“Governo técnico” não existe

A expressão “governo técnico” é uma patranha perigosíssima. Um governo governa, escolhe, opta. Um governo não é um mero executor de políticas, mas um decisor de políticas. Mais, ao longo dos últimos anos, a maioria das ditaduras têm-se imposto não pela força, mas pela repetição que outros não fariam diferente nem melhor. Da repetição desta ideia decorre que as eleições são processos dispendiosos e causadores de instabilidade.
A facilidade com que se repete a expressão de “governo técnico” ou “governo de tecnocratas” para explicar os governos não eleitos da Grécia e Itália, revela um profundo desconhecimento da nossa história. Parece que ninguém se recorda do nosso meio século de ditadura auto-definida como “competente” e “séria”, liderado por um “técnico”.

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6 Responses to “Governo técnico” não existe

  1. De says:

    “A fusão entre estado e poder empresarial por definição chama-se fascismo”:

    • carmo da rosa says:

      Essa fusão também se chama nacional-socialismo, comunismo, marxismo-leninismo ou maoísmo, dependente da disposição ou da situação geográfica…

      • De says:

        Um disparate representa um disparate.
        E o disparate tem uma assinatura no caso vertente.A ignorância serve-se no prato da tentativa de manipulação ou apenas bate à porta nos dias em que é poreciso fazer propaganda aos belmiros desta terra?
        Claor que resta a hipótese da ignorância estar em estado puro.
        Neste caso nada a dizer para além de nos lembrar-nos de D.Diniz e da Rainha Santa Isabel naquele seu céebre “São rosas senhor”.
        Ah,e é evidente.solicitar encarecidamente a carmo da rosa para ir estudar um pouco mais.
        Ou para se deixar de tiques nacional-socialistas?

  2. De says:

    “A Grécia e a Itália estão em vias de adquirir governos tecnocráticos cujo objectivo declarado é assegurar que o Acordo de Bruxelas seja implementado. …provavelmente uma tarefa sem esperança”

    Mais uma achega para o conhecimento desta crise do capitalismo, crise cíclica ” com características novas e específicas, agravada por novas situações – liberdade de circulação de capitais, deslocalizações, crescente peso das actividades financeiras e do «capital fictício», parasitário, especulativo, num quadro de domínio da ideologia neoliberal.”

    http://resistir.info/europa/varoufakis_11nov11.html

  3. paulosousa says:

    excelente post. bem a desmontar um modo de pensar e explicar ideias que se inculcam entre nós (pessoas).
    também me vejo e a outros como eu deixarem-se enredar em opiniões, discursos e posições “alternativas” ou não que nos são prejudiciais e exteriores porque no-las fornecem e toldam ou substituem a nossa observação e juízo.
    mas nada está decidido, siga a informação, esclarecimento, intervenção e acção!

  4. maria povo says:

    Caminho demaaaaaasiado periiiiiigoso!!!
    Estes “cavalheiros” não são eleitos e vão fazer o “trabalho sujo” que os eleitos não conseguem fazer pela força da RUA!!!
    se aos eleitos podemos pô-los fora com eleições, a estes tecnocratas quem os põe fora?!?!? quem guarda o guardião?!?!?!?
    sem dúvida que as pessoas não estão conscientes deste perigo e deixam-se levar pelas “noticias”!!

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