Eu bem sei…

… que o director do heroico (sem aspas) semanário em causa não é lá dessas coisas de leituras teóricas nem de culturas gerais, ou em geral – mesmo se (como a stripper da anedota) tem a inquestionável vantagem de afixar 37 anos de partido.

Eu bem sei que os tempos estão difíceis, que se tem que fazer pão com a farinha que há, que quem não tem cão caça com gato, e esses lugares-comuns todos.

Mas confesso que, ao ler coisas como esta, no sítio em que foi publicada, não me sai da cabeça uma frase várias vezes ouvida a um velho amigo da margem esquerda do Guadiana, em relação a casos bem menos graves.

Dizia ele, com o seu charmoso e carregado sotaque: «Meu rico partidinho!…»

 

PS: para os mais distraídos, lembro que os “Protocolos dos Sábios do Sião” são um documento forjado nos últimos anos do século XIX pela polícia secreta do czar Nicolau II, enquanto suposta acta e “prova” de um projecto de conspiração judaica e maçónica para dominar o mundo. Foi usado como justificação para repressão política e anti-semita, desde essa altura até ao “Mein Kampf”, de Hitler.

 

PS2: Perante a pressão, a cada 3 minutos que passam, de dois galhardos comentadores, não posso senão retratar-me do 1º parágrafo deste post.

Afinal, o director do jornal em questão é um brilhantíssimo intelectual e romancista de longínqua origem operária (uma suplementar e inquestionável prova de excelência), profundíssimo conhecedor e exegeta dos escritos de Marx, Lenin e etc., e o homem mais culto que conheci em dias da minha vida, particularmente no que à história contemporânea diz respeito.

O aspecto desconfortável desta tardia reposição de justiça é que, a ser assim, a publicação do artigo em causa não se pode ter devido, obviamente, a ignorância ou distração. A ser assim, o director do jornal concordará com o texto de forma consciente e eruditamente informada, aprovando politicamente o conteúdo e as “fontes” em que se baseia. Chatice…

 

PS 3: Agora a falar a sério, a leitura deste post deve ser complementada pela deste outro.

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163 respostas a Eu bem sei…

  1. José diz:

    Se não tivesse lido não acreditava!

    • João Pedro diz:

      O pensamento esquematizado é anti-dialéctico, ficamos mentalmente prisioneiros nos seus labirintos. Há mais de 30 anos que leio deliciado o Jorge Messias que desconheço, com pena. O Jorge continua mentalmente novo e aqueles que não o entenderam, que o leram à pressa, precisam de amadurecer, ou…
      Só estranho do que li aqui no 5 dias a nota do TMSaraiva ao classificar de disparatado. É certo que todos temos direito ao disparate, incluindo o Tiago e eu my self.
      Saudações

      João Pedro

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Paulo, acho que é importante frisar que se trata de um artigo de opinião (disparatado é certo!) e que tal como outros artigos de opinião publicados no Avante não vinculam o PCP.

    • paulogranjo diz:

      É óbvio que não vincula o PCP! Era o que faltava, Tiago…
      (Pelo menos, não vincula no sentido de representar a sua posição.)
      Mas o orgão central de um partido político, sobretudo com as responsabilidades históricas e sociais deste, não é propriamente e “Voz de Alguidares de Baixo”, e nem na “voz de Alguidares de baixo” um artigo de opinião é de publicação automática, só porque é recebido pela redacção.
      Publicar uma insanidade destas revela coisas bastante preocupantes acerca do conhecimento e capacidade de discernimento de quem autorizou a publicação, e resulta como um muito negativo sinal de aprovação aos tolinho com linguagem pseudo-revolucionária que cada vez mais pululam por aí.

      • miguel serras pereira diz:

        Claro que não vincula o PCP – de acordo. Eu próprio no post que dediquei ao assunto não só dava conta, da estupefacção que me causou ver o artigo publicado no “Avante!”, como sugeria que só uma “infiltração” poderia explicar o acontecido (http://viasfacto.blogspot.com/2011/11/os-protocolos-dos-sabios-de-siao.html)
        O que me parece é que, pelo menos, o “Avante!” estaria vinculado, para se ilibar da acusação de dar guarida a apologias dos Protocolos, a desautorizar a “tribuna”. Apesar de tudo, trata-se de um órgão oficial do PCP, o que faz com que as opiniões que publica, embora não vinculando o PCP, sejam tidas como aceitáveis e DEVAM ser aceitáveis no interior do Partido.

        msp

        • Mamene diz:

          Não vincula nada e,não são aceitáveis tais despautérios num partido cuja ideologia deve muito à cultura judaica-Marx,Rosa Luxemburgo,Lenine,Staline,Trostky,etc e,ainda muita gente do PCP originária dessa crença religiosa…

          • Joao Carvalho diz:

            Enquanto o Avante fôr o Orgão Central do PCP como diz na capa tem obviamente de vincular não só o corpo editorial do Jornal mas também o próprio Partido.

            A simplicidade da barbaridade é tanto maior que os protocolos de sião são referenciados sem mencionar que nessa obra os grandes senhores do capital internacional que conspiram para dominar o mundo são apenas os judeus.

            O Editor do Jornal Avante, responsável perante o Comité Central pelo Orgão Central do Partido, é também ele responsável pela edição dos artigos de opinião.

            E caros camaradas, nem todos os militantes conseguem que os seus artigos de opinião sejam publicados no Jornal Avante, nem sequer em período de Congressos, portanto não sejamos inocentes.

            Não haver uma condenação firme do artigo será um precedente perigoso…

        • Tiago diz:

          Se houver alguém que, por qualquer razão, envie um artigo de opinião para o Avante!, com fortes criticas à ideologia comunista, criticas com ou sem qualquer estrutura, seria publicado? Não seria e muito bem. O Avante! é o orgão oficial do PCP. Veicula ideias e instrui como se lê nalguns comentários dest post. Apenas vejo duas razões para este artigo ter “passado”; desconhecimento e/ou distracção

    • Tiago,
      A sua ingenuidade é inadmissível. O Avante agora tem um sector de Opinião aberto aos leitores.?! Indigne-se homem, não tenha vergonha de se indignar.

    • Vasco diz:

      Tiago, sou leigo em coisas de religião, é disparatado porquê? (ao Granjo nem pergunto pois trata-se de um anticomunista, mas não te tenho como tal). Explica-me por que razão o é ou se é só porque o Granjo o diz e a “unidade” obriga a concordar…

      • paulogranjo diz:

        Como a pregunta é para o Tiago, o comentário segue para bingo, mesmo que com disparatado e ignorante insulto.
        Como dizem que disse o outro, «Perdoa-lhes, senhor…»

  3. mc diz:

    não vinculam o PC mas vinculam o Avante. o que é muito triste.

    • João Pedro diz:

      Os cripto-seguidores de Zita Seabra e tutti quanti parecem ter renascido. Estarei de olho neles.

      João Pedro

      • paulogranjo diz:

        Não se arme em Beria de pacotilha, homem! A coisa ainda fica mais ridícula que o seu messias…

        • João Pedro diz:

          Falou um cripto seguidor de Torquemada travestido de Trotsky. À cabeceira, provavelmente, também o livro sagrado: Mein Kempf…
          O caminho das aves, não, isso é coisas de malta do proletariado, de revolucionários, de marxistas-leninistas: oh, horror dos horrores.

          Uma passagem, como carcereiro, claro, pelo território livre de Cuba, ali em Guantanamo, fazia-lhe bem…Pró currículo, homem…
          João Pedro

  4. joão viegas diz:

    Bom, o socialismo dos imbecis parece ter encontrado o seu Messias…

    Citando o autor do texto, “Da-se…”.

  5. João Pedro diz:

    E não me obriguem a vir para a rua gritar…~

    João Pedro

  6. Ricardo diz:

    O Jorge Messias deve ter acabado de ler o último livro do Umberto Eco – O Cemitério de Praga -, e sentiu-se inspirado…
    Mas ele fala numa segunda parte. Aquilo tem continuação. Talvez se perceba o que quererá ter dito com esta primeira parte…

  7. Vasco diz:

    Quanto ao texto não comento mas em relação ao director permita-me uma correcção: comparado com ele as tuas leituras teóricas e cultura geral são rasteiras e abaixo de cão. Sim, não estudou, é certo (isso era privilégio de certas camadas abastadas no tempo e no meio social de onde ele provém) – mas é das pessoas mais cultas que tive a felicidade de conhecer. Leia, se se der ao trabalho, os seus romances, particularmente o Caminho das Aves, e diga-me se o continua a achar que o director «não é lá dessas coisas de leituras teóricas nem de culturas gerais, ou em geral». Comparado com ele és zero. Eu sei que isso te deve custar, mas é a mais pura verdade.

    • paulogranjo diz:

      Foi de facto mauzinho da minha parte, mas até uma forma simpática de o desculpar de uma asneira deste tamanho.
      Quanto à avaliação do simpático (sem qualquer ironia) director do jornal em questão, ou mesmo a sua comparação com pessoas cujo trabalho você manifestamente não conhece, tem todo o direito do mundo de a fazer. Não me custa nada e até acho que lhe fica bem defender uma pessoa que tanto admira.
      Imagino que também me reconhecerá esse direito.
      E a verdade é que eu, que fiz o curso como trabalhador-estudante e porque as propinas ainda eram de um valor simbólico, que só pude fazer o doutoramento porque ganhei uma bolsa estatal, e que tive a mesma oportunidade que ele teve de me dedicar exclusivamente durante uns meses a estudar os rudimentos do marxismo (embora pareça ter, depois disso, levado mais a sério a obrigação revolucionária de continuar a aprofundar leituras, estudos e reflexão de forma auto-didacta), não fiquei nada entusiasmado com as tentativas que fiz de discutir com ele, há uns 20 anos atrás, questões políticas ou teóricas para lá do nível das frases de manual que mais ficam na memória.
      O que tenho lido desde então não me fez alterar essa apreciação.
      Mas admito que a pessoa em causa tenha aproveitado as suas novas mas já longas funções para se cultivar, estudar e reflectir – estando, nesse caso, eu a ser injusto, por avaliar uma pessoa hoje pelo que ela era quando lidava com ela, há um razoável tempo atrás.
      Se for esse o caso, melhor para ele!

  8. Vasco diz:

    Ah, como dizia a minha avó: «um burro carregado de livros é um doutor». Assim é você, sr. Dr.

    • paulogranjo diz:

      Já este elogio da ignorância (cuja aplicação a mim é irrelevante) poderia ficar muito bem na boca da sua avózinha.
      Na sua (que parece atribuir-se o epíteto de “comunista”), é anti-marxista, anti-revolucionário, e anti-comunista.
      Mas não se preocupe. Esse fenómeno não é nada que não se veja hoje em dia com certa frequência, na boca e pena de pessoas que se reclamam dos mesmos epítetos, mas sem o prefixo “anti” a precedê-los.

      • Vasco diz:

        Não é elogio da ignorância, pelo contrário. Viva quem estuda, quem se forma, quem alarga os seus horizontes. Mais grave é quanto tudo isso não serve de nada para abrir realmente os horizontes e alargar realmente o nível cultural. A minha avozinha, costureira, sabia mais de marxismo do que o senhor, garanto-lhe: sabia que era explorada, quem o explorava e quem era a organização que lutava contra a exploração de que foi alvo toda a vida. Já você, é só teorias todas muito novas, todas muito modernas… E no fundo, tão vazias…

    • João Pedro diz:

      Tem razão, Vasco, um burro carregado de livros é um Dr. Este rapaz do Granjo especializou-se em futilidades e inutilidades. É o Portugal dos pequeninos em todo o seu explendor.

      João Pedro

  9. Von diz:

    Quase um off-topic: e se o Avante glorificar a fome e repressão na Coreia do Norte? Vincula o PCP?

  10. Vasco diz:

    Tanta preocupação com o heróico Avante! e com as suas responsabilidades perante o proletariado. Estou quase a chorar… Hipocrisia é uma coisa feia!!!

    • paulogranjo diz:

      Bem maior que a sua, pelos vistos.
      Entretanto, depois de me chamar burro e hipócrita (sem saber do que fala, mas isso não vem ao caso), esgotou o seu crédito de insultos para um único post.
      Escusa de mandar mais, sob este nome ou de avatares.
      Se quiser argumentar alguma coisa de substantivo acerca do tema em questão, é bem-vindo.
      Mas não se apoquente nem inquiete, que só serão afixados lá para o final da tarde, que a minha vida não é isto.

      • Vasco diz:

        1. eu não sou o João Pedro.
        2. Você insultou primeiro o director do Avante!.
        3. eu, como muitos outros, realmente estimamos e lemos atentamente o Avante!. Não para criticar por criticar, mas para aprender, para nos formarmos, para olharmos a realidade sobre outros prismas. Ou seja, eu, como outros, podemos criticar o HERÓICO Avante! porque fazemo-lo para que seja melhor. Você não pode: fá-lo para achincalhar e só se refere a ele quando entende haver razão para o achincalhar. Isso não lhe perdoo. Nem eu nem os obreiros do heróico Avante!.

        Passe bem.

        • paulogranjo diz:

          São artigos como este que achincalham o Avante! e, pelo que ele é, o PCP.
          Se não percebe isso, passe bem.

        • José diz:

          Ficamos todos a saber que o Vasco não permite que outros, que não ele e os que ele reconhece como fiáveis, possam criticar o “Heróico Avante!”.
          Vasco Jdanov?

          • Vasco diz:

            Nada disso. Só não gosto que se finjam admiradores do heroísmo do Avante! ou do PCP e, até, preocupados com o que o povão pode pensar do PCP e do Avante!… Querem lá saber – só querem marrar com os comunistas e agarram-se a qualquer pretexto tolo para o fazerem. Nada mais do que isto.

            Discutir ideias? Venham elas!
            Preconceitos? Deixem estar.

  11. JMJ diz:

    Este texto revela muito claramente que o Paulo Granjo não tem sequer nível para escrever anuncios classificados n’”A Voz de Alguidares de Baixo”.

    Atacar o Director do Avante!, nos termos insultuosos em que o faz- reveladores de uma discriminação social e politica que sinceramente pensava já em desuso, revela, como um espelho, as limitações e fragilidades de quem precisa “dessas coisas de leituras teóricas (…) de culturas gerais, ou em geral” para se sentir mais homenzinho que aquilo que a sua condição mental permite.

  12. Vasco diz:

    Este texto padece de vários problemas, que passo a citar:
    1) critica um texto sem dizer exactamente qual o alvo da crítica, como se ela fosse conhecida de todos, o que manifestamente não é verdade (a menos de quem se quer fazer passar por entendido em tudo);
    2) é hipócrita, na medida em que visa uma pessoa que nem é o autor do citado texto, passando-lhe um atestado de mediocridade – que volta a não justificar, limitando-se a um «eu bem sei que…) por causa de um texto de outrém;
    3) é novamente hipócrita, ao fingir que reconhece qualquer heroísmo ao Avante! ou aos comunistas – sendo que só fala deles quando é para criticar.

    É muito feio!

    • João Pedro diz:

      Meu caríssimo Vasco

      O problema dos granjos é que não têm o património único que só os comunistas possuem: Um projecto e um ideal. Não têm também no campo cultural um Nóbel, um Ary, um Manuel da Fonseca, um Lopes Graça, um Zé Gomes Ferreira, um Paredes, e mais, muito mais. Estou a falar só do campo cultural. Não falo, agora, da abnegação, do sangue derramado, do Tarrafal, do amor aos trabalhadores, ao povo e à Pátria e de tanta coisas mais. Da humanidade, do melhor que habita em cada um de nós, aí se incluindo os granjos.

      João Pedro

    • paulogranjo diz:

      Quanto a questões substantivas:

      1) Foi, há horas, acrescentado um post scriptum, para delicadamente suprir o eventual desconhecimento (quanto ao chocante absurdo do texto em causa) das pessoas que se deliciem com bocas que lhes pareçam bué da revolucionárias, ignorando a natureza dos argumentos e materiais que estão a ser utilizados. Se, com essa dica, continua a não perceber a gravidade da questão, temo que nem fazendo um boneco lho conseguisse fazer entender.

      2) O director de um jornal é, em termos legais e na prática, responsável por tudo o que é publicado no orgão de comunicação que dirige. Um jornal partidário tem a responsabilidade suplementar de pugnar, no que aceita publicar, pela imagem do partido que representa junto da opinião pública e dos seus próprios membros. Todos os jornais são selectivos, os jornais partidários mais que os restantes, e essa responsabilidade última cabe ao director. Conforme explicitei em resposta anterior a um comentário seu, as limitações de conhecimentos históricos e teóricos da pessoa que ocupa essa posição de director podem ser uma atenuante para uma obscenidade destas, embora não a justifiquem. A alternativa a isso seria bem mais grave, em termos políticos.
      Entretanto, aquilo que escreve nesta alínea poderia justificar que me acusasse (injustamente) de má-fé, não de hipocrisia. Aconselho-lhe a consulta de um dicionário, ou de um manual de lógica argumentativa, se é que tal coisa existe.

      3) Não fale do que não sabe. Não sei se alguma vez fui hipócrita na vida (desta vez aplicou bem a palavra, parabéns), mas esse não é certamente o caso. E se você “cá acha que sim”, sem saber do que fala, o melhor é calar a boquinha e não fazer figuras tristes.

      • Vasco diz:

        O director em causa NÃO TEM LIMITAÇÕES DE CONHECIMENTOS TEÓRICOS OU CULTURAIS. Se as tiver tem muito menos do que você, acredite. Em tenho-as, claro, mas não sou tão fantástico como senhor, que quer?…

        • paulogranjo diz:

          Amen! Já justei um post scriptum 2!

          • Vasco diz:

            »Afinal, o director do jornal em questão é um brilhantíssimo intelectual e romancista de longínqua origem operária (uma suplementar e inquestionável prova de excelência), profundíssimo conhecedor e exegeta dos escritos de Marx, Lenin e etc., e o homem mais culto que conheci em dias da minha vida».

            Está melhor! 😉

        • José diz:

          É pena que o director do Avante! não tenha “LIMITAÇÕES DE CONHECIMENTOS TEÓRICOS OU CULTURAIS.”
          Isso ainda poderia justificar ter deixado passar esse artigo de opinião racista, anti-semita.
          A acreditar no Vasco, então o director do jornal oficial do PCP quis deixar passar essa mensagem de ódio rácico.
          Eu prefiro continuar a acreditar que foi um lapso, resultante das tais limitações que o Vasco jura a pés juntos que não existem.

  13. Raquel diz:

    Porque será que isto (a sórdida referência no Avante) não me espanta? Talvez seja por já ter constatado de perto o anti-semitismo de alguns comunistas. Não estou a mentir ou a exagerar. Já testemunhei isto diversas vezes, “judeu isto, judeu aquilo, são os judeus….”

    Simplesmente repugnante.

    Aliás, basta ler o que os defensores do “heroico” Avante (coitados, precisam do Avante e das suas diretrizes papais para se “formarem e aprender…” ) aqui escrevem, mesmo depois de terem sido confrontados com esta critica irrefutável e honesta do Paulo Granjo. Não pedem desculpa, não reconhecem o erro, rien de rien. Apenas defendem o seu “glorioso” Avante, salientando o seu imenso valor pedagógico ao mesmo tempo que falam das suas mui letradas Avozinhas. (com todo o respeito)

    O Paulo Granjo tocou numa ferida aberta.

    • Vasco diz:

      Repugnante é atacar um jornal (sim, heróico) e um Partido (sim, também heróico) a partir de um artigo. Ou seja, fingir que atacam o artigo atacando na verdade o jornal, o Partido, a sua história, a sua linha política e os seus militantes…

    • Vasco diz:

      Quanto aos judeus, sou do partido há uma porrada de anos e nunca ouvi falar dos judeus. Quanto à formação, sim, é verdade. Não sou daqueles que me formo com o Público ou o DN e que acho que a informação é imparcial… Confesso!

    • Bruno Carvalho diz:

      Sempre que entro no Vitória, tenho de mostrar um documento que prova que não sou judeu. Aliás, atrás do cartão do partido diz: “este militante não tem ascendência judaica”. Ó Raquel, eu sou militante há mais de dez anos e nunca ouvi alguém falar mal de judeus, católicos, muçulmanos ou hindus. Ouvi, isso sim, falar mal do sionismo e dos sionistas. Mas dessa doença também eu padeço. Certamente que não exageras, Raquel, porque te costumo ver no bar do Partido, nas distribuições do Partido, nas manifestações do Partido, nos debates do Partido. Portanto, deve ser daí que aferiste essa realidade – não exagerada – do anti-semitismo dentro do PCP.

      Mas deixa-me dizer-te mais. É impossível que sejamos anti-semitas. Em primeiro lugar porque a maioria dos judeus não são semitas mas europeus, em segundo lugar porque a maioria dos semitas são árabes e muçulmanos. É este tipo de equívocos propagados pela propaganda de direita e que calam em tanta gente formada que ajudam Israel e o sionismo e que destroem a Palestina e os judeus que nada querem ter a ver com Israel e com o sionismo.

      Depois, irrita-me que catalogues esta crítica arrogante, sobranceira e prepotente do “intelectual” universitário Paulo Granjo ao intelectual operário José Casanova como sendo irrefutável e honesta. Foi uma referência baixa e sem qualquer nível. Raquel, é assim que analisas as coisas? Quando é o PCP vale tudo?

    • Tiago B. diz:

      Confesso (é uma questão pessoal) que adoro a Raquel Varela. É a tipica indignada que vai escrever mil posts sobre a Greve Geral, mas levantar o rabinho da cama para ir a uma fábrica distribuir um documento está quieto. Está frio para essas coisas, é sempre melhor acampar no Verão.

    • Samuel diz:

      A cara e “repugnada” Raquel… a ver pelo nome, pode ser uma de muitas coisas, como:
      1. Judia… o que nem é bom nem mau.
      2. Judia sionista (fascista, racista)… o que é, isso sim, algo repugnante.
      3. Cristã evangélica/protestante… daquelas que, para além de ostentarem nomes bíblicos (como eu) tremelicam de emoção sempre que se toca em Israel e no “povo eleito de Deus”.
      4. Nenhuma destas coisas… e é simplesmente mais uma anticomunista que acumula esse estatuto tão corriqueiro com uma grande dose de patetice.
      Os comunistas portugueses são um antro de antisemitas racistas? Ele há cada uma!…

      • paulogranjo diz:

        Caro Samuel:
        Com todo o respeito que você me merece (e sem que a Raquel, que só vi uma vez na vida, precise de guarda-costas), acho que perdeu uma boa oportunidade de se procurar informar antes de abrir a boca.

    • Raquel, menos ácidos sff. Nunca vi ninguém comentar “os judeus” no PCP. O artigo do Avante é completamente imbecil, ao nível do Dan Brown das galinheiras, mas não corresponde a nenhuma linha política. Nas referência de qualquer partido comunista estão textos escritos por pessoas que eram judias. Basta ler o livro de Michel Lowy “Redenção e Utopia” para perceber essa herança, já para não falar dos deconhecido Karl Marx de seu nome.

      • miguel serras pereira diz:

        Sim, Nuno, tudo o que dizes é verdade. Mas é também verdade que os Protocolos não são só anti-sionistas; são anti-semitas e uma das fontes de Hitler e de outros. Também é verdade que o Jorge Messias escreve: “Uma nota informativa complementar: os Protocolos não são proféticos. Não foram redigidos de uma só vez, para sempre. São fichas que incluem tópicos de matérias já conhecidas no seu tempo. Depois, vão sendo actualizadas à medida do tempo que passa” – o que terás de concordar que é uma falsificação pouco inocente (esteja o seu autor convencido ou não do que diz – e nem sei que hipótese é a pior…).
        É por isso – ou seja, aquilo que dizes – que a estupefacção é mais do que justificada quando vemos publicado no Avante! um texto de semelhante teor. E, tendo em conta tudo o que o Paulo Granjo e outros aqui escreveram sobre as responsabilidades da direcção de um jornal partidário e a natureza de uma tal publicação, o mínimo que se poderia esperar era um emendar de mão inequívoco e simples. E nada menos.

        msp

  14. Rascunho diz:

    tanto saber no não saber – bem sei, bem sei, que não sei

  15. xatoo diz:

    post sriptum
    eheheh, a minha pilinha é maior que a tua

  16. Paulo,
    O artigo é completamente imbecil. A referência ao protocolo dos sábios do sião é inaceitável. Mas está assinado por um tal Jorge Messias. Não consta que um artigo de opinião seja posição oficial de um partido e não está assinado pelo Casanova. Acho que fazes bem em dizer mal do artigo, acho que fazes mal em aproveitar o artigo para ajustar contas políticas com um partido.

    • paulogranjo diz:

      Vê a resposta ao primeiro comentário do Tiago.
      É claro que não estou a imaginar que aquela insanidade possa ser partilhada pela direcção do PCP.
      Para além de que não tenho contas nenhumas a ajustar com o partidão.

      Mas sabes muito melhor que eu que os artigos de opinião de leitores não têm publicação automática em lado nenhum, muito menos no orgão central de um partido político.
      A responsabilidade da publicação não é apenas de quem assina um artigo, mas também de quem o autoriza. Em última instância (e quase sempre na prática) do director.

      Como também sabes, tenho muita simpatia pessoal pelo Casanova e respeito muito o seu passado. Mas meteu a pata numa poça muito lamacenta.
      Exactamente porque não me passa pela cabeça que o artigo represente uma “linha oficial”, ou de que ele tivesse plena consciência do que ali estava, é que ponho a hipótese de aquilo sair por ignorância ou distração. Plausível no director em causa, por muita simpatia e respeito pessoal que tenha por ele. A alternativa seria bem pior, não?

  17. Tiago Mota Saraiva diz:

    Não percebo porque se continua a confundir quem opina no Avante, com a linha política do PCP… nem mesmo, do Avante. Já escrevi num blogue do Expresso e agora publico uma coluna de opinião no i, há alguma dúvida que a opinião que expresso apenas me vincula a mim?

    Vasco, o artigo é disparatado pois abre uma linha danbrowniana de análise da realidade que não me parece minimamente interessante e que pouco tem a ver com religião e/ou com a análise que o PCP faz da realidade internacional, manifestada através dos seus órgãos próprios.

    • paulogranjo diz:

      Eu não confundo e suponho que os comentadores mais críticos do artigo também não.
      (Talvez só façam essa confusão os auto-proclamados defensores da fortaleza.)
      A minha posição está, penso eu, clara na resposta ao teu primeiro comentário e ao comentário do Nuno.

    • José diz:

      Escrever no Avante! não é a mesma coisa do que um comunista escrever noutro jornal qualquer, como o Tiago bem sabe.

  18. Vasco diz:

    Atacar o sionismo não é atacar o judaísmo. Isso é o que dizem os sionistas que, quando se ataca a ocupação da Palestina, logo vêm falar do Holocausto e do Hitler. Já o sionismo, como ideologia racista e fascista, é condenável, não acha, cara Raquel?

    Há judeus, em Israel e não só, que combatem o sionismo. Serão esquizofrénicos?

    • paulogranjo diz:

      Ó homem! Aquilo não é sobre o sionismo. Aquilo é uma merda escrita pela polícia secreta czarista para justificar a existência de um plano maquiavélico judaico-maçónico de domínio secreto do mundo, criada com o objectivo de legitimar a repressão da oposição política e a perseguição de bodes expiatórios. A coisa foi rapidamente exportada e os últimos escritos políticos onde foi apresentada e tratada como um documento real e genuíno foram nazis. Isso é sabido e documentado.

    • João Pedro diz:

      Vasco

      Que não te doam as mãos, camarada.

      Ensina estes trogloditas até que a voz te doa.

      Tens razão, Vasco.
      Eles fazem parte, ocultamente, daqueles que acham que é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma.

      E custa-me dizer isto: O Tiago está a dar muita conversa aos inimigos do povo !

      João Pedro

  19. José diz:

    Um partido que permite que nas páginas do seu órgão oficial sejam emitidas mensagens racistas, anti-semitas, é um partido que adere a essas teses ou que está com evidentes problemas para definir a sua linha política.
    Evocar as teses do Protocolo dos Sábios de Sião é algo que se esperaria do jornal de um PNR, não do órgão oficial do PCP.
    Provavelmente, a última vez que essa obra fantasista e a sua mensagem racista foi evocada num jornal partidário na Europa terá sido pelo Völkischer Beobachter.
    É com pena que vejo agora o Avante! a copiar o órgão oficial do NSDAP.

    • Vasco diz:

      Desse protocolo percebo pouco, confesso, mas não vejo onde é que no texto em causa está a defesa dele – e não a sua crítica ou a constatação do autor da «actualidade» das suas teses/previsões. Gostarem do texto ou não é uma coisa – agora ver ali a defesa de teses fascistas é não saber ler… É a prova que estudar ajuda mas não resolve…

      Não dizes nada sobre estas acusações, Paulo Granjo, que tanto estimas o Casanova, o Avante! e o PCP?…

      • paulogranjo diz:

        Respondido noutro comentário ao meu caro (e pontualmente insultuoso) contraditor.

      • José diz:

        A defesa é de teses racistas. Não manipule, Vasco, não distorça o que eu escrevo.
        Chato é partidos que estão em campos bem opostos publicarem essas mesmas teses.
        É a prova de que o maior cego é o que não quer ver.

    • João Pedro diz:

      Caro José

      A tua conversa é a de carcereiro. A de defensor do Estado Penitenciário. Vê-se bem que não conheces Neruda ou mesmo o teu compatriota Saramago.

      Resta-te navegar à vista, digo, à deriva…Um dia destes és atirado contra os rochedos, e, se calhar, é uma pena.

      Salut

      João Pedro

      • José diz:

        Ai, sim? Carcereiro? E não quer desenvolver, ou basta-lhe o insultozinho?
        É mentira que aquele artigo foi publicado no Avante?
        É mentira que o artigo tem uma mensagem racista?
        É mentira que o Avante! é o órgão oficial do PCP?
        É mentira que os Protocolos dos Sábios do Sião foram usados pela Okhrana inicialmente e, posteriormente, pela generalidade dos partidos autoritários que viam os judeus como ameaça, sendo o mais conhecido o NSDAP?
        Não seria mais razoável admitir o lapso do director do Avante! em vez de insultar quem diz “O rei vai nu!”?
        Enfim, tirar as palas?

        • Vasco diz:

          Não é mentira nem que o artigo tenha saído no Avante! nem que o Avante! seja o órgão central do PCP. Mas é mentira que tenha uma mensagem racista. Leia, vá, leia, e não vá atrás do que lhe dizem ou do seu incurável anticomunismo…

  20. Dédé diz:

    Embora deselegante para a pessoa, a opinião de Paulo Granjo sobre o Diretor do Avante não é propriamente um insulto. Pelo menos nada que se compare com o insulto que devia ser para todos os comunistas verem o Avante usado como veiculo de anti-semitismo e teorias da conspiração. Pelo que aqui leio para alguns não é. Espero que não estejam em maioria.

  21. Augusto diz:

    O Avante só publica artigos que estejam de acordo com a linha oficial do PCP.

    Sempre foi assim, e tentar vender gato por lebre, não só é errado, como não abona nada em favor, de quem tenta desmentir o indesmentivel.

    Isso não significa que eu pense, que a Comissão Politica do CC do PCP, se reveja em textos provocatórios e anti judaicos, como o é o Protocolo dos Sábios de Sião.

    Agora que algo de muito estranho se está a passar no Avante, para terem deixado passar o dito ” artigo de opinião”, isso é inquestionável.

  22. JMJ diz:

    O que é fabuloso nisto tudo é que se publique um post para criticar um texto e, em 552 caracteres, 320 sejam para criticar uma pessoa que não escreveu o texto e apenas 230 para criticar o texto.

    Ou seja, fica claro que o objectivo do texto do paulo vai para lá da critica ao artigo do Jorge Messias (que seria legitima, concordando-se ou não), para atacar pessoalmente o José Casanova.

    Que agora venha, armado em gozão, acrescentar um Post-scriptum onde ridiculariza o percurso de José Casanova é, na minha opinião, sinal de uma mentalidade tacanha e agrava ainda mais o insulto inicial.

    Aliás, resulta de todas as resposta do Paulo Granjo uma tentativa de se auto-valorizar perante os restantes comentadores, através do seu curriculo académico.

    Já vimos que para si, um Sr. Doutorado é mais pessoa que um analfabeto. Todas as suas respostas neste post foram clarinhas como a água a demonstrar a sua soberba.

    Se eu fosse psicologo, que não sou, diria que é sinal de inferioridade e de insegurança. Isso tem cura, sr. Paulo.

    • paulogranjo diz:

      A questão da alusão ao director do jornal já ficou clara noutras respostas, nada havendo a acrescenter para quem não perceba ou não queira perceber.
      Quanto ao resto, não acerta no alvo mas, se isso o faz feliz, que o seja.

  23. paulogranjo diz:

    INFORMAÇÃO AOS ESTIMADOS UTENTES:

    SÓ VOLTA A HAVER AFIXAÇÃO DE COMENTÁRIOS LÁ PARA O FIM DA TARDE

  24. Marco diz:

    Parece impossível tanto teclado gasto com isto…

    Ao Paulo não lhe ficará muito bem a adjectivação do Casanova, mas enfim…

    Agora comunistas atrás destes delírios… Diz que há para aí uma crise sistémica que assenta que nem uma luva às teorias de acumulação de capital do velho judeu alemão e andamos a falar de Illuminati?

    F…. três vezes f……

    • Vasco diz:

      O Avante! é um jornal semanal e tem 32 páginas – se ler verá que o Avante! fala de MUITO mais do que do Iluminati… Vá lá, experimente…

  25. joão viegas diz:

    Foda-se,

    Depois de ler esta impressionante troca de argumentos de fundo, rendo-me completamente : o Avante fez muitissimo bem, e o seu director so pode ser aplaudido (de pé) por ter deixado publicar a “livre opinião” aqui referida.

    1. Liberdade é liberdade. Não ha como proibir a livre expressão de todas as opiniões, mesmo aquelas que são livremente idiotas e livremente ignorantes. Sobretudo no Avante, agora que ele decidiu dar uma coluna mensal ao João Miranda !

    2. O Avante não é o partido. Nada de confusões. Alias, o partido ja deu instruções firmes para que uma parte substancial dos seus membros deixe imediatamente de assinar o Avante, pelo que cumpre agora alargar o leitorado abarcando novos e apelativos horizontes politicos.

    3. A admitir-se um limite à liberdade de expressão, teria de aplicar-se em primeiro lugar ao Paulo Granjo, sobretudo quando ele critica sem nenhuma legitimidade opiniões livres publicadas no Avante, que por acaso até nem vinculam nada nem ninguém, menos os imbecis que se indignam quando elas são criticadas.

    4. Ia falar no Groucho Marx, mas pensando bem acho melhor não, uma vez que, se não estou em erro, ele era muito mais judeu do que o Karl, da mesma forma que o director do Avante é muito mais Doutor do que o Granjo.

    Inacreditavel a destreza com que algumas almas aproveitam a mais pequena e fugaz ocasião de se ridiculizar…

    • Sérgio Pinto diz:

      João Viegas,

      Apenas para dizer que achei que o seu comentário é claramente o melhor de entre os mais de 100 com que este post já conta.

      Em paralelo, cumprimentos ao Paulo Granjo (que não conheço e nunca vi), mas de quem estou certamente mais próximo que da corja xenófoba e fascista que se mascara de ‘Esquerda’ e que envergonha os que de facto a ela pertencem.

  26. João Pedro diz:

    Estes democratas (…), com esta manifestação anticomunista preconizariam para Jorge Messias o mesmo que o fascismo mussoliniano queria fazer ao teórico e dirigente comunista António Gramsci: Aprisionar o cérebro deste homem por dez anos.

    E já agora, o Dédé, podia fazer melhor que isto…Mas, enfim, a alguns há que consentir alguma excentricidade ? ….

    • paulogranjo diz:

      Eh, pá!
      Ir buscar o Gramsci para tentar elevar esse tal Messias e o seu inenarrável artigo, é que não!

      • An Lage diz:

        Pior ainda é invocar a censura e a perseguição fascista para defender anti-semitas. Mas isso é cada vez mais comum. É por exemplo uma das especialidades do Jean Brincmont, aquele amiguinho do Sokal e defensor de ditadores anti-americanos como muitos neste blogue. De notar que o Indymedia Portugal, também baseado nessa posição tem permitido a divulgação de negacionistas do holocausto na sua página, como aconteceu também com outros indymedias. Sobre este assunto recomendo este texto: http://luftmenschen.over-blog.com/article-contre-leur-liberte-d-expression-62123539.html

  27. Raquel diz:

    “Não percebo porque se continua a confundir quem opina no Avante, com a linha política do PCP.”

    Tiago Mota Saraiva

    Confundem-se as coisas porque o Avante é a publicação onde se exprime a “linha política do PCP.”

    Estarei errada????

    VERGONHOSO!!!!!

    Ninguém aqui falou de Israel ou de Sionismo.

    • A.Silva diz:

      Como diz outro Tiago mais abaixo: “Para quem levou a vacina anti-PCP e faz da linguagem de esquerda (e cuzinho sentado no sofá) a sua forma de vida, é óbvio que dá choques cerebrais este tipo de coisas.”

  28. Outro diz:

    Poderá ser útil talvez sublinhar algumas frases do texto original (as que transparecem que o autor mantém as devidas reservas mentais quanto à origem dos textos, mas que o relacionam com a realidade presente):

    “A história dos Protocolos poderia, em princípio, parecer um conto de fadas. Mas os quadros dos anúncios que aí se promovem são bem reais.

    Tudo poderia ser pura imaginação não fosse o caso do enunciado teórico dos Protocolos ser acompanhado por uma listagem de objectivos a curto e médio prazos: um governo mundial oculto que promova uma Nova Ordem mundial; um único sistema económico, financeiro e monetário, de obediência universal; o fim das crises económicas através da ocupação, por um só exército, de todas as fontes mundiais de matérias-primas e energia (…)”

    O que sinceramente não percebo é porque carga de água tanto o post como os comentários praticamente se circunscreveram a ataques ad hominem…

    Aos outros que continuam a confundir em salada russa “Sionismo”, “Judeus” e por extensão “anti-semitismo”, “anti-sionismo”, bem podem continuar a perfurmar essa mitologia de trazer na axila com aromas de Holocausto.

  29. Vasco diz:

    Insultuoso, eu? Que escreveu, no post, que «Eu bem sei…que o director do heróico (sem aspas) semanário em causa não é lá dessas coisas de leituras teóricas nem de culturas gerais, ou em geral» não fui eu.

    • paulogranjo diz:

      Isso é (conforme reconheço num post mais acima) deselegante, insensível e desnecessário. No limite, e pela combinação dessas três características, poderá até considerar-se que é quase cruel. Mas não é insultuoso.
      Quanto a isso, contudo, sugiro que fiquemos por aqui. Duvido que haja, a dizer, mais alguma coisa que mereça ser dita.

      • Outro diz:

        Muito mais elegante que a sionista prática de utilizar constantemente o Holocausto (real e com 60 anos) para justificar a limpeza étnica actualmente praticada pelo Estado de Israel.

        Bem mais sensível para com os Palestinianos (Musulmanos, Judeus e Cristãos) hoje, como desde há decadas vítimas, desse sionismo desumano. E por Palestinianos incluam-se, óbviamente, também os que habitam as terras ocupadas por Israel desde 1948, podendo-se mesmo recuar à declaração de Balfour* de 1917.

        Deveras necessário porque dos melhores contributos para o esclarecimento do conflito Israelo-Palestiniano é a identificação da sua origem sionista, a organização fundada em 1987 (Organização Sionista)** para promover o “Estado de Israel” num verdadeiro projecto de engenharia demografica, do qual a prática religiosa Judaica não depende. Porque é demasiado perigoso, para Judeus, sobretudo para estes, confundir os conceitos “Sionismo” e “Judeísmo” continuando a alimentar esse mito.

        Aproveito para citar a declaração de Basel presidida por Herzl:

        “Zionism aims at establishing for the Jewish people a publicly and legally assured home in Palestine. For the attainment of this purpose, the Congress considers the following means serviceable:

        1. The promotion of the settlement of Jewish agriculturists, artisans, and tradesmen in Palestine.

        2. The federation of all Jews into local or general groups, according to the laws of the various countries.

        3. The strengthening of the Jewish feeling and consciousness.

        4. Preparatory steps for the attainment of those governmental grants which are necessary to the achievement of the Zionist purpose.”

        Podemos todos observar hoje e desde então o que quer dizer na prática este “Zionist purpose”.

        Da minha parte continuarei a denunciá-lo.

        *Curiosamente Balfour, em carta escrita ao Barão Rothschild, defensor do sionismo, que só por coicidência também é membro da familia da mais alta Finança, na altura e actualidade.

        **Curiosamente em Basel, Suiça, que só por coicidência é também a sede da Banca dos Bancos (BIS).

        Eu bem sei… são tudo coicidências.

        • Outro diz:

          “a organização fundada em 1987 (Organização Sionista)”

          “1987” – Leia-se “1897”

        • Vasco diz:

          Eu já não vou ao ponto de discutir a existência do Estado de Israel, mas as suas fronteiras. Que não vão até ao Eufrates, como o sionismo mais radical pretende. O Estado que NÃO existe é o da Palestina e não o de Israel. Lutar pelo estado palestiniano não é defender o fim de Israel ou a sua implosão – mas garantir a um povo que sofre há mais de 60 anos a ocupação e a opressão o direito a um estado soberano, independente e viável…

      • Vasco diz:

        Certo. Sobre isso estamos – e bem – conversados…

  30. David diz:

    Basicamente, a questão é esta: o Messias deve ter bebido de mais ao almoço, além de ser ignorante e de misturar um texto falso com uma citação verdadeira; Casanova, que decerto não bebeu de mais ao almoço, e não é ignorante, devia ter mandado o Messias dar uma volta, alegando, e com razão, que o director de um jornal é responsável por TODOS os textos nele publicados, e que o “Avante” não pode acolher disparates que nada têm a ver com o pensamento comunista. Não se trataria de censura, mas de um acto higiénico.

  31. Tiago B. diz:

    Um breve comentário de um visitante diário (mas que raramente comenta). Alguém escrever um artigo “informando” que José Casanova é um homem que “não é lá dessas coisas de leituras teóricas nem de culturas gerais, ou em geral “, revela não a suposta ignorância de quem é director do Avante! mas de quem escreveu este texto.

    Tenho 27 anos e desde que me lembro que leio o Avante, o Jorge Messias tem lá um artigo por semana. Para quem acompanha semanalmente sabe que o que ele escreve nem sempre coincide com a posição do Partido. Mas Jorge Messias é uma pessoa que conhece profundamente os meandros da Igreja Católica (leiam “O crepúsculo dos deuses” – Campo das Letras) e que semanalmente opina sobre a relação Igreja/Capitalismo. Se concordo com este artigo? Não. Mas Jorge Messias é um homem de esquerda, corajoso, e que merece ser lido (concordar ou não é outra coisa).

    Para quem levou a vacina anti-PCP e faz da linguagem de esquerda (e cuzinho sentado no sofá) a sua forma de vida, é óbvio que dá choques cerebrais este tipo de coisas.

    A mim já pouco me surpreende, mas é preciso falar mal do PCP (não o país começar a endireitar as costas… e termos de fazer com tudo volte ao mesmo)… e até um artigo do Jorge Messias serve para isso. Até aconselho a lerem outros, que estão disponíveis no sítio do Avante… e podem fazer mais dezenas de posts.

    Mas o humilhante disto tudo é ver um tipo chamar ignorante a uma pessoa como José Casanova. Nem que fosse por supostamente este tipo deste post ser de esquerda… conhecer minimamente o panorama literário português. Como dizia o outro “continue a escrever, que a sua idiotice é uma vacina contra o anti-comunismo”.

  32. João diz:

    Não é a primeira vez que Jorge Messias escreve no Avante sobre os Protocolos. E sempre no mesmo sentido, o de colocar a hipótese de serem documentos conspirativos judaicos. É inominável que o Avante publique estes textos anti-judaicos.

    “Tal como qualquer outro grande mito, os «Protocolos dos Sábios de Sião» nasceram por entre polémicos e confusos cenários até hoje nunca esclarecidos. Diziam alguns – os metafísicos – que as suas profecias remontavam aos longínquos tempos da proto-história e constituíam legado dos deuses. Esta tese seria confirmada, afirmavam os seus defensores, pela linha «histórica» descrita pelos profetas de Sião e continuada, durante séculos e séculos, pela visões proféticas dos druidas, do Santo Graal, dos alquimistas, dos jesuítas, da Maçonaria, do Opus Dei, etc., etc. Todas essas formações, secretas e semi-secretas, faziam a «ponte» entre o poder temporal e laico e o poder confessional, eterno e universal.

    Faltava ainda, é certo, capacidade aos «illuminati» para se organizarem como um todo e coordenarem as suas acções. Tecnologicamente, os obstáculos iam sendo ultrapassados. Mas no plano doutrinal os propulsores da Nova Ordem, sempre em mutação, demonstravam não ter ainda capacidade para avançarem, ocuparem e consolidarem-se na chefia do Universo. Alcançavam êxitos mas perdiam a guerra. Aconteceu isso com os Romanos, com os Cruzados, com Carlos Magno, com a Navegação e o Comércio, com o Fascismo e o Nazismo, etc. Os imperialistas, sempre unidos ao grande capital e à religião, acabaram invariavelmente por perder a «Batalha do Mito».

    Tudo isto é aplicável aos «Protocolos» mas não os explica. E quanto à sua idade, objectivos e métodos, houve outras interpretações, bem mais convincentes que a dos metafísicos. “

  33. João diz:

    Mas há mais do Messias:
    “Neste caso dos Protocolos, o documento era real e as profecias autênticas – reconheceram observadores mais objectivos. Mas tudo fora forjado há poucos anos nos gabinetes da Okrana (os serviços secretos da Rússia czarista), tendo o texto final sido depois aprovado nas sessões de um encontro à porta fechada entre sábios e peritos sionistas e maçons, em Basileia, na Suíça, em 1807. ”
    “Mas continuemos a tentar descrever o que então se passou. Por exemplo, neste caso da caracterização dos Protocolos, os sionistas contra-atacaram, com o argumento de que o enredo era uma conspiração destinada a desacreditar a luta dos judeus pela criação de uma pátria.

    Passaram anos, vieram os nazis, usaram os Protocolos, chacinaram milhões de judeus e tentaram conquistar o mundo inteiro. Era a prova provada de que os sionistas tinham razão. Mas a terra continuou a rodar e vê-se bem, agora, que as ambições sionistas não ficam aquém do pesadelo nazi. Porque sionista não é sinónimo de judeu e os extremos tocam-se.

    Continuaremos a tentar este alerta: o nazi-fascismo afinal não morreu.”

  34. Vasco diz:

    Parece que tudo surgiu do Facebook de Richard Zimler.

    Num post de hoje, escreve «Eis um artigo do Jornal Avante sobre a falsificação anti-Semíta e repugnante que se chama “Os Protocolos dos Sábios de Sião”. “Os Protocolos” é um texto forjado em 1897 pela Okhrana (polícia secreta do Czar Nicolau II), que descrevia um suposto projeto de conspiração para que os judeus atingissem a “dominação mundial”. Foi utilizado pelo Hitler para justificar o genocídio.
    Na minha opinião este artigo podia (e devia!) ser bem mais clara em relação aos Protocolos. Devia começar com uma explicação do texto seguida por uma condenação dura e clara. Muitos leitores do texto ficam com a ideia de que o jornalista do Avante está a dar valor aos Protocolos e toma a serio os seus argumentos. »

    É discutível mas bem diferente do que publicou antes, não sei quando, e que pelos vistos apagou: «Quer ficar indignado e chocado? O Partido Comunista Português está a divulgar as mentiras de uma falsificação anti-Semíta e repugnante que se chama “Os Protocolos dos Sábios de Sião”. Trata-se de um texto surgido, originalmente, em idioma russo, forjado em 1897 pela Okhrana (polícia secreta do Czar Nicolau II), que descrevia um suposto projeto de conspiração para que os judeus atingissem a “dominação mundial”.
    Estamos em 2011 ou 1911?
    Agradecia que condenasse o anti-Semitismo do PCP o mais rapidamente possível!»

    Se o autor da falácia corrigiu o pé a tempo (pelo menos em parte) por que é que os seus «seguidores» não o fazem também? Segundo Zimler, no máximo, corre-se o risco de se ficar com a ideia de que… e já não se condena o anti-semitismo do PCP… Façam um favor a vocês próprios e façam como o Zimler… Pelo menos. Ou então leiam para não ficarem com a ideia de que…

  35. igr diz:

    Independentemente da autoria dos “Protocolos” e independentemente das considerações que possamos fazer sobre Jorge Messias, o Avante, o PC, os judeus etc, acho que considerar o texto, à partida, de “imbecil” é fugir à discussão, que julgo pertinente, sobre a efectiva e alargada influência de judeus e filo-judeus sobre os desígnios políticos, económicos e socio-culturais do Mundo. Eu não partilho, de forma alguma, da ideia alucinada e nazi (passe a redundância) do chamado ZOG, dos illuminati e por aí fora. Mas não posso deixar de estranhar que um “povo” (assim mesmo, com aspas, porque essa é outra discussão) numericamente tão reduzido tenha tamanha importância no sistema capitalista.

    Quanto ao texto propriamente dito, não vejo nele nenhum traço de anti-judaísmo. Vejo duas referências aos “Protocolos”, não sob o ponto de vista anti-judeu, mas sim para discorrer sobre a ideia, patente nesse panfleto, acerca de uma conspiração para domínio do globo, por parte de uns quantos. Acreditar nela, ou não, não me parece crime algum. Pessoalmente, vejo-a como reaccionária e anti-marxista. O materialismo histórico e dialéctico não se coaduna com esta visão afunilada do processo de desenvolvimento e acumulação capitalista. Contudo, julgo que seria mais interessante debater o tema em si, que repito, acho pertinente, do que colar etiquetas e lavar roupa suja.

  36. Pingback: Público vs Avante! | ebServer

    • paulogranjo diz:

      É boa.
      Mas, afinal, o mau da fita é o tal Zimler, é o 5 Dias (isto é, eu – pois isto é um espaço livre e sem director, onde o que cada um escreve não vincula os outros), ou o Vias de Facto?
      Ou será que é o artigo em polémica, e acessoriamente a sua descuidada e acrítica publicação?

  37. xatoo diz:

    “ó homem! Aquilo não é sobre o sionismo” diz Granjo
    Sion para os judeus do século XIX que eu saiba é um local na Suiça, no Cantão de Valais bispado judaico-cristão desde o ano 1000 assim baptizado por acolher uma maioria de migrantes judeus e cujo nome tem a ver com o mito do Monte Sion no Sinai, perto da “jerusalem celeste” alvo das Cruzadas cristãs e o local onde a mitologia judaica afirma que foi fundado o “reino de David”. Foi nesse mesmo cantão francês suiço, em Basileia, que decorreu o 1º Congresso Sionista, cujo programa estabeleceu a fundação da “Organização Sionista Mundial” – cuja actividade ainda é intensa nos EstadosUnidos em defesa do Estado racista de Israel – é precisamente o articulado deste programa que faz com que o conteúdo dos tais “protocolos” sejam ainda considerados por muitos como um retrato credivel para os objectivos do lobie judeu-americano depois da II Grande Guerra.
    Mas o liofilizado politico Granjo dirá que estes factos históricos não têm nada a ver uns com os outros.
    Para Granjo, terão a ver é com o desancar nos “comunistas” de determinada tendência (reformista do modelo de exploração capitalista, sem que se acabe com ele), não pela fundamentação sobre um erro da doutrina e sua avaliação substantiva, mas porque Granjo é anti-comunista de nascença e as próteses para aliviar o defeito na moleirinha estão pela hora da morte

    • paulogranjo diz:

      Ó homem: esses dados toda a gente sabe! (quer dizer… parece que houve quem não soubesse e devesse)
      Mas dizer que os “Protocolos dos Sábios do Sião” são sionismo é o mesmo que dizer que os Avantes falsos impressos a certa altura pela PIDE são comunismo.

    • miguel serras pereira diz:

      Salvo erro, escrever “porque Granjo é anti-comunista de nascença e as próteses para aliviar o defeito na moleirinha estão pela hora da morte” é um tanto contrário a tudo o que Marx pensava. Dizer que alguém nasce ideologicamente isto ou aquilo por razões biológicas e genéticas tem mais a ver com Hitler do que com Marx. Mais depressa se apanha um racista do que um coxo.

      msp

      • paulogranjo diz:

        É verdade, MSP.
        Mas, para além desse anti-marxismo pré-hegeliano e essencialista inerente à coisa (e que, infelizmente, está longe de ser apanágio exclusivo do raciocínio dos trauliteiros de ocasião, talvez pelo preguiçoso hábito a outros níveis de substituir, pela declaração de siglas e de “identidades” também elas imutávei, a letura e reflexão sobre o que escreveram os homens cujos nomes originaram essas siglas), o naco de prosa que critica tem um outro pequeno problema: a imbecil imposição de epítetos com base na ignorância acerca daquilo que se fala e da pessoa acerca de quem se fala.

        Tão pouco essa imbecilidade é congénita. Não só é imitativa de mais altos hábitos argumentativos, usados contra pessoas em quem o epíteto seja mais plausível, como os repetidores de frases destas, em contextos destes, têm a expectativa de receber umas paternais palmadinhas nas costas, em recompensa pela ‘acutilância’ e ‘combatividade’ demonstradas. E é até possível que as recebam, mesmo da parte de quem saiba tratar-se de uma imbecilidade sem pés nem cabeça.

        Dessa forma, como se poderá esperar que os auto-designados (porque a isso estimulados, por sociabilização institucional) pontas-de-lança defensores de “fortalezas cercadas” sejam capazes de perceber que anti-comunismo é utilizar, num jornal comunista, os “Protocolos dos Sábios do Sião” como pouco ambíguo argumento demonstrativo do domínio do mundo por parte do capital financeiro; como esperar que sejam capazes de perceber que anti-comunismo não é insurgir-se contra essa utilização?

        • miguel serras pereira diz:

          Não é uma resposta cabal às tuas interrogações pertinentes, Paulo. Mas diria que a “servidão voluntária” tem muita força e faz com que muitas vezes seja um imaginário dominado por aquilo que se declara querer combater a única coisa que se consegue opor à “ideologia dominante”. Isto deixando de parte os hábitos pouco revolucionários do recurso ao insulto, à calúnia, à deformação deliberada, associados a um culto da hierarquia e dos legítimos superiores absolutamente arrepiante, que informam grande número dos comentários aqui publicados.
          Quanto ao resto, tanto tu, como o Dédé – e alguns outros – têm perfeitamente razão: o que enxovalha, neste caso, o Avante! é o artigo de Jorge Messias e os que se solidarizam com o seu teor.

          msp

          • paulogranjo diz:

            Já lá dizia (usando outras palavras que não “imaginário”, bem mais recente) o velho Gramsci, no difícil parto da ideia de “hegemonia”, hoje em dia tão mutilada em utilizações corriqueiras e esvaziadoras.

    • Comunista indignado diz:

      Chamar anti-comunista ao único gajo que eu conheço que dá nas aulas o Marx o Gramsci e as filhadaputices dos capital financeiro (para quem nunca lá esteve, vejam http://antropoliticas.blogspot.com/) não dá vontade de rir nem de calar.
      Nenhum ex-aluno dele te admite uma merda dessas, a começar pelos comunistas e os gajos do BE.
      Anti-comunismo é tu dizeres que és comunista, ó Tecla 3!

  38. Pedro Lérias diz:

    É muito esclarecedor este artigo no Avante. Assustador, nojento, profundamente errado. Mas esclarecedor.

    Da mesma forma que alguns patrões salivam abertamente com a perspectiva de trabalho escravo não remunerado, mais de 100 anos depois de ter sido dado fim à escravatura, muitos comunistas continuam a achar que os judeus, homossexuais, bla, bla, bla, são alvos a abater.

    Parece que o século XX não serviu para nada.

    (e os comentários de apoio ao Avante aqui expressos são de arrepiar; mais católicos que o Papa…).

  39. Conheco e sou amigo do Jorge Messias, com quem cheguei a trabalhar algum tempo já lá vão uns bons anos, e posso garantir-vos que não é um texto infeliz que faz do Messias o racista ou anti-semita que nunca foi.
    A quem é que nunca aconteceu suscitar leituras que em nada correspondem à intenção do que escreveu?
    Como homem dos jornais a sua honestidade e verticalidade, pelas quais pagou elevado preço, estão a milhas daquilo que é hoje a norma de oportunismo e subserviência de boa parte do pessoal que trabalha na comunicação social.
    Um grande abraço, Messias.

    • miguel serras pereira diz:

      Caro J Eduardo Brissos,
      perante o texto do artigo que o PG comenta – onde se lê: “Uma nota informativa complementar: os Protocolos não são proféticos. Não foram redigidos de uma só vez, para sempre. São fichas que incluem tópicos de matérias já conhecidas no seu tempo. Depois, vão sendo actualizadas à medida do tempo que passa” – e perante os outros excertos aqui trazidos à colação pelo comentador que assina João, só há duas hipóteses: Ou 1. o Jorge Messias se serve de uma falsificação que considera útil, o que não é grande inovação teórica, e a sua intervenção deve ser denunciada por toda os espíritos que exigem de si próprios um mínimo de decência e racionalidade; ou 2. o Jorge Messias acredita na falsificação, tem os Protocolos por autênticos, está de boa-fé – o que, abonando em favor da sua pessoa, é ainda mais assustador politicamente, porque significa que os propósitos e as ideias que inspiraram os Protocolos e os seus vários “repescadores” continuam a poder convencer e a extraviar gente de boa fé.

      Saudações democráticas

      msp

      • Vasco diz:

        Ou então, esqueceu-se dessa msp, cita-os para confirmar o que, em sua opinião, é um retrato do que se passa hoje no mundo.

        É assim tão difícil interpretar um texto?…

  40. olarila diz:

    ORA BEM. SENDO ASSIM, DESLIGO.

  41. nem isso digo... diz:

    (isto é só um parênteses, só mesmo um parênteses, façam de conta que nem está aqui.
    Se o texto em causa fosse escrito ou dito, sei lá, pelo Rui Tavares, pelo Miguel Portas…não sei… pelo Daniel Oliveira praí …ai jesus o que o tal BE tinha de levar na cornadura: Ele estavam feitos com o PNR, a esquerda caviar era a responsável pelo extermínio a conta-gotas do povo palestiniano, havia qualquer coisa de “reverendo” nos óculos do Louçã que já o pré-anunciava. Ainda bem que assim acaba tudo em bem e tudo é admissível, quiçá até como matéria de estudo. Descobrimos agora que o Avante é uma espécie de Dica da Semana sem sudoku.)chhhhiuu.

    • Vasco diz:

      Se tivessem escrito aquilo que se acusa o Avante de ter publicado possivelmente sim. Mas garanto-lhe que o mais certo era confirmar primeiro se era mesmo isso que tinham escrito, coisa que manifestamente não foi feito em relação ao texto do Jorge Messias – nem pelo Zimler nem pelo Granjo nem por nenhum dos que segue o mesmo “raciocínio” (se o podermos chamar assim…)

      • paulogranjo diz:

        O artigo é claríssimo, para quem esteja minimamente habituado a lidar com textos que, como esse, tentam esconder as consequências dos seus pressupostos por detrás de falsas ambiguidades: «Dizem que os protocolos são forjados, e até pode ser que sim, mas a verdade é que tudo o que lá está bate certo com a realidade. Para além disso, têm vindo sempre a ser actualizados desde então. O que prova que, seja qual for a sua origem, são um plano bem real e em curso.» De quem? Claro que dos grupos inicialmente acusados de os terem escrito.
        Se isto não é claro para si, sugiro que, já que tem medo de que alguém ache que anda carregado de livros, leia à socapa mas atentamente uma daquelas chatas mas instrutivas polémicas politico-filosóficas do Marx em que ele tritura pomposos escritos alheios para deixar a nú o que é que eles estão efectivamente a dizer.
        Pode ser, por exemplo, a «Sagrada Família» (embora não seja sobre religião nem iluminati). Tem a vantagem de não ter nada de muito pertinente para a actualidade, pelo que não corre o risco de começar inadvertidamente a ver o mundo com olhos marxistas. Mas sempre lhe dá uma ideia de como reconhecer truques retóricos muita velhos.

  42. Victor Nogueira diz:

    Comentário enviado para publicação mas que até este momento aida não surgiu no Público on line

    * Victor Nogueira

    Uma grosseira mistificação
    Quem ler a série de artigos de Jorge Messias no Avante, encimados por “extractos” dos Protocolos de Sião e documentos da Igreja Católica, conclui que Jorge Messias afirma que Os Protocolos são um documento inventado repescado pelo nacional-socialismo e cujos objectivos estão em marcha para a instauração duma nova/velha ordem social totalitária. Isto é em síntese o que diz Jorge Messias. Na sua página do Facebook Zimler reconheceu que a sua primeira interpretação estava incorrecta e rectificou-a, num apreciável gesto de honestidade intelectual. O Público esquecendo as mais elementares regras deontológicas, não tomou conhecimento desta posição de Zimler, do debate que ela originou na referida página, nem se deu ao trabalho de ler os artigos de Jorge Messias, disponíveis no Avante on line, para confirmar se o PCP e o Avante reabilitam ou não os tais “Protocolos” Tivesse sido essa a preocupação do Público pela verdade, e este artigo em parangonas nunca teria visto a luz do dia

  43. Victor Nogueira diz:

    Desculpem lá a reincidência. Estive a ler os comentários anteriores e fico estupefacto.
    E assenta como uma luva a muitos dos comentadores, que nem sequer leram os quatro artigos publicados até ao momento encimados por extractos dos Protocolos aquilo que escrevi no mural de Zimler no Facebook
    Victor Nogueira
    ‎”No que respeita aos homens, nem o riso, nem as lágrimas, nem a indignação, mas apenas o entendimento [do porquê] – Espinoza
    .
    Os comentários anteriores revelam preconceito, falta de conhecimento do que estão a falar, juízos apriorísticos, frases feitas. Diz muito sobre quem escreve e nada sobre aquilo de que se pretende falar. Só quem não lê o Avante pode fazer juízos tão “ligeiros”, concordando-se ou não com as posições do PCP.
    .
    O pretenso humor achincalhante em torno do “Messias” as “opiniões” sobre o tipo de jornalismo do Avante e a ideologia do PCP mostram à saciedade ignorância sobre aquilo sobre que se emite juízo de valor e sobre o conteúdo da rubrica argumentos
    .
    A história começa aqui –http://www.avante.pt/pt/1975/argumentos/116473/http://www.avante.pt/pt/1975/argumentos/116473/

    e continua
    http://www.avante.pt/pt/1976/argumentos/116582/~

    Aqui se escreve que os “Protocolos” foram forjados pela OKrana e qual o seu objectivo ao serviço do capitalismo —
    http://www.avante.pt/pt/1977/argumentos/116701/

    Este artigo em nada confirma as “indignações” de Zimmler — http://www.avante.pt/pt/1978/argumentos/116792/

    E sobre a “censura” no Avante
    Victor Nogueira
    “Isabel – E quem é tão ingénuo que acredita que há liberdade sem censura em jornais de “reverência” como o Público ou o Expresso ou em semi-tablóides como o Correio da Manha?
    .
    E desculpa-me Isabel, mas já leste a série de artigos de Jorge Messias? Lês habitualmente o Avante para tu e outros se puderem pronunciar com tanta veemência e “seriedade”? Leiam ao menos e depois falem. Mas ler de verdade custa e cansa ?”

  44. xatoo diz:

    miguel serras pereira 10:14
    o que é que Marx tem a ver com este assunto?
    deixe-se de parir graçolas atarantadas e responda a isto:
    (…) foi em Basileia, onde actualmente se situa a sede do banco dos bancos BIS (Bank for International Settlements) que foi fundada a “Organização Sionista Mundial” – cuja actividade ainda é intensa nos Estados Unidos em defesa do Estado racista de Israel – é precisamente o articulado deste programa que faz com que o conteúdo dos tais “protocolos” sejam ainda considerados por muitos como um retrato credivel para os objectivos do lobie judeu-americano depois da II Grande Guerra.

    • miguel serras pereira diz:

      Já expliquei ao xatoo que não falo com ele.
      Para esclarecimento dos interessados, a resposta é simples: 1. o determinismo biológico é estranho a Marx e à sua concepção da história; 2. as “teorias da conspiração” são-lhe igualmente estranhas – por exemplo, os exemplos de cura reaccionário que o xatoo, evocando as provas da autenticidade das aparições da Virgem aos pastorinhos, seriam para Marx filistinismo puro. Quanto a Engels, sorriria perante o que lhe pareceria o discurso de um epígono de Dühring, esse “socialista de cátedra” estatizante, que não gostava de tabaco, nem de judeus, nem de gatos.

      msp

  45. Raquel diz:

    surreal.

    • José diz:

      Não, Raquel. Bem real.
      Tal como os fundamentalistas religiosos – quaisquer que sejam – também alguns militantes políticos não admitem a menor crítica, não conseguem ver para além dos seus dogmas e das suas muralhas, que constroem na certeza de que todos os “Outros” estão a conspirar contra eles, os puros, os abençoados com a fé, com as certezas absolutas.
      A defesa cega de um texto racista demonstra bem como – alguns – militantes do PCP estão tão próximos do fundamentalismo cego.
      Foi com pessoas destas que os totalitarismos – de esquerda e de direita – floresceram no séc XX.

  46. Outro diz:

    (Paulo, se não fôr demasiado o inconveniente, coloco isto por aqui também, já que és visado)

    A todos os que decidiram acusar os comunistas, o Avante!, o PCP, etc., de não aceitarem críticas, e para quem tiver paciencia: (tudo numeradinho para quem quiser efectivamente discutir as coisas sem incorrer numa salganhada de burrice e insultos)

    1. Pessoalmente (e não fui o único) fiz vários convites, explícitos e não explicítos, nesta caixa e nas outras, para que se discutisse o argumento (parece que não havia mais do que um).

    2. Lembro também que o único argumento levantado por Paulo Granjo (acerca da origem forjada dos Protocolos) aparece quase inadvertidamente no seu post, preferindo disferir um ataque pessoal a alguem só indirectamente relacionada com o conteúdo em questão (J.Casanova) o que lhe mereceu um pedido de desculpa público.

    3. Lembro também que o autor, J. Messias, no próprio artigo reconhece a origem forjada: “contos de fadas”; “pura imaginação”; mas muito mais explícitamente para quem leu na semana anterior:
    “Mas tudo fora forjado há poucos anos nos gabinetes da Okrana (os serviços secretos da Rússia czarista), tendo o texto final sido depois aprovado nas sessões de um encontro à porta fechada entre sábios e peritos sionistas e maçons, em Basileia, na Suíça, em 1807.”

    4. Percebe-se que o que houve de intenção crítica de Paulo Granjo, mas com ele também os que deram início a este fait divers, é criticar o artigo por falha formal ou mesmo desonesta na utilização de uma fonte forjada. Mas que, pior que isso, em paralelo foi um texto utilizado para fins anti-semitas por Hitler.

    5. Levando a querer que este paralelo, e por si só, como sendo suficiente para qualificar igualmente de “anti-semita” o propósito do autor Jorge Messias.

    Ora, isto é que é uma verdadeira desonestidade intelectual de quem se serve deste argumento. A falácia incorrida é simples:
    O animal (A) é um pássaro.
    O animal (A) é branco.
    O animal (B) é branco.
    Logo o animal (B) é um pássaro.

    6. Uma leitura interessada, mas mesmo superficial, iria revelar que Jorge Messias revela um propósito “anti-sionista” e não “anti-semita”. Mas qualquer pessoa honesta perante os diversos apelos e links que foram facultados ao longo da discussão iria descobrir o que o próprio escreve:
    “Passaram anos, vieram os nazis, usaram os Protocolos, chacinaram milhões de judeus e tentaram conquistar o mundo inteiro. Era a prova provada de que os sionistas tinham razão. Mas a terra continuou a rodar e vê-se bem, agora, que as ambições sionistas não ficam aquém do pesadelo nazi. Porque sionista não é sinónimo de judeu e os extremos tocam-se.

    9. Mas esta “discussão”, admito que legítima, e talvez também pertinente, mas que tive que ensaiar aqui por inteiro, não se deu. Vão me acusar de ter sido eu a conduzi-la, pois bem, justifiquem-me com os argumentos e artifícios que entenderem como é que após a leitura dos artigos de JM o demonstram como “anti-semita”. A citação não chega, eu também já citei a Bíblia e sou ateu (e não sou Hitler), chega de falácias.

    10. Ninguém conseguiu sustentar essa de que o J. Messias promove algum sentimento anti-semita só pelo facto de citar uma porção de um texto que serve esse interesse ou por outra coisa qualquer que ele tenha escrito, muito menos acusar o Avante! ou o PCP…

    11. Toda a discussão que foi além do mencionado acima: “José Casanova”; “Critério jornalístico do Avante!”; “PCP”; “Comunismo” é absolutamente inútil no que diz respeito na aferição do propósito “anti-semita” ou não de Jorge Messias.
    Mas prossegui-la, a discussão, serve sem dúvida a outra falácia:
    “Este animal é branco, logo todos os animais são brancos”

    13. Isto tudo num contexto em que não é difícil demonstrar que Sionismo e Judeísmo são conceitos distintos, mas também que o sionismo teórica e também na prática é do que mais anti-semita existe. Mito “Judeus=Sionistas” que, com todo este fait divers, e precisamente porque se evitou esta discussão, aparece como secundário, quando é talvez o essencial.

    14. Isto tudo num contexto em que não é difícil demonstrar a realidade da existência de poderes não imediatemente visíveis, mas palpáveis, que conspiram na sociedade Capitalista contra os povos e independemente do seu credo, como alerta J. Messias.

    15. Isto tudo num contexto em que não é difícil demonstrar a ofensiva sobre o ideal comunista, sobre o PCP e os seus militantes. Como toda esta polémica mal intencionada demonstra. Mas ofensiva essa também sobre outras forças de esquerda.

    Posto isto, brada-se que o Avante!, o PCP, ou os comunistas não aceitam a crítica.

    Era preciso que as pessoas estivessem efectivamente interessadas a ir a argumentos, o que esta polémica demonstrou é que havia muito pouca gente interessada nisso, servindo, isso sim, conscientemente ou inconscientemente dois propósitos:

    – Sustentar a confusão entre Judeísmo e Sionismo, que considero um propósito esse sim anti-semita (a discutir com quem se dispuser)
    – Ataque inqualificável, difamatório, sobre pessoas em particular e uma organização comunista

    As distintas origens do ataque, o recorrente recurso a insultos e evasivas ao cerne da questão (10.) só revela da baixesa concertada.

    • paulogranjo diz:

      Agradeço e aproveito para perguntar, já que fala em colocar por aqui também, onde está originalmente o seu texto.

      Quanto à discussão acerca do conteúdo do artigo, e embora esteja de momento bem mais preocupado com questões de trabalho e com a organização de uma iniciativa integrada na greve geral, tentarei corresponder ao seu interesse de debate logo que possa.

      Até lá, sugiro que leia a minha resposta ao recente comentário de TIAGO R.

    • Pedro Pinto diz:

      “Passaram anos, vieram os nazis, usaram os Protocolos, chacinaram milhões de judeus e tentaram conquistar o mundo inteiro. Era a prova provada de que os sionistas tinham razão. Mas a terra continuou a rodar e vê-se bem, agora, que as ambições sionistas não ficam aquém do pesadelo nazi. Porque sionista não é sinónimo de judeu e os extremos tocam-se.”

      Quem escreve isto é o próprio Jorge Messias.

    • Outro diz:

      Aqui neste mesmo blog, não, não sou assim tão matreiro.

      Dia 24Nov lá estaremos então. Ao menos nisso estamos de acordo quanto à acção que este contexto nos merece, polémicas de caracacá aparte.

      Resposta que faz a Tiago R.

      Como pode a relação estabelecida entre uma ficção (não verificável) e a realidade (esta sim demonstrável) representar para ti uma “divagação (à Código da vinci) tresloucada mas inócua”?
      Como pode a relação estabelecida entre uma ficção e a realidade ser para si um acto ou método contrário ao ideário comunista?
      Como pode a relação estabelecida entre uma ficção e a realidade, e esta última em concreto já demonstrada por outros meios (Conspiração Capitalista contra os Povos), constituir um acto anti-comunista?

      “Um comunista dizer, enquanto comunista, que o artigo não diz o que diz é anti-comunista.”
      Isto não é verdade nem em abstracto nem no concreto. Em concreto porque quem andou a reclamar que o artigo “diz” (que J.Messias assume-se como anti-semita) o que “não diz” (que J. Messias assume-se sim como anti-sionista), não consegue sustentar a sua interpretação, pelo contrário, o que se assiste são a constantes evasivas.
      O seu último paragrafo não passa de uma tentativa de justificar a generalização ao Partido e aos comunistas e o seu “ideário” a partir de reacções, que é certo são firmes, mas que só comprometem os que reagem, e deixe-me dizer que eu saiba ninguém anda por aqui a exibir o cartão e as quotas pagas. Ora essa generalização é sempre desautorizada.

      Em suma, continua sem demonstrar como J.Messias se assume como anti-semita no tal artigo. E continua por generalização não autorizada a denegrir um Partido. Parabéns!

      Mais:
      “Porque associa à sua condição de comunista – e, por extensão, ao seu partido – uma prática de fuga à verdade e às responsabilidades, para encobrir um erro (tornando-o mais grave), em vez de o reconhecer e enfrentar.”
      Projecta em quem discorda a sua própria lacuna, porque quem se furtou à discussão foi o Paulo Granjo, não quem veio em socorro da posição de J.Messias e (por extensão) da dignidade do Avante!, e qual pecado original, aquando da sua primeira intervenção nesta infeliz polémica, primou pelo insulto relegando o seu único argumento (o que eventualmente viria a aferir do anti-semitismo ou não de JM) para um post scriptum, tal era a importância que dava ao mesmo.

      Cumprimentos
      Pedro (para que me saiba nomear)

      • paulogranjo diz:

        Não presupuz má-fé. Nesse caso (suponho eu, na minha limitada matreirice), não me teria mandado cópia. A pergunta era para saber por que sítios andavam as coisas.
        Quanto ás questões que aponta e à minha total argumentação (relativamente ao caso e ao “anti-comunismo”), talvez as possa ler no Avante!.
        Caso não sejam publicadas, aqui.

      • Outro diz:

        Muito bem Paulo. Que fique A Resposta para essa leitura da ou das próximas quintas feiras.

        Pedro

    • Outro diz:

      E já agora em complemento cito o tal de Richard Zimmler que no seu facebook sentiu necessidade de se retratar também:

      “Dear Maria Joana, I understand your criticism but some readers had brought to my attention that Messias may have evidenced very bad judgment and ignorance but not be an anti-Semite. I tried to tone down what I originally said to leave room for that possibility. I obviously think that critics of Zionism should NEVER refer to the Protocols, since that immediately turns their arguments into anti-Semitism of the most dangerous sort.” R. Zimmler

      Curiosamente o texto já não mora em lado nenhum a não ser para quem teve o cuidado de guardar a discussão.

      Baixesa vil. É triste.

  47. Tiago R diz:

    Credo! Pensei que o anti-comunismo primário deste calibre já tinha desaparecido…

    Caro Paulo, faça-me um favor, em nome da mínima honestidade intelectual: leia o artigo e veja o que lá está escrito.

    • paulogranjo diz:

      Não. Não se trata de anti-comunismo, mas do seu contrário.
      Trata-se de anti-imbelilidade políticamente perigosa e obscena, expressa sob a forma de um artigo que alguém escreveu enquanto comunista (o que, em si só, é desagradável, mas problema do autor), publicado no orgão centrar do PCP, acredito que por distração ou ignorância, pois o que lá está escrito é contrário aos princípios e posições do partido em causa, para além de contrário ao mínimo bom-senso.

      E o que lá está escrito não é apenas uma divagação (à Código da vinci) tresloucada mas inócua. Como já tive a paciência de explicar ao comentador mais frequente deste post é, o que lá está escrito, em termos substantivos e mal tapado por meia dúzia de rodriguinhos é que:
      – Dizem que os “Protocolos dos Sábios do Sião” são forjados, e até pode ser que sim, mas a verdade é que tudo o que lá está bate certo com a realidade.
      – Para além disso, têm vindo sempre a ser actualizados desde então. O que prova que, seja qual for a sua origem, são um plano bem real e em curso.
      – De quem e por parte de quem? Claro que dos grupos inicialmente acusados de os terem escrito.

      Por isso,
      Dizer que aquele artigo é normal e aceitável é anti-comunista. Porque ele é contrário ao ideário comunista.
      Dizer que é normal e aceitável que aquele artigo tenha sido publicado no Avante! é anti-comunista. Porque equivale a afirmar que ele corresponde, pelo menos num grau minimamente necessário, ao ideário e posições do PCP.
      Um comunista dizer, enquanto comunista, que o artigo não diz o que diz é anti-comunista. Porque associa à sua condição de comunista – e, por extensão, ao seu partido – uma prática de fuga à verdade e às responsabilidades, para encobrir um erro (tornando-o mais grave), em vez de o reconhecer e enfrentar. E porque, ao fazê-lo, cola o artigo em questão ao ideário, valores e posições do seu partido.
      Atribuir a anti-comunismo e a teorias da conspiração o ultraje e repugnância que outras pessoas (incluindo comunistas) expressem pelo teor do artigo e pela sua publicação é anti-comunista. Porque congrega em si as razões anteriores.
      E sim. Um organismo de direcção de um partido comunista também pode, ocasionalmente, tomar posições anti-comunistas.

      • Pedro Pinto diz:

        Já está a virar a agulha. Agora o problema central já é a suposta teoria da conspiração? Quanto aos autores da aplicação do plano esta lá tudo: a alta finança, o Vaticano, a Maçonaria, o sionismo. É o que está lá escrito… Anti-semitismo não há EM LADO NENHUM!

        • An Lage diz:

          O sionismo? Mas considerar que um grupo minúsculo e fraco consegue ter o poder que ali se afirma é já por si anti-semitismo. O sionismo foi o movimento que defendia a criação dum estado nacional judaico, movimento esse muito pouco popular entre os judeus até à segunda guerra mundial. O sionismo será agora a defesa dum estado nacional judaico em israel. Esse estado seria prontamente liquidado se não fosse útil para os interesses dos estados unidos, e o seu poder é apenas grande em termos regionais devido a esse apoio. Como pode então o sionismo estar por trás do grande poder sobre todo o globo se não se considerar os judeus capazes de um poder fantástico tal como apregoado pelos protocolos e por todo o anti-semitismo?
          O anti-semitismo está todo lá.

          • An Lage diz:

            como é possível citar textualmente todas as concepções em que se baseou o antissemitismo como força política e pretender que não se está a ser antissemita? como ignorar, mesmo que se esteja de boa-fé a aceitar uma teoria imbecil, não ver como isso é digerido pelo público alvo dessas divagações e transformado no antissemitismo mais grosseiro? como não ver que são citados os antissemitas clássicos, as suas explicações sobre a sociedade, como se torna aceitável o negacionismo do holocausto, e por fim como o sionismo é colocado como algo completamente descontextualizado, como se escapasse à lógica da criação de outros estados e outras ocupações, como se fosse absolutamente maléfico, pior que o nazismo, dizem eles, ou semelhante, e conseguem meter um país apenas forte em termos regionais e isso apenas com o apoio da maior potência do mundo, como o principal responsável de todos os grandes problemas, como um poder global? E como não ver que o anti-sionismo é constantemente invocado mesmo quando não está em causa para desculpar todo o tipo de acusações antissemitas tradicionais?
            como esquecer que esse tipo de explicações são tradicionalmente o apanágio da extrema-direita? estou farto que venham desconversar.
            uma pequena viagem dos nossos amigos provincianos à realidade da propaganda antissemita no médio-oriente, ou às convergências vermelho-castanhas em toda a europa poderia permitir ver bem a extensão dos estragos. neo-nazis, novos fascistas, de braço dado com “comunistas” e esquerdóides anti-imperialistas. o jean bricmont a defender a liberdade de expressão de negacionistas do holocausto e a acusar os anti-fascistas de novos fascistas.

  48. Raquel diz:

    José

    [Não, Raquel. Bem real.
    Tal como os fundamentalistas religiosos – quaisquer que sejam – também alguns militantes políticos não admitem a menor crítica, não conseguem ver para além dos seus dogmas e das suas muralhas, que constroem na certeza de que todos os “Outros” estão a conspirar contra eles, os puros, os abençoados com a fé, com as certezas absolutas.
    A defesa cega de um texto racista demonstra bem como – alguns – militantes do PCP estão tão próximos do fundamentalismo cego.
    Foi com pessoas destas que os totalitarismos – de esquerda e de direita – floresceram no séc XX.]

    Sim, José. Bem sei que é real. 🙁 Absurdamente real. Parabéns por esta pérola (acima). Muito bem pensado e escrito. Jamais me esquecerei de um Prof meu Húngaro, exilado no ocidente, que nunca se cansou de repetir que a génese filosófica do totalitarismo Marxista surge com a pretensão da infalibilidade científica/cognitiva do Marxismo.

    Melhores cumprimentos,
    RM

  49. Raquel diz:

    errata:

    perdão: totalitarismo COMUNISTA surge com a pretensão da infalibilidade científica/cognitiva do Marxismo.

    • Outro diz:

      Tens a certeza que o teu professor hungaro não foi o austriaco Hayek?
      The Pretense of Knowledge

      A crítica à abordagem económica holística. Para concluir da impossibilidade de regulação dos mercados, pela sua suposta “insondabilidade”, e viés do observador, praxeologia e etc… para abrir caminho ao Anarco-Capitalismo, a fase ideológica precedente ao neo-liberalismo dos meninos “chicaguenses”, e posterior fase prática aos mesmos em potência e algo já aplicada como se pode verificar em absoluto pela falsa impotência do BCE, FED e demais bancos centrais em aplicarem medidas de política monetárias conducentes a uma estabilidade económica das sociedades.

      No fundo através do fatalismo da “mão invisível” que os mercados e o problema económico se resolva por si próprio. No fundo nutrir o outro Mito que a “mão invisível” é tudo menos real. No fundo nutrir o Mito que a desgraça financeira actual não foi fabricada nas entranhas da Goldman Sachs e dos produtos derivados.

      NÃO OBRIGADO!

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