A última ceia de um condenado

Um dos cronistas do “Financial Times” escreveu no início da crise que os planos de “ajuda” à Grécia, Portugal e Irlanda lhe faziam lembrar a pequena história de um homem condenado à morte a quem dão uma última hipótese, dizendo-lhe que não o enforcam desde que ele ensine a falar o cavalo preferido do rei no prazo de um ano. O condenado pensa com os seus botões, antes de aceitar: “O rei e o cavalo podem morrer e até é possível que eu consiga ensinar o quadrúpede a falar.” Já passou um ano e, visivelmente, as únicas criaturas que continuam a falar são os líderes do eixo franco-alemão. Para eles existe apenas a vulgata monetarista. A economia do continente está a afundar-se e continuam a insistir que a realidade é que se engana. Quem não estava cego pela propaganda sabia que o euro era um gigante com pés de barro. Como é que era possível criar uma moeda única numa zona desigual do ponto de vista económico sem a existência de um orçamento que a sustentasse nem um Banco Central Europeu que cumprisse o seu papel? Impossível, como veio a verificar-se. Para toda a gente menos para a virtuosa senhora Merkel, as casas não se começam a construir pelo telhado. A unificação monetária tinha de ser precedida por uma política que permitisse a convergência das economias dos Estados-membros. Aquilo que a dupla Merkel e Sarkozy nos propõe agora é que só podemos ser membros formais da zona euro se aceitarmos ter salários do terceiro mundo e um governo alemão. Para nos convencerem a aceitar o protectorado da miséria, afirmam-nos que a alternativa é o caos. Mas há pior do que ser calado à força e mantido na miséria?

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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5 Responses to A última ceia de um condenado

  1. JgMenos says:

    A que vem toda esta conversa?
    Sem a desbunda orçamental de governos mais interessados em subornar eleitores, colocar correlegionários e priveligiar apoiantes, haveria a presente crise?
    Queixam-se da perda de autonomia quando usaram a autonomia para criar as condições de a perder?
    E tudo isto sempre bem estimulado pelas justas lutas, os justos direitos e os grandes princípios do que deve ser, na ignorância do que pode ser?
    O cinismo de quem nunca se tem por responsável, nem obrigado a soluções possíveis…

    • kirk says:

      Ainda hesitei em lhe dar uma resposta séria, Mas apercebi-me a tempo que o Jgmenos não quer saber de respostas sérias para nada. Vc apenas quer desabafar.
      Vc é um fervoroso adepto da auto-flagelação e o que vc gosta mesmo é que lhe deiem umas palmadas quando se porta mal.
      Chiça, não sei, mas é capaz de haver blogues melhores para isso!
      K

  2. Antónimo says:

    Jg, menos, por favor, menos. aqui ninguém desbundou e ninguém foi subornado. Ninguém usou a autonomia para criar as condições de a perder. Têm nome os partidos e apoiantes que o fizeram e são os três do arco da governação.

    Foram as justas lutas, ignorando “o que podia ser” que acabaram com a escravatura. A que voltamos agora nas asas “do que deve ser”, imposto pelos mercados.

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