Polícia inventa perigoso alemão com mandado de captura da Interpol

A polícia e alguma imprensa apressaram-se a divulgar depois dos incidentes junto ao parlamento que o jovem alemão detido era conhecido como o “monstro”, tinha um mandado de detenção da interpol e estava fichado pela polícia alemã. Segundo fontes ligadas ao processo nada disso é verdade. Para edificação dos leitores e para que conheçam as mentiras de um Estado crescentemente policial, aqui fica o comunicado das pessoas que prestam apoio aos acusados:

COMUNICADO SOBRE OS ACONTECIMENTOS DO DIA DA GREVE GERAL DE 24 DE NOVEMBRO DE 2011

Considerando a manifestação de 24 de Novembro em Lisboa, dia de greve geral, os momentos de brutalidade policial que aí ocorreram, a difusão mediática destes acontecimentos e a natureza das acusações formuladas contra os manifestantes, sentimo-nos obrigados a reclamar o “direito de resposta” para impedir a calúnia gratuita e a perseguição política.

Acreditamos, por aquilo que vemos, ouvimos e lemos todos os dias, que a televisão e os jornais são poderosos meios de intoxicação, de controlo social e de propagação da ideologia e do imaginário capitalista. A maioria das vezes recusamo-nos a participar no jogo mediático. Desta vez a natureza e gravidade das acusações impele alguns de nós a escrever este comunicado. A leitura que fazemos da realidade e daquilo que é dito sobre os acontecimentos do dia da greve geral tornam evidente que:

I. Está em curso acelerado a mais violenta banalização de um estado policial com recurso a agentes infiltrados, detenções arbitrárias, espancamentos, perseguições, bem como a justificação política de detenções e a construção de processos judiciais delirantes sustentados em mentiras.

II. Sobe de escala a montagem jornalístico-policial que visa incriminar, perseguir e reprimir violentamente – veremos mesmo se não aprisionar – pessoas que partilham um determinado ideário político, pelo simples facto de partilharem esse ideário. A colaboração entre jornalistas e polícias na construção de um contexto criminalizante tem o seu expoente máximo nas narrativas delirantes da admirável Valentina Marcelino do Diário de Notícias e das suas fontes, como José Manuel Anes do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.

III. A participação na construção deste discurso por parte de inúmeras instâncias de poder, desde sindicatos e partidos até ao mais irrelevante comentador de serviço, cria o clima ideal para que o anátema lançado sobre os “anarquistas” ou os “extremistas de esquerda” ajude a legitimar a montagem de processos judiciais, a invasão de casas, as detenções sumárias. Ao contrário do que a maioria pensa, são realidades com as quais convivemos há já algum tempo.

Por isso mesmo, vimos deste modo dar a nossa versão do que aconteceu no dia 24 de Novembro. Sendo que acreditamos que estamos especialmente bem colocados para falar do que aconteceu porque criámos um “Grupo de Apoio Legal”, que acompanhou a manifestação e está a procurar defender judicial e publicamente os detidos nesse dia por forças da ordem pública.

Fazemo-lo não por se tratar de companheiros “anarquistas”. Aliás, não só nenhum deles se conhecia entre si antes de ser detido, como nenhum de nós conhecia previamente nenhum dos detidos – a própria polícia será testemunha de que nem sabíamos os seus nomes.

Fazemo-lo porque – ao contrário dos sindicatos – consideramos que é nossa responsabilidade, enquanto indivíduos lúcidos, activos e organizados, apoiar e mostrar solidariedade com todas as pessoas que se juntam a uma greve que nós também convocámos. Sobretudo para com aqueles que foram vítimas de repressão e perseguição na sequência desse dia.

Temos por isso acesso aos processos e estamos neste momento a reunir provas e testemunhos que possam repor a “verdade legal” que, sabemos já, chegará tarde de mais para ser atendida pelos ritmos e critérios jornalísticos. Sobre o que aconteceu no dia 24 Novembro em São Bento temos testemunhos, vídeos e fotos que documentam o seguinte:

_Não sabemos exactamente o que aconteceu nos segundos de agitação em que as grades de contenção foram derrubadas. Infelizmente não estávamos no local e não pudemos participar. Sabemos apenas que, na sequência dessa confusão, um grupo de três polícias infiltrados apontou um alvo, num canto oposto a onde se deu o derrube (na rampa junto à Calçada da Estrela). Esse alvo era um rapaz de 17 anos, estudante no Liceu Camões. Poucos minutos depois, já fora da manifestação e em plena Calçada da Estrela, os três homens não identificados abordaram o rapaz e enfiaram-no num carro sem anúncio prévio de detenção. Várias pessoas, entre elas alguns colegas e professores, manifestaram-se contra essa detenção, aparentemente injustificada. Mais tarde, outro homem com cerca de 30 anos é detido de forma idêntica.

_Pode-se ainda observar claramente em vários vídeos que as três detenções que tiveram lugar no local onde as barreiras policiais foram derrubadas foram levadas a cabo por agentes não identificados que entraram no corpo da manifestação para deter, arrastar e algemar sem qualquer aviso os manifestantes. Segundo as leis que os próprios dizem defender, qualquer detenção com estas características tem um nome: sequestro.

_Já no fundo da Calçada da Estrela, três jovens dirigiam-se ao Minipreço da Rua de S. Bento quando um grupo de quatro homens que não se identificaram como agentes policiais, agarrou um deles e o encostou à parede. Enquanto um dos agentes à paisana afastava os outros dois, um rapaz com 21 anos de origem alemã era agredido brutalmente, como foi testemunhado por várias pessoas e registado em vídeo. Tudo indica que o agente que a polícia diz ter sido ferido se magoou na sequência desta detenção ilegal no momento em que o rapaz alemão procurava resistir a uma agressão sem sequer perceber ainda o que lhe estava a acontecer. A polícia veio mais tarde justificar a sua acção pelo facto de o rapaz ser perigoso e procurado pela Interpol.

Parece-nos da ordem do fantástico que todos os jornalistas e comentadores que se pronunciaram sobre o sucedido pareçam acreditar que um juiz de instrução possa libertar imediatamente alguém procurado pela INTERPOL.

O que para nós fica claro, após os acontecimentos descritos, é que se preparam novos métodos de contenção social e se assiste a uma escalada na repressão de qualquer gesto de contestação.

Neste contexto, o anúncio de que o ataque às montras de repartições de finanças foi obra de “anarquistas extremistas” é o corolário de uma operação que visa marginalizar e criminalizar toda a dissidência e toda a oposição activa ao regime que se procura impor. Não é apresentada nenhuma prova, nenhum indício que sustente sequer uma suspeita, quanto mais uma acusação.

Tornou-se uma evidência nestes anos de crise que os Estados e os seus gabinetes de finanças, têm em curso um roubo organizado das populações, através de impostos que servem em grande medida para cobrir os grandes roubos nas altas esferas do poder e da economia. Neste sentido, a criminalização dos anarquistas, e a sua identificação como o inimigo interno, serve sobretudo para isolar esses acontecimentos do crescente sentimento de revolta e da tomada de consciência social que atravessa a sociedade no seu todo.

Dito isto, é preciso salientar que um “anarquista” é, antes de tudo, um defensor da liberdade individual, da autonomia e da organização horizontal e igualitária; Que, não existindo nenhum partido ou organização central que emita uma posição correspondente àquilo que “todos os anarquistas” pensam, este comunicado é apenas uma visão parcial de alguns indivíduos que partilham um património filosófico e social que são as ideias anarquistas. Uma versão naturalmente sujeita a críticas e discussão por parte dos nossos amigos e companheiros.

Por fim, gostávamos apenas de recordar a todas as pessoas que lutam para manter a sua lucidez, que o regime implantado no dia 28 de Maio de 1926 começou precisamente por se justificar com a necessidade de combater a anarquia e de reprimir os anarquistas, que nessa altura se organizavam em torno da Confederação Geral do Trabalho. Hoje é fácil perceber a natureza desse regime, nessa altura não o era.

Ontem como hoje, cada um de nós tem que decidir individualmente se toma posição activa contra o que está a acontecer ou se, com a sua passividade, colabora com o estado de coisas.

Grupo de Apoio Legal para o 24N

Lisboa, 28 de Novembro de 2011

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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22 respostas a Polícia inventa perigoso alemão com mandado de captura da Interpol

  1. Leitor Costumeiro diz:

    Vou imprimir e distribuir isto….Clap!Clap!ClapClap!

  2. Copiei para divulgação na minha Ira.
    Cumps.

  3. De diz:

    Para além dos “intermediários” em todo este processo, a saber,os ditos “infiltrados”,o ou os agressores, os media e as “vozes do dono” tipo Anes e afins, é importante que se diga que a responsabilidade pelo sucedido passa pelos responsáveis maiores pela actual situação.
    O “ministro do interior” pode ser claramente apontado como co-responsável por tais crimes se a sua omissão, o seu silêncio ou a sua passividade persistirem.

    Nesse caso também Passos Coelho pode ser acusado de actos criminosos, se também ele persistir no encobrimento dos criminosos e na política deliberada da criação de um estado policial.

    Ou seja,que sejam responsabilizados as “mãos” que chafurdam na violência gratuita.Mas também os seus cúmplices e os seus mandantes.

  4. António Costa diz:

    Só tenho uma coisa para dizer:ELES SÃO OS HERDEIROS NATURAIS DA PLOCIA POLITICA DO REGIME FASCISTA. ELAS SÃO OS FILHOS DA PIDE. VEMOS,OUVIMOS E LEMOS NÃO PODEMOS IGNORAR. DENUNCIAR,DENUNCIAR,DENUNCIAR.

  5. Paulo Raposo diz:

    Gostava apenas de atestar que presenciei junatmente com várias outras pessoas a prisão do cidadão alemão – que desconheço quem seja – porque me encontrava naquele preciso momento perto do local onde ele foi brutal e violentamente interpelado por 3 dos 4 individuos, aparentemente policias à paisana infiltrados na manifestação. Posso atestar que se encontravam de facto na manifestação porque os observei em passo apressado a sairem do interior da concentração de manifestantes, facto que me chamou a atenção e que me levou a segui-los por alguns metros. Essa suspeita veio-se a revelar momentos depois ainda mais brutal. O seu passo rápido e vestindo camisolas com capuzes levou-me a tentar perceber quem eram e por isso segui-os durante cerca de 5-10 metros mesmo quando viraram a esquina da Claçada da Estrela descendo em direcção a um casal (com um cão) que abandonava tranquilamente aquele local e que foi interpelado de forma absolutamente excessiva e desproporcional. A rapariga que conduzia o cão pela trela foi separada e afastada por um dos 4 elementos à paisana e o rapaz foi violentamente encostado à parede e de imediato espancado sem qualquer razão aparente, tendo entretanto tentado reagir a esta brutal interpelação. Foi várias empurrado, maneatado e lançado ao chão sob o olhar atónito e incrédulo das poucas pessoas que ali estavam naqueles primeiros instantes…pude ainda ver que um dos elementos à paisana sacou de um objecto – na altura pareceu-me até uma arma de fogo, mas logo de seguida verifiquei que se tratava de um pequeno bastão flexível – com que bateu violenta e reptidamente no individuo que se tentava defender como podia já no chão. Nessa altura, aos gritos e protestos de vários presentes, acabou por chegar mais gente, televisões e fotógrafos e ainda um grupo de policias devidamente fardados que interromperam o conflito e acabaram por prender o sujeito e o arrastarem de forma inaceitável pela rua acima. Pouco depois os agentes infiltrados e à paisana, tentando ocultar os rostos, abandonaram também o local escoltados pela policia.
    A situações lamentáveis e deploráveis como esta, confesso, não esperava mais poder assistir num país que realizou há 30 anos uma revolução democrática. E que, entre muitas outras coisas, permitiu extinguir um corpo policial de perseguição politica como era a PIDE-DGS. Mas assisti. E de facto parecem não ser situações únicas nos últimos tempos. Não vivemos um estado de perseguição constante e odiosa como na ditadura é certo, mas a tensão gerada em contextos de contestação social pública é cada vez mais evidente e tende a ser sistematicamente resolvida pelo uso inapropriado de violência policial e de repressão com limites mal definidos. Das duas uma: ou alguém se excedeu no uso indívido da força e realizou uma detenção fora dos limites da lei ou o Estado – através do Ministério respectivo – permitiu e autorizou o abominável recurso a agentes infiltrados numa manifestação onde, por legitimo direito constitucional, se contestavam políticas e medidas governativas na praça pública. Aguardo com curiosidade e também com vigilância acrescida que desfecho poderá ser dado a este caso e que singular acusação poderá ser feita. Incendiários foram seguramente estes incidentes repressivos que aliás se desenrolaram ao longo de todo o dia de greve geral e de contestação popular e por isso deve responder não apenas os policias que abusaram da força, mas também o ministro da tutela pelo falso testemunho sobre agentes infiltrados e finalmente o chefe de governo pelo estranho aviso lançado em Outubr sobre formas de constestação social e sua contenção legal e repressora.

  6. antifa diz:

    Cruz Negra, presente!

  7. Tiago de Lemos Peixoto diz:

    Manifestando desde já a solidariedade para com os detidos e fazendo passar toda e qualquer informação que possa contribuir para a clarificação dos factos, não posso deixar de lamentar aqui um, patente neste comunicado: a repetida insinuação dos sindicatos como fazendo parte activa das forças de manipulação da informação, tão mais grave por, ao contrário das responsabilidades da administração interna, soar oca e sem fundamento ou prova. Afirma-se e bem que se verifica nestas acções da polícia uma tentativa de demonizar as manifestações legítimas da população; relembro no entanto que esse é apenas meio objectivo. O outro, que a julgar por algumas afirmações neste comunicado, está a ser bem conseguido é o de provocar divisão entre todos os que, partilhando do mesmo repúdio à agressão governamental, deveriam mostrar a união.

    • De diz:

      Um comentário lúcido que subscrevo na íntegra

    • Jonas_Portugal diz:

      Eu tambem defendia os sindicatos.. depois desta greve geral deixei de o fazer.. Reparaste no Cordao “Policial” feito por “seguranças” da CGTP a impedir que os manifestantes nao afectos a CGTP entrassem no largo de Sao Bento enquanto o discurso do carvalho da silva nao terminasse? Defendem uma liberdade diferente da minha.. liberdade é para todos, nao so para os nossos interesses. A luta é de todos..

  8. Pingback: MACEDOFINGER 007 – O meliante mentiroso ao serviço da brutalidade policial, do ataque à greve, da frau Merkel e do herr FMI. | cinco dias

  9. Nuno diz:

    Que teorias da conspiração! minha nossa! Claro, todas as outras noticias sao mediatismo e esta não é. Dizem sempre que tudo foi gravado em video mas cadê os videos? nem velos..

  10. JgMenos diz:

    “… o rapaz alemão procurava resistir a uma agressão sem sequer perceber ainda o que lhe estava a acontecer”.
    Presumivelmente um típico turista em Lisboa, cria uma oportunidade essencial à afirmação da ideologia anarco-esquerdina -> uma vítima da brutalidade repressiva do governo!
    Providencial intervenção de um cassetete, instrumento indispensável a que entrem nas cabeças deste povo cego e surdo, as ideias que hão-de regenerar esta sociedade corrupta!!!!

  11. Zé Carlos diz:

    “Fazemo-lo porque – ao contrário dos sindicatos – consideramos que é nossa responsabilidade, enquanto indivíduos lúcidos, activos e organizados, apoiar e mostrar solidariedade com todas as pessoas que se juntam a uma greve que nós também convocámos. Sobretudo para com aqueles que foram vítimas de repressão e perseguição na sequência desse dia.”

    Mas nem uma palavra sobre os membros dos piquetes de greve que foram vitimas de repressão… ah esses não interessam, esses são dos sindicatos, indivíduos que não são lúcidos e muito menos activos e organizados.
    Já sabemos, os anarquistas convocam greves gerais e esta foi mais uma, que não existia se não fossem os anarquistas, em suma, são a pureza da luta.
    Amanhã compro um djambé e uma tenda na decathlon e fico em plenas condições de combater o capital.

    • A luta sindical, a meu ver, não é a temática central deste artigo, mas, não posso deixar de destacar 2 coisas:
      – A luta sindical é importante e os anarquistas sempre estiveram ligados ao sindicalismo, embora como saibamos, hoje em dia em Portugal a influência partidária é notária e inegável.
      – Em Évora, pacificamente, alguns “anónimos” quizeram juntar-se aos protextos e foram expulsos e ameaçados pelos piquetes sindicais, numa clara desmarcação dos sindicatos da luta global que está a ser travada contra o neo-liberalismo selvagem.

  12. Mas tudo indica que nenhum elemento de um piquete de greve foi detido durante o dia da greve geral. Pelo contrário, sabemos que 7 pessoas foram presas na manifestação e uma delas, pelo que mostram as imagens, até chegou a S. Bento na manifestação da CGTP. É um homem com o colete dos estivadores que está na primeira fila quando são derrubadas as grade.
    É verdade – mesmo que se lamente o facto – que nenhum sindicato se solidarizou, até agora, com as pessoas detidas, nas condições que se conhecem. A parte do djambé e da decathlon é daquelas coisas que se escreve quando não se quer debater nada e coisa nenhuma. Em que parte do comunicado é que se afirma que os membros dos piquetes são “indivíduos que não são lúcidos e muito menos activos e organizados”? Em lado nenhum, não é?
    Se o que se critica é o facto de não ter estado mais gente disponível para integrar piquetes na madrugada da greve geral, talvez seja essa a discussão que mais interessa a quem quer combater a austeridade, a troika, o patronato, a repressão policial e assim sucessivamente, não? Como fazer para garantir que uma greve é geral?

  13. Pingback: Sobre os polícias infiltrados nas manifestações | Sentidos Distintos

  14. Zé Carlos diz:

    Ficámos a saber pelo Ricardo Noronha que não houve repressão sobre os piquetes porque não houve nenhum detido. ( fiquei mais descansado)
    Mas é preciso ser detido para ser considerado vitima de repressão?
    Claro que não se pode contar com a esmagadora maioria dos acampados, indignados, atrofiados… para os piquetes de madrugada, porque a essa hora estão na caminha a ganhar forças para ir brincar para a porta da Assembleia ao sobe e desce degrau a rezar para serem agredidos pela policia.

    Felizmente houve muitos trabalhadores nos piquetes de Greve e souberam estar à altura das suas responsabilidades.
    É com os sindicatos que podemos derrotar a austeridade, a troika, o patronato, a repressão policial. etc

  15. Slap diz:

    Onde é que estão os nossos capitães de Abril?

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