Definições

Tive de reescrever o texto várias vezes porque não percebi se a Gui Castro Felga acha mesmo que “há trabalhadores que, por definição, não podem fazer greve”. É que a definição que eu tenho é a de que até ao momento o direito à greve ainda não foi proibido e que, acima de tudo, os direitos se defendem exercendo-os. Por isso, parece-me escandaloso que se colabore com a direita e os patrões na disseminação da ideia de que nos devemos vergar ao medo e à repressão e não fazer greve.

A greve geral é uma forma superior de luta. É uma arma que ataca onde mais dói ao capital. Bem antes de eu e a Gui Castro Felga existirmos, os trabalhadores desafiavam o medo e a repressão do fascismo. Aí, sim, por definição, os trabalhadores não podiam fazer greve e, ainda assim, faziam-na. Num momento em que precisamos de um contra-ataque à altura, há quem lance a dúvida e a confusão. O cúmulo do oportunismo é, ainda, pensar se deve ou não haver greve geral porque a maior parte da base de apoio do 15 de Outubro são precários e desempregados. Felizmente, a maioria não pensa como ela.

Outro que parece não perceber muito bem de definições é o Paulo Granjo. Propunha que se fizesse greve geral de dois dias mas com manifestações. Alugavam-se umas camionetas e traziam-se os trabalhadores para as acções de protesto. Pois é, o problema é que, por definição, uma greve geral é mesmo uma greve geral e a ideia de uma greve geral é ninguém trabalhar. Coisa que até eu, um revolucionário de teclado – como o próprio me apelidou – percebe. E só quem nunca esteve num piquete de greve, fixo ou móvel, – como os cagões – é que pode achar que há horas para manifestações ou concentrações que não colidam com o trabalho dos piquetes.

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