Carta aberta ao Sr. Primeiro Ministro | Por Myriam Zaluar

Exmo Senhor Primeiro Ministro

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome “de guerra”. Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.
Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.
Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.
Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. “És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro.” – disseram-me – “Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção”. Fiquei.
Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. “Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante”. Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira ‘congelada’. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como “nativa”. Tinha como ordenado ‘fixo’ 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas…
Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci – felizmente! – também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.
Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.
Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar…
Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores – e cada vez mais raros – valores: um ser humano em formação.
Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.
Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro

e como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus

Myriam Zaluar, 19/12/2011

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137 respostas a Carta aberta ao Sr. Primeiro Ministro | Por Myriam Zaluar

  1. Rui Guerra diz:

    Ouvi hoje de manhã falar na Antena 1 desta carta.
    Não resisti e fui lê-la.
    Subscrevo inteiramente o que esta senhora escreveu.
    Ao ler os muitos comentários que esta carta tem vindo a merecer, deparei com um que diz “… o Seguro tem ar de ser uma pessoa honesta.” Todos têm antes de chegar ao poder. Depois é o que se tem visto: o Passos também dizia que não subia, não aumentava, não …, não… mas é o que se tem visto e que certamente continuaremos a ver se não tivermos a coragem de dizer: “Basta”. Admitimos fazer os sacríficios se todos os fizerem; quando a todos custar o mesmo e não sempre aos mesmos; quando a tolerância de ponto for igual para todos e não só para alguns (caso da Assembleia da República – vergonha). Façam o que eu digo mas não façam o que eu faço.
    Fico-me por aqui!

  2. J Marto diz:

    Nunca comentei nada em fóruns. Mas desta vez esta carta deixou-me zonza, no verdadeiro sentido, e triste, muito triste.
    Muita coisa se admite mas cobardia a comandar um país é triste e vergonhoso. Fico com náuseas. Nós não votámos neste governo (eu, nem neste senhor) que é constituído por pessoas que não tiveram os nossos votos para governar, mas estão lá.
    Encaram-nos como empecilhos para fingirem que governam. Somos empatas. Estes Narcisos são os verdadeiros “rascas” e estão muito longe de perceber o que é esta “res publica” (coisa pública) e o que é ser político e o que é ser responsável por ter o voto do povo.
    Ainda bem que não conto com eles para ter o meu papel, pois claramente eles também não contam comigo para este país.
    Chega de nos fazerem viver na “culpa” de prevaricadores que vivemos acima das possibilidades. Isso é ridículo e um bom cliché para justificar a cobardia deles da não-governação.

    • E. Antunes diz:

      “Nós não votámos neste governo (eu, nem neste senhor) que é constituído por pessoas que não tiveram os nossos votos para governar, mas estão lá.”

      Fale por si porque eu e a maioria votou. E vou-lhe dizer porque eu e, provavelmente, a maioria votou:

      1º- Dizer a verdade aos Portugueses sobre a grave situação financeira deixada pelo anterior governo e resolvê-la o mais rápido possível;
      2º- Incentivar principalmente o trabalho, o mérito, a competitividade, a produtividade, o empreendedorismo, as exportações e o emprego com direitos mas também com deveres;
      3º- Reduzir ao máximo o peso do estado na economia pois esta é comprovadamente ruinosa para o país e desincentivar a preguiça, a dependência dos subsídios, o “deixa andar” e combater a corrupção, a cunha…

      Cumprimentos,

      E. Antunes

      • De diz:

        Como?
        Um propagandista propagando-se na propaganda de um governo terrorista?
        Tresandando a neoliberal encartado?
        Ora bem…
        Vejamos…

      • De diz:

        Antunes sai à liça pelo facto de ter votado neste governo.
        O que se compreende.Um governo de classe tem o apoio dos seus.
        (Embora infelizmente tenha também o apoio de muitos que são prejudicados e asfixiados por essa mesma classe)
        Mas tendo o “direito” de defender os exploradores,não pode é tentar manipular a situação e convertê-la nas hossanas e tributos ao governo serventuário dos grandes interesses económicos

        Começa desde logo pela assunção que a maioria votou.Por acaso até não.Cerca de 30 % dos eleitores terão votado neste governo.
        A maioria dos votos expressos?Sim.E daí?
        O país é felizmente muito mais do que isso.E ninguém tem os seus direitos cívicos postos em causa..ainda
        Desde quando “maiorias” conjunturais têm o direito de arruinar o país,de o colocar a saque e de o vender ao desbarato?
        Sorry.Não pega.

        Nem sequer vamos entrar pela questão do estado da”democracia” a que chegámos.Vamos colocar uma questão outra.Passos foi eleito com base em promessa não cumpridas.Mais.Fez,deliberadamente, o oposto do que tinha dito.
        Mentiu
        E roubou.
        E tem que ser responsabilizado por tal
        Mas há mais

  3. António Eduardo Luz diz:

    Não concordo nada com o teor desta carta e dos anteriores comentários. Isto é o habitual num tipo de pessoas que conhecem tudo, que sabem tudo, são intelectuais que excederam , arrasaram tudo por onde passaram, mas que tudo espremido não são úteis nem têm lugar em qualquer sítio com boas receitas de dignidade e de economia. Terão lugar, certamente, na Coreia do Norte ou em Cuba. Estudam e vivem para se queixarem. Astutas, sabem tudo. Remédio: HUMILDADE e chegarem à conclusão QUE NADA SABEM. NÃO EMBARACEM.

    • AF diz:

      Esta carta, em tom de desabafo, justifica em cada parágrafo o que diz. O seu comentário é daqueles que, não dizendo nada, apenas visam enxovalhar chutando a bola para a frente.

      • De diz:

        Concordo AF.
        O comentário de António Luz é um pobre comentário.De alguém que confunde o conhecimento com a pesporrência dos ignorantes, que o são por opção.O que é das coisas mais tristes que há.

        E o tal gostinho da subserviência ao poder e aos que mandam.O que piora ainda mais o retrato

        • João Sá diz:

          Só não percebo como é que algum órgão resolve dar voz a isto e não dá aos milhares de pais que nunca souberam sequer o que é uma praia, quanto mais comprar uma casa à beira dela, e continuam também a ajudar os filhos, depois de uma vida inteira (não 25 nem 35 mas mais de 50 anos) de trabalho duro, muito mais custoso e sem qualquer recompensa ou muito menos recompensado que o desta senhora e o dos pais dela.

          Mas para explicar isso também precisaria de umas quantas páginas e ela também não ia passar do terceiro parágrafo. O mal dos portugas é terem mais olhos que barriga e acharem que os “outros” é que são os culpados da sua desgraça e acharem que os “outros” têm de inventar solução para os seus problemas, como que se lhe devam alguma coisa. e como se mandar estes ministros ou outros quaisquer presentes ou passados ou futuros fizesse aparecer do céu dinheiro para lhes dar, mesmo sem fazerem nada (o que nem é o caso desta senhora), ou então chover mais dos mesmos que pagam impostos para remediar todas as situações. Enfim, digo eu.

          • De diz:

            Enfim, digo eu
            Ou de como se tenta esconder atrás da “ausência de praias, dos filhos,do trabalho duro”, a realidade sinstra que se nos oferece

            Tentativa para limpar,qual produto de marca apropriado, a responsabilidade do poder e das políticas implementadas
            (O dinheiro só cai do céu mesmo para aqueles do BPN…e produtos similares..geralmente pertença dos mesmos ministros …e produtos similares)

            Tiago Mota Saraiva:
            Parabéns e muitos por ter trazido aqui esta carta.
            O incómodo que provoca nas “hostes” só é comparável à indignação que suscita nos que defendem a dignidade humana.
            Como se vê

    • David Vieira diz:

      Diarreia mental a esta hora, meu amigo?

      • Francisco diz:

        Uma verdadeira tristeza este cometário…

        Se o país está neste estado é por comentários medíocres destes.
        Limpe a cara e dessa sua diarreia cuspida por si e veja o que o país atravessa.

    • Lampiao diz:

      deves ser amigo do Passos, Familiar ou militante do PSD
      pois se Fosses um Tuga Verdadeiro nao dizias disparates
      tem vergonha nessa Cara!

    • Mas que luzidio comentário que nada alcança, mas classifica seu autor como mero eleitor dessa desgraça ambulante do Passos Coelho, pobre fantoche que mais representa os interesses da agiotagem internacional no desmantelamento da sociedade produtiva portuguesa, tornando-a mais um viveiro de escravos da nova ordem mundial. O seu António Luz nem pensou no que escreveu como também não considerou o que já viu e viveu. Também não leu com atenção a carta aberta da ilustre Myriam Zaluar. Portugal está muito mal e a culpa não é só do laparoto que nunca será Coelho, mas de indivíduos como você, menino Antoninho, cresça, estude e apareça para mostrar que respeita sua Pátria.

  4. António Ricardo diz:

    Completamente de acordo!

  5. Maxx diz:

    A única coisa que lhe faltou sempre, foi não enganar a lei depois de cumpri-la. Não me sinto mal pelas elevadas capacidades que tenho e que ficam acima da média, mando piretes e soqueiradas a quem se opõe ou atira “bocas foleiras” porque nunca passaram de uns “adesivos parasitas” e é isso que defendem com unhas e dentes, mas não sou nenhum “menino de copinho de leite” e se é necessário um lenço preto enrolado na cabeça com uma caveira (à pirata), assim seja.

  6. J. Godinho diz:

    O que a Basilio nos conta aconteceu (e está a acontecer a muitos portugueses).
    Pensem um bocadinho:- Se todos os que têm capacidade de trabalho e um cérebro normal já emigraram ou estão a fazê-lo, (de acordo com as instruções de vários responsáveis) os que cá ficam são:
    -Crianças
    -Reformados
    – Alguns analfabetos
    -Alguns incapacitados físicos ou mentais e
    – Os bem instalados na vida com padrinhos na classe política
    De acordo com estas realidades, os que assumem “gerir” este país pertencem, seguramente, aos que não conseguem imigrar.
    O comentário do António Luz denuncia que, também ele, está ao abrigo destes parasitas.
    Agora pergunto eu (que atè sou reformado): Até quando é que vamos aguentar isto?
    Será que estamos todos anestesiados? Reajam !!! Onde está o povo do meu País????
    Contem comigo carago!!!!

    • GODINHO! Assim mesmo que se escreve! Faço minhas suas palavras. Portugal está nas mãos de meia dúzia de bandidos e será que os portugueses ainda não acordaram?
      Só têm um caminho a seguir:REVOLUÇÃO! Fora com o laparoto e toda a corja que o rodeia!
      Um abraço.

  7. S diz:

    E o Luis, já foi a Paris? Olhe, vá, vá! E não volte, que já cá há lacaios qto baste…

    • António Eduardo Luz diz:

      As ideias valem 10 cêntimos a dúzia, mas as pessoas que as podem implementar não têm preço. Divirtam-se uns com os outros enquanto eu vos deixo porque eu não tenho mais tempo a perder. Prefiro comparar-me comigo próprio e confiar na Salsa e no Tango.

  8. S diz:

    E já agora leve também a alegada “HUMILDADE” do António da obscuridade…

  9. Manuel Gomes diz:

    Tem toda a razão que emigre essa cambada de gatunos e que não se esqueçam de levar os amigos que comem todos na mesma pia, um tal Anibel que mora ali para os lados de Belem, que gasta 7500,00 por dia não admira para ir aos Açores levou 10 guarda costa mais não sei quantos assessores bagageiros e mordomos total ttinta elementos a passear e a gozar a conta dos impostos do Zé povinho, são piores que no tempo da ditadura

  10. Rm diz:

    A carta que escreveu revela um estado de alma muito emotivo e pouco racional.
    A minha historia de vida, sendo diferente, nao diverge assim tanto da sua.
    Independentemente das muitas razoes que lhe assistem nas decisoes politicas que neste pais foram sendo tomadas, existe uma area do foro pessoal em que temos de assumir o nosso proprio percurso de vida. Todos nos fazemos escolhas, umas boas, outras mas…apenas temos de as assumir.
    Se escolher ficar, a opcao e sua. Se resolver emigrar, assim sera de igual modo.

    • De diz:

      Uma carta belíssima e uma resposta que não me satisfaz.
      Porque a história da putativa liberdade para emigrar ou não é de facto isso: uma história.Mas é muito mais do que isso
      Todos nós fazemos escolhas é certo.Mas por detrás da escolhas estão factores que as condicionam e orientam.E esquecer isso é pura e simplesmente demagógico. Mais.É desculpabilizador para as condições sociais e políticas e para os decisores políticos responsáveis por estas
      “A maioria dos trabalhadores imigrantes provavelmente prefeririam manter-se e trabalhar nos seus países de origem se pudessem encontrar os trabalhos que lhes permitissem uma vida decente” dizia em 2009 Walden Bello.
      O mais impressionante é que ele,falando com a autoridade da sua própria experiência, focava na altura o que se passava no continente americano.Este filipino escrevia assim em 2009:
      “As condições de pobreza e problemas económicos empurraram as pessoas para fora das suas sociedades, mas estas condições não são naturais. Foram criadas. E no desempenho dos países em desenvolvimento, desde finais dos anos oitenta, o motor principal da expansão da pobreza e as dificuldades económicas foram os programas de ajuste estrutural promovidos pelo FMI e o BM e a liberalização do comércio fomentada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e os acordos comerciais como o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN).
      Promovidos sob a aparência de oferecer eficiência, estes programas destruíram a agricultura e a indústria num país atrás de outro. No México, severos cortes ao apoio estatal á agricultura, intenções de sepultar a reforma agrária, e o TLCAN, que impôs a liberalização, fizeram da agricultura um caso perdido, forçando o campesinato mexicano a deslocar-se em massa para os Estados Unidos. Nas Filipinas, o ajuste estrutural destruiu a base industrial do país e, com ela, centenas de milhar de empregos industriais e fabris, enquanto que a liberalização imposta pela OMC tornou pouco atractiva a agricultura para os camponeses cujos produtos não podem competir com as matérias primas subsidiadas pelos Estados Unidos, Europa e outros países. Para muitos destes camponeses desalojados e seus filhos, a relocalização nas metrópoles urbanas é o caminho para a emigração”

      Os passos seguidos pelos povos da América Latina mos anos 90 do século passado.
      E a semelhança de métodos e meios praticados nesta europa neste nosso século:
      “As condições de pobreza …foram criadas”
      A aniquilação do nosso tecido produtivo.Da nossa agricultura,das nossas pescas,da nossa indústria.Sacrificadas aos altos interesses de outros altos interesses.
      E a pata e a submissão ao FMI e quejandos…
      E tudo isto,todas estas políticas neoliberais são filhas de pai incógnito?
      Era o que mais faltava

      Liberdade para?

  11. Alves da Silva diz:

    Oxalá o Passos Coelho siga o seu conselho!

  12. Maria Rigor diz:

    Cara Senhora,

    Subscrevo inteiramente a sua opinião em tudo e revejo-me nela em quase todas as batalhas, não tenho o poder da escrita mas agradeço-lhe ter escrito por mim, bem haja.
    Lamento muito que tanto a sua carta como outras mil verdades também mostradas e escritas por tantos outros que partilham da sua e nossa dor, não sejam lidas e vistas por todos os portugueses (na minha opinião a maioria) pois vivem cegos e ofuscados pelas porcarias que os canais televisivos, revistas e afins lhes impingem diariamente, já dizia o meu avó ” cego não é aquele que não vê, mas sim aquele que não quer ver”.
    Há 30 e tal anos que dizem que vivemos em liberdade e democracia, no entanto o povo não sabe o que ela implica, confere-lhe direitos mas também deveres.
    Nós povo, não estamos isentos de culpa, preferimos mandar umas bocas do que lutar, pois lutar dá trabalho e isso já temos muito, apesar de sermos um dos países europeus com menor rentabilidade, o que também nos arrasta para a miséria, etc., etc., etc.,
    Obrigada pela sua coragem e por ser minha porta voz.

  13. JoeM diz:

    Sinto sinceramente o que “Basilio”passou e tera que passar.De quem e’ a culpa? De todos vos,sem excepcao! E’ triste dizer-se mas e’ a verdade,”Os portugueses sao uma cambada de carneiros. Com a faca e o queijo na mao e que fazem? Onde esta’ esse dizer tao lindo que voces criaram,”O POVO UNIDO JAMAIS SERA’ VENCIDO”?! Apenas uma mera metafora. Que tristeza!

  14. Maria Andrade diz:

    Maria diz: Os que se sentem tão “vitimizados” pelo Governo que emigrem! Com tais mentalidades não fazem cá falta nenhuma. Porque “Nós”, os que lhe demos os nossos votos, e que temos um mínimo de inteligência, não lendo por nenhuma cartilha, nem usando pála como os burros, não nos limitamos ao voto, estando prontos a colaborar em tudo o que seja necessário para levantar Portugal. Portugal foi posto na miséria por alguns que não queriam produzir e se limitavam a viver à custa do Estado e que agora ainda dizem que os empréstimos não se pagam. Portugal vai precisar de alguns sacrifícios, e “Nós”, os verdadeiros portugueses, aqui estamos dizendo “Presente” no que nos pedirem para ajudar a tirar Portugal do “Buraco” para onde foi lançado.

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  16. José Mascarenhas diz:

    Viver durante tanto tempo numa condição tão precária só espelha duas coisas: teimosia ou excesso de comodismo. Nunca pensou mudar de vida? Lutar por uma vida melhor? O país avança com os aventurosos e não com queixumes… Era bom se o Estado oferecesse dinheiro a empregos sem rentabilidade. Mas infelizmente não temos petróleo ou outro qualquer produto similar.

    Se é fácil essa mudança? Não é. Mas qualquer coisa é melhor do que o que tem agora.

  17. Francelina de Azevedo Cardoso Sardinha diz:

    SR. Primeiro Ministro .Primeiro tenho a dizer-lhe que não votei no Sr. e que sou completamente anti partidária.Porque afinal estivemos durante 40 anos ,numa ditadura e afinal o que mudou desde a dita liberdade nada? Bem tenho a dizer-lhe que tenho 65 anos e o que me resta são uns miseráveis 300 EUROS de reforma isso pago eu de renda de casa,por isso vivo de caridade.Quanto ao pedido do SR.para dar-mos ideias para mudar as coisas,quase me dá vontade de rir se não fosse tão dramático mesmo assim o vou fazer Sei que o SR. se vai rir e chamar-me tola mas aqui vaí primeiro e como fazem na hollanda elevar os impostos,
    A quem tem mais de uma casa, segundo carros de topo de gama, terceiro impostos a quem quer andar na caça a matar animais por desporto,aquem tem barcos, e por aí fora. Sr. primeiro ministro na hollanda quem compra uma máquina de lavar Roupa ou um Movel o chamado topo de gama paga um imposto anual isso sei porque tenho conhecimento pessoal já viu a quantia que recolhe? Mas tudo isto para que o Sr.compreenda o que lhe vou dizer a serguir repare não estou a lamentar aminha vida para que o Sr. chore mas para o alertar para sertas coisas, e me mostre outras, para que eu e todos os portugueses que andam a dormir compreedam o que se está a passar nerste meu País primeiro doi-me como portuguesa ver o Sr, ao lado de uma nazi de cabeça baixa ,segundo ver o Sr. vender todo o nosso pratrinómio em vez de juntar varios organimos oficiais que andam desperços por varios edificios em que o Sr. paga fortunas de rendas para dar nemprego de admenistradores em que nada fezem e ganham furtunas,já viu o que poupava?Mais a segurança social tem organismos para que para nada servem e isto falo com conhecimento de causa se lhe interessar dar-lhe-ei mais promores.Pois há pessoas que recebem sem precisarem outras não tem direito a nada depende dos amores das acistentes sociais,pois dertivado á minha situação tenho visto coisas que só visto.Mas como tambem são empregos para os amigos creio que nada vale apena. PELO MENOS QUE EU FIQUE COM A ELUSÃO DE QUE OP SR. TENHA UM POUCO DE HUMANIDADE, E QUE PENSE NISTO E QUE AO LER SE REALMENTE LER O QUE EU DUVIDO TENHA UM POUCO DE CONSCIENCIA-

  18. Francelina de Azevedo Cardoso Sardinha diz:

    Senhor Primeiro Ministro .Em primeiro lugar quero dar-lhe os meus Parabens, Pois com a nava LEI para os proprietários sobre as rendas das casas não sei como vou fazer como vou ter de mudar de casa e só tenho a reforma do meu marido que é uma reforma de 365 euros, e nesta pago 3oo e é uma casa clandestina em que nem agua canalisada tem, não sei como hei-de fazere játenho 65 anos-.Eu sei que segundo o SR. não se sente portugues,porque segundo palavras Suas o Sr. é mais AFRICANO que os AFRICANOS,Mas lembro-lhe que o sr. neste momento é EMPREGADO DE TODOS OS PORTUGUESES.Mas a finalidade ainda não é essa, é que embora isto não lhe diga nada enquanto os PORTUGUESESB não acordrem o SR. E TODOS OS SEUS CAMARILHAS FAZEM AQUILO QUE BEM ENTENDEM, pois á gente que na sona de cascais e oeiras estão a comprar moradias para fazarem de uma Moradia 4 cobiclos aonde levam de renda para cima de 400 e mais ,mas compo se os chamados fiscais levam luvas para fechar os olhos,assim ganham o que intendem e sem pagrem mais impostos como compraram só a chamada vivenda e não gente séria, e assim nem as finanças têm de PAGAR ,VIVA PORTUGAL

    SEI QUE NÃO VAI LER NEM SE DAR AO TRABALHO DE MANDAR AVERIGOAR MAIS ESTA VIGAR-SE NESTE MEU GRANDE E BONITO PAÍS DE QUE TANTO ORGULHO NÓS TIVEMOS

  19. Fatima Pereira diz:

    Só tenho acrescentar o seguinte, nos estamos a ser governados por um associação de mal feitores por bandidos gente sem escrupulos. A sua dor é igual a milhares de Portugueses, e nós todos temos culpa,, noutro pais qualquer eles já não existiam.

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