Preparação de uma Greve Geral: os protagonistas, os lugares, as tarefas, os plenários. Nem sós, nem isolados, nem escondidos. Das razões porque devem os trabalhadores CONTRATADOS fazer a greve no seu local de trabalho e todos os outros devem tomar a rua, a palavra e o futuro.

O Pedro não tem razão nem aqui nem aqui. A greve geral, para ser efectivamente geral, não deve ser apenas protagonizada pelos trabalhadores sindicalizados. Precários e desempregados não podem ou não têm local de trabalho onde fazer piquete mas não devem ser menos protagonistas por isso. A organização de manifestações, de concentrações e porque não também de actos de sabotagem, são ferramentas tão legítimas numa greve geral como um piquete de greve. Um trabalhador a recibo verde, sem qualquer direito, deve fazer greve no seu local de trabalho, colocando em risco o seu posto e a sua sobrevivência? E um desempregado, deve ficar em casa, confiando à central sindical todas as tarefas?

A CGTP, ao contrário de toda a tradição sindical internacional, não tem concebido manifestações em dia de greve. É uma opção legítima mas errada. Exclui centenas, senão milhares, de trabalhadores e desempregados que querem juntar-se a esta jornada de protesto. Para justificar a sua opção os companheiros não devem procurar ver nas formas de luta alternativas um perigoso movimento, de índole esquerdista, mas a salutar declinação e disseminação das formas de luta.

No dia 24, à falta de local de trabalho que te permita estar no piquete, usa e abusa da iniciativa política. Participa na Manifestação e na Assembleia Popular. A Greve Geral somos todos nós.

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43 respostas a Preparação de uma Greve Geral: os protagonistas, os lugares, as tarefas, os plenários. Nem sós, nem isolados, nem escondidos. Das razões porque devem os trabalhadores CONTRATADOS fazer a greve no seu local de trabalho e todos os outros devem tomar a rua, a palavra e o futuro.

  1. Grevista diz:

    E como propõe o Renato organizar manifestações dignas de se ver quando o objectivo é paralisar todos os sectores, incluindo os transportes?

  2. Bruno Carvalho diz:

    Renato, a força de uma greve geral deve-se, naturalmente, ao trabalho dos sindicatos que a convocam e que para ela trabalham. Isso não quer dizer que outros trabalhadores não possam participar activamente na sua preparação e na sua execução, coisa que o Pedro Penilo não exclui. Agora, que eu saiba não há nenhum trabalhador que não deva estar sindicalizado.

    E não sei porque se insiste na ideia de que os precários são uma coisa e os restantes trabalhadores outra. Insiste-se novamente em que os precários não podem fazer greve porque ou não podem porque serão despedidos ou porque não têm local de trabalho. Em primeiro lugar, os que têm local de trabalho devem fazer greve porque hoje em dia quase todos os trabalhadores, mesmo os que estão no quadro das empresas ou do Estado, têm o futuro incerto. Insistir que eles podem não fazer greve e que não vale a pena fazer piquetes à porta dos Call Center, para dar um exemplo, é simplesmente vergonhoso e abrir caminho à desmobilização. Sendo assim, há razões em quase todos os locais de trabalho para justificar quem fura as greves. Os precários podem e devem fazer greve junto dos restantes trabalhadores. Em segundo lugar, ainda que haja precários que não tenham local de trabalho esses são uma minoria. E a maioria dessa minoria, corrijam-me se estou errado, são freelancers ou verdadeiros recibos verdes (se há falsos também há verdadeiros recibos verdes). Esses poderão participar voluntariamente como todos os profissionais liberais que estejam solidários com a greve geral. Assim como os pequenos comerciantes que têm a sua loja e também devem parar. E os desempregados, claro, devem ajudar. Essa é, aliás, uma não discussão porque quem quiser participa nos piquetes, seja precário, liberal, desempregado, comerciante, etc.

    Eu não acho que as concentrações e manifestações sejam sempre actos de sabotagem. Mas, muitas vezes, podem configurar um espaço para a participação de todos aqueles que furaram a greve abrindo caminho à aceitação do acto de furar uma greve porque se foi a uma manifestação. Quando uma greve geral é uma greve geral e não uma manifestação ou uma concentração ainda que elas possam coexistir. Uma greve geral é paralisar o país e não é convoca-la, deixar que a produção continue e depois, lá pela tardinha, ir à manifestação fingir que a greve geral foi um sucesso. Por isso, concordo que possa haver outras acções para além da greve geral desde que não impliquem o uso de transportes, o desvio de piquetes e uma desculpa para não se fazer greve.

    De resto, agora que a CGTP convocou concentrações não percebo o timing desta discussão que o Renato Teixeira lança. Tem de haver sempre alguma coisa com que não concordem? Sentem-se fragilizados se disserem que estão de acordo com as decisões da CGTP? Ou é esse hábito crónico de que tudo o que vem da CGTP ou do PCP é mau? É a única razão que vejo para que insistas e escrevas um post em que escondes que a CGTP convocou concentrações! Mais. Foram capazes de convocar uma manifestação quando já havia uma concentração marcada pela CGTP para as 15h em frente à Assembleia da República. É lixado quando se anda à procura de protagonismo a todo o custo.

    • Renato Teixeira diz:

      Bruno, concentrações não são manifestações. Se há condições para as primeiras porque não há para as segundas?

      Dizes que o Pedro Penilo não exclui “que outros trabalhadores não possam participar activamente na sua preparação e na sua execução”, mas não demonstras onde é que os inclui. A omissão não me parece vazia de significado.

      Dizes que “não há nenhum trabalhador que não deva estar sindicalizado” e eu pergunto-te onde queres que se sindicalize quem não tem vinculo ou quem tem trabalhos que não têm sindicato? Nota também, a propósito disto, que a referência que eu faço diz respeito aos “contratados”, que podem usufruir do direito à greve sem os constrangimentos dos precários. Não te parece diferença de monta?

      O único factor de desmobilização que encontro é não se entender a greve geral como um palco onde todos os trabalhadores têm o mesmo protagonismo.

      • Bruno Carvalho diz:

        Até pode haver condições para as duas mas a CGTP convocou concentrações. Provavelmente, analisou e achou que o melhor são concentrações. Ou isto é protesto a la carte? Mas, claro, para conseguirem algum protagonismo e para marcarem alguma diferença marcaram uma manifestação…

        Qualquer trabalhador pode participar na sua preparação e execução. Em todo o lado, aparecem pichagens e murais, cartazes e pendões, etc. Custa muito a malta arranjar tinta e umas latas de spray e ir para a rua pintar? Para os piquetes é contactar a CGTP (ou a UGT, se preferirem).

        Não há nenhum trabalhador que não se possa sindicalizar, com ou sem vínculo. Admito que possa haver profissões que não estejam directamente abrangidas por um sindicato mas, normalmente, há sindicatos que abrangem várias áreas. Por exemplo, no sindicato onde se organizam os estivadores também se organizam agentes de turismo. Acho que é o da marinha mercante.

        Todos os trabalhadores têm direito à greve. Naturalmente, os falsos recibos verdes têm mais constrangimentos. Mas precários são todos, desde o falso recibo verde ao contratado a seis meses. Uns terão mais medo, outros menos. Uns serão mais facilmente despedidos, outros não tanto. Mas se começarmos a aceitar que se possa não fazer greve por causa do vínculo, vai ser uma espécie de poema à Brecht: Primeiro, não fizeram os falsos recibos verdes porque não podiam. Depois os contratados porque não sei quê. Quando começaram a despedir os do quadro porque eram os únicos que lutavam (também pelos precários e contratados) e todos os outros aceitavam trabalhar a falsos recibos verdes, então percebi.

        De resto, continuo à espera que me expliques porque omitiste no teu post que a CGTP havia convocado concentrações.

    • Vasco diz:

      Boa Bruno. Repito que há malta com umas ideias estranhas – que quando há manifestações a CGTP deve marcar greves, mas quando há greves (para mais GERAIS) marcadas o que devia era haver manifestações.

      Todos os trabalhadores podem e devem estar sindicalizados e todos os trabalhadores – sindicalizados ou não – podem e devem fazer greve! E toda a gente pode dar uma ajuda nos piquetes, no esclarecimento e na mobilização para a greve geral.

      • JMM diz:

        parece de propósito, não é? curiosidades… no dia em que a CGTP convocar uma manif “alguém” irá ter a ideia de convocar uma concentração noutro sítio qualquer. e será sempre assim…

        • JA diz:

          Parece haver um problema de comunicação. É que quando a CGTP organiza uma acção e outros se querem juntar, parece que é preciso credenciais (lembram-se da manif da cimeira da NATO? Até havia por lá uns camaradas de amarelo a separar manifestantes autorizados de não-autorizados). Lê-se então nos blogs coisas como “convoquem a vossa manif”. Quando alguém decide convocá-la sem consultar a CGTP, é porque só quer é dividir a malta e enfraquecer a greve. É lamentável como tanta gente tão inteligente não consiga perceber quem é que está do outro lado da barricada.

  3. i.tavares diz:

    O Pedro tem razão.
    Na GREVE GERAL,os trabalhadores devem permanecer nos seus locais de trabalho.
    Fazer Manif nesse dia,demonstra falta de visão política.

  4. Pingback: Greve Geral com Manifestação? Sim |

  5. i.tavares diz:

    Baseio-me no facto de que os postos de trabalho têm que ser defendidos e,os piquetes de greve
    quanto mais fortes mais eficazes serão.

  6. Nuno Rodrigues diz:

    O que interessa no fundo, é dividir para reinar. Por amor da santa.

    “Para justificar a sua opção os companheiros não devem procurar ver nas FORMAS DE LUTA ALTERNATIVAS um perigoso movimento, de índole esquerdista, mas a salutar declinação e disseminação das formas de luta.” Parece.me simples, entao. Deixem de ver uma greve ou uma central sindical como algo sectario. E um dia o vosso proprio sectarismo deixara de vos toldar. (Peço desculpa a falta de acentuaçao, mas encontro.me com um problema no teclado).

  7. orlando diz:

    Boa tarde Renato
    Desculpe que lhe diga mas você com este pots passou todos os limites da “decência”. Então diz que não sabia que a CGTP IN, ou melhor a União dos Sindicatos de Lisboa marcou duas concentrações para o dia da greve geral, uma no Rossio às 11 horas e outra na Assembleia da Republica às 15 horas ? Desculpe mas eu não acredito que não o soubesse. O senhor que andou sempre a clamar por uma acção participada num dia de greve, não só dizendo que se deveria fazer greve como também vir para a rua e não sabia que foram marcadas estas iniciativas ???
    Desculpe mas isto só demonstra e infelizmente, digo-lhe com toda a franqueza um sectarismo a toda a prova, e neste aspecto concordo com o Bruno, é o querer protagonismo.
    Venho a notar, já há bastante tempo a esta parte que as referências que faz neste blogue de apelo a participação em manifestações, são só as que o senhor acha que se devem participar. Porque não apelou à participação nacional do dia 1 de Outubro??? Porque não apelou à participação na manif nacional do dia 12 de Novembro, realizada este sábado??? Eu fui e não sou funcionário publico. Não acha estranho que estas duas manifestações, que contaram com muitos milhares de participantes, (este sábado estiveram 180.000 mil pessoas) não tiveram o mesmo destaque na comunicação social que as manifestação dos indignados à qual eu também fui ???
    Mas tenho-lhe a dizer, que NUNCA MAIS participarei em manifestações onde se apela ao não voto e onde ouvi palavras de ordem como ” O povo unido, não precisa de partido”, como na ultima manif, organizada pelos indignados.
    Respeito a sua opinião, não concordando com ela por achar que denota um sectarismo em tudo o que seja proposto por movimentos políticos ou sindicais.

    • Renato Teixeira diz:

      Orlando, a manifestação não conspira contra as concentrações, naturalmente.

      • Tiago diz:

        Infelizmente caro Renato Teixeira, quando fica sem argumentos nunca é humilde o suficiente para reconhecer que está errado.

        Obviamente que é muito fácil escrever em blogs que se deveria fazer isto ou aquilo, mas quem acorda de madrugada para distribuir documentos à porta de uma empresa, quem leva com chuva, vento, frio ao longo destes dias, não são os meninos de oiro da pseudo-esquerda, anti tudo o que cheire a PCP. São os comunistas e muitas outras pessoas do movimento sindical unitário que passam semanas a fazer o que podem para que tenhamos a melhor greve possível.

        Desculpem lá… discutir entre manif/concentração?! … De facto só mesmo iluminados para descobrir uma grande diferença entre concentrações e manifestações… como se uma concentração não fosse uma das muitas formas de as pessoas se manifestarem

        E o PCP não vai para as concentrações de bandeira com foice e o martelo para ter protagonismo (como fazem os BE’s e outros grupinhos cada uma com os seus logotipos), vai à “paisana ” porque o que conta é a unidade. Existe uma sede de protagonismo que não me convence sobre as intenções de muito boa gente.

        Gostaria de saber já que tanto comentam… além de estar sentadinhos a escrever textos na internet… o que já fizeram para que as pessoas façam greve? De facto o sectarismo é triste, triste porque estarão sempre contra tudo, contra tudo o que se possa dizer ou fazer, porque só a vossa opinião conta, só vocês são os iluminados, e todos os outros são uma cambada de oportunistas.

        Sinceramente é triste ver como com discussões fúteis vocês perdem tempo, quando deveriam aproveitá-lo para trabalhar para o sucesso da greve.

        Já participaram em algum piquete de greve? Sabem que a sua importância não se aprende nos livros! Aprende-se ali, na hora, no momento em que um trabalhador ao ver os seus colegas decide… porra também faço.

        Não é no facebook, nos 5dias, nos hi5 que se convence alguém a ir à greve.

        Que se lixe tudo isso, essa conversa da treta, trabalhem, mobilizem, saiam à rua, apanhem chuva na cabeça, frio e lutem, e deixem as conversas da treta.

        Não é por acaso (e isto os iluminados nunca respondem) que a comunicação social leva aos píncaros os “indignados”, “os à rasca”, “os acampados”, e tudo o que seja manif da cgtp-in se tiver 20 segundos é muito! Porque sabem que esses grupos (que tem muito boa gente) ao mínimo avanço … se partem em 10, 20, 30, porque a tentação do protagonismo, o aproveitar as mensagens burguesas dos “partidos são todos iguais”, abrem espaço para aqueles… que por mais linguagem radical que utilizem, por mais nomes que chamem ao PCP e à CGTP-IN, farão sempre o papel que lhes está destinado, criarem válvulas de escape ao sistema para no momento certo partir tudo e voltar à estaca zero.

  8. Mike diz:

    Não tenho trabalho, não sou sindicalizado, mas ando a colar cartazes há uma semana, a distribuir documentos, a apelar à participação na greve, irei estar nos piquetes, irei às concentrações, etc, etc…

    Quem quer lutar, luta… quem quer conversar e discutir tretas, que vá com o renato fazer a ocupação das escadas do parlamento, promova a “assembleia popular” e que passe lá a noite a beber uns copos com a centena de sempre…

    Quem quiser colar cartazes hoje à noite, e trabalhar em prol da greve geral, sabe perfeitamente os sítios onde ir ter.

    O resto é treta dos mesmos de sempre…

  9. paulogranjo diz:

    Faço notar que a CGTP convocou para Lisboa, há que tempos, duas concentrações no dia da Greve Geral: uma às 11 horas no Rossio, outra às 15 horas frente à Assembleia da República.

    Por um lado, quer isto dizer que os argumentos pseudo-obreiristas dos comentadores do costume não têm razão de ser, embora os repitam como evidências há alguns 20 anos.

    Mas isso quer também dizer que (embora eu preferisse que se chegasse à concentração das 15 horas em manif, e embora a rua seja livre), esta manifestação, a par de mais outra também convocada, se parece bastante com pôr-se em bicos de pés indo à boleia, divide as hostes, fragilisa a imagem da Greve Geral ao ser previsivelmente pouco participada para o percurso escolhido e coloca um berbicacho final: chegam os valentes outubristas a S. Bento e vão fazer uma “assembleia popular” onde já estão concentradas as pessoas que acorreram à convocação da CGTP, que convocou a Greve? Para as fazer chegar para o lado? Para parecer que elas estão lá para isso?

    Para além das manifs convocadas pelo movimento sindical, nem me passou pela cabeça não ir ao 12 de Março ou ao 15 de Outubro.
    A esta, por motivos que terão ficado evidentes no que acabei de escrever, não vou certamente.

    • Renato Teixeira diz:

      Ora vê Paulo Granjo, como afinal é fácil colocar-se de acordo com o Bruno Carvalho. 🙂

      Sinceramente não vejo onde é que esta manifestação se coloca em bicos de pés ou onde é que conspira contra as concentrações ou fragiliza os piquetes da greve geral.

      • Bruno Carvalho diz:

        Renato, o Paulo Granjo está a dizer que os meus argumentos pseudo-obreiristas estão ultrapassados e que a decisão da CGTP evidencia isso. É uma forma de ver as coisas e, embora continue a achar que as concentrações podem enfraquecer, em parte, a eficácia de uma greve que se quer geral, percebo que a CGTP tenha querido abrir espaços para que todos os sectores possam dar a visibilidade que alguns exigiam ao protesto. Muitos, como o Paulo Granjo, viram isso como um bom caminho para um trabalho sem divergências rumo à greve geral. Ou seja, que correspondia às reivindicações de certas áreas políticas e sindicais e que facilitava a unidade na acção.

        O que me parece, e o próprio que me corrija se estiver errado, é que percebeu que se houve a cedência (na sua perspectiva) da CGTP, não houve nenhuma dos outubristas. Porque no fundo sabem que uma acção paralela à greve geral era a única forma de se destacarem e distinguirem do movimento sindical. E assim se mostra quem quer unir, quem quer dividir e onde reina o oportunismo.

        • Renato Teixeira diz:

          Tratava-se de uma provocação. Nota, no entanto, que se colocaram de acordo. Afinal, os teus “argumentos pseudo-obreiristas”, ainda o convencem. 🙂

          • Paulo Granjo diz:

            Como verás pelo comentário á tua resposta original (que suponho aparecerá mais abaixo), as minhas razões de discordância não passam pela aceitação dos argumentos que têm vindo a ser reproduzidos pela enésita vez, também nesta greve.

            Tendo entretanto lido o comentário do Bruno Carvalho a que aqui respondes, diria que não subscrevo a forma como ele coloca as minhas motivações, que suponho tenham ficado clarificadas mais abaixo, sob a forma que as pretendo transmitir.
            Mas sinto necessidade de clarificar que considero que o “movimento sindical” não “cedeu”; adoptou algo que há muitos anos é discutido e que, em minha opinião (e parece que na deles) a situação actual exige. O que pode ter “cedido” é um posição muito particular, que nem sequer é consensual e talvez esteja longe de ser maioritária no partido de que é originária.

      • Paulo Granjo diz:

        Não me estava a referir ao Bruno Carvalho, mas àquela legião de comentadores (frequentemente desdobrados em vários pseudónimos para o mesmo indígena) que salta ao pescoço de quem quer que sugira que uma greve geral ou sectorial não se deve limitar ao velho hábito de fazer piquetes em todos os lados onde se consiga, com os poucos mobilizáveis, enquanto a esmagadora maioria fica em casa ou vai passear para as zonas comerciais.

        Aliás, não li os comentários do Bruno Carvalho, nem os de mais ninguém.
        Já tive a minha dose, em dois posts anteriores, quer de reprodução dos estafados argumentos de origem presidenciável que há mais de 20 anos bloqueiam o impacto público das greves (como o inimigo é o patronato e em algumas empresas é necessário bloquear amarelos, a realização de piquetes em todo o lado, todo o dia, não deixa gente para manifestar-se; a greve é dos trabalhadores assalariados, não é da restante maioria do país; os transportes estão em greve…), quer de insultos que vão do quase inócuo “imbecil” ao “filho-da-puta fascista e elitista”. Assim se diferenciando, também, essa gente do Bruno Carvalho, que prefere insultar numa linha mais escatológica.
        🙂

        Mas quer a minha falta de pachorra para rediscutir tais mimos argumentativos (reforçada por ter acabado de ver a organização uma acção de enorme impacto e efeito mobilizador ser minada por mui revolucionários pseudo-apoiantes, por acharem que reunir cientistas sociais para criticarem publicamente as “respostas” governativas à crise é ser fura-greves!…), quer o meu desejo de que as centrais sindicais tivessem convocado uma enorme manifestação que conduzisse à AR, não impedem que esta manifestação do 15Out me pareça uma legítima mas muito ambígua iniciativa, que projecta uma imagem de um separar de águas e medir de forças com o movimento sindical, aproveitando as condições e mobilização que ele próprio criou, ao convocar a Greve Geral.
        Acredito que a intenção seja boa e as motivações não sejam essas; mas isto é tudo o que não precisamos, num momento tão difícil e que só vai piorar.

        • Renato Teixeira diz:

          É de medir forças com o governo Paulo, não com o movimento sindical, da qual muitas pessoas que irão à manif fazem parte.

        • Paulo, que tal respeitar as posições desses «mui revolucionários pseudo-apoiantes» (ui!) sobre a “acção de enorme impacto”, em vez de a caricaturar?
          Se estás assim tão à vontade com a tua posição, porque não gastas mais algumas linhas a explicar o que estava realmente em jogo naquela reunião e o que é que levou algumas pessoas a classificar essa “acção de enorme impacto” como um pretexto para furar a greve?
          Não deve custar nada e já reparei que tu não costumas ser poupadinho nas caixas de comentários do 5 Dias.
          Não vale é ficar em minoria e depois vir fazer queixinhas…

          • Paulo Granjo diz:

            Caro Ricardo:

            O assunto não foi identificado nem o discutirei aqui porque, por um lado, constitui apenas uma referência a mais uma razão da minha recusa actual em voltar a discutir (pela enésima vez nos últimos 25 anos e pela quarta nos últimos 15 dias) os mesmos estafados argumentos, só sendo por isso relevante em termos do impacto que a interpretação que dele faço tem sobre a minha atitude pessoal .
            Por outro lado (e mais importante), porque não cabe trazer para aqui a instituição em causa e a discussão de um processo que, tendo ocorrido entre os seus trabalhadores e outros membros, deixou de lhe dizer respeito – tanto mais que uma tal discussão ocorreria perante uma multidão de leitores que não conhecem nem a instituição nem o processo. Número entre o qual, desculpa dizer-te, te incluis.

            Mas, deslocando-me hoje a uma reunião noutra instituição a que pertenço, e na qual julgo que também estarás, terei todo o prazer em conversar pessoalmente sobre o assunto, incluindo acerca da curiosa ideia de que tivesse alguma vez existido uma maioria concordante com os argumentos invocados.
            Até logo, então.

  10. Jorge diz:

    Concordo na totalidade com os pontos de vista do Bruno. E chamar o Pedro Penilo “à faca” parece-me um abuso porque, como também disse o Bruno, o Pedro no que escreveu não exclui, apenas sublinha o que ele, tal como eu e muitos de nós, considera determinante numa GREVE GERAL. No fundo, parece-me que estamos todos de acordo. Não percebo a tempestade num copo de água a não ser pela ânsia de protagonismo.

  11. Rascunho diz:

    só não lhe ofereço um tacho
    porque ele já tem (mais que) uma panela

  12. João diz:

    Camaradas, organizem-se, a direita também lê blogs. Não é mesmo possível discutir algumas coisas em privado?

  13. Francisco d'Oliveira Raposo diz:

    A menos que esteja parvo, a USL está a preparar piquetes, concentrações e manifestações – sublinho: manifestações – para dia 24.
    Não sei o que outras Uniões Sindicais estão a preparar. a De Lisboa falou disso no seu Congresso dias 11 e 12.
    Ora isto é um tremendo avanço face há uma não atrás “não há condições…”, “os transportes vão estar em greve”, “querem é caldeirada”, “não há condições”… (esta é repetia deliberadamente).
    Pois bem, as condições criam-se, os piquetes – fixo e móveis – organizam-se, as concentrações marcam-se, as manifestações – sindicais, sociais em separado e em grupo, etc e tal – fazem-se.
    Danada da realidade objectiva que força a fazer-se coisas que “não queríamos”.

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