Eis, para mim, os 10 grandes temas do ano (estas foram a primeira, a segunda, a terceira e a quarta partes do meu top de fim-de-ano).
10 – Gang Gang Dance – Glass Jar
Toques de free jazz, psicadelismo, rock progressivo, exploração electrónica… um verdadeiro murro no estômago que julgava impossível nestes tipos (léguas acima do resto do disco).
9 – Julianna Barwick – Vow
Quando à deliciosa manipulação vocal em camadas da menina Barwick se acrescenta, em loop, um pianinho frágil e muito bonito, o resultado só poderia ser maravilhoso.
8 – Metronomy – Corinne
O lado mais irresistivelmente dançável dos Metronomy, com um trecho de sintetizador, uma entrada de guitarra e um falsete viciantes. “She just wants to dance all the time”… e nós também.
7 – Fool’s Gold – Leave No Trace
A comparação com os Smiths faz algum sentido neste tema, o que, a ser gratuita, poderia significar o pior. Mas, com uma das mais incríveis linhas de guitarra do ano e com uma certeiríssima incursão pela melancolia, está aqui uma das maiores surpresas do ano.
6 – Robag Wruhme – Ende
Embora este tema seja mais luminoso, grande parte do que foi dito em relação ao The Field, serve também para Robag Wruhme. Piano muito bonito e electrónica suave, cândida e aconchegante.
5 – Mogwai – Drunk and Crazy
Os crescendos de guitarras e teclados são aqui substituídos por uma exploração magistral do ruído e da sua fusão com o universo mais erudito. Mais uma das muitas vias brilhantes dos Mogwai.
4 – The Rapture – How Deep is Your Love
O álbum da terapia física e estética, que inverte a tendência de prolongar o já saturado passado electro-funk. Próximo do disco, com teclados viciantes e com a referência clara aos Bee Gees (?!), este é o seu mais forte representante e um single do outro Mundo.
3 – Battles & Matias Aguayo – Ice Cream
Em vez de tentarem imitar o grande “Atlas”, os Battles decidiram fazer uma canção de corpo e alma e, com a ajuda do chileno Aguayo e com toda a cadência rítmica característica da banda, fizeram um dos hinos mais inesquecíveis e viciantes do Verão de 2011.
2 – M83 – Midnight City
Por falar em singles viciantes, este é outro que, à primeira audição, invadiu a cabeça de muito boa gente. Num ambiente entre a melancolia e a pista de dança, no uso minucioso dos elementos vocais (com mais ou menos efeitos) e com o precioso saxofone final, este é o grande tema de Hurry Up, We’re Dreaming.
1 – Dead Combo – Esse Olhar Que Era Só Teu
Bastam os dois ou três acordes iniciais para emocionar e arrumar a um canto todo o espaço do “fado chique da moda”, que pouco ou nada contribui para a evolução do estilo. Com duas guitarras acústicas (não há guitarra portuguesa) e sem voz (de acordo com o percurso dos Dead Combo), é uma nova dimensão, um novo horizonte e a reinvenção perfeita do fado. Um marco da portugalidade, o meu tema do ano.





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