Seguro patético

António José Seguro é a figura mais patética com que o Partido Socialista já castigou o país. Ao pé de si, o Tino de Rans seria um bom líder da oposição. Plástico, inócuo, vazio, tudo em Seguro é um doloroso conjunto de lugares comuns, de banalidades, de coisa nenhuma. Seguro é um som que se suprime, um eco mudo. Se Seguro fosse maleita bastaria para a resolver um leve chá de lúcia-lima, um passeio à beira-mar ou meia hora ao sol a absorver vitamina. Mas Seguro nem capaz é de ser capaz. Seguro é inseguro, inoperante e devia saber que chegou ao topo da carreira. Deve mais à sorte do que ao talento mas poucos dotados de sentido lhe invejam o caminho. Seguro não fala, junta palavras trémulas ditas sempre sem réstia de convicção. Seguro não surpreende, dirá sempre o que sabemos e o que todos já estavam à espera. Passará pela política sem deixar uma ideia e abandonará a liderança do PS sem qualquer amargura, esperando que a sua alma serena seja premiada por António Costa ou qualquer outro que lhe reserve um lugar na carruagem dos fundos no próximo turno. Qual espantalho, Seguro sabe que o seu mandato é fugaz, pelo que fica contente com as suas duas estações de braços ao vento, queixo caído e pernas à banda, a servir mais para o pouso e o aconchego dos pardais do que para o seu medo e a sua fuga. Face à austeridade que norteia o governo PSD-PP, Seguro é o seu melhor aliado e a garantia de que tudo continuará a ser como dantes. Seguro é o governo de unidade nacional mas sem unidade, nem governo, nem opinião. A única coisa que Seguro segura é o pote do Passos Coelho. Entrou quase em silêncio e sairá sem qualquer murmúrio. Nunca será primeiro-ministro e ele, sempre notável, parece ser o único que ainda não percebeu isso.

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17 respostas a Seguro patético

  1. Raquel diz:

    Concordo. Uma excelente descrição da persona em causa.

  2. Frederico diz:

    Hum. Um pouco arriscado ter tantas certezas. Também dizia o mesmo do Passos quando apareceu e nao é que chegou mesmo a PM… A sorte por vezes bafeja para o lado dos bananas.

    • Renato Teixeira diz:

      Pode ser Fred, mas não em contraste com Passos. Na verdade, esse foi uma certeza em sentido inverso, uma vez que um bom par de anos antes do fim de Sócrates já se adivinhava…

  3. LM R diz:

    Em cheio no triste alvo.

  4. Carlos Vidal diz:

    Lá pela nona linha do teu texto li, e pareceu-me bem: “Mas Seguro nem capaz é de ser incapaz”. Mas como tu escreves também está muito bem.
    Agora, há uma parte que me mete medo; dizes que este tipo nunca será primeiro-ministro.
    Bom, por cá, enfim…. como é que estamos de impossíveis!?
    Tudo nos pode acontecer pá.
    Até um PEC 6 (ou 7, etc.) !!

    • Carlos Vidal diz:

      Olha, nem tinha lido o que dizia antes de mim o Frederico, sobre a hipótese de tudo ser primeiro-ministro, tudo, qualquer coisa, nem é preciso ser uma pessoa.
      Às vezes penso mesmo que a Gréci ao pé disto é um sítio calmo.
      Lá mais asseado é, sem dúvida.
      Mais asseado e verdadeiro.
      Força camarada.

      • Renato Teixeira diz:

        A história está do vosso lado, nada a dizer. Mas este, convenhamos, está muito mal encaminhado… Ainda para mais, para tempos convulsos, eles precisam de quadros mais competentes. Ó pa América.

    • Renato Teixeira diz:

      E leste tu muito bem. A figura nem capaz, nem incapaz, só figura. Nem ideia, nem sinapse, só soluço, como dizia o poeta.

      • Justiniano diz:

        Sem mais!! Ou melhor, acrescentaria apenas que Seguro não existe. Não passa de uma ideia rídicula que nos meteram na cabeça e que lhe meteram na cabeça, dele, do próprio, coitado. Não sei mesmo se a pessoa em causa se chama Seguro, Tózé, António, ou outro nome qualquer, tenho dúvidas!! Ele acredita que assim se chama!! Que foi menino, jovem, jovem adulto, quase adulto, e por fim, chamam-lhe Seguro, Tózé Seguro!! E não tem culpa nenhuma do que lhe aconteceu!!

      • Renato Teixeira diz:

        Na verdade deveria estar escrito que Seguro é incapaz sequer de ser incapaz, que há palavras que não vão bem com o nome.

  5. Inspirado, Renato, muito inspirado este teu texto.
    Deixaste-me para aqui a rir sozinho…

    É um bom retrato de um personagem que a mim parece muito típico do tempo em que vivemos (“Passará pela política sem deixar uma ideia” / “Plástico, inócuo, vazio” / “não surpreende, dirá sempre o que sabemos e o que todos já estavam à espera”) e, por isso, não te digo que nunca chegará a primeiro ministro. Mas desconfio que não chegue, lá isso desconfio…

    Forte abraço.

    • De diz:

      Concordo!
      E sublinho uma “frase lapidar”:
      “A única coisa que Seguro segura é o pote do Passos Coelho”

      quase tudo dito sobre a miséria da nossa miséria

    • Renato Teixeira diz:

      Ora Pedro, obrigado, mas o mérito é todo do Seguro. A escolha do vídeo sim, esse sim é digno de aplauso. 🙂 Será que o Seguro se segura?

  6. A.Silva diz:

    Bom video… e já agora, quem é esse tal seguro?

  7. Gentleman diz:

    Renato, o Seguro não tem a opinião que tu, nas tuas fantasias, gostavas que ele tivesse, e vai daí descarregas uma catrefada de adjectivos sobre o homem.
    Vê se entendes: a divisão Esquerda/Direita é pouco relevante; o que interessa na prática é a divisão entre partidos que acreditam no capitalismo (PSD, CDS e PS) e partidos que são anti-capitalistas (PCP e BE). Por isso, que fantasia é essa de acreditar que o PS alinharia com a ala anti-capitalista da nossa política?

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