Portugal é a Grécia com um ano de atraso

Alemanha impõe a Atenas perda de soberania para novo resgate

Fica claro que os mercados já esmifraram tudo o que havia para esmifrar aos gregos. Até Março tentarão que o país se declare em bancarrota para que possam accionar os seguros de risco, num valor bem superior aos 25% da dívida soberana que o governo grego diz poder pagar.
É também por isso que a Alemanha quer a Grécia fora do Euro.
Portugal vem a seguir.

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11 Responses to Portugal é a Grécia com um ano de atraso

  1. João Valente Aguiar says:

    Eu não sei se a Alemanha quer Portugal e a Grécia fora do euro. Isso pode ter riscos mto grandes para a burguesia alemã que tem utilizado o euro para sugar volumes de capital da periferia. Evidentemente, eles não querem saber dos tugas e dos gregos para nada. Se a Grécia e Portugal caírem, duvido que o euro subsista a prazo. Como é que a burguesia alemã vai dizer aos investidores americanos, chineses, japoneses, etc. que o euro é uma moeda sólida, quando dois países deram o pifo e mais uma série deles está na calha? A não ser que a burguesia alemã tenha na manga uma UE mais ariana (com a Holanda, nórdicos, e pouco mais) e apresenta uma UEM aparentemente mais sólida. Mas, lá está, duvido que isso seja suficiente para manter o euro. Até porque a burguesia mais “forte” (os EUA) não parece estar mto convencida dos passos dados pela UE. Por isso é que a única saída (e a acontecer será péssima) que a burguesia alemã sugere é uma: os Estados Unidos da Europa (ou da Alemanha se quisermos ser mais rigorosos). Se isso acontecesse teríamos uma unidade política federativa do género dos EUA, mais militarizada, com controlo orçamental e político sobre as “províncias” “incumpridoras” e, assim pensa a burguesia alemã, talvez o euro se apresentasse como uma moeda mais estável nos mercados cambiais.

    A burguesia alemã está preocupada em salvar os euros que torrou na dívida soberana da Grécia, não que o euro vá desta para melhor. Se isso acontecer isso ser-lhe-á um passo atrás.

    • Tiago Mota Saraiva says:

      João, parece-me que a Grécia não dá mais. É só osso, já não há carne. E também me parece que a burguesia de que falas (sem pátria, ainda que fale pela boca da Merkel) consegue sacar mais pelos seguros de risco do que pela Grécia.

      • João Valente Aguiar says:

        Sim, eu percebo. Mas repara. Mesmo que a Grécia (e Portugal e outros eventuais) saia do euro, a dívida não acaba. Ela terá de ser paga (para além dos seguros de risco) o que vai implicar, por um lado, a conversão cambial (que será favorável para o euro) e, por outro, a emissão provável de títulos gregos “frescos”. Mas o que continua a estar em causa para a burguesia alemã (ela tem pátria – suga capitais de outros países e tem sede na Alemanha) é que essa solução do default grego pode não ser suficiente para salvar o euro e pode ser visto pelos “mercados” (os competidores americanos) como um falhanço do euro enquanto pretensa currency estável e concorrente ao dólar. Se eu fosse um investidor não-alemão ia pensar “se estes gajos deixaram afundar um país de caca como a Grécia cair, então como podem gerir uma UEM mto mais vasta e com os problemas conhecidos na Itália, Espanha e mesmo na França, Alemanha e Bélgica”. E a notícia que mencionas vinca mto mais o pagamento da dívida (que como todos sabem nunca será paga na totalidade) o que significa que isso será para cobrir os prejuízos dos bancos alemães e franceses.

        Para resumir, se Grécia sai do euro (mesmo de forma chamada “controlada” pelo BCE) duvido mto que isso não seja a primeira peça do dominó a cair e que só pararia em Berlim.

        Uma dúvida que tenho e que se puderes gostava que me esclarecesses: quem pagaria os seguros de risco, o BCE?

        • Tiago Mota Saraiva says:

          João, não creio que a saída da Grécia, deixando claro que foi a Alemanha que a colocou fora, implique o que quer que seja com o euro. Ainda por cima, a Alemanha e os seus aliados, tem sempre a possibilidade de fazer outro euro ao lado, se não conseguir despachar pequenos tumores como a Grécia e Portugal.
          A partir do “default”, a Grécia, fará o seu caminho com os abutres do costume, fora da ordem europeia. Nada que já não tenhamos visto, ainda que haja alguns “pequenos factores” regionais que também já estarão a ter algum impacto, ou seja, uma Turquia com vontade de avançar sobre as fronteiras gregas e/ou uma extrema direita militar grega com vontade de retomar o poder.

          Quanto à tua última pergunta, julgo que sim, mas não estou certo que seja só o BCE.

          • João Valente Aguiar says:

            Eu percebo o que apresentas mas isso contradiz em grande medida o artigo que citas da tsf. Senão para quê estarem preocupados em injectar mais não sei quantos mil milhões de euros em troca do controlo orçamental grego? Ninguém investe tanto dinheiro com medo que ele não retorne (e com juros). Porque esse dinheiro será trocado por novos títulos da dívida grega, títulos “frescos” que substituem os anteriores. Eu penso que a Alemanha quer é caminhar para uns Estados Unidos da Europa como forma de manter o euro como moeda relevante a nível internacional. E para conseguir isso nada como o exemplo grego e português para mostrar ao resto da europa que os outros países só estarão protegidos se concordarem com uns Estados Unidos europeus (liderados por Berlim).

            Sobre o efeito de contaminação. Vê a crise asiática de 98 que começou nas Filipinas e só acabou na Rússia e no Brasil ou a crise de 2002 na Argentina que só parou em Wall Street e acabou com a bolha das dote-com. Numa crise não sabes onde a coisa pode parar. E não concordo com a tese do tumor. Isso era o discurso da propaganda de Bruxelas e Berlim antes do corte do rating por toda a UE. Nessa altura, o discurso de que só Portugal e a Grécia é que eram maus gestores e não sei que mais é que justificava esse discurso (que eu sei que não concordas com ele, mas é de onde vem essa teoria do tumor). Desde que a Espanha, Itália, Bélgica, Hungria e a própria Alemanha começaram a sofrer “haircuts” (é cada termo que estes gajos usam), qualquer burguês realista percebeu que a crise estava plasmada no euro e já não mais nos tumores grego e português. Nós somos apenas os elos mais fracos de uma cadeia europeia, não dois apêndices que podes cortar e inocular.

            E penso que há que distinguir por exemplo o default argentino com o grego. O argentino partiu da burguesia nacional desse país, acabou com a paridade com o dólar, prosseguiram uma política moderadamente keynesiana de investimento público e tiveram alguma autonomia no processo. No caso grego, não só a dívida continuaria a ser paga (ainda pior em dracmas) como o estado grego não fará política económica sequer keynesiana e todo o processo será conduzido por Berlim. Isto se acontecer, e se acontecer acho que é mto mais do interesse dos EUA do que da Alemanha (são igualmente maus politicamente, nem sequer estou a defender nenhum deles).

  2. manuel ralha says:

    Sobre a asserção «… a Alemanha quer a Grécia fora do Euro.»

    Trata-se de uma opinião do articulista ou de um facto conhecido?

  3. Zebedeu Flautista says:

    Bem eu considero-me um proto-nano burguês português e concordo que só se avance com mais fundos para a Grécia se houver rédea curta e supervisão externa. Caso não seja assim que não paguem nada e se reorganizem internamente como achem melhor mas sem fundos dos outros países. É que estes empréstimos da troika em grande parte são financiados pelos trabalhadores de outras nações.

  4. Zebedeu Flautista says:

    Bem eu considero-me um proto-nano burguês português e concordo que só se avance com mais fundos para a Grécia se houver rédea curta e supervisão externa. Caso não seja assim que não paguem nada e se reorganizem internamente como achem melhor mas sem fundos dos outros países. É que estes empréstimos da troika em grande parte são financiados pelos trabalhadores explorados de outras nações.

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