A saída de 200 militantes do BE

Provoca a mesma reacção no Esquerda e no Insurgente, leva os jovens capangas a citar Garrett e os velhos profetas a fazer uma espécie de auto-critica. O tema merecerá por certo abordagem mais atenta, mas por agora fica-se com a certeza que o João Semedo já colou meia dúzia de cartazes.

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36 respostas a A saída de 200 militantes do BE

  1. Tiago diz:

    A argumentação de Gil Garcia roça o anedótico. Aquela da Greve Geral ter sido anunciada por pressão da “acampada” é típico de que está alheado do que é o movimento sindical de classe em Portugal. A “acampada” não tem expressão no mundo do trabalho em Portugal, porque 100, 1000 comentários no facebook não influencia em nada o mundo do trabalho, apenas influencia um núcleo restrito de pessoas quem em circulo fechado vivem dos comentários, respostas, discussões aguerridas… que não saem do “mundo virtual”.

    A colagem PCP-CGTP não é inocente, mas esquece que a comissão executiva da CGTP-IN tem vários elementos do PS e no concelho nacional da CGTP são muitos outros (sem contar com os do Bloco). O facto de a Greve Geral não ter sido marcada mais cedo não é culpa do PC que há muito que lutava por isso (qualquer pessoa minimamente idónea que esteja em uma ou outra iniciativa política do PCP sabe disso).

    O resto são infatilidades próprias de quem desenvolve o seu “trabalho” político na net, facebooks, blogs e outros e pouco sabe das dificuldades reais em sair à rua, para a porta das empresas e mobilizar os trabalhadores, faze-los vencer os conformismos, medos e enganos provenientes da comunicação social dominada pelos parasitas.

    É pouco, é um desilusão muito grande, perceber que nesta argumentação para a saída do bloco, o principal objectivo é atacar o Bloco, e até muito mais o PCP… dizendo uma série de tontices e dividir o que já está mais que dividido.

    O objectivo é muito simples tentar capitalizar as acampadas e outros movimentos para reforçar o seu movimento. Sairá certamente ao lado, porque por conhecimento de causa, uma percentagem enorme desses indivíduos foge da luta organizada como o diabo da cruz.São movimentos que na sua génese está o descontentamente real e legítimo mas que na maioria das vezes é pontual, e acima de tudo, que não signifique um grande trabalho e que proporcione momentos bons de convívio.

    A crítica ao PCP de que está contra esses movimentos é claramente mentirosa, uma vez que se a própria CGTP é “controlada” pelo PCP, então porque raio é a própria CGTP que tem informado, contactado sempre com, por exemplo, o M13M, para participar nas suas iniciativas, e da tribuna faça sempre referência à sua presença, recebendo aplausos dos presentes? Porque razão a Interjovem/CGTP promoveu em conjunto com o M13M, a JOC, e ABIC, o piquenique contra a precariedade? Em que ficamos?

    Lutar é muito mais do que um texto por dia ou mil na internet, uma manifestação de x e x dias, lutar é diariamente escutar, combater ideologicamente, levantar o rabinho cedo da cama para distribuir documentos à porta de uma fábrica, é mobilizar, participar em pequenas lutas onde a tv não vai, é trabalho.

    Por fim, a própria análise de Gil Garcia mostra bem ao que vai, intitulando o MRPP como um Partido de esquerda, onde fotos do Estaline e de Mao continuam de pé. Mas que raio o homem não sabe de onde vem o MRPP, o que fez e porque continua a existir? É tão inocente assim?

    E porque razão a crítica da Ruptura/FER e outras pseudo movimento de esquerda, em termos da organização interna é igualzinha à do grande capital (partido estalinista e por aí fora)… nunca pensaram que se um movimento de esquerda pensa da mesma forma que o grande capital… algo está errado? Ainda para mais numa tema tão importante como a organização interna de que um Partido que se intitula (e é) revolucionário?

    A Ruptura/Fer que tirando estas parvoíces até foi um movimento com o qual tinha alguma simpatia cometeu sempre os mesmos erro… por exemplo, ir para as manifestações distribuir papelinhos quando no trabalho de casa (mobilização) nada fez! Ou ser uma caixa de transmissão do grande capital em relação às criticas que fazia do PCP, estalinista, cuba, urss e por aí fora.

    Uma vez perguntei a uma míuda que me entregava o papel da ruptura numa manif… porque raio distribuis isto aqui? Já cá estou? Porque não fizeste isso ontem, há um dia, um mês, onde não estava a tv, onde dava realmente trabalho? Ela disse que fazia… e eu ri-me… ela não me disse mais nada.

  2. kirk diz:

    Acho que fizeram bem. Amigo não empata amigo.
    Parece que se está a ssistir a uma reedição do tempo dos grupos da extrema esquerda logo a seguir ao 25A, em que á esquerda do PC havia numerosos grupos ansiosos por mostrar que a sua é que era a linha politica certa; levou bastantes anos até se perceber que era preferivel arranjar pontos de convergencia que de divergencia e juntar forças.
    Assim o campo fica mais claro: o Bloco perde o que terá sido uma força de bloqueio, não tanto pela seu trabalho de divulgação da linha politica da frente em que sstavam inseridos mas mais pela falta dele; e a FER tem agora o campo livre para explanar a sua linha politica sem os constrangimentos resultantes de existir dentro do BE.
    Depois da experiencia pós-25Abril de gupos como a OCMLP, FEC-ML, PCP-ML, POUS, MRPP, LCI, PSR, UDP, etc., eu fico á espera para ver onde pára a FER. Não me parece que tenham mais experiencia politica que a que tinham aqueles pequenos partidos ; vai-lhes ser dificil fazer carreira a reboque de factos politicos criados por outros, isto é reagirem em lugar de agirem; situações como a dos policias infiltrados tendem a diluir-se no tempo se se ficar apenas pelo protesto de uns quantos, sem que se amplie pela junção de outras forças. Vai ser dificil viver assim. Para mim é pena porque tudo o que seja divergencia, sectarismo, quebra, cisão, enfraquece o campo daqueles que estão veramente interessados em ampliar o clima de convergencia que qté agora se conseguiu. Os companheiros da FER também deveriam pensar nisso. Viver em grupo implica fazer cedencias de todos os lados. E é isso que é dificil assimilar.
    K

  3. Leitor Costumeiro diz:

    Claro, era quase inevitável. A falta de humildade e honestidade intelectual de ambas as partes(mas mais de uma do que d’outra) só assim podia acabar..Parabéns a ambos por mais esta naifada na Esquerda Portuguesa, é pena ver que quem sonha com a grandeza do Internacionalismo é também o primeiro a ceder à mesquinhez e provincialismo…
    Fodam-se!!

  4. afinal, onde estão @s capangas a citar Garrett? fiquei confusa. eu simpatizo com aquele pessoal, apraz-me saber que temos mais um tema aprazível em comum. obrigada por, de forma indirecta, me teres dito com quem posso organizar umas tertúlias de literariedade 🙂

    beijinhos

  5. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Uma discussão política que passa por desacreditar o oponente, é uma discussão que quem a faz, já parte derrotado. Isso vale para o Ruptura e para o João Semedo, pessoa que deve ter colado mais cartazes do que aqueles que irás colar durante a vida. Ou tu achas que ele começou a sua militância política aos cinquenta e tal anos no BE?

    • Renato Teixeira diz:

      É ao BE que me refiro. O BE sempre foi dado a parasitismos e parece-me que quem aponta assim o dedo só pode ter telhados de vidro.

    • Bolota diz:

      A isto chamasse provar do proprio veneno. Para quem se encavalitava para ser o primeiro a apelar á união das esquerdas nada mau. Não sei bem porquê mas cheira-me ao principio do fim do BE…aguentar as inumeras sangrias só está ao alcance de alguns, algumas delas protagonizadas por alguns Beeistas.

  6. xatoo diz:

    a cisão, se é que tem alguma importância, não enfraquece de modo nenhum a Esquerda… enfraquece (ou reforça institucionalmente) é o Bloco dito da Cuja cujo núcleo duro almeja ser a muleta de um P”S” de “esquerda” (fusca-se, não ganho para aspas). Tudo isto não passa de um grosseiro embuste, porque afinal aqui ninguém é de esquerda. São tão de esquerda como o grupo reformista que pariu o João Semedo que saiu de lá para aqui, sem saber o que é que quer da vida ideológica, para andar a encenar estas lindas figuras. Se estão à espera do voto do povo para legitimar estas merdas bem se podem ir dissolvendo sentados…

    • Augusto diz:

      Muleta do PS…..

      Estava a lembrar-me agora do Mario Lino, do Pina Moura , do Vital Moreira, do José Magalhães, do José Luis Judas…. da Zita Seabra… esta enganei-me, foi muleta do PSD…..

      • Antónimo diz:

        Mas oh, augusto, eu bem sei que V. tem uma pequena monomania e que engoliu qualquer coisa em pequenino que o faz apontar sempre no mesmo sentido e ser tão previsível como um economista neo-liberal, mas esses que indica como tendo-se aliado ao PS e ao PS é tudo gente que foi corrida do partido de que não gosta, o seu ódio de estimação.

        Aqui o que se diz, é que a direcção do BE (por acaso concordo, basta ler o arrastão) está interessada em ser muleta do PS.

        São coisas ao lado, ou não chegou lá?

  7. Dédé diz:

    Então não é que só agora é que sei das tais brigadas pró-talibans? Devo andar a ler os blogs errados.

  8. closer diz:

    Viva Renato Teixeira, mais conhecido pelo saloio das acampadas, grande percursor da cisão revolucionária contra os reformistas do BE, de Chora, Semedo e outros lacaios do imperialismo internacional. Com Teixeira e Garcia a esquerda encontrará agora o verdadeiro caminho da revolução!

    PS: Corta mais esta. ó censor!

    • Renato Teixeira diz:

      Esta passa. Saloio é uma opção de classe, pelo que não há qualquer problema.

      • kirk diz:

        Dicionário de Português:
        Saloio – aldeão dos arrabaldes de Lisboa; camponio; rustico; ardiloso; manhoso; groseiro; diz-se do pão feito duma variedade de trigo durázio, cultivada nos arredores de Lisboa.

        Não estou a ver aqui nenhuma opção de classe.
        K

    • closer diz:

      o saloismo não tem nada a ver com a origem de classe, mas com uma atitude de quem acha que uns acampamentos vão mudar significativamente a correlação das lutas de classes neste país.

      Mas, o que eu estava à espera de ler de Renato Teixeira, era uma análise minimamente aprofundada sobre as causas e as consequências das decisões do grupo Ruptura/FER..

      Este post limita-se a uma pobre contestação de um facto (aliás há muito anunciado) e a uma alusão frouxa às coincidências entre os comentários do BE e da direita. Se foi feito para ter humor, decididamente, cada um deve saber escolher aquilo para que tem mais jeito; se foi uma análise política, poderia responder-lhe da mesma forma: afinal a anunciada decadência do BE é motivo de júbilo quer entre ex-bloquistas e outros elementos à sua esquerda (veja-se o texto de Raquel Varela sobre as eleições da Madeira), quer pela direita mais conservadora.

      • Renato Teixeira diz:

        A direita mais conservadora é a que está no PS e isso é o que o closer está sempre a esquecer. Quanto a meter-se na cama da direita trauliteira, é ver o quão parecidos são os comentários, do Insurgente ao Esquerda. Até o Daniel Oliveira se saiu melhor (tacticamente falando, entenda-se) na resposta à cisão do que o Secretariado ou que a Mesa Nacional.

        • Portela Menos 1 diz:

          “A direita mais conservadora é a que está no PS …”
          .
          então bora lá fazer uma aliança com o Largo do Caldas …

          • Renato Teixeira diz:

            Não. A esquerda basta. Essa direita nunca se aguenta tanto tempo no poder e entre o PP e o PS olhe que o segundo tem cadastro maior no ataque ao Estado Social.

        • closer diz:

          Quantos comentários quer que lhe cite da imprensa conservadora, aos blogues reaccionários que rejubilam e anunciam o fim do BE da mesma forma que a revista Rubra ou o grupo Ruptura? Utilizar a coincidência de posições como um argumento dominante, é politica e retoricamente pobre. É que assim cabe tudo, até a tal famigerada conivência entre certas pessoas de esquerda e s talibans em nome da coincidência de posições face ao imperialismo.

          Embora conteste que a direita mais conservadora seja a que está no PS, esse argumento não me atinge. Não faço aqui muitos comentários, por isso não lhe será difícil (se se der a esse trabalho) indicar-me onde e como é que eu defendi uma suposta aliança com o PS.

          Agora, se me permite um conselho, leia Lenine ou mesmo Trotsky de que tanto gosta e veja se aprende a distinguir táctica e estratégia política. Até pode ler num grupo de discussão com alguns membros do novo partido, ou seja, a Fer com outro nome. Não sei se reparou, que a revolução com que tanto sonha, não está aí ao virar da esquina e talvez seja mais profícua uma confluência de forças á esquerda (mesmo com todos os erros cometidos) do que 300 ou 400 inflamados a gritar constantemente contra as traições dos outros e pela revolução socialista.

  9. V Cabral diz:

    Os bloquistas sérios, ficarão no BE ou vão aderir ao PCP. Os Outros vão chafurdar na gamela do PS/PSD/CDS ou formarão grupelhos ridículos, que valem ZERO …

    • Augusto diz:

      Bloquistas sérios , meu caro desconheço o que são.

      Há cidadãos e cidadãs que aderiram ao BE, porque esse projecto foi (é) , aquele com que se sentem mais identificados, e talvez tenham havido alguns que o fizeram por mero calculismo politico.

      Com todos os erros do seu percurso o BE continua a ser um espaço de plural, e de total liberdade de opinião,e aqueles que se reclamam do BE, publicamente não enjeitam discordar de certas opções do BE, sem que isso signifique a sua expulsão.

      Como vê estes militantes nunca poderão aderir a partidos totalitários, mesmo que na luta contra a direita, estejam diariamente ao lado de militantes de outras forças politicas de esquerda num combate comum.

  10. Augusto diz:

    Veremos se serão duzentos militantes, ou só o grupo desfalcado da Ruptura-FER. que há alguns anos FINGIU aderir ao projecto do Bloco de Esquerda, e que depois de uma dezena de ameças, resolve finalmente deixar o BE.

    O mais grave, é que no momento em que a direita faz o maior ataque ao trabalhadores, e em que é mais que necessária a coesão da esquerda para travar com alguma possibilidade de êxito a batalha, vamos ter mais um partido de esquerda.

    E para quê?

    • Renato Teixeira diz:

      Oh Pacheco, veja lá se se decide. É que se acha que “há muito que deveria ter posto cobro á actuação fraccionista do grupo”, fica dificil perceber a crítica ao “momento em que a direita faz o maior ataque aos trabalhadores”.

      http://www.esquerda.net/comment/reply/21018/4686

      • Augusto diz:

        Depois de sucessivamente na imprensa, terem surgido ao longo dos anos noticias do abandono da Ruptura FER, porquê agora, num momento de um ataque brutal da direita, ir criar mais um partido politico.

        Sendo objectivamente , e disso não tenho dúvidas, um grupo que aderiu ao BE , com um único objectivo o velho entrismo trotsquista, e que tiveram na realidade uma prática fraccionista, o Bloco de Esquerda, HÀ MUITO que deveria ter posto um travão a essa actividade.

        São questões diferentes.

        Julgo que seja fácil de entender , a não ser que o Ricardo Teixeira seja um aderente ao novel parido, ou se esteja a preparar para criar mais um.

  11. xatoo diz:

    bom,
    todos esses que se desentendem por aí em grupelhos sem um programa politico sério, marxista-leninista, podem sempre aderir ao MRPP – isto é, se cada um dos individuos se sujeitar a ser apenas mais uma voz que se obriga a submeter-se à democracia decidida pelo grupo reunido em Assembleia

    • Felipao diz:

      O MRPP marxista-leninista? Grande lol…..
      Xatoo, vai mas é apoiar o Manuel Alegre… Tu, o Garcia P. e o Sócrates…
      Vocês, MRPP, sabem lá o que é luta de classes.
      Nunca vos vejo em lado nenhum.

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