Guerra sem tiros

À hora a que escrevo este artigo, o euro ainda existe. Quando for publicado, ninguém o pode garantir.
O “Wall Street Journal” noticiou que vários bancos centrais já estariam a preparar-se para o regresso às velhas moedas. Durante a semana foram inúmeros os prognósticos sobre o que sucederá com o fim da moeda única. A única certeza é que a situação será dramática. Possível fecho de fronteiras para evitar fuga de capitais, contas bancárias bloqueadas, nacionalização dos prejuízos e dívida privada dos sectores fundamentais e aumento exponencial da inflação e da dívida pública perante o estrangeiro. Portugal viverá um ambiente de guerra sem ter sido disparado um único tiro.
Em tempos tão incertos, e mesmo que a união monetária resista ao fim-de-semana, não está nas mãos de ninguém em quem votemos a decisão sobre se viveremos ou não este ambiente de guerra. Nada que façamos o pode evitar e países como a Grécia ou Portugal estão a fazer tudo ao contrário do que seria necessário para proteger os seus povos.
Neste momento é bom lembrar que o euro ainda não tem dez anos de circulação e que houve quem alertasse para os seus perigos e desvantagens. Hoje temos um país mais endividado e dependente da importação de bens primários. Por determinação política dos nossos governantes, e ao contrário do prometido durante os períodos eleitorais, não nos foi permitido discutir a entrada no euro ou o Tratado de Lisboa e, na sua sequência, referendá-los. Quem tomou as decisões por todos tem de ser responsabilizado.

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12 Responses to Guerra sem tiros

  1. Tiago says:

    «Hoje temos um país mais endividado»

    Para isso, infelizmente toda a esquerda contribuiu (tivesse ela ocupado cargos governativos ou não).

    • De says:

      Um grande post Tiago Mota Saraiva
      Quanto ao outro Tiago…este está redondamente enganado
      Se já não tem nem coragem para apoiar publicamente os fautores da ruína,então não venha para aqui com essa conversa da contribuição de todos.
      Uma ova
      É o mesmo paleio com vestimenta nova do “serem todos iguais”
      Ou seja,o que se pretende é construir um discurso de irresponsabilização dos verdadeiros responsáveis.Não já o dourar a pílula(já houve esse tempo,com especial afinco para os mesmos que agora clamam pela partilha de culpas) mas de dizer que a pílula é amarga por contribuição “nacional”
      Uma ova.
      É que a política seguida foi uma política de classe.Uma política de classe que privilegiou os grandes interesses económicos e os pequenos interesses dos partidos do centrão,vulgo os boys.Que privilegiou quem tinha mais e que se submeteu aos interesses do grande capital apátrida.Com o sorriso néscio de o fazer por motu próprio e com a eficácia conseguida de ter aumentado as desigualdades sociais,fruto da tal opção de classe atrás referida.
      Tal “paleio”da partilha de responsabilidades resulta assim da tentativa gigantesca da mistificação e ocultação das verdadeiras causas e dos verdadeiros responsáveis pela presente situação.Aliado à cobardia inerente de quem é incapaz de assumir as responsabilidades pelos seus actos.
      E infelizmente para os que assim postam neste mundo, os números aí estão em toda a sua nudez para comprovar aquilo que disse.E os factos históricos que querem agora manipular.
      As privatizações,o desafectação da nossa actividade económica,os casos de corrupção…mas também o enfeudamento aos mandamentos económicos da dita UE e a criação do euro
      Quem levou por diante tal política tem rosto visível…embora se tenha submetido por inteiro ao rosto muito menos visível do grande capital
      Uma política de classe.Com vista ao aumento da exploração e da apropriação da riqueza do trabalho
      Com os resultados que aí estão agora à vista de todos

    • Magali says:

      Esquerda,que esquerda?
      Além disso a dívida é dos plutocratas,se se quiser ser correto….2/3 a 3/4 é DIVIDA PRIVADA.Sabe o q é isso?e os titalos(!) lixo,e os CDS e essa merda toda dos vigaristas da banca e,já agora o juro composto.E o esquema de Ponzi?da aaaaaaaaaaaaaa

    • Magali says:

      ‘toda a esquerda contribuiu ‘:o amigo deve estar a tripar ou comeu cogumelos.Só pode!Ou então q somos todos tolinhos-tolice a sua!

      • notrivia says:

        Não, muito pelo contrário! O que lhe faz falta é mesmo uma ganda cogumelada ou outra boa dose de substancias com propriedades semelhantes para ver se desbloqueia sinapses…

  2. kirk says:

    Não me parece praticavel uma coisa dessas dentro das condiçoes actuais, sociais e politicas.
    Olha o caso dos submarinos; paradigmático sem dúvida. Enquanto os alemães já estão a julgar os corruptos, em Portugal nem sequer se sabe quem são!
    Se se conseguir fazer uma auditoria á divida acho que já é muito bom, quanto mais julgar os gajos que nos trouxeram até aqui.
    De mais a mais era preciso provar que cometeram ilegalidades no exercicio do poder. E este foi-lhes dado pelos eleitores. A democracia tem desta coisas, mas a curto/médio prazo não estou a ver outro sistema melhor.
    Precisamos de alternativas realizaveis, embora desabafar seja preciso.
    K

  3. Niet says:

    O WS Journal – do ” império” Murdoch publications- não tem grande credibilidade e tem intimas ligações aos ” falcões ” do Partido Reupblicano, que fazem ” passar ” as suas mensagens quando querem. O grande estratego da era- GW Bush é nele comentador assíduo. O Le Monde e o The Guardian, deste fim de semana, revelam detalhes da 16.a cimeira da UE, de uma forma mais realista e neutra. O famoso ” monetarismo fetichista ” alemão é muito bem escalpelizado através de um conjunto de comentários e referências insertos nos textos nucleares das duas publicações. Ian Traynor, correspondente do The Guardian em Buxelas, publica uma peça de grande qualidade e cheia de indicações irónicas e profundas: ” Os alemães, como é notório, não leram Keynes “, sublinha. Salut! Niet

  4. Niet says:

    O super-conselheiro de GW Bush era o Karl Rove.Intimo dos neo-cons, de Rumsfeld e do
    clan dos editores da Weekly Review. Niet

  5. sopas says:

    Os alertas para os perigos e desvantagens provieram sempre, à vez e consoante sopravam os ventos, de dois protagonistas identificados e com posições que nessa matéria sempre se confundiram: o PCP e o CDS. Nada para levar a sério.

    • De says:

      Sopas gosta de sopas?
      Ou apenas da “sopa” assim daquela para o mole e para o corrupto do bloco central de interesses(desta vez sem o apêndice do partido dos submarinos)
      Nada para levar a sério,claro,já que sopas apenas o que pretende é dar-nos sopa.A dele,claro
      A conversa que não é da treta,já que tem outros claros fins.A conversa que os extremos se tocam,consoante os tais ventos que sopram?
      Uma espécie de defensor por interposta prosa do tal centrão tão admirado por uns e tão vilipendiado por outros(consoante os ventos,claro)

      Quanto às tais posições que sempre se confundiram entre o CDS e o PCP.
      O sopas anda a colocar a cabeça na sopa,com toda a certeza.
      A desonestidade tem destas coisas.Como a sopa tem ingredientes vários.
      A História desmascara estes eternos debitadores de comentários políticos.
      Tem é que se estar atento também a esta forma de desinformar

  6. xatoo says:

    as decisões do Conselho Europeu estão próximas do regresso ao Feudalismo… o que não deixa de ser uma óptima noticia (se Vc for banqueiro)
    Entretanto, imaginem lá qual é o país está na origem de todos os nossos males e cujo défice é 1000 vezes superior áquilo por produz por ano?
    mas o melhor artigo que encontrei sobre o assunto é este: “Un hombre feliz, 26 contentos y poco más de 23 millones de personas olvidadas y 330 millones amordazadas”
    http://www.pagina12.com.ar/diario/economia/2-183089-2011-12-10.html

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