Nasceu e morreu em Sirte

De pé, a resistir à colonização do seu país pelas Nações Unidas do Atlântico Norte.

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43 respostas a Nasceu e morreu em Sirte

  1. A Primavera árabe tem assim mais um êxito.
    Deixo aqui algumas questões que me parecem pertinentes:
    A Nato interviu na Líbia para proteger os civis ou para derrubar o Kadhafi?
    Se a Nato não interviesse, os revoltosos teriam tido sucesso?
    Estas Primaveras, se bem sucedidas, não poderão dar origem a Governos Islâmicos radicais, legitimamente eleitos e não sairá a emenda pior que o soneto?
    E interferir na soberania de um país, até que ponto é lícito?
    No Iémen, naquele país onde a polícia a abate civis com tiros no focinho, não há intervenção americana internacional? Só por uma questão humanitária e de igualdade..

  2. xatoo diz:

    mais um episódio de orgulho ético para o Ocidente
    Muammar al-Ghadafi foi atingido por um bombardeamento da NATO efectuado sobre Sirte. Seguia numa ambulância integrada numa coluna de veículos, o que foi confirmado pelo comando da NATO. A comunicação anti-social a soldo dos assassinos apressou-se a encenar uma mirabolante estória dando conta do “ditador escondido que nem um rato numa manilha de esgoto protegido por guardas-costas” e a enaltecer o nome do homem que disparou sobre o lider da revolução verde na Líbia: responde pelo nome de Ahmed Al-Shebani, mas as coisas não se passaram como as pretendem pintar – na verdade o assassino executou al-Ghadafi com um tiro na cabeça depois de o retirar à força da ambulância onde seguia gravemente ferido (nas imagens é perfeitamente visivel o homem de pistola em punho preparando-se para a execução. Nesta fotografia vê-se nitidamente o buraco de bala na cabeça)

  3. Carlos Vidal diz:

    É que há quem não tenha percebido que Sirte fica mais perto de Sirte, e já agora da Líbia, do que o Atlântico Norte.
    (Onde fica o Atlântico Norte? E a propósito, o que é isso, o “Atlântico Norte”? E porque não pomos o Atlântico Norte no seu lugar, precisamente no Atlântico Norte? E o mais a norte possível!)
    Agrf

  4. Helena, Helena, é preciso ter bebido pró mundial para um post destes.

  5. closer diz:

    Mais uma pergunta inconveniente:

    Será que o inimigo do meu inimigo é meu amigo?

  6. Pedro Penilo diz:

    É um título que é um poema de combate. Poderosa biografia mínima.

  7. Bruno Carvalho diz:

    A resistência será prolongada. Mais tarde ou mais cedo, a Líbia de Omar Mukhtar e de Omar Kadhafi vai dar uma lição ao imperialismo.

    • Justiniano diz:

      Vcmcê não percebeu mesmo a lição que a Líbia lhe deu!? É uma lição crua, sobre a líbia, os líbios e todos nós!!

  8. Tiago Mota Saraiva diz:

    Não querendo minimizar de nenhuma forma a sua acção política repressiva e exploradora, tantas vezes ao serviço do imperialismo, não pode deixar de me impressionar a forma como morreu de pé.

    • Pedro Penilo diz:

      É mesmo só isso, Tiago. Não se refugiou na Suíça, no Brasil, ou na Argentina, nem se acobardou numa mansão da Tatcher.

      É um linchamento. É um combatente. É uma intervenção neocolonial. Quaisquer que sejam os restantes dados da questão.

      (Mas tudo isto já estava contido no título, de forma bem mais elegante).

  9. anon diz:

    Gostava era que alguem me explicasse a diferença entre o cerco de Benghazi e o cerco de Sirte.

    • Simples diz:

      O cerco que nunca existiu a Benghazi seria feito pelos “maus” (definiçOTAN).
      O cerco de Sirte que já não existe (a cidade, não o cerco) foi feito pelos “bons (definiçOTAN).

      Então o comandante militar dos rebeldes para a Tripolitânia teve “formaçäo de guerrilha no Afeganistão”? Um Al-Caído em combate a quem foi dado o perdão se fosse matar quem a OTAN quer para outra freguesia?

  10. António Paço diz:

    A NATO, com a sua intervenção na Líbia, conseguiu (provisoriamente) «cavalgar» o poderoso movimento democratizador das Primaveras ‘árabes’ e dividir (temporariamente) os apoiantes dessa vaga pelo derrube de ditaduras execráveis.
    Mas parte-me a cabeça como é que daqui se possa concluir que deveríamos estar ao lado desses ditadores carrascos do seu povo. Como o Kadafi, mesmo sabendo que, em tempos que já vão, incomodou os Senhores do Mundo com o seu nacionalismo.

    • Pedro Penilo diz:

      Se estivéssemos a jogar ao monopólio, também me partia a cabeça. Mas como a realidade é bem mais complexa, a mim parte-me a cabeça que, depois da Coreia, do Vietname, do Chile, do Iraque e do Afeganistão, ainda não saiba o que quer dizer uma intervenção e ocupação neocolonial. Com ou sem aparência democrática.

      Seja coerente e diga: “Desejo que a NATO faça uma razia e derrube todos os regimes que não se pareçam com a nossa ofuscante realidade. E se possível, com linchamentos e bombardeamentos com fartura (os custos a pagar para podermos pôr gente a introduzir papelinhos brancos em caixas pretas)”.

  11. Simples diz:

    E matando um ferido daquela maneira (ou de outra qualquer, diga-se, mas ainda mais daquela maneira) mostra-se realmente que se é, com perdão aos roedores, um rato (de esgoto).

    Porra, que o homem tinha razão até ao fim!

  12. Jorge Cabral diz:

    Lamento dizer que tudo o que se tem passado na Líbia me “cheira” a mal percebido. O vergonhosamente abatido líder líbio foi há pouco mais de meia dúzia de meses recebido e bajulado por altos governantes europeus e recebeu faustosamente outros tantos no “seu” país que o bajularam tanto como os outros, em ambientes de festa autêntica e em simbiose estranha de interesses. Esses mesmos governantes, intervieram positivamente na intervenção da Nato (organismo militar de DEFESA), numa vergonhosa invasão com intentos inconfessáveis.
    Tais governantes são, sem dúvida a escória da escória, escorregadios, cínicos, oportunistas, em suma, gente sem coluna e sem quaisquer princípios ou valores a não ser os seus próprios interesses imediatos.
    Kadhafi era um criminosos desde há mais de 30 anos!!! desde há alguns anos que o Ocidente vinha intervindo activamente na sua regeneração aos olhos do Mundo. Porquê agir assim tão de repente e numa inversão tão acentuada de propósitos. Porque é que a ONU, numa linha de saneamento dos “podres” que há alguns anos têm constrangido o Ocidente através de nojentas provas de inadmissível corrupção, não determina uma investigação total aos destinos das dádivas e empréstimos pessoais de vultuosas somas de capital a governantes europeus? Talvez só assim se possa esclarecer o porquê de tão incrível inversão de posturas. Isto não te agradaria nada pois não, Sarkozy? Lá diz o povo – pequenino. ou velhaco ou bailarino – e eu nunca te vi dançar…

  13. xatoo diz:

    António Paço disse “derrube de ditaduras execráveis”…
    (leu alguma coisa sobre a Revolução Verde e o modo original de democracia de bases implantado na Libia?)
    A.P.,vc por acaso não é um avatar de Miguel Serras Pereira? é pq se é, nós vamos lá ao “Vias de Facto” ler a coisa e vc escusa de estar aqui a repetir-se

    • António Paço diz:

      Alguém que me recorde: quando Deus criou os xatos para onde foi que os mandou?

      • Miguel Lopes diz:

        O xatoo tem razão, António.
        Na Líbia existe uma democracia mais avançada do que a nossa, ainda que também fosse enquadrada num sistema capitalista.

  14. Rascunho diz:

    Muitos só passarão a ver quando lhes arrancarem os olhos

  15. De diz:

    Quero aqui deixar os parabéns a quem trouxe este (mais um) caso para estas páginas virtuais:Carlos Vidal e Helena Borges.
    O silenciamento das coisas e o politicamente correcto sempre me incomodaram.
    Os assassínios, selectivos ou não, os urros da turba bem pensante e dos hipócritas em actividade perante o sangue dos que não cabem nas malhas do redil fazem-me asco.Repito.Asco

    Independentemente da opinião sobre o agora executado desta forma bárbara, independentemente de outras análises mais aprofundadas, quero aqui sublinhar duas frases justas,certas e claras aqui escritas:

    —“É um título que é um poema de combate. Poderosa biografia mínima”(que remete para o título)
    —“não pode deixar de me impressionar a forma como morreu de pé.”

    É isso!

  16. Vasco diz:

    Belo post. Considerações sobre o indivíduo à parte, morreu a defender o seu país de uma bárbara agressão imperialista, que só se diferencia de outras pelo refinado tratamento «jornalístico» que lhe foi dado, fabricando mitos: a intervenção «mínima» da NATO, a guerra civil, o descontentamento generalizado… Tudo tretas.

    Sem dúvida, morreu de pé, como um herói.

  17. Justiniano diz:

    Mas, cara Helena, que raio de gente desalmada andou o tal Cádáfi a produzir por aqueles lados!?? Que tormenta é aquela entre aqueles nossos irmãos!? Como foi possível atestar àquela produção o mais elevado IDH no continente africano!? Que dizer das restantes Áfricas, então!?

    • Helena Borges diz:

      Não sei responder, caro Justiniano, poderia perguntar-se quase o mesmo sobre irmãos de outras nacionalidades. A pergunta sobre o mais elevado IDH é, contudo, apenas adequada à Líbia.

  18. Eduardo diz:

    Helena Borges,

    20 de Outubro de 2011 foi uma grande vitória para o imperialismo, para os E.U.A., para Obama, para o reino do Qatar (que detém a Aljazeera), para a Grâ-Bretanha e França.

    Foi uma derrota para os países do terceiro mundo.

    Em todo o caso, a luta contra a bandeira do rei Idris do conselho “nojento” de bandidos da CNT não está terminada.

    São muitos os líbios que já andam a rasgar esta bandeira e a prometer luta contra os novos tiranos que vão entregar os bens nacionais aos interesses estrangeiros do reino do Qatar, de Israel e dos E.U.A.

    Muitos prometem uma luta renhida e oxalá que este Vietname, chamado Líbia, não tenha terminado.

    Como Omar Mukhtar (que também foi capturado vivo pelas tropas fascistas italianas), Kadhafi foi capturado pelos chamados “rebeldes” ou mercenários pagos pelo reino do Qatar. Estes chamados “revolucionários” já são conhecidos pelos seus linchamentos a soldados do exército líbio por questões de raça (uma espécie de Ku Klux Klan da Líbia).

    A luta continua.

    • Helena Borges diz:

      E os fundos estatais líbios depositados nos Estados Unidos e em países europeus são fundos de maneio cobiçáveis.

  19. Miguel Lopes diz:

    Helena Borges,

    Calma, ainda não há confirmação oficial dos órgãos da Jamahiriya de que esse sujeito é de facto o líder líbio.Há relatos contraditórios. Deixemos a poeira assentar.

    Cumprimentos.

  20. José diz:

    Hmmm… “morreu de pé, como um herói.”
    A morte de “herói” de Kadahfi faz lembrar uma outra, ainda agora por alguns também considerada como heróica e patriótica.
    Yet, quantos aqui consideram heróica e patriótica a morte de Mussolini, nas mãos dos partigiani, a defender a sua pátria da intervenção estrangeira?
    Ambos tentavam escapar ao cerco e ao ataque de tropas estrangeiras.
    Ambas as mortes me repugnam, porque me repugna o assassinato, seja de quem for, porque me repugna a exposição pública e o espectáculo indigno e mórbido que os executores proporcionaram.
    Agora, chamar herói a Kadahfi?? Já agora também herói o Mussolini, não?
    Até onde chega o tacticisno?

    • Pedro Pousada diz:

      Kadhaffi transcendeu a sua ambiguidade e aventureirismo quando decidiu manter-se na Líbia, quando recusou a fuga e escolheu a luta; há heroísmo nesse acto ou não?Para além da Líbia possuir uma infra-estrutura invejável para quqlquer um dos países vizinhos (já viram bem aqueles hospitais?aqueles portos?As estradas, os canais? E Syrte, Misrata ou Benghazi ou Tripoli? Existe por ali alguma cidade dos mortos repleta de gente viva e miserável como no Cairo?Kadhaffi lembrou-me no fim um dos heróis do filme de Richard Brooks, The professionals. Quanto a Mussolini foi capturado quando tentava escapar-se para fora de Itália disfarçado de soldado alemão, ou seja não lutou até ao fim, não resistiu. O seu assassinato/execução foi lamentável porque a Itália necessitava de um julgamento que fizesse o raio x do fascismo e da suas origens, que expusesse o país às suas contradições; talvez por isso livraram-se dele. Mas admito que houvesse heroísmo na perseverança de Mussolini, não aquele que eu aprecio.

      • José diz:

        Pedro, se você considera heróica a obsessão de Kadahfi pelo poder que o cegou ao ponto de não ver que ele já não estava nas suas mãos, óptimo para si.
        Julgo que sim, que a Líbia tem uma infra-estrutura invejável para o Médio-Oriente. E então? As obras públicas legitimam um regime ditatorial?
        Que dizer, então, das excelentes infra-estruturas sauditas? Que o regime não é uma monarquia absoluta?
        Quer mesmo comparar a Líbia, com os seus cerca de 6 milhões de habitantes e cheio de petróleo, com o Egipto e os seus cerca de 80 milhões de pessoas e pobre em recursos naturais??
        Que andava o Kadahfi a fazer quando foi apanhado? Não estava a fugir, tal como o Mussolini?
        Herói, o Mussolini? Não me parece.

  21. De diz:

    Hmmm…
    tacticismo?
    Chamar à colação Mussolini quando se fala em Kadhafi…
    Mais uma forma de tentar esconder o óbvio?
    Mais uma forma de tentar ocultar a pata pesada,criminosa, sem perdão da Nato?
    Mais uma forma de esconder que Cameron e Sarkozy e Obama e Berlusconi não passam de crápulas assassinos?
    Isso e provavelmente mais
    Agora até parece que Mussolini tentava defender Itália da invasão estrangeira.A marioneta que traíra a Itália e que não passava mais que um fantoche nas mãos dos alemães…
    O miserável que já tinha sido deposto e preso pelos seus companheiros fascistas.
    O miserável que fora libertado pelas forças de Hitler do seu hotel-prisão e que fundou a república de Saló,um governo títere da Alemanha,com ministros nomeados por Hitler?
    “La dependencia del régimen respecto al Tercer Reich era casi completa y por causa de ello el gobierno mussoliniano se vio forzado a aceptar sin protestas la germanización de las regiones del Trentino y del Véneto en perjuicio de su población italiana, y la desaparición de todo vestigio de autoridad italiana sobre áreas estratégicas como Trieste y Fiume, totalmente administradas bajo ocupación militar de la Wehrmacht. Mientras tanto el territorio alpino del Alto Adigio (obtenido por Italia en 1918) fue inmediatamente anexado al Tercer Reich en calidad de provincia y se empezó la expulsión de sus habitantes italianos.”

    Dizer que esta coisa de nome Mussolini lutava para defender a “sua pátria da intervenção estrangeira” é obsceno.
    Claramente obsceno…
    mas ao que parece outros “tacticismos” se levantam

    igualmente obscenos

    • Helena Borges diz:

      Para os obscenos, vale tudo, até escamotear factos com ruído. Associar o linchamento de um chefe de estado (que resistia à invasão do seu país pela OTAN) a Mussolini é patético.

      • Indignada diz:

        A hipócrisia destes politicos de pacotilha mete raiva. Para a conveniência uns são ditadores, outros nem por isso. Pinochet o que foi? Pois é! Neste caso, foi o politicamente corecto do Ocidente, pouco ou nada lhe aconteceu. E lá por África? Esta coisa do petróleo, dos diamantes, etc., etc. fala mais alto para interesses ocultos. Acredito que um dia a casa vai abaixo, para quando?

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