Proencianismo

João Proença é um caso de estudo. Não há vestígios da espinha partida.
Repare-se que desanca no acordo da troika que o partido do qual era e é dirigente promoveu e/ou declara ter sido pressionado por dirigentes da CGTP para assinar negociar.
Um e outro argumento, são extraordinários tiros nos pés da sua integridade.

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11 Responses to Proencianismo

  1. Antónimo diz:

    declara que foi pressionado para “negociar”, não para “assinar”

    “isso fi-lo, por que qui-lo”, diz.

  2. Nightwish diz:

    Mas… Que integridade? Essa necessidade é igual tanto para ele como a um grande conjunto de políticos: muito pouca, que isto joga-se por cor clubística.

  3. Carrocel diz:

    Montaste a imagem em Photoshop ou pagaste direitos de autor? É que esse pé não é do australopiteco do “J.proeza” e essa bala tampouco foi declarada. Veja lá, se tem a papelada digital toda regularizada que um dia destes ainda lhe aparecem aí em casa os fomentadores dos “indignados amburgueses” e levam-no preso.

    P.S- Uma outra pergunta: este blog tem um filtro pidesco ou são só algumas convulsões feministas mal resolvidas?

    Abraços

  4. tric diz:

    ele é Maçon…outros interesses se levantam mais importantes que os trabalhadores!!! o Maçon Pedro Proênça fez um finca pé por causa dos feriados civil, 5 de Outubro, mas esqueceu-se de fazer um finca pé sobre a urgência das renegociações publico-privadas cuja a uusencia tem prejudicado e muito os trabalhadores portugueses!! A Maçonaria até controla sindicatos…

  5. Anónimo diz:

    Já há reacções à assinatura do acordo por parte dos sindicatos filiados na UGT? É que até agora só tenho visto críticas de quem não é filiado, o que é estranho uma vez que a UGT não os representa.

  6. Bruno Simão diz:

    Houve a sonora reacção de Torres Couto, antigo secretário geral da UGT. Houve a posição do SITRA – sindicato dos trabalhadores dos transportes afecto à UGT http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2246672 , e também o Sindicato do Enfermeiros se demarcou do acordo. http://www0.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=8&t=Sindicato-dos-Enfermeiros-classifica-acordo-de-concertacao-social-como-uma-violencia.rtp&article=519172

  7. Pedro Lourenço diz:

    Basta pensar um bocado – vá lá um bocadinho, não é preciso ser muito até porque convém evitar que o comité central desconfie que se anda a pensar pela própria cabeça – para perceber que a CGTP tinha muito – para não dizer tudo – a perder caso não fosse assinado qualquer acordo.

    A partir daqui, cada um que tire as conclusões que quiser.

    Aliás, o ataque sem tréguas a um sindicalista do centrão também diz muito sobre a tentativa de branquear o papel da CGTP no meio deste processo todo, onde todos ganham, menos os trabalhadores que todos os dias vêm os seus direitos diminuirem. Há uma expressão popular que define bem o papel que o Proença faz no meio disto tudo: bode expiatório.

  8. Gentleman diz:

    Proença adoptou a posição mais racional. E, com isso, contribuiu para expurgar a Lei portuguesa de um conjunto de salvaguardas que só beneficiam os madraços.

  9. Carrocel diz:

    Há que estar na vanguarda da europa e portugal sempre esteve na ponta do martelo pneumático.
    Não nos podemos esquecer, que os trabalhadores portugueses são os que mais trabalham, e por isso mesmo, os que menos se devem preocupar em proteger-se do trabalho e dos patrões.
    São os mais duros, os melhores do mundo e os mais valentes e originais.
    Protecção laboral para quê, se sou um português cabeça de martelo?

    Leiam este poema do Cesário Verde e as vossas dúvidas sindicais portuguesas resolver-se-ão:

    “Desastre”

    Ele ia numa maca, em ânsias, contrafeito,
    Soltando fundos ais e trémulos queixumes;
    Caíra dum andaime e dera com o peito,
    Pesada e secamente, em cima duns tapumes.
    A brisa que balouça as árvores das praças,
    Como uma mãe erguia ao leito os cortinados,
    E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
    Trazendo em sangue negro os membros ensopados.
    Um preto, que sustinha o peso dum varal,
    Chorava ao murmurar-lhe: “Homem não desfaleça!”
    E um lenço esfarrapado em volta da cabeça
    Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.
    Flanavam pelo Aterro os dândis e as cocottes,
    Corriam char-à-bancs cheios de passageiros
    E ouviam-se canções e estalos de chicotes,
    Junto à maré, no Tejo, e as pragas dos cocheiros.
    Viam-se os quarteirões da Baixa: um bom poeta,
    A rir e a conversar numa cervejaria,
    Gritava para alguns: “Que cena tão faceta!
    Reparem! Que episódio!” Ele já não gemia.
    Findara honradamente. As lutas, afinal,
    Deixavam repousar essa criança escrava,
    E a gente da província, atónita, exclamava:
    “Que providências! Deus! Lá vai para o hospital!”
    Por onde o morto passa há grupos, murmurinhos;
    Mornas essências vêm duma perfumaria,
    E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
    Numa travessa escura em que não entra o dia!
    Um fidalgote brada a duas prostitutas:
    “Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!”
    Bisonhos, devagar, passeiam recrutas
    E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.
    Era enjeitado, o pobre. E, para não morrer,
    De bagas de suor tinha uma vida cheia;
    Levava a um quarto andar cochos de cal e areia,
    Não conhecera os pais, nem aprendera a ler.
    Depois da sesta, um pouco estonteado e fraco,
    Sentira a exalação da tarde abafadiça;
    Quebravam-lhe o corpinho o fumo do tabaco
    E o fato remendado e sujo da caliça.
    Gastara o seu salário – oito vinténs ou menos-,
    Ao longe o mar, que abismo! e o sol, que labareda!
    “Os vultos, lá em baixo, oh! como são pequenos!”
    E estremeceu, rolou nas atracções da queda.
    O mísero a doença, as privações cruéis
    Soubera repelir – ataques desumanos!
    Chamavam-lhe garoto! E apenas com seis anos
    Andara a apregoar diários de dez-réis.
    Anoitecia então. O féretro sinistro
    Cruzou com um coupé seguido dum correio,
    E um democrata disse: “Aonde irás, ministro!
    Comprar um eleitor? Adormecer num seio?”
    E eu tive uma suspeita. Aquele cavalheiro,
    – Conservador, que esmaga o povo com impostos-,
    Mandava arremessar – que gozo! estar solteiro!
    Os filhos naturais à roda dos expostos …
    Mas não, não pode ser… Deite-se um grande véu …
    De resto, a dignidade e a corrupção … que sonhos!
    Todos os figurões cortejam-no risonhos
    E um padre que ali vai tirou-lhe o solidéu.
    E o desgraçado? Ah! Ah! Foi para a vala imensa,
    Na tumba, e sem o adeus dos rudes camaradas:
    Isto porque o patrão negou-lhes a licença,
    O Inverno estava à porta e as obras atrasadas.
    E antes, ao soletrar a narração do facto,
    Vinda numa local hipócrita e ligeira,
    Berrara ao empreiteiro, um tanto estupefacto:
    “Morreu! Pois não caísse! Alguma bebedeira!”

    Neste tempo não haviam sindicatos mas já existiam portugueses; deste modo a essência perdura e o sumo é o mesmo!

    Viva o Cataclismo Nacional…amanhã vemo-nos na Manif!

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