Não caluniarás!

«Os membros do Bloco lembram-se de intervenções tão extravagantes [do Ruptura/FER] como o apelo à constituição de brigadas para apoiar os talibãs no Afeganistão, ou apelo ao voto em branco nas eleições presidenciais» (Nota da Comissão Política do Bloco de Esquerda sobre o anúncio da corrente Ruptura/FER de que vai abandonar o BE e constituir um outro partido).

Acontece que eu sou membro do Bloco e não me lembro dessas «intervenções tão extravagantes». Brigadas para apoiar os talibãs? Apelo ao voto em branco nas presidenciais? Quando? Em que circunstâncias?

Lembro-me de o Ruptura/FER ter defendido candidaturas presidenciais próprias do Bloco (Fernando Rosas, Francisco Louçã) contra outras propostas surgidas internamente de apoio a outras personalidades; lembro-me da sua oposição, que partilhei, ao apoio do Bloco à candidatura de Manuel Alegre nas últimas presidenciais quando este era o candidato do Sócrates e do seu governo. E lembro-me da sua oposição, que partilhei, ao apoio dado pelos eurodeputados do BE à intervenção militar da NATO na Líbia, fosse na versão mais descarada do (então ainda deputado do BE) Rui Tavares, fosse na versão light dos restantes dois eurodeputados, Miguel Portas e Marisa Matias (apoiar a mesma moção, mas excluindo o ponto em que se referia explicitamente a intervenção militar). Mas não me lembro de os ver recrutar brigadistas para apoiar os talibãs.

A burguesia, que pode usar métodos bem carniceiros na concorrência pelo lucro, com a experiência que foi acumulando com os anos, instituiu regras como a proibição da publicidade negativa para evitar cair na baixaria: para promover um carro da marca tal, diz-se que ele é bom, é fantástico, gasta pouco e anda muito, mas é proibido dizer que a marca concorrente é uma porcaria, que não anda nada, é como um voto em branco, só talibãs é que se sentariam nele… A esquerda, e neste caso o Bloco de Esquerda, talvez devesse aprender alguma coisa com isto. E o Ruptura/FER (embora não os considere aqui ao mesmo nível, porque não recorreram à calúnia para justificar a sua posição) também: em vez de anunciarem a saída do BE e a fundação de um outro partido distribuindo bordoada por tudo o que mexe – ou seja, “vamos fazer um novo partido porque os outros são todos uma bosta” –, não fariam melhor em “promover o seu produto” reivindicando aquilo que fizeram de positivo enquanto estiveram no BE (cuja intervenção nos professores ou nos bancários muito lhes deve, por exemplo) e explicando o que se propõem fazer no futuro?

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36 respostas a Não caluniarás!

  1. armenio osesky diz:

    o voto em branco eles até publicaram no site. n sei se vives na lua.
    o dos talibans não vi.
    abraço

  2. armenio osesky diz:

    Resta, portanto, o voto em branco ou no candidato do PCP. Admitimos ambos os votos como votos possíveis, dado que no actual quadro político das candidaturas concretas presentes ao sufrágio, a 23 de Janeiro, não existe qualquer outra possibilidade coerente. Ainda que ambas também tenham desvantagens. Votar branco não é a nossa vocação e votar no candidato do PCP, apesar desse partido se colocar ao lado do BE na contestação ao neoliberalismo reinante, também traz problemas. A candidatura do PCP, a exemplo do que já ocorreu no passado, surge fundamentalmente como uma resposta às necessidades internas do aparelho partidário, e não como uma alternativa de oposição ao regime. Só para dar um exemplo recente, o PCP foi o grande mentor da ideia de retirar toda a possibilidade de que a greve geral pudesse ter mais impacto. Como? Eliminando a possibilidade da convocação de uma grande manifestação de massas na capital do país.
    http://www.rupturafer.org/index.php?option=com_content&view=article&id=186:presidenciais-2011-porque-nao-votamos-nem-em-cavaco-nem-em-alegre&catid=86:nacional&Itemid=537
    o q n quer dizer q ache bom o comunicado. acho mau. e dos talibans n quero ir a procura, pq n quero encontrar. é demasiado mau estar no comunicado e ainda pior ver uma publicação deste tipo de ideias estapafurdias em qualquer lado.

  3. Cassilda diz:

    Voto em Branco ou Francisco Lopes, lembro-me perfeitamente da “campanha” cá por Coimbra.

    Não que tivesse apoiado o Alegre, como tantos outros não apoiaram mas nunca foi necessário, decidir em conjunto o que “aconselhar” às pessoas…

    Portanto, respondendo à pergunta do “quando foi isso?” para ser precisa, foi em Janeiro de 2011!

    • Está a ver Cassilda, como acaba você mesma de desmentir a Comissão Política do BE? Se houvesse um mínimo de seriedade teriam escrito que a FER apelou ao voto em branco ou em Francisco Lopes. Isto seria admissível, se bem que o comunicado da FER não faça nenhum apelo explicito ao voto. Mas o que interessa à direcção do BE não é criticar as posições políticas da FER (e muito teria para dizer) mas sim caluniar, como muito bem escreve o António Paço. E eu, que me fartei de aturar disto enquanto bloquista, só posso ficar triste por perceber que nem na hora da saída dos seus arqui-inimigos a direcção do BE se eleva e fala verdade. O que me faz crer que se trata de deformação estrutural.

  4. Adriano diz:

    António, vai ao google e escreve “ruptura fer voto em branco”.

    “Apesar do que afirmámos, somos conscientes que votar branco ou no candidato do PCP será a forma que inúmeros militantes anticapitalistas vão encontrar para manifestar o que lhes vai na alma, ainda que esse seja também um (outro) mal menor. A lição para o futuro passa por criar as condições para que, em próximas eleições presidenciais, possa vir a existir uma verdadeira candidatura anticapitalista, e é nesse combate que colocamos todos os nossos votos.”

    • António Paço diz:

      A Maria Papoila (será fã da Beatriz Costa?) manda-me fazer uma pesquisa na Net «antes de atacar» e envia os links de dois documentos, um deles enorme. Pois bem, dei-me ao trabalho de ir verificá-los para ver se me enganei quanto à questão do voto branco e do alegado apoio a brigadas pró-talibã. No caso do tal documento enorme, até fiz o download para depois poder fazer uma busca da palavra ‘talibã’. E que descobri?
      Quanto ao voto branco, a FER defende, nas últimas presidenciais, depois de se verificar que o BE fica agarrado ao voto no candidato do PS Manuel Alegre, que «Resta, portanto, o voto em branco ou no candidato do PCP»; e diz até que o faz apesar de que «Votar branco não é a nossa vocação».
      E no caso dos talibãs, eis o que diz: «O povo afegão luta para expulsar as tropas de ocupação e conseguir a verdadeira independência nacional do país. Por isso, sem dar nenhum tipo de apoio político às posições dos talibãs devemos dar todo o apoio às acções da resistência.»
      Em que ficamos, Maria Papoila?
      Como na frase atribuída a Aristóteles, «Amicus Plato, sed magis amica veritas». Neste caso posso até dizer: Sou amigo do BE, mas ainda maior amigo da verdade.

      • Carlos Santos diz:

        No caso dos talibãs concordo contigo António tendo em conta essa informação. Quanto ao voto em branco, não pois eis o que dizem no final: “Apesar do que afirmámos, somos conscientes que votar branco ou no candidato do PCP será a forma que inúmeros militantes anticapitalistas vão encontrar para manifestar o que lhes vai na alma, ainda que esse seja também um (outro) mal menor. A lição para o futuro passa por criar as condições para que, em próximas eleições presidenciais, possa vir a existir uma verdadeira candidatura anticapitalista, e é nesse combate que colocamos todos os nossos votos.” Naquele momento apoiaram essa posição do voto em branco ou no candidato do PCP (algo suportado por outras declarações verbais dos militantes do ruptura/FER), expressando apenas o desejo de no futuro o BE ter condições para candidatura anticapitalista (nem era necessariamente uma candidatura do BE). Eu pessoalmente também defendi o voto em branco no entanto compreendi as críticas de outros militantes a essa posição enfraqueceria o Bloco do ponto de vista político de forma semelhante quando este se recusou reunir com a troika (que sem dúvida prejudicou aos olhos dos cidadãos e cidadãs).

        • João diz:

          Mas a mentira da direcção do BE reside exactamente aí. A FER não apelou ao voto em branco mas sugeriu “votar branco ou no candidato do PCP” o que é completamente diferente. Ao omitir o candidato do PCP a direcção do BE sabe que está a deturpar uma posição política que poderia criticar afirmando que a FER deveria ter apelado ao voto no candidato apoiado pelo PS. Eu também acho que a FER esteve mal, deveria ter apelado ao voto em Francisco Lopes e esquecer a demissão do voto em branco.

    • João diz:

      Oh “Maria Papoila”, não lê os textos que linka?
      Veja o que escreve a FER sobre os talibãs: “cujo regime reaccionário e repressivo se destaca pela sua opressão das mulheres”.

  5. Goncalo diz:

    Pesquisa por talibã da 4 resultados Toma !!! a ultima frase
    “Por isso, sem dar nenhum tipo de apoio político às posições dos talibãs devemos dar todo o apoio às acções da resistência.”

  6. Carlos Marques diz:

    Caro Camarada,

    diz-se amigo da verdade mais que do Bloco, no entanto, já reparou que o Ruptura/FER apelou ao voto em branco. Se é em nome da verdade que fala, seria bom que corrigisse essa lacuna no seu texto.
    Quanto aos Taliban o que a Direcção do Bloco refere é a discussões aquando da invasão do Afeganistão, bem me lembro desse Plenário de Almada, onde os ex-camaradas do Ruptura defenderam essa posição.

    Via Adeus Lenine, apanhei o seguinte:
    “1. A LIT, a organização internacional da Ruptura/Fer, com sede em São Paulo, enviou uma carta ao Partido dos Trabalhadores do Paquistão (LPP, Labor Party of Pakistan) intimando os seus dirigentes e militantes a combaterem sob o comando dos talibans no Afeganistão. Farooq Tariq respondeu em nome do LPP lembrando simplesmente que, se os militantes paquistaneses, ateus e revolucionários, se colocassem ao serviço dos talibans, seriam sem dúvida gentilmente assassinados por estes e de imediato, tornando pouco útil o seu gesto generoso. (http://combate.info/index.php?option=com_content&task=view&id=64&Itemid=42)
    2. A carta da LIT bem como a resposta de Farooq Tariq podem ser lidas aqui” (http://links.org.au/node/97)

    E o mais curioso é o início do posto do Adeus Lenine, onde se pode ler o seguinte:
    A saída do Bloco

    1. A FER decidiu sair do Bloco no inicio de 2011 por causa do Alegre e do abandono das causas fracturantes? Isso dizem eles agora, porque, na verdade, era um plano bem antigo..

    “Em Portugal, fazemos parte do Bloco de Esquerda e trabalhamos no seu interior sem ilusões sobre a sua evolução. No caso do Governo Sócrates não manter a sua maioria absoluta, a pressão para formar uma coligação PS/BE será muito forte. Em todo o caso, considerando as condições actuais, o trabalho no BE e, mais ainda, a actividade nos movimentos sociais enquanto militantes dos Bloco, representa a melhor táctica para chegar outros sectores militantes e a que oferece melhores possibilidades para a construção de um partido, a partir da nossa inserção na juventude e no sector bancário.”

    In texto Europeu das Teses do congresso da LIT de 2008, página 10

    Original em italiano está disponível aqui: http://www.partitodialternativacomunista.org/index.php?option=com_content&task=view&id=810&Itemid=45

    A FER nunca publicou este texto no seu site. A versão em espanhol que esteve disponível no site da LIT omitia este momento de franqueza dos militantes da LIT

    Por último camarada, deixo-lhe um abraço e espero encontrá-lo nas lutas e na linha da frente pela defesa da verdade, mas peço-lhe que dê atenção ao que aqui escrevi, a bem da verdade.
    Carlos

    • António Paço diz:

      Caro Carlos
      O que o documento da Comissão Política do BE diz é que a FER apelou «à constituição de brigadas para apoiar os talibãs no Afeganistão», que é uma mentira redonda e vergonhosa, e que apelou «ao voto em branco nas eleições presidenciais», dando a entender que esta seria uma posição sistemática (e por isso «extravagante»), o que também não é verdade, uma vez que a FER, pelos vistos, apelou uma única vez ao voto em branco ou no candidato do PCP, justificando-o com o facto de o BE ter optado por permanecer amarrado ao apoio a um Manuel Alegre que era o candidato oficial do PS – sendo que o PS estava nesse momento no Governo, um dos piores governos que já tivemos (isto digo eu).
      Não vejo, pois, razão para retirar nada daquilo que disse. O comunicado da Comissão Política e as declarações públicas do deputado João Semedo (por isso está na foto) reagem ao anúncio da saída do Bloco de uma das suas componentes pratiamente desde o início procurando achincalhar essa corrente e fazendo dela uma caricatura grosseira, recorrendo mesmo à calúnia. Isso não é um método aceitável e não augura nada de bom para o futuro num partido que foi e continua a ser uma frente de várias correntes distintas.

    • Isabel Faria diz:

      Adriano, ir ao Combate saber das posições da FER é o mesmo que ir o Avante para saber as do Bloco…ou vice-versa.

  7. Augusto diz:

    Caro Antonio Paço, afinal sempre parece, que as brigadas pró talibã ou o voto em branco ou no Francisco Lopes, feito por uma tendência organizada do BE, não foi uma falsidade da Direcção do BE, que se calhar até poderia ter ido buscar outros factos, que ao longo do tempo, criaram problemas ao Bloco, o caso Vital Moreira por exemplo , mas passando á frente.

    O amigo Gil alugou em tempos um quarto independente na casa do BE, sempre fez questão de manter o seu quarto independente do resto da casa, até que julgou ter chegado a altura de ter casa própria, a Casa do Gil, veremos se a consegue pagar, ou se segue a máxima do seu grupo, NÂO SE PAGA, NÂO SE PAGA.

    • zeca diz:

      Ó Gusto e quem foi que lhe alugou o quarto e aceitou as rendas pagas?

      • Augusto diz:

        Quem lhe alugou o quarto foi quem pensou que o Gil era pessoa de bem….. ilusões….

        Já quanto ás rendas pagas……aí houve muito laxismo, não paga coitado, porque tá á rasca talvez liquide amanhã….ou no dia de S. Nunca.
        Capisce…..

  8. JDC diz:

    “Por isso, sem dar nenhum tipo de apoio político às posições dos talibãs devemos dar todo o apoio às acções da resistência.”
    Mas como raio é que se consegue fazer isto? Dar apoio político sem dar apoio militar ou armado é francamente possível, dar apoio armado mas, ao mesmo tempo, torcer o nariz e bater com o pé no chão perante a visão do mundo dos talibãs, como se faz? Apoia-se militarmente sem esperar verdadeiramente a vitória dos talibãs? Que coisa mais pífia. Apoia-se militarmente para, mal subam ao poder, virar a agulha e passar a combater politicamente? E as pessoas que, entretanto, ficam sob o jugo dos talibãs? São mártires? Isso seria irresponsabilidade, inconsequência, seria uma luta meramente sectária e ideológica e não uma luta pelo povo.

    • António Paço diz:

      As brigadas internacionais na guerra civil espanhola estavam lá para combater o fascismo franquista, e nem todas apoiavam politicamente o governo de Negrín. Aliás, esse governo foi responsável pela desmobilização das brigadas em 1938.
      Também na revolução nicaraguense combateram brigadas internacionais, uma panamiana, organizada por um ex-ministro do Panamá, Hugo Spadafora, outra, a Brigada Simón Bolívar, organizada por trotskistas latino-americanos. Combateram do mesmo lado que os sandinistas contra a ditadura de Somoza, mas sem se comprometerem politicamente com a Frente Sandinista. Outros exemplos haverá certamente.
      Pessoalmente, acho muito difícil, se não impossível, combater a ocupação imperialista do Afeganistão tendo por vizinhos os talibãs – mesmo blindando as costas para evitar punhaladas. Mas os combatentes anarquistas, do POUM e de partidos como o ILP inglês (como o Orwell) na guerra civil de espanha não tiveram, como se sabe, de proteger-se apenas das balas dos franquistas. Muitos, como Andreu Nin, foram assassinados por – e isto será mesmo o cúmulo do eufemismo – ‘friendly fire’…

      • JDC diz:

        Não percebi: está a concordar comigo ou a dar-me contra-exemplos?
        Obviamente que, fisicamente, é possível ir lá combater ao lado dos talibãs sem concordar com eles politicamente. Parece-me é, no mínimo, estúpido. Tanto mais pelos “friendly fires” de que fala…

        • João diz:

          Mas onde está provado que a resistência afegã são os talibãs? E se fossem, não cabe à esquerda revolucionaria apoiar outra resistência anti-imperialista e anti-talibã? Repares-se que não estamos a carregar um navio de combatentes prontos a zarpar para afegania, estamos a discutir a posição da esquerda sobre o Afeganistão. A posição da ala direita do BE é curta: “[Portugal] retirar as suas tropas do Afeganistão”. E as outras, podem lá ficar?

  9. closer diz:

    Gostava de saber em que é que o António Paço se baseia para falar do valioso contributo do grupo Ruptura/FER para o movimento dos professores. Que me lembre fizeram uma lista para a direcção do SPGL que teve uma votação inexpressiva e o Gil Garcia apelou sempre, por tudo e por nada, para que os professores fizessem greve geral limitada (no tempo da Lurdes Rodrigues). Claro que para ele é fácil, porque dá aulas no privado.

    Independentemente do carácter pouco feliz do comunicado do BE, a questão essencial é analisar qual foi o contributo da Ruptura Fer nestes anos todos em que esteve no BE. Nunca me pareceu que o seu objectivo ultrapassasse a lógica do pequeno grupo entrista, com uma prática internacionalmente conhecida. Infiltram-se em partidos de esquerda e procuram miná-los por dentro. Fizeram-nos em Espanha, França e Inglaterra, porque não o fariam aqui.

    O BE tem cometido muitos erros. Mas de uma coisa não pode ser acusado: não se deixou entrincheirar nos velhos clichés da extrema esquerda, com slogans tão revolucionários quanto nulos são os seus resultados. SE o BE conseguiu crescer e ter algum peso na sociedade, foi exactamente porque foi capaz de romper com essa lógica estéril e passadista do passado, muito típica dos tempos seguintes ao 25 de Abril. A FER ainda aí está. DE certa forma fazem-me lembrar os velhos militantes da ASJ do liceu da Amadora com mais 35 anos em cima. Ainda não sabem nada sobre o que é táctica política. Ainda não mexeram um dedo para compreenderem a situação actual. Continuam a raciocinar como há trinta e tal anos, a falarem da mesma forma sobre os mesmos temas e com a mesma linguagem. Do ponto de vista da coerência ideológica são inatacáveis e podem chamar traidores aos outros. Mas a sua eficácia é tão grande como a daquele indivíduo que queria parar o vento com as mãos

    • António Paço diz:

      Olhe, closer, se quiser questionar mais a FER é falar com eles. Eu vou-me deitar, o que já devia ter feito há muito tempo. Mas como a ASJ (uma organização juvenil que se chamava Aliança Socialista da Juventude, para os que não sabem) também faz parte do meu passado, ainda lhe digo que os da ASJ do Liceu da Amadora deviam saber alguma coisa ‘de táctica política’, já que a organização era tão importante na Amadora que os rivais lhe chamavam “Amadora Socialista da Juventude”. Boa noite e boa sorte.

    • Acácia Vermelha diz:

      Desculpe o tom jocoso (que não é meu hábito), mas não resisto:

      “O BE tem cometido muitos erros. Mas de uma coisa não pode ser acusado: não se deixou entrincheirar nos velhos clichés da extrema esquerda, com slogans tão revolucionários quanto nulos são os seus resultados”

      Ou seja, camaradas de todo o mundo que militais à esquerda: podeis abdicar de um programa anti-capitalista, substituir a militância de base pela colagem de cartazes, distribuição de propaganda e “números” para a comunicação social que não reúnem mais que meia dúvida de pessoas e todas do partido, substituir os momentos de discussão política por aulas teóricas com os grandes líderes, ter o mesmo candidato que o Governo para o principal tacho do Estado, ter a mesma linha de setores da burguesia relativamente ao pagamento da dívida ou até abdicar da luta pelo socialismo, mas nunca, camaradas, jamais, podeis deixar-vos entrincheirar nesses velhos clichés da extrema esquerda como faz a FER! Antes ser social-democrata, reformista e anti-democrático do que demodé!

  10. zeca diz:

    Este blog virou esquerda.net…

    • António Paço diz:

      A mim parece-me que sempre esteve ligado para a esquerda.net e também para a esquerda.com. E para mais esquerdas que haja. Menos para a esquerdadireitavolver.ps.

  11. Vasco diz:

    Xiii, que lavagem de roupa suja… Não têm reuniões lá no BE para debater estas coisas?…

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