António Chora: vermelho por fora, amarelo por dentro.

Nas vésperas da greve geral, imbuído do espírito natalício antes mesmo que o frenesim chegue ao Shopping Center, António Chora, o mais mediático sindicalista do BE, confunde-se uma vez mais com os administradores da Autoeuropa. As declarações falam por si e não precisam de grande enquadramento. Chora, Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e deputado do BE na última legislatura, vem a público defender o downsizing: “Não é alarmante nem notícia para se pôr na capa de qualquer jornal.” Para ele, tudo está bem nas margens do Sado uma vez que assim “permitem tirar do mercado mais de 13.000 carros sem pôr em causa postos de trabalho permanentes nem a contrato.”

Tal concepção, mais próxima dos interesses dos patrões do que dos trabalhadores, é agravada pela legitimação da precariedade e pela estratégia espúria de ter trabalhadores permanentes com contratos a prazo: “Haverá sempre questões relacionadas com os trabalhadores temporários, que como sempre, por altura do Natal, antes de passarem para contrato na Autoeuropa, verão os seus contratos terminados, e recomeçarão conforme as necessidades, a partir do momento em que a produção comece em Janeiro do ano que vem.”

Com sindicalistas assim, nenhum trabalhador precisa de patrão.

NOTA: Atentamente, o Rafael Fortes, no seu facebook, chama atenção para outra contradição. No artigo que o Chora assina hoje no Esquerda, reza assim: “Há razões para os trabalhadores fazerem greve geral quando o Governo aumenta as horas de trabalho anuais de 1848 (as mais altas da Europa) para as 1976 horas ano, a que se podem juntar mais 40 fruto da possível eliminação de feriados. Na Autoeuropa, como em muitas outras empresas, sem um forte aumento de encomendas, a aplicação destas medidas significaria centenas de despedimentos.” Notável realismo para quem não tem feito outra coisa em nome e sacrifício dos trabalhadores e no mesmo dia dá o dito por não dito. Em que é que ficamos? É ou não notícia? Promove ou não o desemprego? Prejudica ou não os precários? O que tem o BE a dizer sobre o assunto?

Ora, já os Culturcide avisavam: “don´t believe in santa claus”, uma boa banda sonora para os Precários Inflexíveis oferecerem ao António Chora no próximo aniversário do senhor:

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52 Responses to António Chora: vermelho por fora, amarelo por dentro.

  1. RML diz:

    Certamente tiveram oportunidade de oferecer a banda sonora neste dia: http://esquerda.net/videos/vi-encontro-nacional-do-trabalho-do-bloco

    Mas ainda sobre o António Chora, ler este pedaço — «Na Autoeuropa, como em muitas outras empresas, sem um forte aumento de encomendas, a aplicação destas medidas significaria centenas de despedimentos.» (http://esquerda.net/opiniao/haver%C3%A1-raz%C3%B5es-para-greve-geral) — sobre a greve geral diz tudo. A mais-valia é um conceito irrelevante. Ou vendemos mais ou é tudo despedido, diz o patrão e o seu roberto…

    • Renato Teixeira diz:

      Fazia bem ao Chora ouvir pelo menos o que tem o Tiago Gillot a dizer sobre os precários.

    • Gentleman diz:

      Acho piada as estes líricos…
      Para eles, as empresas são detentoras de árvores onde cresce o dinheiro com que são pagos os salários mesmo quando essas empresas não vendem.

      • Renato Teixeira diz:

        Esta vende. E bem.

        • Gentleman diz:

          Alô Renato, daqui Terra…
          As vendas de automóveis têm decaído em toda a Europa e na América do Norte.
          Quem dera à Volkswagen ou qualquer outra empresa poder contratar mais trabalhadores. Isso era sinal que havia vendas e que o negócio corria bem.

          • Renato Teixeira diz:

            Alô Gentleman, não tem razão. Veja que os precários voltam a ser precisos logo no inicio de Janeiro. Chora dixit.

          • De diz:

            Chora dixit
            e gentleman idem idem aspas aspas

            com pena dos patrões e do Chora.

          • Gentleman diz:

            Qual foi a parte de “a Volkswagen precisará de diminuir em 10000 unidades a produção de automóveis em 2012” que não compreendeste?

          • Renato Teixeira diz:

            Qual é a parte que não percebeu que não devem ser os trabalhadores a pagar a factura?

          • Gentleman diz:

            Não devem ser os trabalhadores a pagar a fatura… Então deve ser quem? O consumidor?
            Quando o Renato for comprar um carro o vendedor diz-lhe: “Lamentamos mas o preço que tínhamos anunciado foi aumentado em 2000 Euros. É para pagar os salários dos trabalhadores excedentários que estão sem nada que fazer mas que não podem ser despedidos.” — o Renato aceitará alegremente?

          • Renato Teixeira diz:

            Não tolo, ao detentor dos meios de produção. A perda parcial da mais-valia conpensa as centenas de milhões acumuladas durante o último século. Capice?

          • Gentleman diz:

            Já calculava que iria sair essa solução “brilhante”. Uma variante de “os ricos que paguem a crise”….
            O mundo não funciona assim, rapaz. Se tu estás neste momento a ler este meu comentário num produto de alta tecnologia (computador) que pudeste adquirir a um custo muito baixo, é porque todas as empresas envolvidas na sua produção optimizaram ao máximo os seus recursos (materiais e humanos). É dessa constante optimização que o capitalismo é capaz de oferecer-te produtos magníficos a baixo custo.

            Se a Autoeuropa não dispensasse trabalhadores nos períodos em que reduz a produção, teria custos acrescidos. A direcção da empresa na Alemanha olharia para os números e concluiria: é mais barato deslocarmos a produção para a Eslováquia. E lá se iam todos os postos de trabalho da fábrica de Palmela (mais as das empresas fornecedoras e prestadoras de serviço à Autoeuropa). Era melhor?

            E quem é que obriga a Volkswagen a reduzir custos? O consumidor final, obviamente. Tu, quando vais a uma loja comprar um produto e tens duas opções: um custa X, e outro custa X+4. Tu, como qualquer consumidor, se os produtos te parecerem equivalentes vais optar pelo que custa X. Enquanto consumidor, e a maior das vezes de forma inconsciente, tu também estás a entrar no jogo.

          • Renato Teixeira diz:

            Essa do mundo não funciona assim é conversa para boi dormir. Já pensou que foi sempre isso que foi dito, repetido e berrado, vezes sem conta, pelos que foram perdendo a mão no turno?

          • Gentleman diz:

            Alguma doutrina politico-económica deu melhores resultados na prática?
            Se sim, qual foi?
            Se não, conheces alguma doutrina que de forma rigorosa, profunda e fundamentada exponha uma alternativa melhor ao capitalismo liberal?
            Se não tens nem uma coisa nem outra, então essa “luta” é simplesmente irracionalidade.

          • Renato Teixeira diz:

            Devia olhar mais para o futuro do que para o passado, mas olhe que quase tudo fica à frente do capitalismo liberal (já mandavam o liberal de vez às malvas, hein?).

          • De diz:

            Renato.
            A questão é mesmo essa.
            Fossilizaram.
            Já não defendem a sua dama.Querem “uma doutrina que de forma rigorosa, profunda e fundamentada exponha uma alternativa melhor ao capitalismo liberal?”
            Já admitem que aquilo,o capitalismo, fede?Ainda não.Mas já têm vergonha de defender o crime organizado.

            Esquecem de olhar para o futuro.
            E esquecem-se que os erros se aprendem identificam-se e corrigem-se.

            O “mal menor”.Sempre o mal menor a tentar encanar a perna à rã
            Acho que era o Carlos Vidal que tinha um post excelente sobre isso.

      • RML diz:

        Tenho pouca paciência para líricos, mas se eles acham isso são muito patetas…

  2. Rui Campos diz:

    A continuar assim arrisco dizer que dentro de anos vamos ver o Chora com um lugar na administração da Autoeuropa.

  3. O B.E. sempre, mas sempre, mas mesmo sempre do lado do povo…

    E Culturcide, sempre, mas sempre, mas mesmo sempre do lado da destruição da cultura dominante. (É a banda mais desconhecida e mais fundamental da história do punk.)

  4. António Carlos diz:

    Caro Renato Teixeira,

    o movimento sindical defende e sempre defendeu os direitos dos que têm emprego, nomeadamente, emprego “estável”, ou seja, dos seus associados. É só.

    • Renato Teixeira diz:

      Pois, esse é o mal. Ainda assim o Chora vai mais além. O uso indevido e dissimulado de precários “não devia ser notícia”!?!?

    • rafael diz:

      imensos sindicatos (não sei se todos) admitem como associados trabalhadores desempregados, desde que dentro da mesma area funcional por isso a defesa dos seus associados não é a defesa dos que têm emprego “estável” (se é que isso existe)…

      Além do mais, se há coisa que a CGTP tem feito é assumir posições publicas contra as politicas que geram desemprego e mais recentemente a Interjovem associou-se ao M12M e à ABIC para realizar uma acção de luta especifica focando a questao da precariedade…

    • Antónimo diz:

      Treta. O movimento sindical (não falo da UGT, por razões óbvias) passa a vida a falar dos desempregados. Isso é só uma ideia feita e propalada pelos que gostam de despedir.

  5. Ivan diz:

    Com outros sindicalistas mais do seu agrado, do PCP, a Autoeuropa já nem sequer existia pelo menos há uns bons 5 ou 6 anos.
    Sindicatos do PC, há 35 anos a destruir empresas e a economia nacional, com enorme profissionalismo.

    • Renato Teixeira diz:

      Não sofro desse tipo de clubite. É pesquisar o que tenho escrito sobre, por exemplo, o Mário Nogueira.

      • Arnaldo diz:

        Esta é melhor do que as declarações do António Chora. O Renato, que anda em campanha contra o BE há anos, diz “não sofro de clubite”. Então o que é? Rubrite? PCzite? Sectarite?

        • Renato Teixeira diz:

          Arnaldo, estava à espera que falasse das declarações do Chora, mas vejo que tem outros afazeres mais importantes. Mas não fica, em todo o caso, sem resposta: A minha campanha é pelos direitos dos trabalhadores. Sindicalite, portanto.

    • Afonso Costa diz:

      Isto é, sem tirar nem por, o discurso da escumalha que governou nos últimos 35 anos e que pulula no PS, PSD, CDS e pelos vistos também existe no BE. Afinal quem f*deu o país não foram as políticas neoliberais de destruição de toda a produção nacional promovidas por esses governos e desde sempre combatidas por PCP e CGTP! Não. Os “sindicatos do PCP” é que são os responsáveis pela destruição das empresas e da economia nacional. Isto não é anti-comunismo primário, isto é terrorismo intelectual, é uma desonestidade nojenta e abjecta que alguns pobres coitados ainda tentam difundir para salvar o Dono que cada vez mais está a ficar em apuros. Todos `a rua dia 12! Vamos tirar o poder a esta escumalha de uma vez por todas. Dia 24 é só o começo da luta! Viva a luta dos trabalhadores! Viva a CGTP! Viva o PCP!

  6. Orlando diz:

    Oh Renato acertaste na muge, nada mais verdade do que acabaste de dizer de um senhor que para mim não merece o mínimo de respeito, é um autentico verme humano, um vendido, um traidor dos trabalhadores, um lacaio do patrão…

  7. Orlando diz:

    Oh Renato acertaste na muge, nada mais verdade o que acabaste de dizer de um senhor que para mim não merece o mínimo de respeito, é um autentico verme humano, um vendido, um traidor dos trabalhadores, um lacaio do patrão…

  8. closer diz:

    Como vermelho com amarelo dá laranja, logo se conclui que Chora pertence à facção do BE que apoia o PSD

  9. Gentleman diz:

    Ainda bem que a comissão de trabalhadores da Autoeuropa tem uma pessoa como o Chora. Se assim não fosse, há muito que a Volkswagen se tinha posto a andar tal como fez a GM há uns anos na Azambuja. No preciso momento em que a situação financeira era mais frágil os “inteligentes”da Azambuja decretaram greve. Aqueles toscos não perceberam que assim estavam a matar a última réstia de esperança que ainda havia. Muitos deles estão hoje a teorizar sobre a luta de classes na fila do centro de emprego…

    • De diz:

      Chora!Convertido em herói por Gentleman

      Diz tudo sobre Chora não diz?
      E um prémio para o tosco que anda por aqui a chamar toscos aos outros,enquanto verbera a luta de classes…
      Lá que existe,existe.E cada dia que passa mais intensa

  10. Carlos diz:

    Seria mesmo necessário insultar? Quando é que põem os pés na terra?

  11. helena diz:

    Excelentes, as tuas “postas” de hoje ! Já tinha saudades destas andanças. Beijo.
    É claro que podes censurar! Eu sou da geração do lápis azul….dos sacos azuis e das fardas azuladas.

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