“Uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar”

“Controlar, pois, a agenda política corresponde, no presente, a duas necessidades objectivas por parte daqueles que aspiram a posições de liderança na sociedade: por um lado, a necessidade de dar largas a potencialidades próprias para manter a dianteira em relação aos demais; por outro, a necessidade de tornear os obstáculos que vão surgindo a cada passo.”

Num dos artigos mais abjectos escrito por um profissional de comunicação, podemos perceber como funciona o sistema mediático, sobretudo dentro da cabeça da esmagadora maioria de editores e directores que todos os dias garantem que assim aconteça, afastando inclusivamente quem procure fazer de outra maneira. Afinal, Fernando Lima mais não fez do que uma descrição precisa não só dos interesses e das estratégias dos que controlam a agenda política, mas sobretudo do olhar que a esmagadora maioria dos profissionais tem sobre a forma de mediatizar a realidade, de salvaguardar o seu posto de trabalho e de se limitar à condição de pé-de-microfone. Por cada jornalista escandalizado com as suas declarações, gostaria de ver um suspiro, um gesto, uma medida, para que dentro da sua redacção se rompa com a rotina produtiva, se denuncie os mecanismos de controlo, se ataque os principais pilares da propaganda e da mentira organizada que faz com que boa parte do que consumimos em matéria de informação deixe de ser inócua ou satisfatória para o poder.

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2 respostas a “Uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar”

  1. Vitor Ribeiro diz:

    “Gostaria de ver um suspiro, um gesto, uma medida, para que dentro da sua redacção se rompa com a rotina produtiva, se denuncie os mecanismos de controlo, se ataque os principais pilares da propaganda e da mentira organizada”? Eu também. Mas espero sentado. Bem sentado e confortável. É que… Longa se torna a espera, Na névoa que cobre o rio…

  2. Samuel diz:

    “Por cada jornalista escandalizado com as suas declarações…”

    Hoje em dia isso é já esperar muito de grande parte dos “jornalistas”.

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