O Botas II

O líder do PCP qualificou hoje de “ruralismo salazarista” um discurso recente do Presidente da República, em que Cavaco Silva recorreu ao exemplo de um pastor para pedir aos portugueses para darem “o melhor do seu esforço” no trabalho.
“Isto não faz lembrar aquele discurso do ‘botas’, aquele discurso do ruralismo salazarista, que durante 48 anos mandou no nosso país?”, questionou Jerónimo de Sousa, durante um comício do PCP no Palácio D. Manuel, em Évora.
O secretário-geral comunista referia-se a declarações do chefe de Estado, proferidas domingo em Nelas, quando disse que a figura do pastor “é o exemplo do trabalho que é preciso realizar para conseguir vencer”.
Na altura, Cavaco Silva descreveu o pastor como sendo alguém para quem “não havia fins-de-semana, não havia férias, feriados nem pontes em nenhumas circunstâncias”.
Contudo, na mesma ocasião, o chefe de Estado esclareceu que não defende que os portugueses “tenham de trabalhar todos os dias”.
Hoje, Jerónimo de Sousa criticou o Presidente da República, considerando que se trata de uma “tentativa de procurar a política e a ideologia das inevitabilidades e da resignação”.
“Vejam o que vai na cabeça desta gente em relação aos direitos dos trabalhadores e em relação àquilo que foi a conquista e o avanço não só social mas também civilizacional”, sublinhou.

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6 Responses to O Botas II

  1. Pedro Bergano diz:

    Eu sinto ódio ao PPD/PSD

  2. An Lage diz:

    É o Salazar, o Cavaco, os decrescentistas, os ecologistas-irracionalistas-primitivistas …

  3. joao A. diz:

    Relembrando José Gomes Ferreira:

    Ó pastor que choras
    O teu rebanho onde está?
    Deita as mágoas fora
    Carneiros é o que mais há.

    O Silva fala de pastores mas é ao rebanho que ele se dirige.

  4. Pedro M diz:

    Essa do pastor que não pára de trabalhar é uma declaração imbecil e incrivelmente irónica, eu explico:

    1. Os pastores NUNCA trabalhavam dias sem férias, a regra era existirem vezeiras em que a gestão dos rebanhos comunitários era permutada entre os seus proprietários.

    2. Em consequência disto, ser pastor era das profissões mais mal vistas, por serem considerados preguiçosos. Por mim admiro-os bastante, trocaram rendimento por tempo.

    3. Certos governos, como o deste senhor, apostaram no abandono rural, que acabou com o milenar costume das vezeiras, ou seja, este fenómeno do pastor que trabalha 25/7 é muito recente e co-criado por este PR. Irónico.

    Aproveito a ocasião para mandar pastar as pessoas que recuperam o ruralismo condescendente do Estado Novo e aquelas que condescendentemente troçam do apreço pelo mundo rural como algo desprezível e miserável. (piscadela de olho à Ana Lage).

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