“londres: pilhagens, revolução ou o que foi então?
debate moderado por Miguel Cardoso (UNIPOP) com a presença de: Alexandre Abreu http://
Londres rebentou e, em pouco tempo, o vírus alastrou e pegou. autoridades várias prometiam as mais duras represálias enquanto pessoas de muitas idades, géneros e proveniências sociais incendiavam carros, pilhavam lojas de diversos tipos enfrentando a polícia em pequenos grupos. na blogosfera portuguesa o debate à esquerda ficou amplamente marcado, por um lado, pelos que apontaram o fenómeno pela sua inconsistência revolucionária e, por outro, pelos que, lendo o terreno como uma súbita apropriação do espaço que sempre lhes foi negado, se recusaram a julgar a pureza revolucionária dos amotinados. para pôr este debate à volta da mesa, fomos resgatar à internet alguns dos mais visíveis e interessantes actores desta viva polémica.
bartô|Costa do Castelo nº1, 19 out, 22h
No painel de oradores entra Tomás Vasques para o lugar do Sérgio Lavos. Há substituições que são autênticos programas políticos.
Afinal, também eu não poderei estar presente no debate que no entanto promete ser animado.




A ver se o tempo me permite lá estar convosco…
sobre o que sucedeu em Londres, reagi, assim:
(08/08/2011), ainda no meu anterior blog » Elypse
É curioso observar a deturpação a nível do contexto social. Não posso deixar de censurar o que se está a passar na Inglaterra nos últimos dias. Tinham tudo para reivindicar bem, destruindo os casulos do artesão da miséria – do sistema económico – dizimando as várias instituições que o alimentam/sustentam: bancos, seguradoras, etc.
Incrédulos alguns (porque outros sabem bem o que se está a passar, mas fingem estupefacção para legitimar a carga policial que se seguirá, etc.), tentam obter uma justificação para o que, à partida, indicia ser injustificável. Estes ainda têm desculpa: os que ao menos tentam perceber a razão de uma geração se revelar alucinada, reagindo como se tem observado. Qual é a razão desta reacção? Para os que enviam a carga policial, não há razão justificável. Portanto, milhares de adolescentes ficaram transtornados de um momento para o outro, por nada.
É com tristeza que vejo toda uma juventude, devido ao virtualismo a que tem estado subjugada, reagir sem rumo – revelando isso mesmo: que o sistema lhes toldou toda e qualquer direcção. Estão saturados do artificialismo urbano e de toda a sua mecanização. Já só conseguem obter o que resta da sua afectividade de forma gritante e animalesca – tornando-se vítimas da sua vitimização/aniquilação.
O que sentem ao fazer o que fazem, e muitos não percebem nem nunca irão perceber, é que com esta reacção, mesmo que temporária e por absurda que possa parecer, conseguem suspirar de alívio – como se, por momentos, houvesse alguma lucidez e razão em existir para além de toda a estruturação/formatação a que estiveram sujeitos. Momentaneamente a parte emocional transcende a racional, e descobrem que a humanidade/o ser, a que têm estado vetados, existe… Sentem o que é ser livre, e que com algum esforço e sacrifício até podem obter a tão desejada liberdade.