Eleições em Espanha, breves notas

1 – Vitória da Esquerda Radical Independentista Basca

A deposição das armas abriu caminho a uma nova etapa pela luta de autodeterminação do povo Basco. Este é um resultado que dá espaço para o intensificar da luta política pela independência e por uma nação mais justa, livre e fraterna. Só quem não sabe, ou escolhe não saber, o mínimo acerca do que se passa e passou em Euskal Herria, é que pode ficar “desconcertado” (como ouvi na TV à pouco) com o resultado da coligação AIMUR, já aqui referido. Um dado importante é que esta foi a única região do Estado Espanhol onde a abstenção diminuiu. De referir também que na Catalunha pela primeira vez os nacionalistas conservadores da CiU ganham as eleições.

2 – Esquerda Unida quintuplica representação

Depois de anos de definhamento, a coligação IU consegue um resultado em que passa de 2 para 11 deputados e mais importante, obtém quase 1 milhão e setecentos mil votos sendo a terceira força a nível nacional. Para além da Esquerda unida várias outras forças conseguem um lugar nas “cortes”, sendo este o parlamento mais fragmentado, creio que desde sempre (sendo que as primeiras eleições foram lá por 1977… não há tanto tempo assim).

3 – Um Homem como Deus manda, abençoado na noite eleitoral, será o próximo primeiro ministro.

Last but not least, a direita dura Espanholista arrasou o “lado humano” do regime. Mas se arrasou em Castela e arredores, o espanholismo retrocedeu quer na Catalunha, quer especialmente no País Basco. As tensões identitárias vão se aprofundar, para mais com a crise a desenvolver-se de dia para dia, estas fracturas no tecido social Espanhol só se vão acentuar (também estou para ver o que se vai passar em Itália…). Aliás Rajoy (ou lá como se chama) não vai ter espaço de manobra, o dia da sua vitória marca mais uma derrota face aos mercados.

A Direita chega assim ao poder num clima económico recessivo e que só vai piorar, num país com um movimento social pujante e onde a Esquerda mais a sério se reforçou. Os fariseus bem podem espumar, pressentem o que se avizinha. Até porque a dita “viragem” eleitoral à direita, não significa que a sociedade Espanhola, na sua maioria tenha virado à direita. O PP arrasa porque o eleitorado do PSOE se absteve em massa (poucos foram os eleitores PSOE que passaram para o PP, houve mais a passar para a Esquerda Unida e outros pequenos partidos) e ao mesmo tempo conseguiu mobilizar os seus fiéis em força.

No Estado Espanhol estes resultados são um sintoma da crescente polarização política, social e territorial. Se as coisas por aqui serão animadas, então com os “nuestros hermanos” vai ser um circo!

Não vai faltar muito para termos excelentes vídeos como o abaixo, que desde já dedico a Rajoy, ao PP e restantes fariseus.

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21 respostas a Eleições em Espanha, breves notas

  1. Gentleman diz:

    «Até porque a dita “viragem” eleitoral à direita, não significa que a sociedade Espanhola, na sua maioria tenha virado à direita. O PP arrasa porque o eleitorado do PSOE se absteve em massa (poucos foram os eleitores PSOE que passaram para o PP, houve mais a passar para a Esquerda Unida e outros pequenos partidos) e ao mesmo tempo conseguiu mobilizar os seus fiéis em força.»

    Quem cala consente. Quem não se abstém é que conta. E o que conta é que a Direita espanhola teve a sua maior vitória desde 1975.
    De entre os fatos mais relevantes esqueceu-se de mencionar o UPyD. É um partido moderno, com um discurso racional, liberto da canga ideológica e/ou nacionalista que caracteriza os outros pequenos partidos. Uma lufada de ar fresco no panorama político espanhol. Pese embora tenha tido o triplo dos votos do Amaiur, o sistema eleitoral espanhol fez com que obtivesse menos 2 lugares.

    • De diz:

      Quem cala consente?
      Ou a versão Gentleman do prof Cavaco Silva quando punha em questão o direito de cidadania aos que não votassem.

      Pois é.
      Independentemente do que disse Cavaco,independentemente do que diz Gentleman, a realidade é mais forte do que os desejos destes personagens.
      E como expressa e bem o post de Francisco Furtado a realidade social não é apenas contabilizada em votos.Era o que mais faltava.Ninguém tem os seus direitos em causa pelo facto de (infelizmente) não ter votado.E a vida política,o direito à indignação,o direito à luta e à revolta mantêm-se integros.
      Sorry Gentleman.
      Percebe-se algum triunfalismo quando Gentleman prega que a direita teve a maior vitória patati-patata.
      O tecido social de Espanha não está com ela.A direita é ainda minoritária,não só em votos como na população espanhola
      Sorry Gentleman.
      Ah e bem podem espumar os fariseus

      • Gentleman diz:

        LOL
        O De Pavlov em mais uma das suas demonstrações de cegueira patológica.

      • Oliveira diz:

        Pois chamem o que lhes aprouver, que eles bem para aí estão virados.
        O que é um facto é que a direita ganhou a maioria absoluta no parlamento espanhol, e os que não votaram podem chorar, manifestar, mas já não eleger quem queriam!
        Parece que não se sai das vitórias morais!
        Mesmo no País Basco, com a vitória da esquerda nacionalista, esta vitória foi em número de deputados. O PNV, nacionalista de direita, teve um maior número de votos e até o PP espanholista ganhou na Araba.

        • De diz:

          Por favor,não faça birras!
          Leia:
          “o espanholismo retrocedeu quer na Catalunha, quer especialmente no País Basco. As tensões identitárias vão se aprofundar, para mais com a crise a desenvolver-se de dia para dia, estas fracturas no tecido social Espanhol só se vão acentuar (também estou para ver o que se vai passar em Itália…). Aliás Rajoy (ou lá como se chama) não vai ter espaço de manobra, o dia da sua vitória marca mais uma derrota face aos mercados.”

          Ah,os “mercados” que tanto ama e venera estão a dar a resposta adequada …a esta vitória de Pirro.

          Viva a Greve Geral!

    • De diz:

      A lei eleitoral é feita para fomentar o bi-partidarismo, em que quem anda à liça de facto não constitui qualquer alternativa.
      Uma espécie de dupla em que o poder económico,o grande poder económico, nunca tem nada a perder,qualquer que seja o resultado eleitoral.
      Depois vêm os fariseus do costume pregar pela vitória da democracia e pelas maiorias “absolutas”…que afinal não são nem uma nem outra.

      O PP não tem a maioria absoluta,tal como a quadrilha de malfeitores que nos governa.
      E isso é convenientemente abafado pelos próceres do regime.

      • Gentleman diz:

        «O PP não tem a maioria absoluta»

        Claro que o PP obteve maioria absoluta! 186 deputados de um total de 350. E 136 senadores de um total de 208. Por esta pérola, dá para ter uma pequena ideia do grau de alheamento da realidade de que padece o De Pavlov…

        A lei eleitoral favorece é muito os partidos nacionalistas. Por isso é que, apesar de terem tido menos votos que o UPyD, os seguintes partidos obtiveram um número igual ou superior de deputados:
        – CiU
        – Amaiur
        – PNV

        • De diz:

          Eu sei que tem algumas dificuldades

          Eu sei mas leia de novo a ver se percebe:
          “Depois vêm os fariseus do costume pregar pela vitória da democracia e pelas maiorias “absolutas”…que afinal não são nem uma nem outra.
          O PP não tem a maioria absoluta,tal como a quadrilha de malfeitores que nos governa.
          A direita é ainda minoritária,não só em votos como na população espanhola”

          Ei,Gentleman,a maioria absoluta em mandatos não corresponde nem sequer maioria absoluta em votos.
          Percebe agora?
          Eu sei que já percebeu.Quer é tentar dourar a pílula atrás denunciada.
          Sorry Gentleman.Não passa
          “Pero no sólo los partidos regionalistas son los grandes beneficiados por el vigente sistema basado en 52 circunscripciones. Los grandes también salen bien parados. De hecho, al PP le cuesta 58.229 votos cada diputado y al PSOE algo más: 63.398.
          e continua a informação:
          Si el Parlamento entrante se creara a partir de un sistema sin circunscripciones electorales, el PP no habría obtenido la mayoría absoluta: se habría quedado con 160 escaños, 26 menos de los alcanzados ahora.”

          E Gentleman..eu sei que tenta..mas repare aí..a esquerda unida deveria ter mais..14 lugares.
          O silêncio de Gentleman sobre o assunto é ensurdecedor

          “O tecido social de Espanha não está com ela.A direita é ainda minoritária,não só em votos como na população espanhola
          Sorry Gentleman.”

      • Oliveira diz:

        Comentar que a lei eleitoral espanhola é feita para fomentar o bi-partidarismo é de uma cretinice inominável!
        Este tipo não leu a notícia? Não se apercebe dos disparates que escreve?
        Não leu que precisamente este parlamento será o mais fragmentado de todos?

        • De diz:

          Oliveira.
          A sua propensão para o insulto só tem comparação com a sua “cretinice”.
          (cretinice é um termo seu…eu só o exponho mais as suas “qualidades”)
          Leia:
          “Pero no sólo los partidos regionalistas son los grandes beneficiados por el vigente sistema basado en 52 circunscripciones. Los grandes también salen bien parados. De hecho, al PP le cuesta 58.229 votos cada diputado y al PSOE algo más: 63.398.
          Se se fosse respeitar a proporcionalidade…

          Greve Geral!

  2. De diz:

    Gostei de ler!

  3. An Lage diz:

    Sabemos bem que os esquerdosos podem descer baixo. Basta ver o seu apoio e branqueamento de ditaduras por todo o lado e o surto de anti-semitismo que tem ocorrido. Agora brindam-nos com uma das suas performances rastejantes mais corriqueiras, a defesa do nacionalismo bacoco.

    • De diz:

      An Lage:
      “Esquerdosos” é um termo feio.
      Branqueamento de ditaduras tem a ver com algum processo de lavagem em que vossemecê parece ser especialista.
      O surto de anti-semitismo que parece que lhe ocorreu agora é algo que parece dar naqueles que defendem o estado-pária de Israel,enquanto vão cantando hossanas aos sionistas de serviço.
      A sua performance é assim para o “esquisito”.Admito que seja rastejante.Quem sou eu para desdizê-lo

      Pode-se dizer que o seu comentário tenta ajustar contas particulares com algumas das suas frustrações peculiares.É um direito que lhe assiste.
      Já quanto ao bacoco comentário sobre a defesa do nacionalismo..que quer?
      Há quem não se encafue na Grande Espanha.Em Portugal se não tivesse conquistado a independência em 1640 estaríamos muitos de nós a lutar para nos libertarmos da garra espanhola.Como estamos agora a lutar contra o sufoco da troika.Ah,já agora,também em 1640 houve portugueses que se colocaram ao lado de Espanha.Curiosamente regra geral pertencentes às classes dominantes.Miguéis de Vasconcelos que se replicaram nos tempos actuais.
      Em vez de ir dar banho ao cão tente ler de novo o texto.Pode ser que apreenda um pouco mais

  4. deletereo diz:

    A Galiza (e Valência, e as Astúrias…) foram agora depromovidas a serem “Castela e arredores”???

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