E tu, já deste nome a uma estação?

Baixa-Chiado PT Bluestation é novo nome da antiga estação Baixa-Chiado, uma obra de Siza Vieira, usada por mais de onze milhões de pessoas/ano. Percebendo o quão digno e nobre este espaço é, a Portugal Telecom não foi de modas: decidiu “comprar” a estação e mudar-lhe o nome.

O que antes era espaço público de todos, agora é da PT e é a montra onde, nos próximos 4 anos, a PT vai promover as suas marcas comerciais: TMN, MEO, SAPO, PT Negócios, PT Prime e Portal SAPO.

O governo acha muito bem e enviou o Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações à inauguração, para elogiar a acção publicitária. O presidente do Metropolitano de Lisboa está radiante e já anunciou que a próxima estação a ser “vendida” é a do Marquês de Pombal.

O M12M considera esta acção de marketing um ESCÂNDALO e uma OFENSA a todas as pessoas, em especial as lisboetas.

É inaceitável que a administração do Metro decida mudar o nome de uma estação por causa de uma marca. As estações têm o nome dos locais onde se implementam, fazem parte da cidade, da sua identidade, são uma referência para todos os que nela se movimentem e habitam.

Foram construídas e pagas com dinheiro público para servir as pessoas e não para servir os interesses publicitários de empresas privadas.

Chegámos a este ponto de desespero por duas razões: falta de investimento do Estado em serviços públicos de transporte e gestão danosa das administrações do Metropolitano de Lisboa. Tudo isto está escrito há anos em relatórios do Tribunal de Contas. Ninguém foi alguma vez responsabilizado.

Por isso, é agora fácil ceder a qualquer migalha de uma empresa privada e vender o espaço que é de todos, dando-se a ideia de que se gere muito bem o erário público.

Se a PT pode ser dona de uma estação, o M12M também pode. 

E tu, já deste nome a uma estação?

 

Manifestação 15 DE OUTUBRO

15h00 | Marquês de Pombal

A DEMOCRACIA SAI À RUA. SAI TU TAMBÉM!

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13 respostas a E tu, já deste nome a uma estação?

  1. neotonto diz:

    Este comentario era para insertar no anterior post mas como fica fechada a caixa de comentrios.

    “Picasso era um genio tao excepcional que atñe podemos permitirlhe e perdoar um delito ainda mais grave (nao este venial de gostar das touradas) o delito de ser-se comunista”

  2. Rascunho diz:

    Se calhar é mentira…

    E lá em cima os mesmos governantes. E outra carrada deles se anuncia… Tanto lhes faz que definhes à fome ou que sucumbas ao frio. São exímios na indiferença. Escudam-se com a “incompreensão”. Alguém ainda se poderá admirar que este tempo seja conhecido por vacas magras com tantos bois gordos à mistura?!

    Pagar, pagar, pagar… Eis a exigência de um sistema que se diz democrático. O dízimo deixou de fazer parte das seitas – temos razões de sobra para acreditarmos que, presentemente, fazemos uma aplicação correcta ao deixá-lo ao fim e durante o mês para o Estado.

    Pagamos os empregos. Pagamos o acesso a eles, nas deslocações. Pagamos a aniquilação, através do consumo desregrado de estupefacientes lícitos. O que mais é preciso pagar?! Submetemo-nos às leis, às normas e às regras – submetemo-nos à corrupção do sistema. Que mais razões serão precisas para chamarmos a este modelo de Estado de mafioso?

    São inúmeros os deveres para com a máfia. Observem a exploração nas inúmeras fábricas – falar de escravidão para quê? Formam-nos com o objectivo de os tornarem “inteligentes” a trabalhar – o rebanho deve ser instruído e útil para servir com êxito os seus intentos exploradores e maquiavélicos.

    E lá em cima os mesmos governantes. E outra carrada deles se anuncia… Não restam dúvidas para mim, nem deverão restar a outros – vejam, atente-se, o rasto de asneiras que deixaram e deixam para trás. A mudança é constante… Que remédio, sempre que se esgota a paciência há que admiti-la… e lá vão os mesmos às urnas – locais onde se tem dado a legitimação da escória. Juntem aos seus discursos – cujo lema é a uniformidade da oralidade, para que não se estranhe o registo –, a sua tentativa de postura incorruptível e verão a vida comezinha que nos enlaça.

    Tenham coragem de olhar com olhos de ver a miséria sórdida que nos tem governado. Será tudo isto por acaso? Mera circunstância do destino? Não acredito que acredites nisso. É sabido que todos eles ascenderam à política/ao poder, para melhorar o país. Alegaram as razões mais nobres para justificar o exercício da sua profissão. Partiram com intenções louváveis para tão árdua tarefa. Motivos mais que suficientes para se transformarem em corruptos.

    Oh gente gentalha; Vendam o Mosteiro dos Jerónimos. Aluguem o Mosteiro da Batalha. Hipotequem a Torre de Belém. Privatizem o Castelo de São Jorge e as p**** das vossas mães!

    Celebremos a corrupção. Comemoremos a impotência. Vamos, andem, porque aqueles que nos incitam a cumprir, não cumprem… Se calhar é mentira!…

    in “A Capital”, em 2001

  3. Branco diz:

    Vamos lá ver uma coisa:

    – Os táxis, autocarros da carris, eléctricos, comboios CP, metros ostentam frequentemente publicidade;
    – O Metro de Lisboa consta que é um sumidouro de dinheiro;
    – Se a PT e outras companhias alugarem as estações ao Metro para espaço publicitário e pagarem bem por isso não vejo qual o problema, até porque a estação não deixou de ser baixa-chiado;
    – Se isso permitir uma folga nas contas do Metro para que este continue a prestar o serciço que deve sem necessidade de aumentos brutais de tarifas, acho bem;
    – A vossa (do M12M) acção publicitária está bem esgalhada;

    Cumprimentos

  4. Vitor Ribeiro diz:

    Restauradores Olex
    Odicandles
    Small Field
    Big Field
    Red Cape
    Plaza Mayor
    Plumtrees
    Olives’ Field
    Good View
    Intentooth
    Zoo
    Orangetrees
    Windmills’ Height
    Lover East
    Shell’s Farm
    Angels

    whatever…

  5. diz:

    LINHA AMARELA, LINHA 12 M!

  6. l'outre diz:

    A PT não é dona da estação. É arrendatária do nome da estação e tem direito exclusivo a utilizar o espaço para mostras dos seus produtos. Desde que não desvirtue a estação, não vejo grande problema. É uma forma do Metro Lisboa arranjar mais uns trocos, sem incomodar de sobremaneira os utilizadores. Não me incomoda nadinha sair na Baixa-Chiado Bluestation da mesma forma que não me incomoda que o meu Benfica jogue na liga ZON Sagres; e também não me incomoda ver barraquinhas a promover a MEO.

  7. Francisco diz:

    A liga de clubes e o Benfica são entidades privadas, ao contrário do Metropolitano de Lisboa. Não se podem esconder anos de cortes no financiamento dos transportes públicos e de má gestão, com a cedência de um espaço pago com dinheiro dos contribuintes a empresas privadas.

    Já para não falar da precedência que se abre. Qualquer dia tudo pode ser comprado e vendido. Ainda hei de ver pessoas a tatuarem o logotipo dos bancos nos braços para terem taxas de juro mais baixas na habitação. Mas é melhor não falar muito não esteja um(a) jovem marketeer a ler isto!

    • Gentleman diz:

      «Não se podem esconder anos de cortes no financiamento dos transportes públicos e de má gestão»

      Má gestão é provável que sim. Cortes no financiamento é que não se está a ver onde. Com efeito, a rede tem sido expandida e o Metro tem sorvido quantidades crescentes de dinheiro dos contribuintes a cada ano que passa…

  8. Camarro diz:

    Acho piada à estação do Senhor Roubado… Nessa, não é preciso acrescentarem nada!

    • Camarro diz:

      Já agora uma sugestão: na estação dos Anjos podiam acrescentar “Demónios” e pôr as fotos do Sócrates, do Portas e do Passos.

  9. Rafael Ortega diz:

    Deixem lá o metro ganhar mais uns trocos. As estações já estão cheias de publicidade. Que diferença faz que o nome da estação seja Baixa-Chiado PT Bluestation? Acham que as pessoas vão dizer isso tudo? Vão continuar a chamar Baixa-Chiado, como sempre chamaram.

    Se o M12M quiser dar nomes às estações e pagar para isso não me importo nada.

  10. Rascunho diz:

    O tramado disto é observar, com impotência, a devastação e o saque continuado – o qual legitima o crime, tornando-o quase perfeito (afinal, a continuidade ajuda a banalizar – a tornar aceitável o inaceitável).

    Nunca fui contra o sector privado no que respeita à sua forma directa de agir no mercado – porque sempre soube que qualquer meio que vise lucros está isento de escrúpulos. O problema reside na cambada que tem sido eleita e que permite o saque.

    Pois, a forma corrupta e descarada como se fazem as “transferências de testemunho” é que me deixam lixado. Esta canalha que nos tem “governado” é tão incompetente que nem roubar sabe. Ao menos que soubessem roubar, mas nem isso. Tudo porque sabem com quem estão a lidar – sabem-no tão bem que, para além das fachadas e alçados, até nos oferecem os flancos, sabendo que nunca serão penalizados. Por isso é que vemos um Jardim a sorrir no deserto, entre tantos outros.

    Fazendo um trajecto: para além da Lusoponte, BPN, etc., temos uma imensidão de empresas à beira do saque/privatização – porque dizem (o Estado) não ter como as suportar. Isto até seria aceitável se não fosse propositado/combinado. Constroem (mandam construir – a tal simbiose inevitável do público/privado) e aprimoram até que, sabe lá porque razão, a “coisa” deixa de ser sustentável. Como tal, recai num processo de desvalorização – até que, por milagre, aparece uma alma (ou um grupo) caridosa que se presta a “salvar” a obra. Não seria grave de todo se este conluio não tivesse sido premeditado. Não foi premeditado? Bem, literalmente, vamos supor que sim.

    Continuando na suposição, vamos de exemplo ao “presente e futuro”: faço parte do governo e sou um filho da puta consciente (porque os há inconscientes, mas não estão no governo). Como tal, falo com um grupo e combinamos executar uma obra pública (vá a concurso ou não – é indiferente –, será ganha pelo grupo… foi por isso que o meu foi eleito).

    O dinheiro é público, mas quem executa a “obra” são privados – haja parcerias – para executá-la já têm que estar a ganhar, e de que maneira (trabalhar de “borla” só para os que acartam inconscientes o esterco dos que cagam conscientes). Geralmente tudo decorre com normalidade, a não ser que alguém, pelo caminho, entenda que não tem as mãos suficientemente untadas – o que fará oscilar a obra/empreendimento momentaneamente. Nada que, também, não se resolva com mais uns tostões para quem sabe “demais”. Porém, o mais sórdido é que (já se sabe de antemão), a tão necessária “obra” está subjugada à “inviabilidade”. Começam por a desfalcar lentamente – dando a ideia de insustentabilidade, etc. Entra em acção o plano B ou C (a esta altura) – uma “qualquer” empresa (grupo) privada revela interesse… E assim temos o perpetuar e acentuar do fosso.

    Depois, como pulhas que são, começam a achincalhar-se, uns aos outros, na praça pública (por absurdo que pareça, convém), numa de darem a ideia que não comem para o mesmo lado nem do “constante” tacho. Fingindo antagonismo, como deus e o diabo (habilmente desunidos, para os fins que sabemos) que sempre foram um só, conseguem entreter a eventual “oposição”, e o povinho que é, foi e sempre será idiota – e mais uma vez a “coisa” passa. Sabichão que é o povinho, na sua revolta, vai de legitimar “deus”, porque tinha, sem saber, legitimado o “diabo”, e assim sucessivamente.

    Portanto: não há razão (ou se calhar há) para nos surpreendermos com a bandalheira que nos “governa” há 3 décadas.

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