QUEM É QUE SÃO MESMO OS FASCISTAS? – Já tinha visto anarquistas libertários, autónomos, sindicalistas e até autoritários, mas nunca tinha visto anarquistas sem um pingo de vergonha na cara.

Um texto publicado no Indymedia, que faz um balanço da manifestação e da assembleia popular do passado dia 21 de Janeiro, prefere a mentira aos factos e aos argumentos e prescinde de fazer o debate que tanta falta faz ao movimento. Usa uma “táctica política conhecida como ‘recuperação’ que consiste em determinada situação vista como vantajosa para determinada ideologia ou grupo político ser canalizada para benefício dessa ideologia ou grupo, previamente esvaziada do seu real conteúdo e do contexto em que decorreu” e tem o despudor de vir assinado por alguém que assume que não contribuiu para a organização da Marcha da Indignação.

Independente das opiniões que exprime sobre a plataforma 15 de Outubro, que podem sempre ser debatidas, sobram calúnias, tão falsas como cobardes, que ofuscam, entre outras polémicas, aquela que deveria aprofundar o que fazer para o futuro. É pena que o texto se limite a evangelizar, esquecendo-se de apelar à participação, sugerir caminhos ou pelo menos citar as decisões colectivas tomadas em assembleia.

O dislate que dá corpo ao título do texto – “Os novos fascistas são democratas” – é duplamente preocupante. Primeiro porque insulta sem provar, sem perceber que também se insulta a si próprio, depois porque revela que o companheiro acredita que é capaz de dobrar sozinho, “num barco pequeno e leve”, os diferentes fascismos que o movimento enfrenta nas ruas do protesto.

Acusa o artigo publicado no Indymedia que a plataforma 15 de Outubro “começou apressadamente a andar assim que as primeiras bocas aos nacionalistas começaram”, com a intenção de “deixar para trás conflitos (físicos, verbais, de ideias, etc…) e isolar uns manifestantes de outros”. De rajada, acrescenta que houve “pessoas a tentar calá-los, apelando à ‘não-provocação’, a ignorarmos a presença de fascistas e a seguir em frente como se nada se passasse”, alimentando a ideia que era intenção dos organizadores deixar passar em branco a participação dos nacionalistas.

Atira ainda, várias vezes e sempre sem nomear ou concretizar nenhuma acusação, claro, que “representantes da Plataforma15O” fizeram isto ou aquilo, sempre em detrimento do interesse democrático da manifestação e chega a questionar o direito a que esta organize assembleias populares no final dos protestos por si convocados.

Ora, o autor do artigo publicado no Indymedia sabe, porque é possível saber isso sem tomar a palavra, a proposta, o voto ou o esforço militante, que houve uma demarcação pública face aos fascistas, antes, durante e depois da manifestação, como se pode ler neste, ou em qualquer outro relato da manifestação publicado na rede ou na comunicação social.

Devia igualmente intuir que a variedade de colectivos e activistas que se mobilizaram para expulsar os fascistas não se consegue por geração espontânea e que houve inclusive activistas, de diferentes origens ideológicas mas também anarquistas, que depois dos confrontos foram protegidos de eventuais retaliações, precisamente na abjurada cabeça da manifestação.

Não sei se o Indymedia subscreve todos estes disparates mas sei que muitos dos seus leitores gostariam de ser esclarecidos.

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69 respostas a QUEM É QUE SÃO MESMO OS FASCISTAS? – Já tinha visto anarquistas libertários, autónomos, sindicalistas e até autoritários, mas nunca tinha visto anarquistas sem um pingo de vergonha na cara.

  1. Carlos Guedes diz:

    Partes de um erro de interpretação. O título não é uma pergunta mas sim uma afirmação. Se a dúvida já era preocupante a afirmação é muito mais do que isso. Pretender aceitar, no seio de uma democracia que pretendem como verdadeira, gente com ideários daqueles é revelador de que anda por ali muita malta que não tem a mínima noção do que anda a fazer nem do que se está a passar.

    • Renato Teixeira diz:

      Pois. Já rectifiquei. É que a acusação é tão grave que parti do principio que se tratava de uma pergunta.

      Nota que o artigo não defende a participação dos fascistas, mas antes se lembra de meter os organizadores no mesmo saco.

  2. Rui Campos diz:

    Eu sempre que visito o Indymedia.pt fico com uma opinião muito negativa em relação aos posts que lá fazem e ás tantas deixo de lá ir porque aquilo não tem ponta por onde pegar.
    Artigos cheios de preconceito ideológico, deturpação de factos, mentiras, calúnias,insultos e tudo isto dirigido contra os comunistas e não só claro. Para ver esse tipo de coisas vou a um site de extrema-direita ou nem tanto se calhar, o que deixa uma pessoa a pensar se esses ditos “anarquistas” se preocupam mais com os comunistas do que com os capitalistas.
    Uma coisa é a divergência ideológica entre anarquistas e comunistas, outra é os anarquistas acusarem sempre os segundos de serem responsáveis por isto e por aquilo. Só falta dizerem que a culpa do mundo estar como está é dos “comunas estalinistas” que impedem a revolução mundial que eles tanto querem mas que tão pouco fazem para que ela aconteça.
    No fundo são aquilo que o Cunhal já disse,ou seja,”radicais pequeno-burgueses de fachada socialista” o que é triste num quadro de ataque por parte da direita mais reaccionária aos trabalhadores e ao povo em geral.

    • Gualter diz:

      O combate ideológico não tem nada de negativo e talvez tivesse feito bem ao Cunhal (por quem tenho o maior respeito) e ao PCP (no qual, em parte, tive a minha “formação política”) olhar a divergência de opiniões como uma oportunidade de avanço político e civilizacional, através da dialéctica, em vez de ver um muro de inimigos mentecaptos.

      Quanto ao que consta no Indymedia, é aquilo que quem lá publica decide publicar. Se estás pouco satisfeito com os conteúdos, contribui para eles, se achares que ainda vale a pena divulgar informação fora da blogosfera e das redes sociais, num orgão internacionalista. Da parte do colectivo editorial, a moderação é mínima, apenas se fazendo quando há denúncia ou óbvia violação da política editorial. E deve ser mínima porque só assim é permitida a liberdade de expressão, incluindo a anónimos, e a abertura do debate político, fora dos estrangulamentos ideológicos (incluindo os criados por anarquistas mentecaptos).

      • Renato Teixeira diz:

        Gualter, como já disse ao Carlos o artigo foi actualizado.

        Como dizes, “a moderação é mínima, apenas se fazendo quando há denúncia ou óbvia violação da política editorial”. Não te parece que o conteúdo do texto viola a política editorial do Indymedia?

        A publicação de calúnias garante a “liberdade de expressão”?

        O problema do texto não é só ser anónimo, é acusar outros sem nenhum elemento retirado da realidade. Não vejo em que é que a “abertura do debate político, fora dos estrangulamentos ideológicos (incluindo os criados por anarquistas mentecaptos”, deva incluir, em qualquer circunstância, acusações desta gravidade.

        • Gualter diz:

          Como posso, enquanto elemento do colectivo editorial, ou em geral, provar que tal texto é uma calúnia? Afirmar que há uma calúnia é um juízo de valor, altamente subjectivo e dependente do posicionamento de cada um no contexto em causa. Não me cabe a mim avaliar se o texto é correcto ou não – se o fizesse, estaria a impôr o meu juízo subjectivo (já para não falar da impossibilidade temporal de o fazer).

          Se se trata de calúnia, então ela pode ser combatida ou debatida em espaço próprio, através do direito ao contraditório que é dada pela publicação livre de comentários ou mesmo de artigos. Quem lá vai ler, poderá então ler que tu ou outros consideram tal texto como uma calúnia.

          Podes argumentar que, depois de lançado o texto, está feita a propaganda e denegrida a imagem. Esse argumento é válido para publicações tradicionais onde o contraditório não tem espaço ou tem um espaço limitado e anacrónico. Não é válido para meios de publicação abertos, como o Indymedia, onde o contraditório pode ser feito em qualquer momento, por qualquer um e com igual destaque. Mais: a tentativa de silenciar ou minimizar opiniões divergentes no sei do movimento constitui, ela própria, um dos maiores perigos para a unidade do movimento. Disse-o antes, aqui e em pessoa; algumas das dinâmicas resultantes das acampadas e divisões têm vindo a dar-me razão.

          Em vez de ficarem aqui a discutir, se o artigo os indigna tanto, porque não vão lá apresentar o vosso ponto, como comentário ou artigo próprio, em vez de dizerem que o Indymedia é isto ou aquilo?

          • Renato Teixeira diz:

            Eu não disse que o Indymedia é isto ou aquilo. Perguntei se subscreve aquela merda e porque o publicou. Tentei deixar lá um comentário e tal revelou-se foi impossível.

            Já que és do colectivo editorial aproveito para te pedir que publiques este texto como texto de contraditório.

            Pode ser?

          • Gualter diz:

            Renato, nós não publicamos nada na coluna lateral do Indymedia. O papel do colectivo resume-se a assegurar o normal funcionamento do site, o que inclui despublicar artigos que violam a política editorial e destacar na coluna central alguns artigos que consideramos ou editoriais próprios.
            Ambos estes processos tentam ser totalmente transparentes: os artigos despublicados ficam escondidos do utilizador, mas podem ser consultados – e contestada a despublicação – em área própria (http://pt.indymedia.org/hidden); todas as discussões decisões tomadas pelo colectivo editorial – que é aberto à participação – estão disponíveis numa mailing list com arquivos públicos (http://lists.indymedia.org/mailman/listinfo/imc-portugal).

            Como prefiro gastar o meu tempo a desenvolver técnicas (informáticas e processuais) que permitem a cada um ter um espaço de publicação e divulgação sem pedir a ninguém, não vou publicar o teu contraditório, mas vou voltar a insistir que o faças tu mesmo – e, no caso de teres dificuldades técnicas, podes sempre contactar tech@nullpt.indymedia.org, contribuindo assim para o esforço colectivo de melhoria de um espaço que é desenvolvido por algumas para todas, mas que não pertence a ninguém.

          • Renato Teixeira diz:

            Como já disse mais acima. Já o publiquei na coluna lateral.

            http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/6560

            Quanto ao funcionamento a tua explicação é clara, mas continuo a não concordar.

            Há muita baixaria que eu aprovo nos comentários do 5dias mas há limites mínimos de higiene que devem ser salvaguardados, entre outras coisas para que isso não abafe o debate que interessa fazer.

            A rede como dizes é um espaço onde há alguma liberdade, logo quem não vê as suas eloquências publicadas aqui pode sempre ir fazê-lo noutro lado qualquer.

            Não é isso a liberdade?

        • subcarvalho diz:

          Renato,
          de facto, o texto em questão não viola a poltítica editorial do indymedia.
          Este texto é basicamente uma opinião pessoal de quem esteve na dita manif. Reli por diversas vezes e continuo a não encontrar qualquer calúnia. Existe sim uma opinião quanto à forma como se reagiu à presença de movimentos fascistas. Poderá, eventualmente, estar generalizada a “culpa”, mas isso é um problema de quem publica.
          Sendo que o indymedia permite comentários directos às notícias publicadas, e tem como finalidade o potenciar do debate, só te posso propôr que publiques por lá esta tua resposta…que pode, também, ser lida como caluniosa…também tu, no título da posta, generalizas a “culpa”.

          Abraço,
          sub.

          • Renato Teixeira diz:

            Não está generalizada, embora não concretize o quem é quem. Acusa o 15O de ter feito o contrário do que fez, com provas públicas evidentes do contrário. Isso é uma opinião?

            Não entendo que se publique merda. Só isso. E parece-me apenas um exercício espúrio de se escrever o que se deseja da realidade e não o relato da realidade.

            Quanto ao meu texto ele toma o autor como autor. A pergunta endossada ao Indymedia mantenho, porque há suficiente activismo acumulado para se confirmar a verdade das acusações. Se me chegar um texto a caluniar quem eu não gosto, a primeira coisa que faço não deve ser pavloviana e publicar. Importa perceber a intenção desse texto, depois perceber se é verdadeiro, para só depois o publicar. Não é assim que deve ser?

            Abraço.

        • Eu também acho que muito do que aqui é escrito é merda, mas não é por isso que venho aqui pedir que não seja publicado uma parte do que aqui se escreve.
          Felizmente ainda há liberdade de expressão na internet.

          E fica no ar a razão por que o texto te incomoda tanto: se é por ser calúnia ou se é por ter um fundo de verdade. Mas enfim.

          “Já que és do colectivo editorial aproveito para te pedir que publiques este texto como texto de contraditório.

          Pode ser?”
          Renato, qualquer pessoa pode publicar um texto no Indymedia, não tens que pedir a ninguém do colectivo editorial. Vais lá e publicas.

          • Renato Teixeira diz:

            Francisco Norega, e respostas não? Nem nas redes sociais nem aqui? Só calúnia e mal dizer?

            Estiveste na manif? Quem é quem no texto que tanto gostas? Qual o fundo de verdade que vês nele?

            É que sem respostas, fica-se com a sensação que andas à deriva num barco leve e pequeno.

        • renato, já te tinha respondido na página do 15O. reproduzo aqui o comentário:

          “não, não estive na manifestação. e além disso, apenas coloquei o link para o texto porque acho que é bom as pessoas terem acesso a várias perspectivas.

          que perguntas é que colocaram para eu responder?
          (e desapareceu-me aqui um comentário, não sei porquê).”

          • Renato Teixeira diz:

            Em suma, defendes um texto que insulta e calunia uma plataforma de organizações que não reconheces, num protesto que e sobre factos que não testemunhaste em nome de um debate que não sabes como fazer. Percebi bem?

            Em nome das diferentes perspectivas vais partilhar textos de sites fascistas, sem uma palavra a dizer sobre o assunto?

            Pavlov explica ou há razões profundas que a razão desconhece?

          • Aí tens o teu tão desejado (ou não, vamos ver) debate:
            http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/6567
            “As mentiras do ardina: Resposta aberta ao Renato Teixeira”

          • Renato Teixeira diz:

            Isso é debate? Um texto que nem precisava da manifestação para ser escrito? Que pobreza franciscana…

          • Ahahah, quando aparece o debate respondes de forma evasiva. excelente!

          • Renato Teixeira diz:

            Franciscano, debato com quem debate. Não lhe parece simples? Mas não se preocupe. O texto, este não o outro, ao contrário do que o Francisco nos habituou, até arrisca algum debate no meio do ruído.

            Pergunto-me o que o levou a juntar-se a esta polémica, sobretudo sem lhe acrescentar uma ideia que fosse…

    • subcarvalho diz:

      Se em vez de deixares de visitar o indymedia contribuisses para o debate que se pretende que por lá aconteça, talvez a coisa melhore. É que ao contrário do Avante, qualquer pessoa pode publicar no indymedia.

      s.

      • Renato Teixeira diz:

        Sub, e o que aconteceu à política editorial? Contribuir, depois de chamarem a tutti quanti no 15O fascistas? Que debate pode isso produzir?

      • Luigi Fare Niente diz:

        oU no Espesso ou no Povo Livre(Livra!)….eheheh.Aliás,como está o senhor doutor Duarte Lima, o inginheiro Eurico de Melo,ou o Dias Loureiro.Abraços!Eu tenho a maior consideração por escumalha,psicopatas,sociopatas e outros patos….

      • Vasco diz:

        Nem compares o Avante! com essa coisa, pá… Morreram pessoas para fazer o Avante! para que agora possas dizer as parvoíces que quiseres…

        • subcarvalho diz:

          claro que não comparo. um é o orgão oficial de um partido, o outro pretende ser uma plataforma informativa onde todos possam partilhar e debater ideias.

  3. Rui Cruz diz:

    O artigo em questão relata realmente uma ação pouco democrática – a de dizer que não apoiam determinado movimento.
    Uma democracia não apoia, mas também não pega no microfone e diz que não apoia.

    Há o politicamente incorreto e o publicamente incorreto.

    Lembrem-se disso.

    Rui

    • Renato Teixeira diz:

      O movimento pode dizer que não apoia porque é anti-fascista e isso é seu direito e dever democrático.

      Se mesmo depois de dito eles aparecem, de forma oportunista e com a cumplicidade da polícia, merecem exactamente a resposta que tiveram.

    • Rafael Santos diz:

      Oh Rui, mas agora eu não posso pegar no microfone e dizer que não apoio ainda por cima numa manif organizada entre outros por mim? O teu conceito de Democracia é me cada vez mais confuso e estranho…

  4. Não existe tal coisa como democracia absoluta. Se queremos andar para a frente, temos de nos livrar dos que nos puxam para trás. Seja como for, acho que este grupelho para-criminoso não devia desfocar a atenção do que é essencial, o combate ao austeritarismo.

  5. rms diz:

    O Renato no seu labirinto.

  6. PP diz:

    Não gosto muito do comunicado, principalmente pelo seu tom algo triunfalista e por achar que escolhe demasiado depressa os seus inimigos de um modo algo tosco e por inferir algumas conclusões sem fundamento, mas não deixa de ser verdade que no momento dos confrontos não estava presente, tanto quanto vi, ninguém da organização da manifestação e que houve inclusivamente gente do 15O e dos PIs que quando foi avisada da iminência dos confrontos se decidiu por a milhas tentando levar a manifestação também, procurando separar os eventuais confrontos do corpo da manif – e aqui não estou a interpretar comportamentos, cito da fonte. Houve também alguma gente a tentar refrear os animos, mas tanto quanto sei não teriam nada a ver com o 15O.

    • Renato Teixeira diz:

      Também tu com o “alguém”, “ninguém”, “gente”?

      Posso dizer-te, e isso pode confirmar-se nas imagens da higienização, que vi pessoas associadas a praticamente todos os grupos que fazem parte do 15O, inclusive ligados aos PI’s.

      Como bem sabes os fascistas estavam localizados e entre todos os grupos organizados passou essa informação, para que naturalmente se fizesse algo com ela. Houve acordo entre todos para que se fizesse o que se fez.

      O que se ganha mentindo sobre isso?

  7. Laura Nadar diz:

    O Renato Teixeira no seu labirinto de definição de um anarquista acha que este é um indivíduo que organiza acções em grupo. Os princípios estão tão errados, o discurso tão inflamado de uma razão egótica que me parece absurdo aprofundar este debate online, no estilo bate-boca característico desta caixa de comentários.
    Ao mesmo grupo de organizadores que se auto-bajula de estar à cabeça destas manifestações e marchas seria de aconselhar que parecem de usar isso como um argumento e fizessem uso de alguma humildade porque a esquerda não quer andar à batatada com a esquerda, independentemente das ideologias de fundo, mas com essa atitude os extremistas começam a ser eles mesmos, achando que sem a participação dos outros podem andar para a frente e que por se auto-proclamarem de anti-fascistas (de notar que depois metem fascistas e nacionalistas no mesmo saco) tudo serve esse propósito.

  8. Laura Nadar diz:

    *parassem

  9. xatoo diz:

    duas interpretações dos mesmos factos. Não é perceptivel onde estão “as calúnias”. Existem naturalmente várias interpretações de cada grupo ou individuo consoante os seu posicionamento politico. De individuos avulso só podemos esperar discursos emocionais ao melhor estilo “new age”; e como no 15Outubro trabalho colectivo não há (nem objectivos concretos (talvez melhorar o capitalismo?) sobram os pequenos grupos que se colam às manifestações espontâneas na perspectiva de recolherem daí alguns dividendos em visibilidade. Podem, consoante o ponto de vista, ser alcunhados de tudo: comunistas, fascistas, libertários, reformistas, amigos dos animais, etc., enfim um saco de gatos como muito bem dizem os anarquistas.
    Uma vez que aqui nunca se passará nada de relevante, olhemos para o que se está a passar na Comuna de Oakland, (que daí sim, do coração do Império poderia derivar algo de novo). O movimento dos “indignados” apela por sistema ao pacifismo, como se algum dos tiranos da história tivessem abandonado o seu lugar sem que fossem obrigados por uma força superior… e depois há os black block que vão sempre na vanguarda e dão o corpinho às balas. Este fim de semana foram presos entre 300 a 500 activistas. Há um mundo inteiro a separar estas duas formas de actuação.

  10. Aspirante a Rebuçado diz:

    Epá, lá estão vocês todos stressadinhos por causa do que um miúdo escreve, LOL.

  11. Miguel Botelho diz:

    A onda de disparates escrita pelo teu nome é tão grande que não percebo qual a tua orientação política. Se és de esquerda, se és de direita ou se és parvo…
    Parece que precisas de férias ou, então, outra actividade que não seja esta de escrever, “por escrever” disparates atrás de disparates.

  12. subcarvalho diz:

    Renato,
    a publicação no indymedia é livre, ou seja, não é o coletivo editorial que aprova as publicações. O que o coletivo pode fazer é despublicar a notícia se esta for contra os principios editoriais do indymedia. Não há, portanto, nada de pavloviano na sua publicação. (independentemente do que queiras dizer com esta expressão, usada quase sempre de forma depreciativa).
    Quanto ao pedido que fazes ao Gualter de publicar a tua resposta, no direito ao contraditório, não é necessário. Tu próprio o podes fazer.
    Quanto ao resto, o Gualter já disse tudo.

    abraço,
    s.

    • Renato Teixeira diz:

      Não é verdade, como o Gualter disse. Acredito que não publiquem, e bem, merdas nacionalistas.

      Vou tentar voltar publicar o comentário, ou este texto como contraditório, mas como te disse isso tem sido impossível.

      • subcarvalho diz:

        Até no caso de textos de teor nacionalista o colectivo indymedia não apaga só porque se tratam de textos nacionalistas. Se, porventura, estamos simplesmente perante argumentos politícos não vejo possibilidade de censurar o seu conteúdo. A publicação desse tipo de texto deverá ser efetivada para que seja permitido o debate e a contra-argumentação, e assim desmontar esse tipo de ideologia.

        “Faz parte das tarefas do colectivo editorial a retirada daquelas contribuições que desrespeitem os princípios da nossa declaração de intenções ou dos documentos da rede Indymedia. Poderão ser retiradas do site desde que exista um consenso do colectivo editorial, após o que será dada a devida explicação à pessoa que os colocou, caso seja solicitada.

        Estão nessas condições, por exemplo:
        – marketing comercial;
        – contribuições repetidas;
        – contribuições vazias;
        – contribuições com proselitismo religioso;
        – contribuições com proselitismo partidário
        – de carácter pessoal;
        – ataques;
        – violações da privacidade;
        – expressões da violação da vontade livre e autodeterminada dos indivíduos;
        – contribuições administrativas.”

        in http://pt.indymedia.org/conteudo/politica

        • Renato Teixeira diz:

          Estão no vosso direito, claro, mas discordo profundamente. No texto em questão e pelos critérios que avanças, várias são as razões que justificariam a retirada do texto. O que é que aquilo debate, além de avançar com ataques infundados e desmentidos por todos os sectores e um sem numero de activistas presentes? O proselitismo partidário acontece mesmo fora dos partidos, e este texto é bem revelador disso. De resto tem um pouco de tudo: marketing comercial, contribuições repetidas, vazias e profundamente irresponsável face a unidade que se esta a consolidar, pelo menos no campo anti-fascista.

        • An Lage diz:

          Os tipos do Indymedia são profundamente cretinos. Defender a liberdade de expressão não é ceder o seu site como tribuna de ideias fascistas; é permitir que os fascistas tenham os seus próprios sites. Curiosamente chamam-lhes nacionalistas.

          Depois, permitem que todo o material de extrema-direita ou confusionista lá vá parar mas não têm os meios de os criticar. Além disso, é conhecido como o Indymedia em vários lugares, e o movimento anti-globalização em geral, serviu para estabelecer pontes entre a extrema-direita e a esquerda. O Xatoo é o exemplo maior de vermelho-castanho que anda por aí.

  13. eu diz:

    caro renato,

    li e reli o texto mencionado e continuo a não conseguir ver as mentiras, calúnias e faltas à verdade que tanto mencionas. indo por pontos:
    / “A frente da manifestação, constituída por várias das organizações que a haviam convocado, começou apressadamente a andar assim que as primeiras “bocas” aos nacionalistas começaram. Uma táctica sobejamente conhecida, utilizada pela CGTP em inúmeras outras ocasiões e que pretende deixar para trás conflitos (físicos, verbais, de ideias, etc…) e isolar uns manifestantes de outros.”
    é verdade, foi visto e ouvido (inclusive uma jovem do 15O ‘mandou-me’ tirar o capuz e não atacar os fascistas)
    / “Quando alguns manifestantes começaram a gritar contra os fascistas, houve imediata e não-surpreendentemente pessoas a tentar calá-los, apelando à “não-provocação”, a ignorarmos a presença de fascistas e a seguir em frente como se nada se passasse.”
    é verdade, vede acima
    / “O cerco e aperto aos fascistas, bloqueando-lhes (…) Os imigrantes ficam e vocês vão-se embora.”
    continuo a não ver grandes incorreções. por outro lado o texto intui que os ‘indignados’ são uma amálgama de pessoas com enormes divergências ideológicas mas que tenta sempre manter uma ambiguidade estupidificante e um ultra-pacifismo ridículo, análise com a qual concordo em absoluto.
    finalmente sobre os ‘antifascistas’ e ‘antifascismos’: é sobejamente sabido que no 12 de março, quando a ‘coluna’ do PNR entra na manifestação, a organização desdobra-se em tentativas de acalmar as hostes para não se darem confrontos…enfim, serão as suas tácticas, aliás apanágio de vários pc’s, be’s, psr’s e afins.
    agora, eu e muitos outros eus, não admitimos a presença de fascistas na mesma rua que nós e usaremos da força necessária e proporcional para os expulsar…é chato? eventualmente…paciência!
    por fim (agora sim), por que raio havia o indymedia de retirar de lá aquele texto?

    • Renato Teixeira diz:

      Na cabeça da manifestação as únicas coisas que foram feitas foi destacar alguns representantes para ajudar a que os fascistas não integrassem a manifestação e a puxar palavras de ordem que nos demarcassem deles.

      No 12 de Março, como em todas as datas posteriores e também no 21 de Janeiro, foi feito tudo para evitar a sua participação, sempre com sucesso. Em nenhum dos momentos foi tolerada a sua entrada em coluna e a sua presença had hoc foi sempre hostilizada. Se dizes que alguém fez o contrário foi em seu nome e não em nome de nenhuma das plataformas que organizou cada uma das manifestações em causa.

      Acredites ou não, como tu e muitos tus, a consciência anti-fascista é um dado assente entre todos os que têm construído o movimento.

      • eu diz:

        caro renato,

        “No 12 de Março, como em todas as datas posteriores e também no 21 de Janeiro, foi feito tudo para evitar a sua participação, sempre com sucesso. Em nenhum dos momentos foi tolerada a sua entrada em coluna e a sua presença had hoc foi sempre hostilizada. Se dizes que alguém fez o contrário foi em seu nome e não em nome de nenhuma das plataformas que organizou cada uma das manifestações em causa.”
        como sabes isto não é verdade…refiro-me particularmente ao 12M.

        “Acredites ou não, como tu e muitos tus, a consciência anti-fascista é um dado assente entre todos os que têm construído o movimento.”
        não tenho a menor dúvida…mas mais que um carimbo contesto a acção em que devemos incorrer ao ser manifesto que fascistas se estão a colar numa manifestação tipo ‘indignados’.

      • Marco Mendes diz:

        A Democracia que preconizas é a do pensamento único ou plural? A diversidade de perspectivas e opiniões constrange-te ou anima-te?
        Enquanto não houver humildade para sabermos aceitar as liberdades de expressão não podemos augurar à preconização de um novo modelo de Democracia Participativa. Quem convive mal com uma “certa” esquerda, com uma “certa” direita, com uns certos anarquas ou revolucionários precisa de meditar sobre os seus ideais de Democracia Participativa plural e inclusiva! Certo Renato?

    • Rocha diz:

      Que grande valentão que não admite fascistas na mesma rua! Uau que grande homem! E no entanto não lhe perturba que fascistas possam publicar livremente as suas provocações no indymedia (como já foi admitido por editores nesta caixa de comentários), cuja política editorial não lhe causa a menor estranheza.

      Olhe porque é que não fazer sessões de pugilismo numa dessas claques do benfica e do sporting. Estou certo que lá há muitos boneheads com o seu nível político. Pois é… porrada que é bom não há nos partidos de esquerda! Olha que maçada…

      • eu diz:

        caro rocha,

        uma pequena correção: não sou um valentão nem um grande homem…eventualmente poderá considerar-me uma grande mulher.
        quanto a sessões de pugilismo…não sou particular adepta do desporto.
        por fim, e em relação à política editorial do indymedia, julgo que a mesma já foi explicada até à náusea. pode concordar ou discordar, sinceramente é-me indiferente e possivelmente mesmo secundária à discussão.

        • Rocha diz:

          E assume o elogio de grande mulher! Olha que bom.

          Hehe deve ser uma mulher do norte! Não admira que a tenha confundido, pois a sua conversa recorda-me aquela velha história de macho, tipo a minha pila é maior que a tua.

          Se não falamos em tamanhos de pilas, falamos em bravatas de rua, retóricas inflamadas, falamos no eu sou mais radical que tu, no eu sou mais assembleário que tu, eu sou mais de esquerda que tu, etc…

          Ora é por haver mulheraças como você e uns quantos outros meninos e meninas que nas manifs do 15 de Outubro pela força do “consenso” a organização pouco pode controlar a azia existente entre os humanistas da “não violência” e os anarquistas campeões de pugilismo.

          E é por isso que algum menino ou menina rabina andou para aí a fazer queixinhas do 15 de Outubro no Indymedia.

          • Que idiota. Assim se têm discussões interessantes, não é?
            Viva o ad hominem.

          • Rocha diz:

            Ao Francisco: eu não desclassifiquei ninguém, apenas apontei para o ridículo da citada bravata “eu não admito presença de fascistas na mesma rua”. Se não têm noção do ridículo é convosco.

            De resto já é muito batido em certa esquerdinha radical a estratégia de se não tens o domínio da maioria passa ao insulto. É essa triste figurinha que certos mal-chamados “anarquistas” estão aqui a fazer. Com a insistência na mentira de que o 15 de Outubro tolera a presença de fascistas, insinuando a falta de uma boa musculatura.

            Pode insultar à vontade que para mim é elogio.

  14. imbondeiro diz:

    Tentar entender estes anarquistas ( sê-lo-ão, de facto, até às últimas consequências?) não vale a pena. Nunca valeu. É gastar velas com ruins defuntos. Estes meninos não têm a mínima solidez ideológica, não possuem nada que se aproxime de um programa de acção e a sua constância na luta tem a solidez de uma brisa inconstante. Houve quem tivesse ousado mudar o estado do Mundo, com consequências terrivelmente trágicas em muitos casos, não o neguemos. Contudo, outros houve que nada mudaram, nada construíram e perderam-se em fogachadas inconsequentes no edifício do capitalismo selvagem internacional. Os donos desse edifício, lá bem no fundo, louvaram-nos agradecidamente como o maná que foram na justificação da repressão da “rebaldaria” da esquerda. Deles pouco ou nada ficou. E eis que ressuscitam, imaculados, e pregam a revolução mundial ( que revolução?) e a acção ( ou será agitação?) que nos levará a qualquer coisa que nem eles sabem o que é. Caricato e sintomático dos tempos de desordem ideológica que vivemos.

  15. Pingback: “…para poder avaliar bem coisas que talvez nos esclarecessem, nos abrissem novos caminhos e uma orientação mais actual…” | cinco dias

  16. Guedes diz:

    Para o renato fascismo é só à direita. Compreendo… a dialéctica não dá para mais !!!

  17. D diz:

    Fantástico. Nunca pensei ver o Renato – revolucionário de pacotilha, histérico inofensivo, que promove a revolução com uma escrita histriónica, insultuosa e frequentemente caluniosa – todo triste queixando-se da calúnia e da má fé dos outros.

    Renato, você, para além de não meter medo a ninguém, e de não representar nada de valor, é mas é uma grande florzinha de estufa.

    • Renato Teixeira diz:

      O seu comentário é dominado pelo histerismo. Mas cheio de ideias. O que faz aqui na caixa de comentários de alguém tão insignificante?

  18. mortalha diz:

    começa nos fascistas, passa pelos neoliberais e não tarda temos os padres a fugir. pareceu-me um isco que resultou na perfeição. vamos ver qual vai ser o próximo e se, entretanto, o cardume aprendeu alguma coisa.

  19. Pingback: Um auto à fé do individuo | cinco dias

  20. Carlos diz:

    Os novos fascistas são democratas? Descoberta fascinante. Então o Renato não sabe que o Adolfo foi democraticamente eleito pelo povo alemão. Não lhe ensinaram isto no komsomol?

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