15 de Outubro de 2011, uma data Histórica

O protesto de 15 de Outubro de 2011 foi notável. Marca o início do contra-ataque, ou pelo menos, da resistência mais vigorosa à avalanche reaccionária que se abateu sobre nós.

Este protesto deixa três grandes marcas:

1 –  É possível um protesto de massas ser convocado sem recurso aos tradicionais mecanismos (sindical ou partidário, nomeadamente CGTP e PCP).

Não sei o número exacto de pessoas na rua, certamente largas dezenas de milhar em todo o País (se não mesmo mais), sobretudo em Lisboa, também no Porto e um número razoável em Faro, Coimbra e Braga.

Sem uma máquina oleada por trás, sem a ajuda dos mass media, foi possível trazer à rua dezenas (se não mais) de milhar de cidadãos. Para além da quantidade, que por si só é já significativo, este facto trouxe também uma alteração qualitativa. As massas não se limitaram a dispersar após a marcha. Em Lisboa as escadarias do Parlamento foram ocupadas e serviram de Fórum para a Assembleia popular. Também no Porto as escadarias da Câmara Municipal foram tomadas.

Milhares de pessoas participaram em Assembleias onde se discutiu e aplaudiu a suspensão da dívida, a auditoria à mesma e às contas públicas, a mudança de regime, o fim do capitalismo, a expropriação da banca. E fundamental no curto prazo, o apoio à greve geral, que não deverá ser uma greve da função pública e uns poucos sectores da indústria, mas uma verdadeira paralisação nacional, envolvendo sectores geralmente à  margem destes protestos.

2 – Marca o fim do estado de graça do governo.

O saque anunciado quinta-feira por si só iria desgastar o governo, os protestos de sábado pelo timing, qualidade e quantidade selaram o fim do estado de graça. É o verdadeiro tiro de partida para a luta pelo derrube do governo. Ao fim de quatro meses o governo perdeu o benefício da dúvida.

Os inimigos do povo, os arrogantes fariseus e as nossas elites ignorantes bem podem espernear, daqui prá frente a resistência popular só irá crescer (em média, a tendência, claro que haverá períodos de acalmia e algum retrocesso, mas a tendência de fundo será de crescimento), aliás até já há alguns “arrependidos”. A existência de luta e resistência por si só não será garantia de que se irá derrubar o governo ou anular as medidas no imediato, mas pelo menos significa que se vai a jogo. Este protesto prova que há o potencial, de se travar uma luta com potencial de vitória.

A Esquerda parlamentar e  sobretudo os sindicatos desempenharão um papel destacado. Mas não tenha a mínima dúvida que por si só serão incapazes de produzir uma vitória. Não conseguem atrair importantes camadas populares, sem as quais será impossível vencer. Não têm o grau de imprevisibilidade e radicalidade necessário para desequilibrar e surpreender o adversário. Estão demasiado calcificados por décadas de institucionalização e acções repetitivas. Este movimento tem todo o potencial para colmatar essas falhas.

Sendo que para de facto vencer, outros sectores mais terão de se juntar, pelo menos em certos momentos. Por exemplo, o aumento do IVA na restauração poderia motivar à adesão de pequenos comerciantes, cafés e afins, à greve geral. Não sei se acontecerá, mas isso seria um enorme contributo para a verdadeira paralisação do país e um contributo determinante para a “generalidade” da greve.

3- Internacionalismo.

“Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal! A nossa luta é Internacional!” e vai bem além dos países nomeados num dos gritos icónicos destas manifestações. O dia 15 foi dia de luta de Tóquio a Wall Street. É um enorme salto qualitativo, vai mesmo além dos dias do movimento anti-globalização seatliano ou da episódica manifestação mundial contra a guerra de 2003.

Foi possível coordenar este processo em mais de 100 cidades a nível mundial. A rede existente terá altos, baixos e muitas fragilidades. Mas está aberta a porta a outros protestos de carácter internacional simultâneo.

Bem haja a todos os que participaram e a quem organizou o protesto. Como lá se disse

A Luta Heróica Derrota a Troika

E uma nova era Heróica está a surgir

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23 respostas a 15 de Outubro de 2011, uma data Histórica

  1. tricMadeira diz:

    eu espero que os Internacionalistas apoiem um imediato default de 50% do Contenente à Madeira…senão, cabada de aldrabões…

  2. Renato Teixeira diz:

    Grande posta!

  3. Pingback: Leitura recomendada a “revolucionários” « O Insurgente

  4. Ilídio PG diz:

    Caro amigo,

    fica muito mal a um combatente social andar tão distraído ou – o que quero crer que não seja o seu caso – reproduzir tão acriticamente alguns comentários veiculados pela benevolência da comunicação social, o natural entusiasmo de recém-convertidos ou recém-chegados às lutas ou a censurável arrogância de quem acha que a batalha só começa quando ele próprio dispara o primeiro tiro.

    Poderá não ter reparado, mas para muita gente, a resistência às políticas de direita, às medidas de austeridade, ao programa da troika e às acções anti-populares deste governo, que no fundamental em nada se distingue do anterior, já começou há muito tempo. Se quiser restringir ao actual governo, posso até acrescentar que, para muitos jovens, mulheres e homens deste país, a resistência começou logo, verdadeiramente, empenhadamente, organizadamente, no próprio dia das eleições.

    Mas se a compreensão da luta organizada, esforçada, permanente, na fábrica, no escritório, no local de trabalho e fora dos holofotes da comunicação social lhe escapa, se não se dá conta das numerosas lutas dos utentes e das populações por esse país fora em defesa dos seus direitos e dos serviços públicos (escolas, centros de saúde e hospitais, meios de transporte, serviços administrativos, apoios sociais, etc., etc.), se acha que a luta “verdadeira” só começa com grandes concentrações e manifestações, de âmbito nacional, reivindicações mais gerais e grande visibilidade, permita-me que lhe chame a atenção, ou lhe recorde, a grande manifestação nacional da GCTP de 1 de Outubro, duas semanas atrás, que reuniu em simultâneo 130 mil manifestantes em Lisboa (unindo o Saldanha aos Restauradores) e 50 mil no Porto.

    As várias dezenas de milhares que se manifestaram em sete ou oito cidades portuguesas neste sábado, com natural destaque para Lisboa e Porto, foram certamente um grande e importante momento da luta, mas de uma luta que vem de trás (aliás, com filiação directa na anterior manifestação de 12 de Março), que é alimentada quotidianamente por muitos e que, caso não tenha percebido, recebeu forte impulso da dinâmica criada pela manifestação nacional da CGTP (bem como, entre outros factores, da sua vertente internacional).

    Concordo que estas manifestações de indignados, e nelas vejo pessoalmente o seu grande mérito, trazem à luta sectores populares a que os os sindicatos (e os partidos políticos de esquerda, especialmente o mais consequente e combativo, o PCP) têm tido dificuldade de chegar e atrair, que são necessários, imprescindíveis, para a resistência à política de direita, a construção de uma alternativa de esquerda e a construção de uma nova sociedade. Nesse aspecto, apesar da manifestação de sábado de Lisboa ter excedido as minhas expectativas, não pude deixar de reparar que, da de Março, se “perderam” camadas e grupos da população que, ou são envolvidas na luta e, em minha opinião, fazem a grande força e representatividade deste movimento, ou se distanciam, retraem e perdem definitivamente, e definham, sectarizam e anulam as potencialidades democráticas e progressistas do movimento, a sua aspiração a consolidar-se como parte integrante de pleno direito e incontornável do movimento popular.

    Poderá dizer-se, em nota menos negativa, que pelo menos houve maior acerto da orientação, uma triagem de reivindicações e interesses inconsequentes e divisionistas (menos diversão, sem prejuízo da legitimidade da defesa de objectivos próprios), uma maior politização mas sem sectarismos excessivos, uma opção e ênfase decididas pelo combate às políticas da troika (o que, partidariamente, responsabiliza o PS a par do PSD e CDS), uma consciência mais desenvolvida do valor da soberania (nomeadamente nas palavras de ordem contra o FMI e de defesa de um “Portugal” que se quer com progresso e justiça social), uma maior acuidade no carácter de classe (bem nítido no apelo aos sindicatos de uma greve geral) e, o que em minha opinião é importante, uma grande valorização da unidade e uma menor contraposição de interesses específicos aos interesses gerais da globalidade dos trabalhadores e do povo, especialmente do “precariado” em relação ao resto do proletariado e dos trabalhadores.

    Resumiria assim. Este movimento perderá sempre que se contrapor ao movimento organizado dos trabalhadores (e suas organizações de classe). O país perderá sempre que os movimento organizado dos trabalhadores (e suas organizações de classe) se distanciarem deste movimento.

    • Ilídio PG diz:

      No último parágrafo, desculpe-se-me o erro no verbo. “Contrapuser” em vez de “contrapor”. Assim:

      «Resumiria assim. Este movimento perderá sempre que se contrapuser ao movimento organizado dos trabalhadores (e suas organizações de classe). O país perderá sempre que os movimento organizado dos trabalhadores (e suas organizações de classe) se distanciarem deste movimento.»

      • franciscofurtado diz:

        Concordo plenamente com o seu resumo, faz uma muito boa síntese.
        Quanto a uma série de considerações acerca quer da minha pessoa, quer do movimento, não farei comentários uma vez que este é daqueles momentos em que faz mais sentido dar a outra face. O adversário que enfrentamos é de tal forma poderoso e maquiavélico que a última coisa de que necessitamos é que o campo da resistência popular se digladie entre si.

        • De diz:

          E parabéns também ao Francisco Furtado pela sua expressão:”a última coisa de que necessitamos é que o campo da resistência popular se digladie entre si.”

          Sublinhe-se entretanto um “insurgente” que posta uma espécie de comentário em que ,”esmagador”, cita Fernando Pessoa.
          Há coisas destas…não se sabe o que admirar mais.Se a pedantice do gesto,se a posição de lambe-botas do “insurgente” face aos “liberais,se a inconsequência gratuita do mofo ressequido das declarações plasmadas.
          Fernando Pessoa foi um extraordinário poeta.Mas quanto ao mais …estaremos à espera deste “insurgente” transcrever os horóscopos a que se dedicou Pessoa ou a encenação do suicídio de Aleister Crowley?Tal “ocultista” a quem Fernando Pessoa deu uma ajuda nos meandros místicos em que ambos mergulharam,seria também um bom exemplo para aferir da admiração mútua pelos “movimentos revolucionários”.

          Estes “insurgentes” são assim…Escolhem os “bocados”. Mais.Escolhem os bocados de alguns bocados.E dão uma de “Koltura”. Enganam-se na escolha como é óbvio.E entretanto continuam a procurar alibis respeitáveis para as suas posições de “insurgentes” conluiados com o neo-liberalismo putrefacto e viscoso
          A combater (também) por medidas de higiene.
          Porque estes são mesmo “fingidores”.E não são poetas

      • De diz:

        Um excelente “resumo” , para utilizar a expressão de Francisco Furtado.
        Parabéns!

  5. JEM diz:

    A extrema esquerda nunca conseguiu convencer nenhuma população da bondade das suas teorias (imagine-se porquê…). Ressabiados por levarem sempre 10-1 em confrontos democráticos, a única forma que conseguiram chegar ao poder foi através da força, da supressão dos direitos democráticos. E mandar quem resistiu em nome da democracia para gulags.

    Hoje em dia, excluindo na Coreia do Norte e Cuba, o máximo que a extrema esquerda consegue é juntar uma turba de burgueses exibicionistas em manifestações ou acampamentos, onde dizem que a sua verdade é a que representa a do povo, apesar de o povo a desmentir vezes sem conta em todas as eleições. Triste gente…

    • De diz:

      “Triste gente” geme um Jem.
      E geme, gemendo à cata das eleições da sua predilecção
      Geme tanto que se esquece doutras eleições em que os seus gemidos não foram escutados
      e geme tão alto que se esquece que eleições que se baseiam em promessas não cumpridas são uma fraude

      Quem rasga contratos sociais,quem rouba ,quem penhora o país,quem se vende por pataca e meia pode continuar a gemer…
      a luta é para continuar.Contra quem explora
      Pesem os gemidos “ressabiados”dos tristes Jem,que, gemendo,mais não fazem do que aldrabar
      para continuarem a roubar

  6. Joaquim Amado Lopes diz:

    Francisco Furtado,
    Imagine que, no passado dia 5 de Junho, as eleições legislativas tinham tido um desfecho completamente diferente. O PCP-PEV tinha obtido 2.159.742 votos e eleito 108 deputados e o BE tinha obtido 653.987 votos e eleito 24 deputados.
    O Governo PCP-PEV-BE, legitimado pelo voto popular e com apoio de uma maioria absoluta de deputados, decreta “a suspensão da dívida, a auditoria à mesma e às contas públicas, a mudança de regime, o fim do capitalismo, a expropriação da banca”.
    _
    Passados 4 meses, insatisfeitas com estas políticas, reclamando representar a “vontade do povo” e com o apoio da “direita parlamentar” (PSD com 16 deputados e CDS com 8, contra os 132 deputados PCP-PEV-BE), algumas dezenas de milhar de pessoas decidem manifestar-se, ocupar espaços públicos (incluíndo as escadarias da Assembleia da República) e exigir a queda do Governo, a redução da Administração Pública e da despesa e a reinstauração do capitalismo.
    _
    O que diria o Francisco?

    • franciscofurtado diz:

      Boa pergunta, aliás já respondida pela história. Qualquer governo progressista eleito pelo voto popular irá enfrentar dos interesses instalados e da direita uma reacção incomparavelmente mais dura que qualquer manifestação de indignados. Dou dois exemplos, independentemente dos juízos de valor, quer o governo de Allende no Chile quer o de Chavez na Venezuela foram eleitos e tinham legitimidade democrática formal. Qual a resposta da direita?
      Pressão de manifestações de rua constante, tentativas de golpe de estado (bem sucedida no Chile, falhada na Venezuela), actos de terrorismo, lock-out, etc…
      Portanto, as virgens ofendidas que falam agora da legitimidade eleitoral deste governo, numa situação inversa seriam os mesmos que estariam a apelar à insurreição até armada. Ou seja, aquilo que agora começa é bem mais contido, respeitador e integrado nas regras do regime que qualquer reacção que a direita teria no caso de se passar um cenário semelhante ao acima exposto.
      A resposta das forças populares numa situação dessas teria de ser ponderada no contexto, mas teria de ser à altura do desafio.
      Isto, para citar um exemplo, é pura demagogia de fariseu.

      • Joaquim Amado Lopes diz:

        A “história” não responde à pergunta que lhe coloquei pela simples razão de que perguntei qual seria o SEU comentário a uma determinada situação.
        _
        E, na situação hipotética que coloquei, as “forças populares” seriam os manifestantes. Ou não?

  7. por diz:

    Esta red star da nova hera heróica é igual á da antiga URSS?

  8. Luis F. diz:

    “E, na situação hipotética que coloquei, as “forças populares” seriam os manifestantes. Ou
    não”

    Claro que não. Por definição, as “forças populares” são sempre os nossos. Os outros não têm legitimidade, nunca, são “forças da reacção”.

    • Joaquim Amado Lopes diz:

      O Luis está a dizer que, para o Francisco, são sempre os mesmos que “representam o povo” apesar de, quando é chamado a expressar a sua opinião de forma objectiva e quantificável, o povo recusar de forma esmagadora as “soluções” desses “mesmos”?
      .
      Eu sei que é isso que o Francisco parece querer dizer mas não posso acreditar que seja assim. Ninguém teria a falta de vergonha na cara necessária para revelar publicamente tamanhas arrogância e hipocrisia.
      .
      O Francisco vai esclarecer exactamente qual é a sua posição.

      • franciscofurtado diz:

        “O Francisco Vai…” bem, com esse tom caríssimo, não vai a lado nenhum, pelo menos comigo. São os problemas das discussões virtuais. Garanto-lhe que se tivéssemos ao vivo não me iria dirigir a palavra nesse tom. Quanto ao esclarecimento que tanto pede, primeiro aconselho um xanax porque pelos vistos parece estar um pouco extra excitado, depois de se acalmar aconselho que leia de novo a minha a minha primeira resposta, a minha posição está lá preto no branco, tanto quanto a resposta a uma situação hipotética pode estar preto no branco. Se quiser mais “insights” quanto às minhas posições, uma vez que até sou leitura recomendada para revolucionários. Pode ler os meus outros textos neste blog, ou aqui http://mundoemguerra.blogspot.com/

        • Joaquim Amado Lopes diz:

          A expressão “O Francisco vai esclarecer exactamente qual é a sua posição.” não é nenhuma ordem mas apenas a manifestação da minha convicção de que o Francisco quereria esclarecer a aparente(?) incoerência da sua posição. Em vez disso, preferiu fazer-se de “virgem ofendida”. É o refúgio de quem se descobre incapaz de disfarçar a própria incoerência.
          .
          Quanto à sua pretensa resposta, aconselho-o a reler o que escreveu porque não responde ao que lhe foi perguntado.
          .
          Nos dois primeiros parágrafos refere que já ocorreram noutros países situações no geral semelhantes à situação hipotética que lhe coloco. Palha.
          No terceiro parágrafo escreve “A resposta das forças populares numa situação dessas teria de ser ponderada no contexto, mas teria de ser à altura do desafio.” o que não quer dizer nada. Além de que manifesta alguma confusão entre “poder estabelecido” e “forças populares”, parecendo querer que as tais “forças populares” são sempre as do “seu” lado, independentemente da sua representatividade.
          No último parágrafo, acusa outros de hipocrisia, o que é no mínimo irónico.
          .
          Quanto às suas posições, já estou mais do que esclarecido. O Francisco é apenas mais um que julga que o “povo” é quem concorda consigo.
          .
          Quanto ao “tom” que o ofendeu tanto, LOL.
          Não que não acredite que o Francisco seja capaz de baixar a esse nível, particularmente se acompanhado de outros “revolucionários” (embora, considerando a minha forma física, tal nem sequer seja necessário). Afinal, os “representantes do povo” estão sempre legitimados a usarem dos meios que entenderem necessários para fazerem valer os seus pontos de vista. E os “reaccionários” merecem sempre tudo o que lhes aconteça.
          Vi muito disso na segunda metade dos anos 70 e continuo a vê-lo nos piquetes de greve e no discurso da “esquerda democrática” (que, de democrática, não tem rigorosamente nada).

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  10. vítor dias diz:

    Afirma Francisco Furtado que «Este protesto [o de 15 Out] deixa três grandes marcas:
    1 – É possível um protesto de massas ser convocado sem recurso aos tradicionais mecanismos (sindical ou partidário, nomeadamente CGTP e PCP).»

    Protesto vigorosamente porque supunha eu que esta primeira marca já tinha sido proclamada sobre a manifestação de 12 de Março que assim é absurdamente desvalorizada.

    • franciscofurtado diz:

      Boas! De facto pensei bastante nisso antes de assinalar esse primeiro ponto. É verdade que já houve o 12 de Março, mas uma andorinha não faz a primavera, ou seja foi apenas um caso, que poderia ter sido um mero epifenómeno. O facto de se realizar uma segunda vez e em condições mais adversas ( não houve nem de perto nem de longe a mesma onda mediática) marca um salto qualitativo.
      Além disso o 12 de Março foi convocado por grupos muito diferentes e quem saíu à rua veio também por motivos muito dispares. Embora a onda geral fosse de Esquerda e anti-Sócrates, havia muita gente pura e simplesmente anti-políticos e partidos, e muita direita, até extrema. Este 15 de Outubro, apesar de ser também altamente plural e algo difuso, teve uma consistência política muito mais elevada. Não é um movimento social sólido, mas é também mais do que uma mera manif, é um grupo com capacidade de mobilização de massas na sociedade portuguesa. Para mim o 12 de Março anunciou essa possibilidade, o 15 de Outubro confirmou-a.

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