
O fim de ano é época de balanço e previsões. Durante 2011 tivemos dois governos com políticas semelhantes e estratégias opostas. O governo de Sócrates repetiu até ao seu último dia um discurso parlapatão que prognosticava um futuro delirante, que ainda corre nas veias dos poucos que chora a sua partida. Depois da pantominice instalou-se o discurso derrotista de Passos Coelho. A cada medida de austeridade imposta pela troika, Coelho acrescentou austeridade. A cada sinal de aumento do desemprego, Coelho mandou emigrar. A cada recuo da actividade produtiva, Coelho cortou incentivos. O SNS ou a escola pública que Sócrates tentava matar, Coelho trata de esfolar.
Se em 2010 se fazia o prognóstico que 2011 seria um dos piores anos do pós-25 de Abril, não haverá quem tenha muitas dúvidas que 2012 poderá arrasar a escala. Este é um ano decisivo. Não porque o euro, a União Europeia ou a economia mundial dependam de qualquer coisa que suceda em Portugal mas porque se aceitarmos que a via da austeridade é inevitável, chegaremos ao fim do ano com um país na miséria, sofreremos ainda mais o eventual desmantelamento do euro e embargaremos o futuro do país por muito mais uns anos.
No momento em que o ministro de Estado para as finanças irlandês declara só aceitar os limites ao défice se a dívida soberana daquele país for “reduzida” ou em que se assiste a uma rápida recuperação da Islândia na qual o povo se mobilizou para impedir que o Estado nacionalizasse as dívidas da banca privada ou que decisões ruinosas saíssem impunes, importa ter consciência que a austeridade não é inevitável. É inviável.
* Frase roubada ao cartaz de Gui Castro Felga
Publicado no i





Aconselha-se aos opinadores democráticos,se calhar querem dizer oligárquicos,plutocráticos,hiperladrocráticos(neologismo) a ler isto pq se forem intelectualmente honestos vão ter engulhos espirituais( se é que são donos de tão elevada qualidade ).
http://resistir.info/crise/dumenil_12dez11.html
Se nos tirarem o Abril? deve referir-se ao dia 25 apenas? porque o 26 já foi pior que a encomenda.
Então Maio nem se fala.
Mas o que é que o Passos e o Sócrates teem a ver com essas datas se ainda tinham os dentes de leite?
Começar o ano a dizer disparates é um mau começo!
A Islândia enfrentou a ruina de privados, em Portugal a ruína é do Estado.
Tratar a dívida como se não precisassemos de crédito dos nossos credores para o dia de amanhã (diria, para o jantar de hoje) é de uma tonteria absoluta, se é que não é uma completa desonestidade!
Caro Tiago,
Fiz link.
Obrigado.
Bom Ano – se possível!!! 🙂
Um abraço.
Um muito bom post Tiago.
E a entrevista a Gérard Duménil é de facto notável
(Saída do euro, mas com cancelamento da dívida)