CONTINUAR!!! Nova Assembleia Popular este domingo, às 19h, em São Bento.

 

 

 

 

Depois da manifestação de hoje e sobretudo depois da Assembleia Popular, preciso tempo para que me saiam palavras mais precisas. A adesão, a combatividade, a radicalidade das ideias, a intensidade política, superaram as melhores expectativas. Para lá das propostas dos movimentos que organizaram o protesto em Lisboa, e que foram todas aprovadas, a intervenção popular inundou o plenário de inteligência. Ao longo de mais de 50 intervenções e perante um Largo de São Bento a rebentar pelas costuras, desenhou-se um momento com um significado extraordinário e que vai levar anos até que tenhamos consciência do seu alcance, potencial, profundidade, em suma, poder de fogo. A direita ganhou a farsa eleitoral mas o povo dá mostras que nunca esteve tão à esquerda. Isto devia deixar muito boa gente a pensar na vida.

Toma a palavra e o futuro! Participa!

Proposta Conjunta aprovada na Assembleia popular do 15O:

1) Apelar a todas as forças sociais, pessoas organizadas ou não, movimentos sociais, sindicatos, que se unam a esta luta internacional, que expressa a voz dos povos da Europa e do Mundo contra este regime económico e político de suicídio, profundamente antidemocrático, cuja consequência final é a destruição das sociedades e da vida das pessoas.

2) Ocupar esta praça de São Bento até amanhã, reunindo nova Assembleia Popular às 19h.

3) Apelar a iniciativas populares de desobediência civil pacífica, expressando a nossa contestação diária ao futuro negro que os ricos nos dizem ser o único possível.

4) Considerando as políticas económicas e sociais deste governo, em tudo idênticas, mas ainda mais agravadas em relação aos governos anteriores, no que diz respeito ao encerramento de escolas e centros de saúde, à destruição do Serviço Nacional de Saúde, ao aumento das tarifas dos transportes públicos, à proposta de privatização de bens essenciais como a água, ao encerramento de empresas públicas, aos despedimentos massivos na função pública e no privado. Considerando que a política deste governo a mando da União Europeia, da Troika e do capital financeiro, leva o povo e os trabalhadores deste país cada vez mais ao fundo. Considerando que a justiça não serve o povo português mas apenas os interesses dos que têm dinheiro. Considerando que esta democracia é uma farsa, não servindo quem devia – o povo. Vimos apelar aos sindicatos e às comissões de trabalhadores a convocatória urgente de uma greve geral nacional contra o acordo da Troika, contra o pagamento de uma dívida que o povo português não contraiu e da qual não retirou qualquer benefício, contra as privatizações que o governo pretende levar a cabo, nomeadamente das Águas de Portugal, TAP, CTT, CP, RTP e outras, contra a nova lei dos despedimentos, contra a precariedade imposta às nossas vidas e contra as medidas de austeridade impostas pelo governo do capital e que estão a destruir a vida das pessoas.

5) Realizar uma nova manifestação no dia 26 de Novembro, a partir das 15h, no Marquês de Pombal. (Nota: A data da nova manifestação ficou de definir na Assembleia Popular, de hoje)

6) Juntar-nos a futuras mobilizações internacionais no espírito do 15 de Outubro, que juntou milhões hoje em mais de 1400 cidades e mais de 82 países.

7) Sendo que este dia não é, de maneira alguma, o fim da luta, pedimos a todos e a todas que se unam numa rede de pessoas e organizações activistas com direito à palavra, à proposta e ao voto, para continuarmos a luta política através de um movimento informal mas inclusivo e plural que aceita todas e todos que se revejam no seu manifesto.

Nota: Ainda não foram compiladas as restantes propostas apresentadas e votadas na Assembleia popular do dia 15, mas darei conta delas assim que tal aconteça.

Os dois activistas detidos já foram libertados e serão chamados a tribunal na próxima segunda-feira. Hoje, 16 de Outubro, está agendada nova Assembleia Popular, às 19h, em frente ao Parlamento.

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2 respostas a CONTINUAR!!! Nova Assembleia Popular este domingo, às 19h, em São Bento.

  1. Marco diz:

    Sendo um eterno migrante pela província não pude observar a acampada no Rossio e esta foi a primeira assembleia a que assisti.

    Não posso partilhar do seu optimismo. Os grandes passos em frente serão o interesse ainda algo difuso em discutir política e a crescente percepção que a “crise” serve a alguns.

    No entanto há:

    – demasiado discurso anti-partidos misturando organizações que ao seu modo e com as suas debilidades e incongruencias tem mantido uma posição de resistência à agressão capitalista com malta que faz o que sempre fez: serve a classe hegemónica com meras nuances no relacionamento com a classe média.

    – um esquecimento – ou mesmo desconhecimento – de um determinado “povo” que por questões várias como seja a instrução ou enquadramento social nunca perceberá, nunca participará e nunca avalizará uma democracia “basista”.

    – um evitar – táctico ou inconsciente – das questões do exercício do poder. Clamar por “democracia verdadeira” pela ” participação cidadã” é tão ou mais vago que as “reformas estruturais” elevadas agora a chavão da Direita.

    – a assunção que de facto muitos de nós vivemos acima das possibilidades da estrutura económica do País. No fundo de deixar claro que a “euforia” dos 90’s não voltam mais e que a solução é uma sociedade mais igualitária, mas que não corresponde exactamente a uma sociedade da abundância e de consumo maciço.

    – um contornar das questão fundamental: as soluções e modalidades da propriedade.

    Gostei e muito. Mas falta ainda muita substância e pior: podemos estar a criar o caldo para um discurso ultra-demagógico ao jeito da melhor – entenda-se pior – cartada das oligarquias quando lhes começam a roer os joanetes: as farditas, a pátria, a exaltação da vontade de um povo, os louros não brincam connosco…you know what I mean

  2. Pingback: Anarquismo, a doença infantil dos indignados. | cinco dias

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