Das razões porque devem os trabalhadores fazer a greve no seu local de trabalho.

 

Os acontecimentos reportados neste vídeo repetem-se em cada greve, geral ou sectorial. O patronato recorre a serviços proibidos pela lei da greve, para manter as empresas a funcionar, mas sobretudo, para humilhar e vencer pela força os trabalhadores em greve. O capital sente-se encorajado pelos governos de direita, viola as leis da greve. A polícia intervém, sempre contra a lei, para servir o patronato.

Neste caso, os piquetes de greve da Central de Distribuição dos CTT de Cabo Ruivo fazem tudo para impedir o recurso a camiões de empresas subcontratadas. No parque anexo, a frota própria dos CTT está imobilizada.

Esta cena repete-se por esse país fora. E os trabalhadores presentes nunca são bastantes para fazer face à chantagem e pressão dos patrões, e à repressão das forças policiais.

Quem pensa e afirma que uma greve se assegura com meia dúzia de “sindicalistas” nos piquetes, ocultando o facto de que ela é sempre um violento e tenso braço de ferro entre explorados e exploradores e que se faz em condições muito desfavoráveis para o sucesso da greve, são normalmente aqueles que sempre andam com a boca cheia com a “burocracia dos sindicatos”, ou a sua pretensa “falta de democraticidade”. Muitas vezes, estas vozes nunca trabalharam de facto para uma greve. Outras há que andam mais preocupadas com a utilidade da greve para a agenda política imediata e nada preocupadas com o papel da greve na na prolongada luta de classes e na construção da alternativa. O sucesso de uma greve não é um número estatístico, não é uma decisão de gabinete, não é um título de jornal na manhã seguinte.

É um acontecimento, um processo, e as marcas que deixam nos que os vivem, como emoções e como consciência.

E este exemplo nem é dos mais duros.

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17 respostas a Das razões porque devem os trabalhadores fazer a greve no seu local de trabalho.

  1. Vasco diz:

    Excelente Pedro. E acrescento (ou corroboro): grande parte da greve e da adesão dos trabalhadores joga-se nos piquetes. Muitos trabalhadores têm medo (e têm razões para ter medo, há que compreender) e a sua chegada ao local de trabalho é um momento fundamental. Se lá estiverem companheiros seus no piquete, muitos desistem e não entram (aconteceu em inúmeros locais de trabalho no ano passado) se não estiverem, entram. Alguns, até, entraram e voltaram a sair. Quem não reconhece isto é grevista de papel e acha que uma greve faz-se apenas porque foi decretada… Uma greve, ainda para mais geral, constrói-se. Dia-a-dia. Conversa a conversa.

    Ah… E não é fácil fazer greve nos dias que correm. implica confronto. Coragem. Determinação. Claro que com isto os revolucionários de palavra não se importam…

    • Pedro Penilo diz:

      “…a sua chegada ao local de trabalho é um momento fundamental”

      O post prolonga-se neste comentário. Abraço, Vasco.

  2. Estive já nos dois lados, como trabalhador por conta de outrém, cerca de 30 anos; como empresário, mas sempre do mesmo lado, cerca de 15 anos, e posso apenas adivinhar o quanto dificil será para os homens e mulheres que lutam pelos seus direitos e prerrogativas nos tempos que correm! É que já não se trata de defender o direito ao pão, hoje por hoje trata-se de defender o direito a mostrar o peito, o direito à palavra, o direito à dignidade de se ser quem é. Há muito que escrevo, digo, grito, que a Democracia se faz com democratas, e se a Democracia está em causa, é pelo facto simples de os democratas serem uma espécie cada vez mais rara, que não em vias de extensão. Por isso, temos todos que ter consciência de que aqueles que lutam, estão a colocar o paõ dos seus filhos não sobre a mesa mas nas nossas mãos. A luta não é de alguns, é de quem estiver disponível. SEMPRE.
    José Luis

  3. Bruno Carvalho diz:

    É isso, Pedro. É disso que se trata uma greve geral.

  4. iskra diz:

    ” Eu, na tradição dos oprimidos, sei que o estado de excepção é a regra”
    Vivam os piquetes de greve nos locais de trabalho.
    Viva a Greve Geral

  5. Bolota diz:

    Pedro.

    Já repararam que o patronato para alem de recorrer a serviços proibidos pela lei da greve, recorre ainda ás forças policiais que para alem de pagas pelo nosso magro bolso, dão-nos em troca porradas nos cornos??? É caso para dizer, são cão que não conhecem o donos.

    Hoje ao ouvir Vasco Lourenço, fiquei com a certesa…que temos de estar atentos.
    Aumentar o horario de trabalho a quem não tem trabalho e quando á milhares á espera de trabalho, pode ser um rastilho dificil de apagar.

    Sem ser velho já não sou novo mas ainda me sinto em condições de molhar a sopa

    Abraços

  6. JMJ diz:

    Um optímo ponto de partida, a 3 semanas de uma grande jornada luta (mais uma)!

  7. De diz:

    Mais um.
    Mais um post a lembrar os caminhos da luta e da sua organização.
    Mais um post a chamar a atenção para o que é fundamental

    ( o jornal Público reservará algum espaço a este apelo à mobilização organizada dos explorados?)

  8. Ana Gusmão diz:

    É por estas e por outras que eu gosto tanto de ti!

  9. lp1917 diz:

    «Uma greve, ainda para mais geral, constrói-se.»

    Essa é que é essa..
    Cabe a todos nós encetar a sua Organização & Divulgação, por forma a ser uma grandiosa demonstração de força dos Trabalhadores, e que sirva de contra-resposta à ameaça quotidiana do Capital. Não esquecer que, dia após dia, as investidas do Capital são crescentes…
    Tornemos, também, esta Luta crescente e vigorosa… A Greve Geral é mais uma etapa.

  10. Gentleman diz:

    Luta de classes, patronato, explorados,… para completar o quadro novecentista só faltou o capitalismo gordo a fumar charuto.
    Acontece que os CTT é uma empresa do Estado. E se há “classe” que a direcção daquela empresa representa, essa é tão só… a dos contribuintes.

    • Pedro Penilo diz:

      Assim escreveria o Reader’s Digest, nos tempos do meu avô.

    • De diz:

      Passemos ao lado a referência canhestra sobre o quadro novecentista
      Anotemos a sublinhemos (para desgosto de Gentleman) que a luta de classes,o patronato,os explorados e os exploradores continuam.E a primeira,a luta de classes está mais feroz a cada dia que passa.
      Mas não deixemos passar essa bela frase sobre os CTT e a direção da empresa e o dinheiro dos contribuintes.
      Este que fala assim-Gentleman- é o mesmo que aqui há dias falava “Os dias de pânico ainda são melhores que os dias de euforia para ganhar dinheiro. Venham mais.”
      O pânico que dá cabo de tantos e tantos direitos dos “contribuintes”?
      Os contribuintes despidos já dos seus direitos para que gentleman tenha o direito de ganhar mais dinheiro?
      Adiante

      CTT?
      Mas quem autorizou a violação da lei?
      Quem deu ordens para que a lei da greve fosse rasgada?
      Quem está a defender a legalidade são os piquetes.Quem autorizou esta intervenção?
      Em nome dos “contribuintes”?Os contribuintes são assim a desculpa para que os pulhas possam continuar pulhas?
      Lembraram-se dos contribuintes quando os canalhas assaltaram o país por interposto BPN?
      Ou quando socializaram os prejuízos deste banco laranja?
      Pois são precisamente os mesmos canalhas estes que tentaram violar o direito à greve no caso vertente.
      (Precisamente os mesmos canalhas que subrepticiamente Gentleman vem defender e apoiar..
      em nome agora dos “contribuintes”?
      Não,em nome do poder neo-liberal que pretende asfixiar quem trabalha.
      Gentleman pretende apenas manter o seu governo…de classe,pois então)

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