GREVE GERAL!

15O, Lisboa (CG)

O anúncio feito hoje pelas duas centrais sindicais da convocação de uma Greve Geral para o mês de Dezembro é, sem dúvida alguma, uma boa notícia. Ao cliché de que a união faz a força junta-se a necessidade evidente de convocar para o sucesso desta acção o maior número de cidadãs e cidadãos deste país.

Se é igualmente evidente que o processo de luta e contestação às medidas contidas no OE 2012/PEC IV-V-VI… está em marcha, também o é que há ainda um longo caminho a percorrer e há ainda muito povo a ser diariamente inundado com declarações acerca da absoluta necessidade do roubo que lhes está a ser feito. O retrocesso social contido no OE da troika é a prova mais clara de que estamos perante o «processo revolucionário em curso» da direita portuguesa (e não só), como li hoje algures pelo Facebook e não consigo agora localizar o seu autor. Aqui ficam as minhas desculpas.

«Greve Geral» foi o apelo mais vezes repetido ao longo da tarde do dia 15 de Outubro, bem como na Assembleia Popular que se lhe seguiu. Falo de Lisboa, pois foi onde estive e não tive ainda tempo de recolher informação sobre o que se passou nos outros locais do país.

Ao contrário do que senti no dia 12 de Março, desta vez não foi tão visível a contestação aos partidos políticos. Não desapareceu, nem outra coisa seria de esperar. Mas não achei que tenha sido tão forte. Muitos dos que ali estiveram reconhecem no BE e no PCP – bem como noutras forças de Esquerda que não têm representação parlamentar – forças que sabem de que lado da barricada se posicionam e que partilham, no fundamental, o mesmo objectivo: a derrota das políticas destrutivas que até aqui nos trouxeram e que daqui nunca nos conseguirão tirar.

O anúncio feito pelo PCP, na véspera das manifestações internacionais que se multiplicaram no dia 15, de que irá realizar uma acção na baixa de Lisboa, no final do dia de hoje, é mais um passo neste processo. Pena foi que ao fazer o anúncio não tenham encontrado forma de fazer um apelo à participação nas primeiras. Mas estamos juntos e sabemos que estamos. Falta apenas que percebamos que se caminharmos lado a lado conseguiremos, com certeza, muito melhores resultados.

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18 respostas a GREVE GERAL!

  1. RS diz:

    Se o PCP tivesse apelado a participações teria sido atacado por tentativa de instrumentalização. Como não apelou publicamente, é-lhe apontado o dedo. Vale-nos o facto do PCP ter costas largas.

    Eu, militante comunista, estive no 15O. Eu e muitos comunistas. Muitos mesmo.

  2. Manuel diz:

    “Ao cliché de que a união faz a força junta-se a necessidade evidente de convocar para o sucesso desta acção o maior número de cidadãs e cidadãos deste país.” ????

    Cidadãos e cidadãs deste país? Parece que até o termo trabalhadoras e trabalhadores lhe faz engulho. São trabalhadoras e trabalhadores que fazem o sucesso ou o insucesso de qualquer greve.

    • Carlos Guedes diz:

      É verdade. Mas como há-de concordar nesse dia é igualmente essencial convocar para a luta quem está no desemprego, quem estuda… percebe agora? Trabalhadores, operários, proletários, nenhum destes termos me faz qualquer tipo de engulho!

      • Manuel diz:

        Ainda bem que reconhece que é verdade que são as trabalhadoras e os trabalhadores que fazem o sucesso ou o insucesso de qualquer greve.

      • Rafael Ortega diz:

        “é igualmente essencial convocar para a luta quem está no desemprego, quem estuda…”

        Eu, que estudo, quero é que a greve não calhe num dia em que tenha teste ou laboratórios.
        Sem comboios é o caraças para chegar à universidade…

        • Carlos Guedes diz:

          As greves incomodam muita gente. Não as fazer incomoda muitas mais. Se o que refere acontecer com certeza que encontrará uma solução e não sairá prejudicado.

          • Rafael Ortega diz:

            Ou se gasta uma fortuna em gasolina, ou ando 20km (pela fresquinha, exercício, e tal…).

            “As greves incomodam muita gente. Não as fazer incomoda muitas mais.”

            É uma adaptação com piada de uma cantilena infantil, mas claramente que é ao contrário do que refere. 😉

        • RS diz:

          Ó rafa, que atado, pá…

          • Rafael Ortega diz:

            Porquê? Por não estar disponível para perder um ano por causa de uma greve?

          • De diz:

            Rafael não quer perder um ano por causa de uma greve…
            (Silêncio)

            Isto é hipocrisia ou apenas uma tentativa canhestra de manipulação e de vitimização?
            O rapaz fale em perda de um ano por causa de um dia de greve geral?
            O rapaz fala de um ano perdido por causa de parar um dia?
            O rapaz olha para o umbigo e arranja esta história ridícula da perda de um ano por causa de uma paralisação de um dia?
            Mas este rapaz brinca ou pensa que andamos aqui a brincar?
            Mas este nem sequer sabe que serão os próprios professores a terem em conta a greve e a sua repercussão na vida estudantil?
            E este rapaz nem sequer sabe que nós é que não estamos disponíveis para perder a dignidade e a vida por causa de uns pulhas que nos governam enquanto se governam?
            Mas este rapaz nem sequer tem a coragem para se assumir directamente contra a greve geral e anda a inventar delírios para fazer o trabalho de sapa que é o de combater esta desde já,com estas palavras tontas,estúpidas,demagógicas e cúmplices com a pulhice da politica de classe de um governo sem classe?

            Greve Geral!
            Sem medo.Unidos.Com a raiva e a determinação que nos deve merecer a luta pelo futuro que nos querem roubar

          • Rafael Ortega diz:

            Caro De,

            Se não for ao teste não passo a cadeira.

            Se não fizer a cadeira este ano tenho que a fazer no próximo.

            Se tiver que a fazer no próximo ano não me posso inscrever na tese no momento que tenho planeado para o fazer.

            Se não me inscrever na tese passo demoro um ano para acabar o curso.

            Percebe porque é que ficaria bastante aborrecido, ou tenho que lhe explicar melhor?

          • De diz:

            Acho que tem que explicar melhor.
            Pode sempre levar um papel a dizer os motivos pela sua não comparência

            O professor será assim tão fanático pelas medidas tomadas por estes chacais que nos governam que marcará o testezinho para esse dia?
            Se tal acontecer deve ser denunciado não acha?
            Os Gaspares deste mundo tendem a multiplicar-se quando sentem as costas quentes…se não lhes fizermos frente
            Não acha?

      • Mike diz:

        Um desempregado é um trabalhador!!!

  3. Carlos Carapeto diz:

    ««««««««Ao contrário do que senti no dia 12 de Março, desta vez não foi tão visível a contestação aos partidos políticos.»»»»»»».

    O Carlos Guedes ignora porque não foi assim? É que desta vez não participaram os “apartidários” da JSD e JC. É vulgar de Lineu.

  4. Vicente de Lisboa diz:

    Nitpick sobre a imagem: Em democracia, os números e as maiorias conferem legitimidade, mas não dão razão.

  5. Vasco diz:

    Só falta dizer – como já li por aí em qualquer lado (já me lembro, o grande líder de massas Garcia Pereira) – que foram os “indignados” que forçaram a CGTP a convocar a greve… Sim, porque o movimento sindical tem estado parado – nem promoveu duas manifestações no dia 1 com 200 mil trabalhadores, nem tem para breve uma semana de luta nas empresas e nos sectores…

  6. Dédé diz:

    Um companheiro de blog escreveu um post sobre o apartidarismo que vale a pena ler:

    SOBRE O (GENE) MEME DO APARTIDARISMO E a forma de tentar lidar com o dito.

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