Problemas estruturais na jugular

Ainda não era Natal e já a Fernanda Câncio, no Jugular, atirava para todxs nós a culpa toda de todos os retrocessos democráticos a que temos assistido.

Tal (i)lucidez mereceu-me a seguinte resposta:

Cara Fernanda,

Quero que saiba que me sinto ofendido com uma sua afirmação, que me parece bastante desprovida de razão e fundamento: “a ausência de reacção a essas ameaças demonstra que estruturalmente o País não preza a democracia”.

Eu, como centenas de milhares de pessoas (pelo menos), mobilizaram-se como nunca tinha acontecido neste país, pós 75, em defesa da democracia. Saímos à rua em grande número (começando a 12 de Março, passando pelas manifestações gigantes das centrais sindicais e por um “global” 15 de Outubro, com enorme adesão em Portugal). E mobilizámo-nos em processos originais e de vigilância democrática como Iniciativas Legislativas de Cidadãos, Petições, acções directas e protestos um pouco por todo o país, onde se foram fechando escolas, linhas férreas, centros de saúde, empresas etc. Até uma Auditoria Cidadã, coisa nunca antes vista por estes lados, se está a realizar, com a participação e apoio massivo nas redes sociais e fora delas.Se a imprensa não deu relevância a algumas destas coisas? É natural… Não tivessemos nós descido no ranking de que fala… Mas eu sei que a Fernanda se informa, para lá da imprensa convencional. Por isso fico na dúvida: Será que estamos a falar do mesmo, quando nos referimos a “prezar a democracia”?

Compreende que, ao acusar (a meu ver injustamente) o cidadão comum, desresponsabiliza o actual e anteriores governos na culpa que têm na descida do rating?

Compreende que ajuda a dividir uma população já de si espartilhada? Mas que ainda luta!

Não me prolongo mais nas justificações que apresento para refutar a sua teoria acusatória de “todos nós”, porque as “nossas” acções de vigilância democrática (de massas), neste ano, parece-me, falam por si.

Entretanto, já recebi resposta!
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4 respostas a Problemas estruturais na jugular

  1. marenostrum diz:

    Pepinos alemães pá dona câncio…

  2. Antónimo diz:

    Se é que se pode chamar resposta aquilo. A mesma exuberância que a Câncio usa para se indignar é a que usa para desclassificar os outros. Tem, infelizmente, concentrados em doses cavalares, talvez bebidos na lezíria, todos os defeitos dos jornalistas: o egocentrismo vaidoso e patológico, a falta de educação, o narcisismo e a falta de respeito pelo outro impeditiva de qualquer diálogo.

  3. PP diz:

    “Até uma Auditoria Cidadã, coisa nunca antes vista por estes lados, se está a realizar, com a participação e apoio massivo nas redes sociais e fora delas.”

    hahahahahahahahhaha

    Labrincha please

  4. RML diz:

    Diga-se que a resposta de f. está bem ao nível do comentário.

    «Eu, como centenas de milhares de pessoas (pelo menos), mobilizaram-se como nunca tinha acontecido neste país, pós 75, em defesa da democracia»: de certeza? Enfim, não quero pôr em causa que o João se tenha mobilizado como nunca em defesa da democracia. Mas pôr (e vou usar a terminologia que parece que tem de ser obrigatória agora) todxs no mesmo barco, no plano do património e passado mas também no plano das motivações, parece-me abusivo.

    Depois, claro, o problema do elencar as lutas. E sobretudo fazendo-o desta forma: «começando a 12 de Março, passando pelas manifestações gigantes das centrais sindicais e por um “global” 15 de Outubro, com enorme adesão em Portugal». Começando a 12 de Março? Logo a seguir ao verbo? Ou é o próprio verbo?

    Mas sobretudo — e esta é a questão central —, o João mete a democracia ao mesmo nível de f. E por isso é legítimo que lhe pergunte: onde estava a vigilância popular a 5 de Junho? Por isso, f. tem razão quando diz «Não é uma coisa decidida “pelos de lá de cima”; é de nós que depende. E se tem defeitos são os nossos.» Veja lá, que até é uma tese que corrobora a do João…

    A democracia não é só isto. É poder ser o que se quiser. Por isso, se o João acha que o Economist é mesmo a fonte segura para avaliar a democracia, e que portanto o texto de f. tem de ser combatido com o Economist como ponto de partida, o problema estrutural não é só na jugular.

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