Por grandes afectivos deve entender-se aquelas pessoas, todas elas afecto e emoção, que constituem (pelo menos elas acham isso) a consciência moral da nossa geração. Têm a lágrima fácil, sempre pronta a rolar do olho abaixo; julgam tudo e todos – e fazem-no saber: mas sempre com uma larga dose de indulgência – prioritariamente destinada a si próprios. Como eles gostam deles! E acham-se bons, genuinamente bons e desamparados, não tanto perante as forças do mal, mas da incompreensão. Atingido o grau de grandes afectivos, costumam ficar-se por ali, sem cuidar de fazer mais nada: despejam as garrafas necessárias para acordar a sua bondade inata e depois dá-lhes a saudade, que os impede de qualquer esforço adicional de tentar descobrir o que quer que seja para além do bem e do mal. Bebem como putos e tornam-se uns grandes maçadores; em jantares sociais devem ser cuidadosamente evitados, pois podem causar transtorno à metade funcional da humanidade. “Drunkards are a nuisance”: belo título para um policial pós-chandleriano com epicentro em Lisboa.
Próximo n.º da série: Os semi-cultos





Gostei do post e tenho andado a reparar nesses espécimens que tão bem descreves. Devemos ser prudentes.
Muito bom, António.
Aguardamos um texto sobre os grandes teóricos.
Esses e os grandes revolucionários sempre a fazerem levantamentos para amanhã. Sempre com o epicentro numa qualquer praça ou avenida de Lisboa.
não lhes chamando outra coisa
existem os imaculados da concepção
cujos espelhos têm fundos negros
como não se observam, crêem-se isentos
. . . e os *Madre Teresa Daqui-Acolá” ?
Tão socialmente *expertos* , oh pá?