
Cabeças de "pixota" frita, termo usado pelos pescadores para designar a conhecida pescadinha "de rabo na boca". Servida ontem, à hora de almoço, nas cantinas da Universidade de Coimbra. (Roubado no fb da Marta Roriz)

Cabeça de garoupa com embutido de camarões, acompanhado com açorda de ovas.
Em sentido inverso ao sentido da crise e com a intenção de cultivar o gosto por cabeças de peixe na comunidade estudantil, as cantinas da Universidade de Coimbra foram promovidas a espaço gourmet. Ao invés do sensaborão rancho, célebre no tempo das vacas gordas e sempre com o toucinho mal rapado, serve-se agora cabeça de pescadinhas fritas, vulgo “pixotas”, mas desta feita sem rabo na boca. É de louvar que a formação do gosto comece cedo, que isto de yes men a yuppie são dois dias.
Que o diga o Ricardo Morgado, que com escassos 24 anos o requinte no palato já lhe permite auferir 2.505,46€ pelo cargo de ”Especialista/Assessor” do Ministério da Educação e da Ciência. Que agradeça também a “Especialista/Assessor” Joana Maria Enes da Silva Malheiro Novo, que com 25 anos, com 3.069,33€ de salário e com um nome maior do que o seu local de trabalho, presta serviço no Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, MAMAOT para o os amigos, onde bem lhe dá jeito ter aprendido a escolher peixe. Já o “Especialista/Assessor” João Miguel Folgado Verol Marques, com 24 anos e com 3.069,34€, um cêntimo a mais do que a Joana Maria Enes da Silva Malheiro Novo, faz por governar a vida no Ministério da Economia. De volta à faixa etária dos 25 anos mas ainda no campo do “Especialista/Assessor” na tutela da Economia, Ana da Conceição Gracias Duarte é agraciada com 3.069,34€. Nas Finanças, onde há mesmo quem tenha que amanhar, damos conta do oficio de “Adjunto”, onde Carlos Correia de Oliveira Vaz de Almeida, de 26 anos, ganha calos de tanto debulhar cabeças. Pelo esforço, no entanto, e pelo risco agravado para a coluna, preserva o vencimento de um especialista: 3.069,33€.
Apesar de mandar os jovens à procura de oportunidades fora do país, não se pode dizer que o governo não esteja a fazer a sua parte. O Cavaco que se roa de inveja, seja dos estudantes, seja do governo.
Fonte: http://www.portugal.gov.pt/, onde pode ainda encontrar outros 29 assessores abaixo dos 30 anos, 14 deles entre os 24 e os 25 anos. Ler ainda: http://www.portugal.gov.pt/pt/o-governo/nomeacoes/ministerio-das-financas.aspx; http://www.citador.pt/facebook/jose-rodrigues-dos-santos/site-do-governo-portugues-121130674675210; http://ironiadestado.com/; http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1947783&page=-1: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/afinal-sempre-vale-ser-jotinha.html e http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=39139.




Para mais um momento histórico-cultural, recordo a origem do termo pichota (ou pixota) usado por pescadores para designar a pescada. Em português antigo, da época moderna, a pescada era conhecida como peixota (ou peichota).
Uma reportagem elucidativa dos tristes que nos governam e se governam
Infelizmente a história não é suficiente para educar ,
em Versalhes também se riam
… até que !!!
Pingback: Inveja social. « vida breve
Jovens de sucesso que, seguindo o conselho do Passos e do Relvas, emigraram para um país chamado Especialista/Assessor.
Contribuo com mais um adjunto e uma secretária (esta está um pouco abaixo do padrão referido, mas deve ser um dos custos de não ser da “Linha”): http://thecatscats.blogspot.com/2011/08/uma-breve-analise-composicao-dos.html
Nisto de jovens é como tudo na vida: há-os para todos os gostos. Há aqueles que constroem uma vida sobre os alicerces seguros do seu trabalho, da sua competência, da sua verticalidade e da sua frontalidade; e há os outros, os que, desde muito cedo, demonstram a hipertrofia do órgão que é o mais seguro carburante da sua meteórica ascenção profissional : a sua língua suave, que acarícia, com estudada meiguice, os cus no poder. Os primeiros, põem-se a andar daqui para fora; os segundos, não só cá ficam, como iniciam a sua paulatina, contudo firme, caminhada em direcção aos mais altos cargos da Nação. Ditosa a Pátria que tais filhos tem! Glorioso será o seu futuro.
Sem mais.
Só para dar um apontamento que se passou comigo:
Há cerca de um ano fazia eu parte de uma agremiação que se bate pelos direitos dos trabalhadores do sistema científico, quando numa reunião no Palácio das Laranjeiras com o então SE Manuel Heitor, o boy assessor (- de 25 anos seguramente) se dignou a adormecer a meio da reunião certamente reconfortado pelo farto almoço que havia ingerido e que o percipitou nos braços do morfeu…
O meu pai sempre me disse que para me safar devia arranjar um cartão laranja ou rosa… bem parvo fui eu que não segui o conselho…
Pingback: More jobs for the boys da São Caetano à Lapa e more shit for the boys de Rabo de Peixe | cinco dias
Que há boys há, e sempre haverá, porque onde há partidos há boys e girls, todos óbviamente com um elevadíssimo potencial na opinião dos seus correlegionários e mentecaptos perigosos para os opositores.
Mas o problema é haver os lugares para os boys na função pública, esse mundo de regras e regulamentos.
Quantos adjuntos pode ter um adjunto? E o adjunto do adjunto?
Isso é que eu gostava de saber.
O terrorismo verbal não passa disso, e tanto me faz um boy jovem como um velho uma vez que não seja mais que isso e coma dos meus impostos.
Fica é mais difícil argumentar com a sua excelsia competência e experiência profissional.
Eis uma resposta típica de.
E que,perdoe-se a inconfidência,me irrita solenemente.
A história das inevitabilidades cheira sempre a esturro.Cheira sempre a compromisso com o status quo.Sem a coragem de o assumir
(pobres há…sempre os haverá….lembram-se da cantilena?)
(Qual terrorismo verbal,qual carapuça.
Terrorismo é o que quotidianamente assistimos por parte deste poder neoliberal a roçar tiques fascistoides.)
A função pública reduzida a um “mundo de regras e regulamentos”(este paleio da escola de Chicago a tentar espalhar-se subrepticiamente),
enquanto vamos vendo que a questão dos boys e girls tem afinal umas “patas” pequenas.Vai apenas até aos impostos pagos por tão excelsa personagem.
Seria cómico se não fosse risível.
Vocês são é uns invejosos. Mas fiquem sabendo que para se chegar a estes cargos esta malta teve que lutar arduamente desde muito cedo, tão cedo que alguns começaram logo pelo nascimento. Como se isto não bastasse, é de louvar a empregabilidade dos cidadão portadores de deficiência motora. Estes senhores e senhoras sofrem de uma doença vulgar mas altamente incapacitante, conhecido por provocar limitações ao nivel da opinião própria, da capacidade critica, conhecido popularmente como o síndrome do “Sim Senhor”, que se manifesta fisicamente por um constante balançar da cabeça para a frente e para trás.
Termino como comecei. Os senhores são é uns invejosos e por isso só tenho a dizer o seguinte: Trabalhem, que lá chegarão!!