Até Amanhã, Camaradas!

Participa na Manifestação, às 15h no Marquês de Pombal, e parte rumo a São Bento para tomar a palavra, a proposta e o voto, na Assembleia Popular que se vai realizar às portas da Assembleia da República. Vai ser o princípio do fim do Passos Coelho e o fim do princípio da austeridade que ainda só agora começou, se nada fizermos.

 

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13 respostas a Até Amanhã, Camaradas!

  1. Carrocel diz:

    portugal é tão mau, que até a esquerda é burguesa!
    JUNTA-TE AO MOVIMENTO DO CATACLISMO. (que rima com autoclismo)

    Amanhã também estaremos lá mas disfarçados de policias, a nossa intenção é apenas inverter os acentos aos “residúos”.

    Até amanha….por favor não me censurem mais comentários senão tenho que fazer um blog cigano em paralelo.

  2. Viva o voto, morte ao consenso!

    a malta aí em baixo não olha para o que se está a fazer pelo mundo fora? em nova iorque, em madrid, em barcelona, em londres, a malta decide por consenso pá. e, por alguma razão, o movimento é mais sólido lá do que aqui.

    • Renato Teixeira diz:

      Francisco, em todos os lados há Assembleias em que se vota, e outras em que se opta pelo consenso. Dizer que umas são sólidas e outras frágeis, desculpar-me-ás, mas é messianismo. Em Portugal, que é onde estamos, a experiência do voto popular de democrático tem deixado mais gente satisfeita do que aquelas onde a busca incessante pelo consenso esvazia, bloqueia, divide e leva cada um de volta para os seus grupos de afinidade mais directos. Unidade não é unicidade e em Assembleias com mais de cem pessoas a imposição do consenso não é só tolo, é anti-democrático.

      • Ahahaha, épico. Já estava mesmo a ver que ia sair uma resposta dessas.

        Curioso que o Occupy Wall Street, as assembleias em Espanha e o Occupy London, todos funcionam por consenso. E confesso que nunca ouvi queixas a esse funcionamento por parte de pessoas que participaram e se sentiram insatisfeitas. O consenso, por ser inclusivo, conseguiu que existisse um envolvimento enorme com a população e um crescimento desmesurado do movimento.
        Aí de Lisboa, pelo contrário, chegaram dezenas de críticas logo em Maio, com o início da Acampada Lisboa. Não só de tresloucados anarquistas, mas também de pessoas comuns. E, como se viu, as assembleias que inicialmente atingiram as 500 pessoas, no fim não passavam de umas poucas dezenas. E, para além disso, toda essa dinâmica, essa sim, levou a que acabasse não só a unidade no movimento (agora há uma data de grupos) mas também a continuidade (acabou a Acampada Lisboa e acabaram as Assembleias Populares, depois lá surgiu a plataforma 15O e depois ainda o ocupar lisboa – já para não falar dos Indignados Lisboa que apareceram logo em Junho). Nada dessas desunidades aconteceram noutros sítios (salvo raras excepções, em que surgiram grupos na sequência do 15M espanhol e outros na sequência do OWS).

        Mas pronto, vai repetindo lá essa cantiga para ti e para os outros.

        “o consenso esvazia, bloqueia, divide e leva cada um de volta para os seus grupos de afinidade mais directos”
        “o consenso esvazia, bloqueia, divide e leva cada um de volta para os seus grupos de afinidade mais directos”
        “o consenso esvazia, bloqueia, divide e leva cada um de volta para os seus grupos de afinidade mais directos”

        • Renato Teixeira diz:

          Francisco, o único que parece repetir lenga-lengas és tu. Aqui o método é que já nem se discute. Quanto às Assembleias Populares por esse mundo fora estás enganado, mesmo nos três sítios que referes. Onde deixou de se votar passaram a acontecer com mais frequência repetitivos comícios que segregaram toda a diferença.

          Mas claro, o Francisco é que sabe e um ano depois de se começar a discutir método (e de se ter ensaiado tudo no Rossio), quer voltar à estaca zero.

          Isso, em paralelo à decisão de não se participar nas acções sindicais, de se marcar manifestações em nome dos outros e contra-assembleias parece-me um caminho que só leva ao isolamento. Fazer política é também trabalhar com quem não pensa o mesmo da vida do que nós, e andar para a frente significa que em determinado momento, e ainda bem, haverá alguém menos satisfeito. Ai caro Francisco, não basta rir ou repetir. É mesmo preciso convencer.

          • Eu estou a repetir lenga-lengas? xD pelo menos não minto, pá.
            Anyway, isso de aí já nem se discutir o método é uma pena. Nós aqui em Coimbra trabalhamos por consenso e ainda se discute o método, de vez em quando.

            Só para esclarecer, antes de continuar:
            – Occupy Wall Street e Movimento Occupy
            http://occupywallst.org/about/
            «The occupations around the world are being organized using a non-binding consensus based collective decision making tool known as a “people’s assembly”.»
            – Occupy the London Stock Exchange
            http://occupylsx.org/?page_id=500
            «The General Assembly is a gathering of people committed to discussing issues and making decisions based upon a collective agreement or “consensus”. There is no single leader or governing body of the General Assembly – everyone’s voice is equal. Anyone is free to propose an idea or express an opinion as part of the General Assembly.

            So that people have time to think about the issues and decisions that are coming up, discussion topics and proposals for consensus are scheduled in advance. A facilitator guides the General Assembly through an agenda created within open planning meetings.»
            – Movimento 15M Madrid (acampada sol, assembleias de bairro e de “pueblos”)
            http://madrid.tomalaplaza.net/2011/05/31/guia-rapida-para-la-dinamizacion-de-asambleas-populares/
            «¿Qué tipos de Asamblea empleamos hasta la fecha? Asambleas de Grupos de Trabajo, Asambleas de Comisiones, Asambleas de Barrio (cada barrio, pueblo y localidades) Asambleas Generales base de acampadasol y Asambleas Generales base de Madrid (acampadasol + barrios pueblos y localidades). Éstas (Generales) son la última instancia deliberativa, a partir de la cual se adoptan los consensos finales para articular las distintas líneas de Acción Conjunta del Movimiento 15-M de cada ciudad.

            ¿Qué es un Consenso? Es la forma de decisión final de las Asambleas en cada propuesta concreta que se comparte. Las propuestas pueden ser presentadas desde una Comisión, desde un Grupo de Trabajo o desde una persona a título individual. El consenso se alcanza cuando en la asamblea NO hay ninguna postura rotundamente en contra con la presentada»
            Em Madrid, o movimento tomou proporções tão grandes que, efectivamente, nem sempre se decide por consenso. Mas há uma diferença – lá, o objectivo é SEMPRE atingir o consenso: discutir ideias e, colectivamente, chegar a algum lado que satisfaça minimamente todas as pessoas. Não se disputam maiorias, lá.
            Quando, depois de se tentar exaustivamente chegar a consenso, este não é atingido, então decide-se por “consenso não unânime” («Adhesiones y disenso: Si el disenso es superior a 20 personas se formara por parte de estas personas un grupo de trabajo sobre ese disenso. Si no llega a ese numero se aprobará por consenso no unánime.» em http://madrid.tomalaplaza.net/2011/06/05/dinamizacion-de-asambleaspropuestas-de-incorporacion-metodologicas-para-la-asamblea-general/)

            Disseste tu, no teu ultimo comentário:
            «Onde deixou de se votar passaram a acontecer com mais frequência repetitivos comícios que segregaram toda a diferença. »
            Onde deixou de se votar? Mas queres manipular quem? No OWS, em Londres, em Espanha SEMPRE se decidiu por consenso. Nunca houve decisões por maioria.
            E, por alguma razão, os movimentos lá estão a um nível muito mais avançado do que aqui.
            Aliás, os espaços onde se decide por maioria são muito mais apetecíveis para aqueles que adoram fazer comícios. Afinal, uma maioria disputa-se, enquanto o consenso se constrói colectivamente.

            «Mas claro, o Francisco é que sabe e um ano depois de se começar a discutir método (e de se ter ensaiado tudo no Rossio), quer voltar à estaca zero.»
            Ai, o bicho da discussão! Se a malta começa a discutir o métodos outra vez pode correr mal, pá. Ainda acabam os comícios, não é Renato?
            Anyway, achas que no Rossio correu bem? Não sei em que mundo vives, pá.
            – As principais críticas que ouvi e li quanto à AcampadaLisboa, não só por parte de “activistas” já com experiência mas também da população em geral, foi que aquilo estava inundado de partidos e de discursos que se podiam muito bem ouvir nos tempos de antena
            – No Rossio, não houve dinâmica de crescimento
            – Da AcampadaLisboa, actualmente, não resta nada. O único colectivo assembleário que nasceu na altura e que se mantem activo foi o que foi formado pelos que tu apelidaste de “extremistas anarquistas” (ou algo do género) que saíram da Acampada – os Indignados Lisboa. E a única organização popular de base que existe hoje em Lisboa são as Assembleias Populares de Bairro que, curiosamente, também foram incentivadas pelos Indignados Lisboa (mas são totalmente independentes).

            «Isso, em paralelo à decisão de não se participar nas acções sindicais, de se marcar manifestações em nome dos outros e contra-assembleias parece-me um caminho que só leva ao isolamento.»
            Juro-te que esta não percebi. Não sei de quem estás a falar mas, já agora, gostava que me esclarecesses.

            «Fazer política é também trabalhar com quem não pensa o mesmo da vida do que nós, e andar para a frente significa que em determinado momento, e ainda bem, haverá alguém menos satisfeito.»
            Curioso, penso exactamente o mesmo e é isso que defendo. Trabalhar conjuntamente com quem não pensa o mesmo que nós é possível através do consenso. Por maioria, também pode haver cooperação e trabalho conjunto, mas a maior parte das vezes caga-se para a cooperação e o trabalho conjunto e disputa-se a maioria (ou, pior, as decisões tomam-se consoante que grupo consegue mobilizar mais gente). O que é uma pena.
            Trabalhar com quem pensa diferente de ti não é tentar convencer, é ires também tu aberto a ser convencido. É saber trabalhar de maneira a atingir-se um ponto que agrade a todos, é ter um método inclusivo (como o consenso) em vez de um método exclusivo (como a maioria), em que a minoria (independentemente do seu tamanho) pode não se rever repetidamente nas posições tomadas pelo grupo e acaba por ser excluida.

      • Ah, e esqueci-me de outra coisa. Nesses sítios todos as assembleias têm mais de 100 pessoas. E nos casos em que as assembleias populares tomaram proporções realmente gigantescas, a malta dividiu-se e foi para os bairros (como faz sentido). E tudo funciona, curiosamente.

        • Renato Teixeira diz:

          Numas decide-se, noutras não. Estou certo que as primeiras são substancialmente mais combativas, diversificadas, democráticas e inclusivas.

        • Caxineiro diz:

          desculpe lá por interferir mas penso que esta discussão tambem é comigo
          Sou operário, do norte, e queria dizer que tambem já embarquei nessa coisa dos consensos até perceber que o patrão arranjava sempre um lacaio ou dois para furar qualquer possibilidade de entendimento entre as diversas sensibilidades em confronto.(isto não é só polícias nas manifs) Ficávamos sempre parados
          Hoje, discute-se, vota-se e avança-se para a ação. Se durante a discussão conseguimos consenso, porreiro pá
          Tem resultado

          • Renato Teixeira diz:

            Ora!

          • Nas discussões entre patrões e trabalhadores existem, claramente, interesses antagónicos entre classes antagónicas. Nesses casos, é natural que o consenso não seja possível, pelo menos a maior parte das vezes.

            Já quando se fala de espaços de organização popular de base, como as Assembleias Populares, não existem, à partida, tais interesses antagónicos. Existem, sim, pessoas com interesses comuns e com objectivos mais ou menos comuns que, pelo menos na minha opinião, faz sentido que discutam e tentem chegar a pontos comuns (mesmo que demore mais tempo), em vez de correrem imediatamente para votações.
            Claro que certas decisões não têm que ser adiadas infinitamente por haver meia dúzia de pessoas a bloquear o processo. Já houve desses casos no movimento em Espanha e optou-se pelos 4/5 ou pelo consenso não unânime, em casos de menos de 20 pessoas a opôr-se.
            A diferença é o espírito com que se vai para essas assembleias: tentar encontrar consenso ou correr imediatamente para a maioria.

          • Renato Teixeira diz:

            Mas alguém consegue maiorias se não tiver tentado o consenso, sobretudo por via da clareza e justiça da sua proposta?

            Eu não conheço Assembleias Populares que não estejam sujeitas a interesses antagónicos. Na Assembleia Popular do 15 de Outubro, por exemplo, houve um nacionalista que conseguiu falar e uma vaia no momento em que defendeu que os nacionais tenham prioridade no emprego face aos imigrantes, silenciou-o. Não vejo nada mais democrático e no caso, nem foi preciso chegar ao voto. Noutras houve, também lá por fora, em que tipos que defendem os interesses dos patrões tomaram a palavra, a proposta e o voto. Ou que não abrindo a boca usavam do voto para bloquear as decisões e o avanço dos processos. Fazer uma Assembleia Popular é fazer algo que nos permite descobrir onde podemos fazer coisas juntos, os pontos de contacto, mas sem ser fetichista de uma unidade que não existe nem é desejável que exista.

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