Não, obrigado, não quero recibo

Não sou fiscal do Estado, nem este me paga para andar à cata de impostos alheios. Nem sou assim tão lorpa que vá voluntariamente pagar por um bem ou serviço mais 23% do que ele me custaria sem recibo. Não, não peço recibo. E mesmo que pague o mesmo, só peço recibo se tiver alguma vantagem nisso. Caso contrário, não, não peço recibo.
Se querem que eu peça recibo, aprendam a ser justos. Aprendam a governar. Caso contrário, não vou pedir recibos para ajudar a pagar os motoristas de 21 anos do Francisco José Viegas que recebem 1600 euros por mês; ou as 1097 nomeações de Passos Coelho; ou as trocas de boys e respectivas indemnizações; ou os Grupos de Trabalho criados pelo Relvas; ou os benefícios fiscais da Banca e das SGPS; ou os salários milionários dos Catrogas deste país; ou os inúteis Planos Nacionais de Barragens; ou os Subsídios de Férias e de Natal do Cavaco e dos demais reformados do Banco de Portugal. Ou para andarem a cortar apenas aos mais pobres.
Não, enquanto não houver justiça e equidade fiscal em Portugal, não tenho qualquer motivo para pedir recibo.

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44 Respostas a Não, obrigado, não quero recibo

  1. a anarca diz:

    Concordo :)

  2. Samuel B diz:

    Por acso até tem! E muitas são as razões para pedir recibo mas podia ser só esta: http://economia.publico.pt/Noticia/defice-de–2010-ficaria-em-29–se-a-economia-paralela-pagasse-20-de-imposto–1529241.

    Caso assim fosse, não estariamos nesta situação.

    Uma ideia a reter: Se todos pagarmos os impostos, pagaremos todos menos impostos.

    resta saber quem tem coragem para começar…

  3. i.tavares diz:

    Meu!! Qual é o problema do Francisco José Viegas,ter um motorista de 21 aninhos.É preciso dar emprego aos jovens.Nada de discriminações.

  4. i.tavares diz:

    Hummm!! Sendo assim,cheira-me a esturro.

  5. Grevista diz:

    Com franqueza não percebo de que forma isentar negócios do pagamento do IVA, mas não apenas do IVA na medida em que faturação não documentada pode igualmente servir para fugir a outros impostos sem precisar de mudar a sede fiscal para a Holanda, pode de forma alguma ser um acto de protesto. Mas enfim.

  6. Carlos Carapeto diz:

    Nunca pedi recibos, enquanto for para alimentar lorpas como muito bem diz o Ricardo, não os vou pedir .
    O meu dinheirinho em vez de ir parar às mãos de parasitas que não conheço, que só querem viver à pala do meu trabalho, prefiro deixa-lo nas mãos daqueles que vivem com as mesma dificuldades que eu. Porque esses ainda têm mais larápios a assalta-los, começando na ASAE, passando pelas brigadas de trânsito que só fiscalizam viaturas de trabalho, até aos “técnicos” da segurança alimentar, os desgraçados dos pequenos comerciantes têm que satisfazer o apetite canino de toda essa matilha de hienas forazes.

    Os “tasqueiros” por vezes ainda têm a condescendência de me dizerem, pagas amanhã, não me cobram juros.

    Preocupa-os tanto a não passagem de recibos e não os preocupa os milhares de milhões transladados para os paraisos fiscais?
    Não os preocupa o roubo à Segurança Social por parte das empresas de trabalho temporário?

    A resposta a essa cambada deu-a Luís Pacheco. Vão para a puta que os pariu.

  7. kirk diz:

    Já vos percebi, pequeno burgueses radicais de fachada socialista, que têm peninha dos comerciantes pequenos e grandes, não esqueçamos, incluindo a GALP, os Pingos-Doces, em resumo tudo o que é empresa a viver á pala dos palermas que, trabalhando por conta doutrem, não tem maneira de se esquivarem aos impostos. Se vocês meus pequeno-burgueses, revolucionários de mesa de café, que gostam é de fazer birras, se deixassem de merdas e se solidarizassem com quem é OBRIGADO a pagar impostos e pedissem mesmo os recibos? E depois vão-se masturbar para o Rossio armados em amigos dos trabalhadores? Deixem-se de merdas e de birras, ok? Já agora porque não uma declaração de interesses? É que me cheira que alguns de Vcs. não devem pagar impostos.
    K (sargento)

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Deixe-me entender o comentário do educado sargento Kirk: sabe que eu sou um pequeno burguês de fachada socialista, sabe que tenho pena dos comerciantes, sabe que eu sou de Lisboa, sabe que não pago impostos.
      Infelizmente, o sargentão Kirk não acerta uma: não sou um pequeno burguês, não tenho pena dos comerciantes, não sou de Lisboa e, por trabalhar por conta de outrem, não faço outra coisa que não seja pagar impostos.
      O preconceito é fodido, sargentão Kirk. Tão fodido como eu dizer, sargentão, que se calhar é um dos que vai receber subsídio de férias e de natal este ano.

      • kirk diz:

        Mea culpa, mea culpa, mea culpa. Ok vocês, que defendem que não se deve pedir recibos se não houver nada aganhar com isso, pagam todos impostos, concedo.
        Porém, vejamos, os argumentos que usam para não pagar impostos podem ser usados por todos aqueles que diariamente fogem ao pagamento dos mesmos. Qualquer comerciante, pequeno ou não, pode igualmente dizer que nao paga para nao alimentar as benesses que alguns recebem do governo. Ora bem, nisto ou há moralidade ou comem todos. Os senhores podem fazer o que bem quiserem com os vossos impostos, inclusivé pagá-los alegremente enquanto outros, porventura com melhor capacidade para os pagar, não pagam. Eu ignoro quer tipo de sociedade é que os meus caros defendem; não sei se são ou não a favor de tratamento igual para todos os contribuintes, mas dá a ideia que não. Vocês são objectivamente a favor de que, quem não pode esquivar-se que alombe com a factura e quem puder safar-se que o faça, mesmo que andem a roubar quem trabalha, muitas vezes pagando ordenados miseráveis.
        Por mim, sou a favor de ser tratado em pé de igualdade com qualquer outro contribuinte e que qualquer contribuinte seja tratado em pé de igualdade comigo. Eu não vou ficar á espera da sociedade igualitária para podermos ser todos tratados da mesma maneira. Eu faço questão de que mesmo agora sejamos todos tratados de forma igual e, então, se isso meter impostos nem se fala. Eu não sou a favor de gajos a “dar o golpe na fila” enquanto outros esperam a sua vez e é isso que me parece que os meus caros defendem.
        E já agora sabe com certeza que, para alem daqueles destinatarios que refere no seu post, é com os impostos, que nem todos os que podem pagam, que se alimenta um dos bons Serviços de Saude da Europa e queo governo quer destruir alegando a sua insustentabilidade.
        K
        ps1: oops, como é que Vc sabe que vou receber os subsidio de natal e de férias?!
        ps2: o meu comentário anterior era mesmo só para os pequeno-burgueses da fachada socialista; se o meu amigo não é PBFS não é com certeza o destinatário do meu azedo palavreado.
        K

        • Ricardo Santos Pinto diz:

          Kirk, sei tanto que o senhor vai receber os subsídios como o senhor sabe que eu sou de lisboa e não pago impostos.

      • De diz:

        Independentemente de outras considerações,
        …esta resposta é notável

  8. João Pimenta diz:

    Os talões do Continente e do Pingo Doce não servem de recibo porquê? Não devia de ser obrigatório passar logo um documento válido?
    Eu não peço recibo porque não sou fiscal das finanças, se o serviço não tem capacidade para fiscalizar é porque afinal não tem os meios humanos suficientes, não será?

  9. Ana diz:

    A mim o que me parece é que o Sr. Ricardo Santos Pinto tem a sorte se nunca se ter sentido prejudicado directamente pelas consequências de atitudes semelhantes a esta que aqui defende.
    Já eu talvez vítima de má sorte crónica, sei a revolta que sente quando depois nos ser negada uma bolsa pelos serviços de acção social de uma Universidade, porque os pais têm a “sorte” de serem obrigados a declarar os seus salários brutos que colocam a família acima do valor de um salário mínimo per capita, descobrimos que os colegas a quem foram atribuídas as bolsas de maior valor são exactamente os filhos de cidadãos cujos negócios apenas facturam o suficiente para que seja atribuído um veiculo da empresa aos filhos.
    Mas, que se há-de fazer? Pelos vistos, lorpas sempre foram os meus pais, porque numa vida inteira de trabalho nunca tiveram esperteza suficiente para deixarem de trabalhar por conta de outrém.
    Lorpas são aqueles que acreditam que se todos pagarem a parte que lhes cabe, todos pagamos menos.
    Lorpas são os que consideram que a forma de uma sociedade evoluir é fazer a coisa correcta para poder exigir aos outros e ao Estado que também o façam.
    Lorpas são os que pagam voluntariamente 23% a mais por um bem ou serviço.
    Esperto é o Sr. Ricardo Santos Pinto que usufrui exactamente das mesmas infra-estruturas e serviços dos Estado que eu, por 23% a menos do custo.
    Muitos parabéns! Quando for grande talvez eu tenha a sorte de vir a ser igualmente iluminada. Pena é que já tenha passado a minha fase de crescimento…

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Claro que sim, Ana. Tenho a certeza que, quando chamar a casa um picheleiro ou um electricista, vai pedir o recibinho, para poder pagar, alegremente, mais 23% de IVA. Faz bem.

  10. Pedro M diz:

    Que grande disparate. Não paguem impostos e mais depressa aniquilamos a educação e a saúde e nos aproximamos do objectivo-Somália.

  11. Credo! diz:

    Este pessoal que advoga o não pagamento de impostos dispensa os serviços do Estado? Põe os meninos no colégio, vai ao médico particular? Ou como são espertos esperam que sejam os “camelos” de sempre (os trabalhadores por conta de outrem) a pagar para eles?
    Os impostos são uma fatalidade para quem quer viver em sociedades organizadas. Não querem pagar: abalem para a Somália, Guiné Nova-Papua, Ruanda. Por lá, se calhar não existem impostos.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Se calhar pago mais impostos do que o Credo. E pago porque não tenho como fugir. É engraçado como vocês sabem sempre tanto da vida de quem escreve.

      • kirk diz:

        Ricardo, até agora limitou-se a responder com umas “bocas”. Ok, eu também faço isso ás vezes.
        Agora pode explicar á plateia os fundamentos ideologicos, politicos ou o que quer que seja, que não passe apenas pela raiva contra o governo actual, porque é que sustenta que, objectivamente, haja gente que não deve pagar impostos, quando é sabido que para os comerciantes pagarem impostos é necessario pedir facturas, tal como quando vai a um médico lhe dão um recibo do que paga, seja no publico ou no privado? Se for para repetir a conversa do governo andar a fazer mau uso dos nossos impostos e, logo, não os devemos pagar, então não vale a pena responder, ok?
        Já agora, eu pago impostos porque acho que é um dever de quem vive, como alguém diz atrás, em sociedades organizadas; porque quero poder ir ao médico do serviço público, e que os meus filhos vão á escola pública, etc..
        Obrigado
        K

        • Ricardo Santos Pinto diz:

          Kirk, limitei-me a responder no mesmo tom dos seus comentários.
          Se ler com atenção o meu post, irá ver que eu não sou contra o pagamento de impostos nem acho que há gente que não deve pagar. O Estado tem todo o direito de controlar o pagamento de impostos e de fiscalizar da forma que entender – não contará é comigo para isso.
          E até dei um exemplo concreto. Chamo um picheleiro, um electricista, etc., e sei que vou pagar mais 23% se lhe pedir recibo. Suponho que o Kirk peça sempre recibo e não se importe de pagar. Sem ironias, acho que faz bem.
          Quanto ao resto, pago todos os meus impostos, exactamente como o Kirk.

      • Samuel B diz:

        Ricardo,

        O problema começa extamente aí: “…E pago porque não tenho como fugir…”

        como disse inicialmente, o problema é precisamente o facto do Ricardo se pudesse na pagava. Ora, se o Ricardo não paga, quem é que vai pagar: a escola dos seus filhos, ou até a escola onde andou, o hospital onde nasceu, a estrada da rua da sua casa, etc etc etc. São tantos os exemplos de coisas que nós tomamos como certas que só existem porque alguém as pagou. Os que não poem fugir (o seu caso), os que podem mas não fogem e os que pdem recibo/fatura).

        Se deixar de lado a sua frustação mimada, verá que os seus impostos valem milhões… E como precisamos deles agora meu caro.

        PS: Só para assinalar que os impostos que paga não são necessariamente utilizados apenas em seu proveito, mas sim para o bem público de uma sociedade. Sociedade essa, que se quer solidária e justa. Ou não? tem a palavra…

        Cumprimentos

        • Ricardo Santos Pinto diz:

          Não pagava pelas razões que já referi no post.
          Em meu proveito? Não é isso que me interessa nem me motiva no que escrevo. Sou funcionário público e, apesar da redução dos salários e dos cortes do subsídio, ainda posso considerar-me um privilegiado relativamente a milhares e milhares de cidadãos portugueses que não têm sequer como alimentar-se correctamente. É sobreutdo por causa desses que me revolta a forma como os nossos impostos são gastos.

          • Samuel B diz:

            O que o Ricardo escolhe é o lado do problema e não da solução. Por sinal o mais fácil. Porque dificil é cumprirmos e não olharmos para o nosso umbigo.

            O Ricardo acha que não tem que pedir o recibo. Ora essa, então mas não é o dever de todos cuidarmos do que é nosso? Então o Ricardo por discordar do fim a que se dá aos seus impostos, escolhe por não pagar (se pudesse) e não por votar ou até candidatar-se. Impossivel? Impossivel é vivermos numa sociedade onde cada um pensa por si. Impossivel é se todos, repito todos, pesarmos dessa maneira.

            Imagine que fulano e berltrano não concordam e por isso não pagam. Resultado? Não se faz. E com isso produzimos efeitos na sociedade que não nos afetam apenas a nós mas também outras pessoas. Ou seja, produzimos externalidades negativas. Que por sinal irão se refletir em todos nós.

            Deixemo-nos de ser egoístas, e vamos começar a cumprir. Desta maneira não só teremos todos o direito como o dever de reclamar, mudar, etc etc. Para além de dormirmos muito melhor, isto para quem tem certas e determinadas qualidades. Os outros dormem mesmo que vendam a mãe (passe o exagero).

          • Ricardo Santos Pinto diz:

            Era tão fácil o Estado controlar, se quisesse, a fuga aos impostos – e já nem falo de uma fiscalização a sério. Por que é que os sucessivos Governos do PSD / CDS / PS se recusam a acabar com o sigilo fiscal e com o sigilo bancário?

        • Slint diz:

          Mas eu pago impostos, chego ao hospital e ainda tenho que pagar taxa moderadora, ando na escola tenho que comprar livros, ando na universidade tenho que pagar propinas. Mas afinal para onde vão os impostos? porque tenho de pagar 2x?

  12. J. Pinto diz:

    É claro que não posso concordar com esta visão. Nada justifica esta posição.

    fiscalidadenoblog.wordpress.com

  13. mortalha diz:

    pois eu partilho da visão do ricardo (em minúscula por feitio meu) e assumo-a com toda a frontalidade. eu pago impostos da casa, do carro, do consumo de energia, pago impostos no hyper, no telefone, no calçado e na roupa, no restaurante, aqui e ali e em todo o lado! pago e não bufo. recebo menos por causa de impostos, tiram-me subsídios por causa de impostos, e rais parta se eu puder fugir na factura do pintor ou do mecânico, podem ter a certeza que o faço! e porquê? porque estou farto de pagar impostos para ter direito a uma mão cheia de nada… e quando me chegam com argumentos como a manutenção das ruas ou a recolha de lixo, a qualidade de vida mando-os ir às redondezas dos grandes centros… sem passeios, sem limpeza, sem segurança, sem nada que justifique os impostos que paguei! vou ao centro de saúde e pago por uma consulta que, na minha opinião, NÃO É USUFRUIR DE NENHUM DIREITO mas sim uma consulta médica low cost (com respectiva qualidade)! que raio pago eu com os impostos? querem que eu seja enrabado e peça recibo? mas os impostos não deviam ser usados para fiscalizar quem foge deles? parece que servem é para construir máfias e monopólios para que me explorem ainda mais.

  14. Moura diz:

    Epá, este post – e ainda para mais vindo de um professor – nem merece resposta.

    Se calhar o professor não conhece quem assim viva… da esperteza dos recibos. Olhe, eu, como sou um rapaz quem a vida obrigou a andar a pintar casas e a abrir roços nas paredes, trabalhei para muitos filhos de puta que muito lhe iam agradecer essas palavras. Houve um, em particular, que em 18 meses só passou UM recibo porque fez uma obra na Força Aérea de Pêro Pinheiro.

    Daí sabe o que é que vinha? A nós, pagava tudo pela porta do cavalo (que remédio!). Segurança social, seguros e o caralho, era vê-los. Mas andava montado num Mercedes ML. E a mula da filha num SLK. Ah e melhor… como andava na escola de um dos tipos que trabalhava connosco, sabemos que o filho sacava os livros do SASE.

    Por isso, professor, vá à merda. Vá à merda mais a sua vida de privilegiado. E ainda tem a lata de vir com essa pose de emproado. Olhe, pergunto-lhe: se deixarmos todos de pagar impostos, quem é que lhe paga o ordenado?

    Uma coisa é pedir que o dinheiro seja aplicado como deve de ser. Outra é dizer o que está a dizer. Vê-se que não tem mesmo noção da realidade. Que não conhece, que não sabe e não quer saber.

    Recibo? Peço-o sempre(!). Eu pago impostos e estou farto que outros não os paguem às minhas custas. Sabe, por exemplo, o que é que acontece quando não pede recibo no restaurante? Está a dar ao dono mais 23% do preço (porque se não pedir factura ele não declara o IVA e fica com ele). Sabe o que é que acontece quando não pede recibo por um serviço? Está a premiar um cabrão qualquer que, se bem calha, pode estar a explorar aqueles que trabalham para ele. A fazer-se de pobrezinho porque não tem rendimentos declarados. A mamar dinheiro que podia ir para quem precisa.

    Por isso, puta que pariu esta mentalidade de revolucionário da merda. A revolução vai acontecer neste país, sim. Mas por homens, pelo povo farto desta merda, e nunca pelas mãos de parvalhões que dormem e arrotam estupidez de barriga cheia.

  15. Moura diz:

    Ahah. O menino vai chorar?
    É que eu preferia uma resposta.

  16. João Torgal diz:

    Ricardo, acho que a solução não é não pedir recibo. É fazê-lo de forma selectiva.

    Bombas de gasolina, hipermercados, grandes empresas… faz todo o sentido e mais algum pedir recibo

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Claro que sim, João. Um post nem sempre dá para escrever tudo o que se pretende sobre determinado assunto. Sei muito bem quando devo pedir recibo e sei quando não peço deliberadamente. E os exemplos que apontas são claríssimos e tens toda a razão quanto a isso.
      Muitas vezes peço recibo. Mas peço porque entendo que devo pedir e não porque o Governo acha que os cidadãos é que têm de fazer o papel que cabe ao Estado.

  17. leitor diz:

    Não acredito neste post.

  18. Rafael Ortega diz:

    Não peça recibo de nada.
    O canalizador e o electricista que forem a sua casa ficam-lhe mais baratos (não paga IVA). Mas eles pagam 0€ em impostos, pois não há forma de se provar que o trabalho (e consequente pagamento) foi feito.
    A refeição no restaurante fica-lhe mais barata, mas o IVA fica no bolso do proprietário (e só irá pagar o IRC que lhe apetecer).

    O senhor queixa-se que não pode fugir aos impostos, mas a sua atitude permite que muitos fujam.
    Quanto ao dinheiro que o Estado arrecada ser bem ou mal gasto já e outra história…

  19. Maquiavel diz:

    Entäo em vez de lutar pela boa aplicaçäo dos impostos, luta contra o seu pagamento. Mesmo à tuga! De täo idiota útil do neoliberalismo, estás aqui estás no gabinete do Relvas!

    Os neoliberais (i.e. fascistas económicos) querem delapidar o Estado, querem que as suas receitas diminuam para justificar mais cortes nos serviços públicos, e você faz-lhes o favor de os ajudar nesse ignóbil objectivo! Sem impostos, quem lhe paga o ordenado a si?

    Saiba V. Exa. que na Suécia, Finländia, Noruega, se paga bem maior % de impostos que em Portugal. E ninguém foge. Aliás, têm vergonha se o fizerem. Resultado: os contribuintes podem reinvindicar, é um direito que lhes assiste. Consequência: têm um Estado Social a sério, que contribui para uma democracia a sério!

    Você prefere a Somália ou a Suécia?

  20. Hélio Reis diz:

    Esta iniciativa, de facto, é bem elucidativa do espírito e do sentimento de bem comum que colocou Portugal na situação em que está.
    Eu nem quero acreditar que alguém tem a falta de vergonha de dar a cara por esta ideia peregrina.

    Acham, por acaso, que não pagando impostos estão a ser uns espertalhões e a prejudicar os membros do governos? Os tais que são corruptos, maus administradores, mentirosos, etc.?
    Se acham isso só podem ser mais burros que as pedras da calçada.
    Os senhores do governo, entre ou não dinheiro nos cofres do Estado têm a vida deles mais do que garantida. Aliás, quanto mais miséria houver no país, e partindo do princípio que eles são tão mitras como os pintam, melhor eles se safarão e mais vantagens retirarão em benefício próprio.

    Quem fica beneficiado são os empresários que deixam de pagar impostos e metem mais dinheiro ao bolso. E claro, ficam beneficiados os iluminados que deixam de pedir recibo porque num café poupam uns 15 cêntimos. Estes ficam mais “ricos” quinze cêntimos, o dono do café fica mais rico uns quantos milhares de euros no final do mês.
    Afinal quem é espertalhão?

    Mas há mais. Acham que vão poupar muito não pagando iva? Poupam pois, no imediato são capazes de poupar umas dezenas ou centenas de euros (com muita sorte).
    Mas no futuro, e como o Estado, que somos todos nós (o pessoal esquece-se, mas o Estado somos todos nós), tem que pagar as suas contas (assim como nós temos que pagar o reembolso dos empréstimos que contraímos), não havendo dinheiro suficiente terá o governo que cortar no que é essencial (ou algum hipócrita acha que eles vão cortar nos motoristas e que isso chega para pagar o que devemos?) e cobrar ainda mais.

    Assim, quem é que fica prejudicado? Ficam pessoas como eu que num ano perderam mais de 25% do seu rendimento anual, que passaram a pagar portagens quando não têm alternativa sem ser o transporte próprio para chegar ao emprego, que vêm o custo dos estudos dos filhos a aumentar, etc. Ficam os pensionistas, aqueles que recebem pensões pequenas, que continuam a viver abaixo do limiar da pobreza, e ficam vocês, os iluminados,
    que pouparam uns euros num dia mas no final do ano vão deixá-los à mesma na repartição de finanças do vosso bairro fiscal e com juros.

    Desculpem lá, mas quem defende esta ideia brilhante, além de ignorante, demonstra uma falta de civismo brutal.

  21. Ricardo Santos Pinto diz:

    Rafael, no restaurante pago o mesmo, peça ou não recibo.
    E por mais que se esforcem por ler o que não está escrito, não vão conseguir. Não defendo o não pagamento de impostos. Nem poderia, já que se eu os pago, e bem, os outros também têm de pagar. E nunca me queixaria dos impostos que pago se eles fossem bem canalizados. E nem falo de mim próprio que, no fundo, até sou um privilegiado.
    O que digo é que não vou ser eu a fazer o papel do Estado, que não resolve esta situação porque não quer. Não acabar com o sigilo fiscal e com o sigilo bancário interessa a quem?
    Ou seja, este post foi escrito como resposta concreta a um apelo do Governo para que toda a gente peça recibos de tudo e mais alguma coisa.

    • Rafael Ortega diz:

      “Rafael, no restaurante pago o mesmo, peça ou não recibo.”

      Eu sei que paga. Mas imagine que o prato do dia é 5€. Que 4€ ficam para o restaurante e 1€ é IVA. Sem recibo essa transacção ocorreu? Não, ou pelo menos é impossível de provar que aconteceu. Logo o 1€ que devia ir para o Estado pode ir para o dono do restaurante. Era esse o meu argumento.

      “O que digo é que não vou ser eu a fazer o papel do Estado, que não resolve esta situação porque não quer.”

      Eu sei que o seu argumento é acabar com o sigilo bancário e fiscal. Mas e se quem desviar o dinheiro o puser debaixo do colchão? Se o usar para comprar ouro? Se abrir conta noutro país qualquer?

      “Não acabar com o sigilo fiscal e com o sigilo bancário interessa a quem?”

      Isso era interessante. Mas quer fazer como? O Estado pode bisbilhotar as contas de todos, ou só com autorização de um juiz? Se for a segunda não me oponho, se for a primeira, não muito obrigado. Não quero futuros quadros da Ongoing a saber o que tenho no banco ;)

  22. Maquiavel diz:

    Já em 1997 os comerciantes italianos todos eram OBRIGADOS a DAR o recibo.
    Ainda me lembro do caixa a correr atrás de mim a gritar “Senhor! Senhor!” e eu “Que se passa? Esqueci-me de pagar alguma coisa?” e ele “Näo, näo, esqueceu foi de levar o recibo!”.

    Isto na Itália, de todos os países! Tal como na lei anti-tabaco.

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