Século XXI: Guerra, Ditadura e Revolução

Ora aqui está uma óptima banda sonora para a primeira metade deste século… A História não se repete, mas há fases semelhantes… E a primeira metade do século XXI parece ter várias parecenças com  a primeira metade do século passado. Só não sei é se apesar de todo o sofrimento no final virá a vitória.

Europa e Ditadura

Itália precisa de reformas, não de eleições. Precisa mesmo é de lideres e governos não eleitos para aplicar medidas contra os interesses dos povos. Precisa que responsáveis do Banco Central Europeu e Comissão Europeia tomem o poder sem interposta pessoa.  Precisa que o poder seja entregue aqueles que estão entre os maiores responsáveis pela crise a que assistimos! O caso Grego toca as raias do ridículo. O actual Primeiro Ministro (ou Vice Rei do Reich para a Grécia) foi nem mais nem menos do que o governador do banco central grego de  1994 a 2002 e depois disso foi para o Banco Central Europeu, ajudou a falsificar as contas para a Grécia entrar no Euro, depois foi para o BCE  e agora regressa a casa para a dar a estocada final na Democracia Grega. Paradigmático.

Com os juros da Itália e Espanha a subirem inexoravelmente, não há como disfarçar. Onde Merkel desmentia, os Holandeses afirmam ao mais alto nível (sim porque a Alemanha nunca esteve sozinha, nem agora, nem na segunda guerra ou na primeira, sempre teve os seus satélites) o Euro é para desmembrar. E adivinhem onde cai o jardim à beira mar plantado?

As consequências da crise da dívida estão rapidamente a afectar toda a super-estrutura política e social. Dos regimes vigentes não restará senão a sua memória. Há quem com o privilégio da distância faça uma análise bem mais objectiva do que vamos lendo nos pasquins cá da terra.

Guerra

As Guerras sempre se deram muito bem com períodos destes. Aliás muitas vezes até são a solução. Aqui ao pé no Médio Oriente, mais do que as ameaças ao Irão, a guerra civil na Síria pode incendiar toda a região e mais além. Qualquer intervenção externa declarada (na prática pelo menos a Turquia está a servir de base aos grupos armados anti-regime) terá consequências que farão parecer a Guerra na Líbia um piquenique. E posso até não gostar particularmente do regime, mas que se tirem lições do que se passou na Líbia. Uma guerra sem fim à vista, em que a NATO se serviu dos elementos mais reaccionários, racistas e fundamentalistas (o que como já se viu acaba por nem sempre ser um negócio limpo para o império) Líbios para derrubar um ditador excêntrico quem nem sempre fez as vénias devidas aos “masters of the universe”.

Revolução

Mas quando um extenso rol de abusos e usurpações, invariavelmente com um mesmo Objetivo, evidencia a intenção de o enfraquecer sob um Despotismo absoluto, é seu direito, é seu dever, destituir tal Governo e nomear novos Guardas para a sua segurança futura.

Estamos no limiar descrito na Declaração acima, um dos documentos fundadores da modernidade e dos regimes parlamentares liberais semi-democratas. Pode se qualificar de várias maneiras os regimes que vieram na sequência desta declaração, o que é facto é que no final do século XVIII a humanidade deu um salto gigantesco no sentido do progresso. E esse salto foi fundamentado no direito… no dever! da rebelião contra o despotismo.

Na Grécia há sinais de um possível golpe de estado militar e até há quem o defenda (aliás olhem lá para o Ministro dos Transportes há uns anos atrás, era um destes que a Helena Matos queria cá no Burgo).

Por cá o Otelo mandou umas bocas, e mais do que isso declarações anteriores da Associação de Sargentos, a manifestação dos militares este sábado, a adesão considerável de vários corpos da polícia e GNR à manifestação da CGTP são indicadores que em Portugal “as forças da ordem”, pelo menos, não têm uma tradição que as torne fáceis instrumentos de cooptar para aventuras golpistas. Face a cenários de conflitualidade e miséria social como na Grécia as rachas que aí surgirem podem até vir a surpreender as Helenas Matos da vida…

Mas o fundamental é que por vezes “a Revolução precisa do chicote da contra-revolução“, e isso não vai faltar. A era que se avizinha trará a ditadura com certeza, mas noutras paragens ou momentos trará a Revolução. O Daniel já percebeu e vão ser cada vez mais. O desfecho destas batalhas dependerá de vários factores, um deles é o da actuação das forças e elementos pró-democratas em cada estado-nação. A ver se se vão tirando lições (conhecer a perspectiva dos inimigos é sempre importante) e se se percebe quem é o inimigo a abater em vez de se andar à porrada uns com os outros.

E no meio do cenário Épico-Trágico há sempre o Bobo… Deve estar a começar a perceber que entre governar um país e dar umas aulas na academia vai uma grande diferença.

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4 respostas a Século XXI: Guerra, Ditadura e Revolução

  1. De diz:

    Gostei de ler.
    …e com informação que desconhecia em absoluto.Como por exemplo o do proto-fascista ministro dos transportes gregos (bem colocado ao lado de Helena Matos)

  2. Subscrevo e acrescento: o CDS dá asco!

  3. Pingback: Aprende a nadar companheiro, que a maré se vai levantar! | cinco dias

  4. Golda Brigmond diz:

    Obrigado por esta blogs. Ele está muito bem concebido e eu adoro o conteúdo. Muito bom!

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