renato Teixeira diz:

      De encontro em encontro, haveremos de encontrar forças para sair da marginalidade. Até Sábado e até Quinta.

  2. Kirk diz:

    veremos quando é que os desempregados abandonam a sua atitude bem tuga de “vou ficar quieto porque se falo ainda pode ser pior” e aparecem em massa na manif de dia 11. Tudo o que sejam menos de 200.000 manifestantes é merda.
    É lamentavel que os numeros oficiais do desemprego atinjam as proporçoes sabidas; se juntarmos os desempregados que não estão inscritos nos centros o numero pode subir para 1000.000 deles, tanto quanto se sabe e não é contestado.
    Mas também é tempo de abandonarmos a habitual atitude paternalista com quem está desempregado e fica em casa á espera que outros lhe tirem a água do capote. Esta é outra atitude tuga bem caracteristica. Para esses oportunistas (que mesmo entre gente pobre e miseravel e desempregada também os há) vai um murro no cachaço. E não me venham dizer que pelo menos um vez não arranjam uns cobres para engrossar a marcha de protesto que se deseja infindavel. Doutra maneira os malfeitores que governam o país vão cá ficar até 2015.
    Esta manif também vai ser um teste á nova direcção da Inter. Vamos poder ver a fibra de que sao feitos os novos; vamos poder ver se a manif é precedida da desejavel agitação e mobilização, para que nao sejam apenas pessoas de Lisboa e arredores a integrar a manif mas também para que haja gente de regioes mais distantes a gritar a sua raiva e principalmente a exigir mudanças que parem os ataques a que, sistematicamente os mais indefesos , mas não só (a classe média também nao tem motivos para rir) estão a ser sujeitos.
    Dia 11 em Lisboa!
    K

    • Renato Teixeira diz:

      Lá estaremos. Ajude também a divulgar o plenário que além das ruas temos que conseguir forjar uma ferramenta de combate. Abç.

  3. silva diz:

    Muitos do PS rezam ou tentam para que não se investigue a sério o despedimento colectivo ilegal do CASINO ESTORIL, isto é pior que a investigação do sucateiro.
    Quem se preocupa com o desemprego,basta ver a falsidade do despedimento colectivo do Casino Estoril 112 pessoas a receber do estado em vez de estarem a trabalhar e por outro lado que justiça existe quando são substituidos por outros com os mesmos vencimentos. Troca-se de governo, mas a justiça continua cega.

  4. JgMenos diz:

    Para além de gastar solas em desfiles, há um qualquer plano de acção?
    Querem o alargamento do quadro de funcionários públicos, ou querem mais e maiores patrões?
    Querem mais investimento, ou querem não pagar a dívida a quem investiu na dívida pública portuguesa?
    Suspeito que é tão só mais LUTA, mais RUA, mais ruído…

    • Renato Teixeira diz:

      A ideia é precisamente essa. Não se ficar pelas solas do sapato e avançar para a construção de algo que vá além da espuma do protesto.

  5. Tiago diz:

    Bem o Bloco de Esquerda… já anda a facilitar com os seus “movimentos”. Plenário de desempregados na sede da… UMAR?! Mais valia o Bloco fazer as coisas com mais descrição se quer alargar a sua influência…

    • Renato Teixeira diz:

      A iniciativa não é do Bloco de Esquerda, mas conta com todos os que se queiram juntar, inclusive os aderentes do Bloco de Esquerda. Espero que o plenário seguinte possa acontecer na sede da CGTP, do CPPC ou do MDM. Ai está uma belíssima ideia.

  6. Caro Renato Teixeira
    Na troca de comentários que tivemos no blog da Joana Lopes ainda não conhecia este excelente texto. Há um questão tabu que faz com que poucos sejam os pequenos empresários a participar neste tipo de iniciativas eu faço-o sem preconceito.
    Cumprimentos
    Rodrigo

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